Notas iniciais
Mais um capítulo! Demorei, mas aqui estou!

Lucca Sant’Dio

Consegui tomar um banho antes de ir para a Colheita. Abri o guarda-roupa. Camiseta brnca, suspensório marrom, calça social preta. Cabelo em um chapéu de risca branco também, sapatênis nos pés e perfume amadeirado no pescoço. Um sorriso para mim mesmo no espelho, e uma Emily exasperada arrombando a porta de meu quarto.

- Lucca? Lucca! Lucca! – ela estava desesperada, de modo contagiante.

- Que foi? A casa ta pegando fogo? Nossos pais se divorciaram? Está acontecendo um apocalipse zumbi?

- Não! Eu vou me casar!

Estou ainda digerindo suas palavras, enquanto ela pula em minha cama rindo e gargalhando. Ela... Ela vai se casar? Mas como... Com quem?

- Mas com quem?

- Com Kouro, o filho de prefeito! Ele me pediu agorinha! – ela cai sentada e sorri para mim com a maior felicidade do mundo. – Não se preocupa, ele tem uma irmãzinha lindinha.

- O que você quer dizer com... – então meus olhos se arregalam e eu não posso acreditar no que ela quer dizer... – Não! Não! E não!

- O Lucca vai namorar! Lucca vai namorar! – ela começa a cantar e correr pelo quarto todo.

Eu, como um irmão exemplar, corro atrás de minha irmã doida e feliz. Até eu conseguir alcança-la, Emily já bagunçou meu quarto inteiro.

- Eu não vou namorar ninguém! – gritei de volta.

- Vai sim! Vai sim!

Quando consegui fazê-la calar a boca, falei com dureza.

- Eu não vou namorar ninguém.

- Vai sim, assim que eu me casar, ela vai ser a mais bela do Distrito, e você irá se casar com ela! Você tem que se casar!

- Eu não ligo para beleza.

- Uhum, e eu não vou me casar com o filho do prefeito...

- Emily, cale a boca.

Ela mandou língua e papai chamou-nos para irmos para a sala, antes de irmos á Colheita. Obedecemos e ele parou no degrau da escada e segurou meu ombro, e disse em meu ouvido:

- Não conte a sua irmã.

Eu sabia o que isso queria dizer. Eu não podia contar a Emily que estava na Colheita, ela iria desistir de seu casamento e se enterrar viva se soubesse. Então respirei fundo, e prossegui, ignorando-o.

Na sala, mamãe já esperava, e eu a odiava mais e mais. Ela estava calada, muda. Com um vestido vermelho e um chapéu e um véu negro escondendo seu rosto. Revirei os olhos, quanto mais rápido saísse de lá, mais rápido voltava. Então sai sem minha família e fui em direção ao centro do Distrito 1. Ignorei os outros da fila e a furei. Ninguém reclamou, pois ninguém queria que sua vez chegasse. Eu nunca havia passado por aquele lugar, normalmente a gente não faz isso, eu e Emily. A mulher Pacificadora pediu meu braço e eu o dei, ela pegou meu dedo e o espetou. Não senti dor, e logo ela pediu meu nome. O dei a ela e ela me mandou ir para junto com os meninos de minha idade. Assim que a fila acabou lá, dúzias de crianças hiperativas estavam lá, e logo o homem que nos representa na Capital. Derick. Ele subiu no palco e deu uma breve palavra, dizendo coisas como: A Capital não presta, ou, Distrito 1 é o melhor!. Logo ele se virou para a urna com o nome das meninas. Pelo menos nisso temos sorte, somos os últimos a sermos sorteados.

Ele pegou o papel e o abriu, o leu e sorriu para todos.

- Selene Denverouix!

Todos nós ficamos pasmos. Selene é a filha do prefeito. A mais inteligente da classe de ciências políticas, a menina que dá inveja a qualquer outra de todo o Distrito, somente para Emily que não. Ela é a futura mais bela do Distrito. Ou não. Agora ela iria para os Jogos. E parece tão delicada que irá logo morrer na Cornucópia.

Ela saiu da fila das meninas e foi andando, com o rosto sem expressão e com o nariz erguido, sem medo nem fraqueza. Sua bela face está pálida, e seu vestido é tão púrpuro quanto qualquer coisa. Ela está linda. E mortífera.

- Esperem! – uma menina de 17 ou 18 anos saiu correndo do meio das outras garotas e parou na frente de Selene. – Eu vou em seu lugar, pequena.

Eu observo o nojo nos olhos de Selene e a vergonha em suas bochechas.

- Não precisa... – dá para perceber seus lábios formando esta frase, mesmo sem ouvi-la.

- Não vou deixar que a filhinha do prefeito vá para a morte! Eu, Magná Louro, me ofereço como tributa...

Mas então algo totalmente estranho acontece. Assim que a menina maior da as costas para Selene, ela se virá e crava as unhas nas costas da menina mais velha, que grita de dor e logo cai ajoelhada no chão da Prefeitura.

- Você acha mesmo que vai conseguir aguentar a Arena, se não aguenta nem um beliscão?

A menina não responde, e fica inerte no chão. Selene volta a caminhar sem expressão nos olhos azulados e cinzentos, como o céu, e quando chega no púlpito, ela olha para todos nós, e depois para trás, para seu pai que está sentado na cadeira ao lado de sua mulher. Os dois com expressões sofridas. Ela então se vira para as câmeras, e faz um gesto obsceno para a Capital, mostra o dedo do meio.

Derick se diverte, rindo e dizendo que essa sim é uma boa competidora, e Selene se senta ao lado de seus pais, sem expressão sequer em sua face linda e pálida. Derick elogia mais o prefeito e sua mulher por terem feito uma menina tão cheia de si, e logo parte para a urna com os nomes dos meninos. Ele para, pega o primeiro papel a sua frente e o lê em voz alta, sem precisar do microfone.

- Lucca Sant’Dio! Vamos, cara, suba ao palco! – ela grita para os meninos.

Eu estou congelado em mim mesmo. Não consigo digerir aquilo. Alguns meninos apontam para mim e dizem para os Pacificadores que eu sou Lucca Sant’Dio. Sou empurrado para o palco, diferentemente de Selene, que foi por conta própria.

Derick pergunta se eu quero fazer algum desejo “feliz” para a Capital, mas eu nego com a cabeça. Ele faz um biquinho triste e logo anuncia que somos o casal de Tributos do Distrito 1. Todos batem palmas e entoam nossos nomes. Como se fosse um orgulho ser do Distrito Um. Aperto a mão de Selene, e não sei porque, a voz de minha irmã me vem nos pensamentos justo agora,

“O Lucca vai namorar! O Lucca vai namorar!” Quem sabe, Emi, quem sabe...

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Lucca Sant'Dio

Notas finais
Reviws e fichas, não esqueçam!