Notas iniciais
Mais um capítulo, meus lindos!

Peter Weelloy

“Peter, por favor, não a deixe”

Este foi o último pedido, antes de minha vó falecer. Ela queria que eu me desse bem com minha mãe. Mas não iria conseguir facilmente. Eu nunca havia visto ela, pois era uma vitoriosa, e a Capital exigia que ela ficasse 100 por cento de seu tempo lá. Algo que deve ter afetado eu quando criança, mas agora não afeta mais. Sei que ela é obrigada a ficar lá, e sei que daria tudo para ficar comigo. Mas agora eu já tenho 16 anos. E minha avó morreu. O que me obriga a ir para a casa de minha mãe, na Aldeia dos Vitoriosos.

Estou fazendo um almoço para ela, pois recebi uma carta dizendo que ela viria me visitar. Sim, eu me arrumei, passei inúmeros perfumes e troquei três vezes de roupa. Mas assim que ela chegou. Não pude agüentar, a abracei forte. Choramos, sim, mas de emoção e saudade. Conversamos toda a tarde, mas ela teve de voltar. E eu fiquei sozinho, de novo.

~~ Um Ano Depois ~~

- Uma salva de palmas para Peter Weelloy! Filho dos vitoriosos Enelly e Critus!

Olhei para todos me aplaudindo e me recebendo com louros. Vi Rose bater palmas para mim também, e sorri. Dei um soco no ar, e prometi a eles que voltaria. Que idiotice, como eu poderia prometer algo que é na base da sorte? Mas o importante é que Rose está torcendo por mim, e ela veio se despedir de mim, sim. Isso me deixou muito feliz.

- Eu sabia que iríamos nos tornar grandes campeões. – ela disse enquanto me abraçava.

- Nós?

- Ano que vem sou eu, esqueceu?

Sorri para ela e confirmei com a cabeça. E eu iria estar em minha própria casa na Aldeia dos Vitoriosos, torcendo por ela. Mas agora era hora dela torcer por mim, da Aldeia. Rose é minha melhor amiga, e isso não quer dizer que eu goste dela, só que ela me ajuda a treinar. Principalmente com a espada, que não é muito meu forte.

- Agora, me de um abraço, Peter Pateta. – ela abriu seus braços.

- Se você parasse de... Argh! – essa menina é o demônio, mais forte que não sei o que, o abraço doído!

Ela riu pelas narinas, mas continuou me abraçando. Senti que ela estava tirado a força do abraço, o que era um bom sinal, pois eu não estava mais agüentando, mas também notei que nós nunca tínhamos relado um no outro. Era estranho, nem quando nos conhecemos a gente fez um cumprimento formal. Agora sei que foi perda de tempo, pois nunca mais poderei dar uma abraço na minha amiga. Quando retribui a seu abraço, ela me soltou com tanta rapidez que eu fiquei até atordoado.

- Que foi? – pergunto.

- Ahn, nada. Só não me abrace de novo.

- Então quer dizer que você pode me abraçar e eu não posso te abraçar.

- Sim.

Soltei uma risada. Ouvimos os Pacificadores gritando que só tínhamos mais alguns segundos. Rose se aproximou de mim e fechou a mão em um punho, e depois socou minha barriga. Eu segurei o ar e mordi os dentes para não gritar de dor. Então olhou para meus olhos, como se tentasse adivinhar em qual iria bater primeiro. Mas fez algo que me surpreendeu mais ainda. Ela me beijou. Seu beijo não foi... Como eu esperava. Ela soltou o ar, fazendo aqueles barulhos que as pessoas da TV fazem quando se beijam na Capital. E senti o tecido de sua camiseta. Eu estava segurando sua cintura, que tinha uma curva muito mais funda do que eu imaginava. Ela ficou nas pontas dos pés, segurou os músculos do meu braço. Nossos corpos se encaixaram. Sua boca se encaixou. Eu me esqueci da dor na barriga, e só a tomei pelos braços e a abracei, enquanto nos beijávamos. Senti minha língua tocar seus lábios. E eu me preparei para levar um soco no meio da testa, mas ela cedeu. Abriu os lábios, permitindo minha passagem. Brincamos de esconde-esconde, pega-pega, e cobra-cega. Um detalhe: brincamos com nossas línguas. Percebi que eu mesmo estava respirando com dificuldade.

Rose me empurrou, e percebi que ela estava descabelada, ofegante e muito atordoada, assim como eu. Ela cambaleou assim que se afastou de mim, mas continuou firme. Eu só podia olhar para ela, com uma interrogação a testa.

- Por que você... ? – minha pergunta morreu no ar. Talvez porque eu não queria saber a resposta.

- Talvez eu não tenha chance de fazer isso mais tarde. – ela disse, limpando a boca com o braço, e então eu percebi que eu havia babado na boca dela, e ela na minha, por isso aprecei em me limpar.

- Você acha que eu vou morrer? – perguntei.

- Não sei. Você acha que vai morrer?

- Espero que não.

- Eu também.

Os Pacificadores abriram a porta e pediram educadamente para que Rose fosse embora.

- Só mais um minuto. – ela pediu.

O Pacificador negou com a cabeça e pediu mais uma vez para ela sair, ameaçando-a de estourar seus miolos. Rose suspirou e tirou dos bolsos três moedas. O Pacificador olhou para sua mão, pegou as moedas e fechou a porta atrás de si.

- Rose... – sussurrei.

Ela sorriu para mim e estendeu a mão. – Você foi o melhor amigo que eu tive, Peter.

- Você também foi minha melhor amiga.

- Pode apostar que eu vou ser sua Patrocinadora, ok?

- Sim. – respondi, ainda não sabendo de nada. Não tinha assimilado ainda aquilo.

- Bom então... Acho melhor eu ir... – ela balançou as mãos para frente e para trás, como sempre faz quando está nervosa.

- Obrigado pelo beijo.

Ela ficou vermelha e colocou uma mecha para trás da orelha. – Eu que agradeço.

Ficamos em silêncio, até o minuto acabar e o Pacificador tirar Rose a força da sala. Suspirei e coloquei as mãos na cabeça. Lá fora, fora da Prefeitura, o Distrito inteiro entoava meu nome e o da menina que viera comigo. Peter Weelloy e Lia Bekher. Ela tinha dezessete. Bonita, até, mas acho que não me daria bem com ela.

O beijo que Rose me deu só fez aumentar a minha vontade de voltar para o Distrito 2. E é isso que eu vou fazer, vou lutar até o último pingo de sangue sair de meu corpo, mas vou lutar. Pode ter certeza.

Sentei no chão. Como eu queria, como eu queria que Rose tivesse vindo para cá comigo. Nós somos uma dupla infalível. Ela é ótima com espadas e lanças, e eu sou muito bom em luta corporal e facas e arco e flecha. Nós com certeza iríamos ganhar estes Jogos juntos.

- Peter Weelloy? – um homem entrou pela porta e eu me recompus, e estendi a mão.

- Sim?

- O trem chegará somente a algumas horas. Ainda está no Distrito 11. Se quiser passar alguns minutos com sua companheira de Distrito...

- Claro, claro. – falei.

Ele assentiu e pediu para seguí-lo até onde a menina Lia estava. Assim que batemos na porta, uma mulher a abriu e sorriu para o homem, cumprimentando-o e deixando-o entrar. Entrei logo atrás dele. Lia estava chorando, enquanto a moça que estava na sala com ela a consolava.

- Lia, Peter veio te dizer oi, vamos, levante. – pediu a mulher.

Lia enxugou o rosto, e, quando levantou, levei o maior susto da minha vida. Ela é linda. Muito mais linda do que deu para ver na Colheita. Ela é... Um anjo. Um anjo perfeito, me deixou até sem palavras na hora.

- Olá, Peter. – ela quebrou o encanto e eu balbuciei um “Ahn, oi, né?”. — Eai? Teve muitas visitas?

- Só uma, da minha amiga.

- Parabéns. Nem minha mãe veio me ver pela última vez... – ela segurou o choro que queria voltar e suspirou – Mas vamos sair do assunto. Quer se sentar?

Ela ofereceu o sofá, e eu me sentei ao seu lado. O que se seguiu foi uma conversa normal, de dois adolescentes entre 17 anos que estava se conhecendo. Lia era legal, embora fosse delicada, por dentro. Ela disse que tinha ido com a minha cara, e eu fiquei feliz por isso. Quando o trem chegou para nos buscar, o Sol já se punha, e o céu estava um borrão de cores quentes, como laranja, amarelo e marrom terra.

No trem haviam os Tributos do Distrito 12 ao 3, e nós éramos os penúltimos a entrar. O homem que ia com a gente se chamava Dioberto, o cara que ganhou os Jogos vinte anos atrás, e a mulher era a Glória, que, só pelo nome, já da pra saber que venceu os Jogos com... Glória. Lia encarava uma menina em particular que me deixou desconfortável. A garota do Distrito 12. Uma gordinha ruiva que estava comendo como se passasse fome o dia inteiro.

- O que foi? – perguntei a ela.

- Dasha, Distrito 12.

- Isso eu sei, eu vi na TV.

- Sim, mas... Olhe. – ela apontou para o corpo da menina

- Ela tem músculos, e daí?

- Correção, ela é forte. Quero ela no nosso grupo.

- Nosso grupo?

- Os Carreiristas. O Distrito 12 deve estar treinando seus Tributos, já é a segunda vez que eles ganham, consecutivo, e ela é forte, o que aumenta a chance de eles vencerem de novo.

- Mas por que só não matamos ela na Cornucópia enquanto estiver ocupada?

- Não. Olhe o irmão dela. Parece inteligente. Ele não está comendo como um animal, e parece estar formulando milhões de cálculos agora mesmo.

- E daí? – perguntei.

- Eles são uma dupla quase perfeita. Ela é forte, e ele é inteligente. Temos de separá-los.

- Você parece pensar como se os Jogos fosse agora.

- Os Jogos são agora, Peter, eles já começaram. A tortura começa desde que os Tributos são sorteados. É uma luta contra tudo, e todos. Desde a Colheita. Nas carruagens, nos treinos, na Cornucópia...

- Onde quer chegar?

- Temos de manipular a todos, para que pensem que estão se fortalecendo, ao contrário, eles estarão se enfraquecendo. Devemos mudar a vida deles, como eles nunca imaginariam.

- Somos uma dupla quase perfeita, você não acha?

Ela me observou por alguns segundos e sorriu, cutucando o músculo do meu braço – Sim, nós somos.

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Peter Weelloy

Notas finais
Que gato ele, neah? Mandei reviws e recomendações!