Your Hunger Games II - Fanfic Interativa
16 Yuri Eaghmaoui II
Notas iniciais
Yuri Eaghmaoui
Acordei assim que Dasha roncou. Ninguém merecia isso. Me virei para todos os lados, mas nenhum me agradava. Me revirei na cama. Os lençóis até caíram, enquanto eu tentava dormir. Mas era impossível com Dasha roncando daquele jeito. Parecia mais um animal rosnando. Desisti. Tirei o travesseiro da cabeça e me sentei na cama. Coloquei os chinelos e cocei os olhos.
Assim que cheguei na porta de meu vagão, ouvi risadas e conversas fiadas altas. Percorri o corredor dos vagões. As portas 9, 5, e 2 estavam muito silenciosas. Talvez eles estivessem em sono profundo. Mas a porta 1 estava uma farra. E quem diria: Os Tributos do 9, 5, 2 e 1 estavam todos sentados em um circulo, com uma faca deitada no meio da roda. Ouvi barulhos de gargalhadas, e senti cheiro de álcool. Esse era o tipo de lugar que Dasha adoraria vir, e o lugar que eu nunca deixaria ela relar os pés. A porta estava entreaberta, por isso aproveitei e espiei lá dentro. Haviam quatro meninos e quatro meninas. E somente uma loira. A loira. Aquela que mostrou o dedo do meio para a Capital. Ela era doida. Os outros eram somente os outros. Todos mais velhos que eu.
- Eu aposto... – a garota de cabelos negros e olhos escondidos pela franja disse – o Tributo do 11.
Todos riram e disseram que era uma boa aposta. A loira girou a faca, que estava no meio da roda, e disse com doçura e graciosidade: — Eu aposto a camisa do Lucca. – encarou o menino a sua frente. Claro, as garotas aplaudiram, o garoto, deveria ser o Lucca, tirou a camisa, o que me fez ter somente uma única alternativa: Virar a cabeça para não ver aquilo. Quando voltei a olhar para dentro, a visão que eu tive não foi muito boa, mas acho que massageavam as retinas das meninas.
- Que paraíso, não? – ela perguntou atrás de mim.
Levei o maior susto da minha vida. Uma menina de pijamas e cabelos coloridos sorriu. – Sou Singrid. Distrito 10. E você é o Yuri, não?
- S-sim. – respondi.
- Bom, eu vi você passando pelo meu vagão, e pensei que você pudesse ter algo a ver com essa barulheira toda, mas estou vendo que não.
Neguei com a cabeça, ainda em choque. Ela sorriu mais uma vez para mim. – Ele não é um sonho?
- Quem? – perguntei.
- Ora, o Tributo do 1!
- Lucca?
- Este é o nome dele? Não é lindo?
- Não sei.
- Eu sei! Ele é lindo... Olhe só este porte atlético e... As panturrilhas!
- Panturrilhas?!
- Sim... Tão gordinhas...
- Ahn...
- Shiu! Fique quieto, estão vindo para cá.
Singrid me empurrou para trás da escuridão, ou da cortina, para ser mais exato. Minha respiração ficou pesada e eu senti a poeira se levantar do chão. Eu tive de segurar para não espirrar. Senti a mão dela roçar na minha, e corei. Ela era mais alta que eu, e muito bonita.
- Tchau. – os Tributos do 9 e 5 disseram enquanto saiam – Boa noite.
Um dos casais entrou no vagão 5 e o outro no 9. Esperamos mais alguns minutos para então sairmos. – Venha. – Singrid pegou minha mão e me levou para fora da cortina, se abaixou e abriu uma fresta da porta, para conseguirmos ver o que acontecia lá dentro. Os que restaram eram Lucca, o cara sem camisa, a loira doida, uma morena de olhos tão azuis que eu não sabia se eram de vidro e um rapaz de olhos, no mínimo, interessantes que deveria ser o companheiro da morena.
- Acha que fizemos boa coisa? – a loira perguntou.
- Sim. O 5 e o 9 são ótimos Distrito aliados. – respondeu a morena.
- Mas a garota do 12...
- Ignore-a. – a morena interrompeu-a. – Ela foi tola em nos negar, agora somos fortes, Selene.
Selene assentiu e girou a faca mais uma vez. – Eu aposto... Ahn... Que a Lia beija o Peter.
A morena, deveria ser Lia, sorriu para o garoto a sua frente, engatinhou até ele e lhe beijou, fazendo a baba sair de sua boca, o que foi nojento, no mínimo. – Eu disse o Peter, não o Lucca! – Selene gritou.
- Sem ciúmes, Selenita. – Lucca riu.
- Não estou com ciúmes! – reclamou.
Singrid suspirou e colocou a mão no meu ombro, e disse: — Aposto que ela está morta de ciúmes. Eu mesma ficaria.
Dei de ombros e revirei os olhos. Com tanto que Dasha fique longe disso, já está bom. Continuei a observar, até que os Tributos do 2, Lia e Peter, se despediram e voltaram para seus vagões. Selene e Lucca estavam sozinhos.
- Eu não quero ver pegação, e você? – Singrid perguntou.
- Pode ir. – respondi.
Singrid deu de ombros e voltou-se para o corredor, entrando na décima porta. Não queria ver pegação, isso era fato, mas agora Selene e Lucca estavam sozinhos, e agora poderiam falar sobre seus planos. Eles acham que estão a sós, e isso pode me render algumas informações valiosas.
Selene murmurou algo em voz baixa e eu fiquei atento. – Ela é uma idiota!
- Eu sei que é. – Lucca concordou. – São todos bobocas.
- Sim. E ela ainda pensa que é a líder... Arghh! – Selene começou a se arrumar para dormir, tirando a roupa, colocando uma camisola... O que me deu uma bela visão, mas pelo jeito Lucca já havia visto ela semi-nua. O que não foi muito legal de saber. – Se pelo menos tivéssemos a 12...
- Eu sei como conseguí-la.
- Lucca, somos fracos. Pelo menos parte de nós é. Os gêmeos são mais unidos, é capaz de todo mundo se matar!
- Sim, mas quando isso acontecer eu e você seremos vitoriosos.
-Você tem razão. Mas... Você não quer saber como eu vou conseguir a 12?
- Claro. E se você for beijar ela...
- Não! – Lucca negou rapidamente, o que me deixou com um pouco de raiva, porque a 12 era minha irmã, e ela não era tão ruim assim. – Eu vou ameaçar ela. Quer dizer, vou ameaçar matar o irmão dela. O 12.
- Ele é um bobão.
- Sim, ele é mesmo. Tolice de Lia pensar que ele pudesse ser esperto. – Lucca sorriu – Dasha nunca irá nos negar se a ameaça for seu irmão. Ela irá morrer, e eu posso até deixar você fazer isso.
- Seria muito divertido. – Selene sorriu.
Senti ódio dos dois, mas me forcei a continuar a ouvir. – Sobre o meu outro plano... – Lucca deu uma pausa – Você disse que sabe muito bem bancar a menininha indefesa.
- Sim.
- Então, estou pensando se você não poderia bancar, e estar loucamente apaixonada por mim, entende? Não estou falando isso para me aproveitar, é que os Patrocinadores...
- Sim, Lucca, eu entendi. E você é loucamente apaixonado por mim, certo?
- Não. Eu não vou gostar de você. Eu não vou estar nem ai pra você, e no meio dos Jogos eu resolvo te amar, ai você fala que esta grávida e eu finjo que me espanto. Os Patrocinadores irão adorar.
- Será? E se eles souberem que é uma farsa?
- Selene, você é uma ótima atriz, e te ignorar é muito fácil para mim.
Selene mandou língua para ele.
- Então, topa? – Lucca perguntou.
- Claro. – ela respondeu dando de ombros.
- Vem, vamos dormir.
Lucca abriu o cobertor, e os dois empurraram as camas, unindo-as, e as fazendo como uma cama de casal. Lucca cobriu os ombros de Selene e ela bateu palmas, apagando as luzes. Entrei em pânico. Todos estavam dormindo. Estava muito escuro, e eu... Ah! Sai correndo e entrei no último vagão, que era o meu. Assim que entrei, tive de me desviar rápido de uma faca.
- Onde você estava, Yuri Eaghmaoui?!! – Dasha gritou.
- E-eu...
- Você estava com ela, não é? Com a loira do Distrito 1!
- Não, Dasha, eu não estava com ninguém, eu fui só comer alguma coisa no vagão refeitório!
- Verdade? – perguntou abaixando a próxima faca.
- Claro, Dasha, quem você acha que iria querer ficar com um... Boboca como eu?
- Você não é boboca, Yuri, é bonito. – Dasha limpou a garganta. – E isso me dá medo.
- Por que?
- Porque as pessoas podem querer você, e não a mim.
- Pode acreditar que, neste momento, todas as atenções estão voltadas para você, Dasha. – caminhei cautelosamente em sua direção. Peguei as outras duas armas que ela segurava e beijei sua testa. – Agora vá dormir, Dasha. Amanhã será um longo, longo dia.
Ela me abraçou forte, mas tão forte que tive vontade de vomitar. Dasha era meio bipolar. As vezes estava possuída pelo ódio, as vezes estava me amando, e achava que eu era o gêmeo mais velho melhor de todos que ela poderia ter. Eu já estava acostumado com essas mudanças constantes no humor, sei que isso havia afetado ela quando nossa mãe morreu, e ela só teve homens pra cuidar dela, eu e papai. – Obrigado, Yuri. – ela sussurrou, com a cabeça no meu ombro.
- Vamos dormir, Dasha. – falei e a levei para cama.
- Dorme comigo, Yuri. – ela pediu.
Minha garganta fez um nó. Então lembrei do que os garotos do 1 haviam feito e assenti, arrastei minha cama até a dela e, cada um no seu travesseiro, dormimos. Claro, eu acordei duas ou três vezes, quando Dasha tinha um pesadelo, ou quando ela abraçava minha cintura tão forte que ela capaz de eu urinar, mesmo sem ter nada no estômago.
º º º
Acordei assim que aquela faca fincou ao lado de meu travesseiro. Acordei sobressaltado. Olhando cheio de pavor para a faca na mão de Dasha. – Bom dia, querido irmão, segundo Effie, nós teremos um longo, longo dia. Agora... Acho melhor você sair daí.
Notei as outras facas, todas pelo colchão de minha cama. Dasha estava soltando a faca, quando eu rolei para o chão. A faca fincou bem onde eu estava, alguns segundos antes. Olhei em pânico para Dasha, e ela somente sorriu. – Vá tomar um banho – Ela mandou, e eu assenti. Estava suado e cheio de medo para ficar no mesmo vagão que ela. Entrei em nosso banheiro, e percebi algo ainda mais assustador: Dasha havia tomado banho. Dasha nunca tomava banho somente por tomar. Algo estava acontecendo com ela... Tirei as roupas e me olhei no espelho da pia. Um garoto ruivo, com a barba crescendo, e com o cabelo já nas orelhas. Molhei a cabeça na pia e passei a toalha para secar. Enrolei-a no pescoço, para caso a água começasse a escorrer dos cabelos, não queria tomar banho. Assim que sai do banheiro, uma faca acertou meu pescoço, e o impacto foi tão grande, que me lançou contra a pia, e eu bati a cabeça.
º º º
[Próximos Capítulos]
“Dasha Eaghmaoui não é mais minha irmã” foi a única coisa que consegui dizer a mim mesmo.
Notas finais
O que Singrid esconde?
Lucca vai aparecer sem camisa no próximo capítulo?
O que Lucca e Selene irão fazer com os Carreiristas?
Yuri morreu?
E por último, mas não menos importante: O Lucca vai te chamar pra dormir com ele?
Descubra tudo isso, lendo: YHG2
-MeellGomes *o*
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