Your Hunger Games II - Fanfic Interativa
7 Selene Densverouix II
Notas iniciais
Selene Densverouix
- Tenho que ir. – digo.
Rubi e Jouro assentiram e eu sai em direção a minha casa. Sai da Arena dos Vitoriosos, e vi alguns deles rindo e conversando. Quando passei por eles, todos se calaram, e me senti constrangida por isso. Afinal, eu não sou uma garota da Colheita, não uma vitoriosa. Mas me mantive reta, com os ombros para trás e a cabeça levantada. Eu tinha em mãos minha adaga tamanho 7. Não havia devolvido. Eu tinha de ficar com ela. Mas aquele engraçadinho riu. Ele riu de mim. E eu não pude fazer outra coisa que não fosse lançar a adaga direto para sua garganta. Mas ele estava segurando um jarro de flores, e o usou para se proteger. Mas pelo menos ninguém mais riu de mim. Logo, logo eu estarei andando por esta Vila, rodeada de pretendentes, pois eu seria a mais bela do Distrito. Algo que eu já tinha de ser...
Fui para o Edifício da Justiça, onde, atrás, é minha casa. Minha casa é enorme. Não sei porque tanta coisa, mas meu pai a fez para que pudesse ver o Distrito inteiro dela. Temos quatro andares, tirando um deles que é o terraço. O primeiro andar abriga a cozinha, a sala de visitas, a sala de TV, e a copa. Uma escada nos leva até o segundo andar, que tem meu quarto, o quarto de Kouro, o quarto de Mamma e Pappa e uma escada que leva para o terceiro andar, onde temos o escritório de Pappa, onde ele administra o Distrito inteiro, a sala de estudos, que é mais uma biblioteca cheio de livros de romance para Mamma, livros de justiça e leis de Panem para Pappa, livros de culinária para Kouro e uma sala secreta, estofada, que antigamente eu usava como minha Casa de Bonecas, mas agora é a minha área de treino. Onde eu luto com o estofamento das paredes, abro furos e treino para que se, um dia, eu for para os Jogos, esteja preparada.
- Separei este para você. – diz minha mãe, assim que entro em casa.
Ela está segurando um vestido verda-água cheio de pelinhos e frufrus. Um cinto grosso de madeira e acessórios de um verde-água que nem as pedras d’água do fundo dos rios que rondam o Distrito 1. Que combinavam com meus olhos verdes. O vestido deveria ir até meus joelhos. E ela me entregou e disse para eu tomar outro banho, mas eu subi e fui direto para meu armário. Aquele vestido estava tão brega que eu tinha de arrumá-lo. Um casaquinho de lã roxo? Perfeito. Um salto também verde e uma pulseira de pedra d’água. Amarrei metade de meus cabelos, somente a parte de cima com uma presilha de diamante, que iria refletir a qualquer coisa. Passei prisma em vez de pó. As meninas dos outros Distrito não sabem, mas os prismas são muito melhores do que o pó de arroz. Eles fixam na pele, e demoram a sair. Mesmo na água. E o tempo está se voltando para a chuva, uma tempestade se aproxima. Olhei para mim mesma no espelho. Meus lábios são rosados naturalmente, o que me livra de ter de passar batom ou gloss. Passei os dedos pelas sobrancelha e sorri para mim mesma no espelho. Vamos dar inveja naquelas plebéias, Selene? Ah, vamos sim.
- Selene? Já tomou o banho? – escuto minha mãe bater na porta. Reviro os olhos e digo que sim, menti, claro.
Sai de meu quarto, e fui para o terceiro andar, para a biblioteca, e abri a porta de meu quarto secreto. Que possui paredes estofadas, duas espadas, três adagas e cinco facas. Tudo o que eu roubei da Arena dos Vitoriosos enquanto Rubi e Jouro não me viam. Arranquei uma das espadas do estofado e a observei. Era pesada, e fazia o meu braço doer somente com alguns segundos de uso, por isso Jouro me disse que eu não deveria usá-la para nada. Rubi me falou que eu tinha aptidão para as adagas e que minha luta corporal sem armas, de mãos livres, era muito boa, mas que eu tinha de aprender a não abaixar a guarda. Suspirei e joguei a espada para o chão, fazendo-a quicar no estofamento no piso. Peguei desta vez uma adaga e ela era bem melhor. Eu havia roubado ela dois anos atrás, quando ainda treinava com as adagas de tamanho 3, o que era muito pequeno, tão pequeno que parecia uma faca.
Fazia tempo que eu não lançava facas. Mas não tinha alvos, também. Suspirei e olhei para a adaga. Coloquei-a dentro de meu casaco de lã. E sai de meu lugar secreto como se nada tivesse acontecido. Tranquei a porta com minha senha, que é o dia em que Jouro venceu os Jogos. Eu não pude ver na TV, mas vi em vídeos que ele tem em sua casa, no Paraíso da Glória. Escutei alguém entrando e tratei de fechar logo meu casaco, para que não vissem a adaga.
- Selene? – era Kouro. Suspirei e virei para ele com um sorriso.- Minha irmã. – ele se curvou e beijou minha mão.
- Meu doce irmão. – digo.
- Não vai acreditar no que aconteceu, minha Selene.
- Diga, Kouro. Não gosto de surpresas ou suspense.
- Ela aceitou.
- Ah, que felicidades eu lhe desejo, Kouro.
- Obrigado, minha irmã.
Kouro sorriu e saiu da biblioteca. Sentei-me em umas das cadeiras e fiquei observando a janela que cobre todo o 3º andar. O vale. O rio que corta a paisagem. Árvores altas e poucas que ainda sobrevivem pelo local. Flores por todo o chão. Flores azuis e roxas escrevendo o nome SELENE no jardim da minha casa. Dá para ver também as outras casas gigantes que são de donos de lojas que produzem para a Capital. Os pássaros e rouxinóis nas poucas árvores cantam e em fecho os olhos, esperando ouvir o barulho da Capital construindo o palco na frente da Prefeitura.
- Selene? – escuto meu pai me chamar, e vou até seu encontro, no corredor do segundo andar.
- Sim, Pappa?
- Venha, quero que algumas pessoas te conheçam.
Assento e vou com ele para fora de nossa casa, ele entra na Prefeitura, e sai na porta da frente. Onde um palco já está instalado e duas urnas estão sendo carregadas para os dois lados do palco. Meninas à direita, meninos à esquerda. Suspiro. Não há nenhum papel ainda dentro das urnas, mas logo terão inúmeros nomes. Incluindo o meu, pela quarta vez.
- Selene, estes são Jumper, Kinder e Flower. Eles são os estilistas da Capital, que irão vestir os Tributos deste ano.
Três pessoas estão a minha frente. Jumper, o primeiro está com a pele da cor da magenta, e os lábios verdes como o caule de uma flor. Os cabelos são espetados e tem flores nascendo de sua cabeça. Os cílios são enormes e dourados. E sua roupa não ajuda muito, pois ele está vestido de “floresta de rosas”. A segunda figura é Flower. Ela é uma mulher negra. Mas acho que escureceu mais ainda a pele, pois agora parece ser carvão. Ela está nua, tirando o fato de que estrelinhas douradas e prateadas estão coladas por seu corpo. O cabelo esta em formato de meia-Lua e ela tem dentes tão brilhantes quando o Eclipse. Já Kinder parece ser uma adolescente como eu. Tem cabelos castanhos e curtos, uma franja que cobre toda sua testa e um sorriso de gloss, pele morena e sardas no nariz. Usa uma camiseta roxa escura, e uma calça cáqui, ela tem presilhas roxas por todo os cabelos curtos e grossos e tem cílios finos que quase não aparecem, embora seu cabelo e sua sobrancelhas sejam muito escuros.
- Prazer – digo apertando a mão de todos, mas olhando fixamente para Kinder. É capaz uma pessoa da Capital ser tão... Normal?
- Tudo bem? – ela me pergunta, também me observando.
- Sim, e tú?
- Tú?!
- Ahn... E você?
- Ah, bem, desculpe, eu não sou acostumada com o linguajar dos Distrito, eu estou bem, obrigada. Você tem... – ela me olhou de cima embaixo. – Um belo gosto de moda.
- Obrigada. – falo, dando uma olhada em seu visual, que não é tão belo como o meu.
- Então, meninas, vocês não querem passear no jardim de nossa casa? – meu pai pergunta. – Eu gostaria de conversar com seus pais, Kinder.
- Oh, claro, Senhor Presidente.
Meu pai sorriu e eu puxei-a pelo braço, em direção a Prefeitura. A atravessamos a estrutura e saímos de frente com minha casa, dei a volta e parei assim que ela entrou em estado de choque.
- Ah – Meu – Deus !! – seus olhos captam tudo ao redor.
- O que foi?
- Isso é... Lindo! Olhe as flores, e... E a grama! As árvores tem folhas de ouro, e... Oh, que lindos pássaros!
- Isso é um jardim normal do Distrito 1. – digo simplesmente.
- Pensei que vocês ficassem o dia inteiro trabalhando numa fábrica de jóias para a Capital.
- Nós não temos fábricas, usamos nossas mãos. – informo – As fábricas poluem muito o meio ambiente. E sem as árvores de ouro, e sem as flores de platina... Fica difícil encontrar isso tudo nos rios. Ou em minas.
- Sim. – ela concorda – Nossa, olhe isso... – ela está correndo por todos os lados, e, até que pare, estamos as duas ofegantes.
- Então... Aqueles caras, Flower e...
- Jumper. – ela completa.
- Isso, Jumper, eles são seus pais?
- Sim. Eu sei, eles são horríveis, mas é tudo passageiro, moda da Capital, coisa brega.
- Sim.
Ficamos em silêncio. Ela balança os pés e respira o ar tão fundo que parece que nunca respirou na vida. Ouço o barulho do sino ser tocado na Prefeitura, o sinal de que a Colheita está começando. Me levanto e limpo o vestido, deixando a adaga quase cair, estava já me esquecendo dela.
- Tenho que ir. – digo.
- Claro. Estarei torcendo para que seu nome não saia. – ela diz e sorri para mim.
Volto correndo para a Prefeitura e vou para a fila. Como sou a primeira, eles logo me pegam meu dedo e o espetam. Pedem meu nome e eu digo. Eles imprimem o papel de meu nome que será utilizado no sorteio, e entregam para um Pacificador, que está se curvando para mim. Ele anda com sua arma até o palco e coloca meu nome dentro da urna. Me papel é o último de todos, isso me dá um pouco de alívio. Mas as urnas serão mexidas de um lado para o outro, enquanto o hino é tocado, o que não pode dizer nada.
Mais e mais crianças de 12 á 18 anos vão chegando e eu vou me espremendo entre as garotas. Sinto a adaga já me machucando pó baixo no casaco, mas não reclamo. É proibido alguém leva armas para a Capital, mas se eu for eles não irão permitir que eu leve outra coisa. Respiro fundo e vejo Derick subir ao palco. Ele é muito carismático e consegue nos divertir, numa hora tensa como esta. As meninas ao meu redor tentam ao máximo me deixas na frente de todas, pois eu sou a filha do prefeito, e eu sou praticamente a menina que mais representa todas elas. Derick sorri, e algumas suspiram e comentam como ele é bonito. Após o hino horrível da Capital, ele diz que infelizmente tem de pegar uma das belas moças dentre nós para os Jogos, então anda até a urna. Todas estão apreensivas. Mas assim que ele anuncia o nome, elas respiram fundo, aliviadas por não serem elas. Uma pequena de doze anos me cutuca nas costelas e eu olho para ela. É minha vizinha.
- Selene, é o seu nome.
- O-o que? O meu?
- Sim, você não ouviu o Derick?
Respiro fundo. Sinto minha mão tremer e meu corpo travar. Mas então uso um velho truque que Rubi me ensinou um dia. Neutralizei minhas emoções e não demonstrei nada sobre uma tal reação. Caminhei por entre as meninas, até chegar ao corredor que me levaria a escada até o palco. Pacificador nenhum quer me levar até o palco. Eu sou a filha do prefeito, ninguém quer fazer algo assim comigo. Ando até a frente do palco, mas uma menina me detém, ela quer se oferecer para me salvar. Ah, não acredito!
Vi o olhar sofrido de mamãe, e as feições de poder e indignação de papai. Kouro estava olhando fixamente para mim, enquanto aquela menina apontava o dedo para mim e dizia que iria me substituir, e estava se voluntariando para ficar em meu lugar, que a filhinha do prefeito não podia competir, que eu morreria em questão de segundos e blá-blá-blá. Revirei os olhos. Devia ser mais uma daquelas filhas de Pacificadores que treinam na Prefeitura, em vez de treinarem com os meninos do Centro de Treinamento do Distrito 1. Ela deveria achar mesmo que eu iria deixar ela ir no meu lugar. HAHAHA!
– Cai fora, menina! – mandei.
Ela empurrou meu ombro, como se eu não fosse a filha do prefeito e foi para frente de Ulliah, ficando na frente dela, e dizendo em alto e bom som: — Eu, Magná Louro me ofereço como tributa...
Infelizmente ela não pode continuar, pois eu cravei minhas unhas em suas costas, e afundei, até sentir seus ossos. Cada vez afundando mais. E sentindo seu sangue entrar debaixo de minhas unhas. Assim que a soltei, ela caiu de joelhos e começou a vomitar.
- Você acha que pode agüentar a Arena, se não agüenta nem um beliscão?
Ela não responde, e eu continuo minha caminhada neutra até o palco.
- Quer dizer alguma coisa, Selene? – ele pergunta.
Assenti com a cabeça, e mostrei o dedo do meio para as câmeras. Derick solta um riso e continua. Sorteia um tal de Lucca Sant’Dio, mas eu não estou nem ai. Vou matá-lo do mesmo jeito, uma hora ou outra. Assim que damos as mãos. Ele olha fixamente para mim, e eu percebo quão bonito ele é. Mas desvio o olhar, para seu rosto. Ele empalidece e eu sigo seu olhar. Ele está olhando para o sangue seco debaixo das minhas unhas, que pertencem a Magná Louro.
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