Your Hunger Games II - Fanfic Interativa
9 Dasha Eaghmaoui
Notas iniciais
Dasha Eaghmaoui
- Não fique tão perto do fogo, Dasha. – Ah, como eu odeio meu irmão!
- Eu sei o que estou fazendo. – respondo.
- Só estou pedindo para tomar cuidado. – ele diz, pacientemente.
Reviro os olhos e aproximo minha mão das chamas. Está muito frio, mesmo que a neve não esteja caindo, e nem tenha vestígios de que vá cair. Somente o vento sopra, fazendo as janelas baterem, e o vendo romper o telhado. Eu queria pular na lareira, isso sim. Sinto o calor da lareira me enchendo e abraçando meu corpo. Ah, que maravilha... Respiro fundo o ar quente e me balanço nas pontas dos pés, para frente e para trás.
- AI! – exclamo.
- Eu falei para ficar longe do fogo! – Yuri sai da cozinha e segura minhas mãos. – Sua sorte é que não queimou nada.
Reviro os olhos e me solto de Yuri. Só porque não temos ninguém para cuidar de nós, ele acha que pode ser meu pai. Pois não pode não. Eu não vou deixar. Ele se acha espertinho, mas eu sou forte, sei me cuidar sozinha, pois é isso que eu faço quando os “colegas” no colégio se acham bons o bastante para me chamar de Baleia, Rolha de Poço, e tudo mais. Eles saem com olho roxo isso sim. Lolipop, nossa gata parda de pelo laranja vivo, como meus cabelos, se enrosca em minhas pernas e pede por carinho, e eu não posso negar.
- Vamos mesmo lá fora neste frio? – Meu irmão pergunta.
- Mas é claro que vamos.
Ele suspira e entra em nosso quarto, provavelmente vai pegar um casaco, e certamente vai buscar um para mim também. Pois eu não vou sair de casa com meu pijama, por isso trato de ir com ele para nosso quarto, e colocar o de sempre. Calça de couro justa, uma camiseta de moletom grosa até os meus joelhos e minhas botas pretas, embora eu odeie meias, sou obrigada a usá-las, pois está muito frio. Yuri esta vestindo o de sempre, seu agasalho marrom e preto, toca azul marinha e tênis (como sempre, furados). Seu gorro esconde seu cabelo ruivo, o que dificulta para as pessoas reconhecerem que somos irmãos gêmeos.
- Vamos logo, a Colheita irá começar á uma hora da tarde. – ele diz e eu confirmo com a cabeça.
Saímos e fomos para as minas. Subimos a parede de pedra com facilidade e sentamos para apreciar o vento e a paisagem da floresta que ronda o Distrito 12 inteiro. É uma pena não podermos ir para lá. Parece ser tão bonito e cheio de animais... Sim, eu amo animais. Principalmente Lolipop.
Yuri aqueceu as mãos raspando uma nas outras, e eu soltei o ar quente de dentro de meus pulmões para ver a fumaça que saia de minha boca. Rimos e ele pegou minhas mãos, para aquecê-las.
- Você acha que ele vai ir para a Colheita? – pergunto a meu irmão.
- Dificilmente. – ele responde.
Confirmo com a cabeça. Nosso pai nunca sairia de casa num dia de folga somente para ir nos ver na Colheita. Ele não é o tipo de pessoa que faria isso. Me deito na encosta da mina, e Yuri continua a olhar para a floresta.
- Você acha que um dia teremos chance de conhecer algo assim? – ele pergunta.
- Se formos para os Jogos...
- Nem brinque com isso!
Rimos e continuamos a pensar em coisas bobas como a floresta ou o vento. Deixamos nossos pensamentos fluírem. Um dia iremos trabalhar aqui, nas minas, e temos de ver este lugar não com uma prisão, o que é para a maioria das pessoas, mas sim como um lugar onde nós podemos ficar a sós, pensar em nós mesmos, e na natureza. Escuto alguns tordos vindos do centro do Distrito, em nossa direção, um deles pousa ao lado de Yuri e transmite a mensagem.
Colheita, olheita, oi-ei-ia!
E saiu voando de volta para os galhos da Floresta. Com certeza este foi um sinal de nosso pai de que devemos ir logo para a Colheita. Normalmente meu pai lança esses bichos atrás de mim e de Yuri. Ele treina tordos. É incrível seu trabalho, ele consegue treiná-los para voar para onde ele quer, e enviar mensagens para todos do Distrito. Mas após o tordo ser usado, este tem duas opções: Voltar para as mordomias que meu pai dá para eles, ou ir para a floresta, seu lar. Este tordo escolheu a floresta. Algo que eu escolheria também, se pudesse.
- Vamos, papai tem razão. – Yuri se levanta e desce a parede da mina.
Faço o mesmo, e vamos de mãos dadas para o centro do Distrito 12, na Prefeitura. Onde a Colheita é feita. A Costura inteira fechou as portas para assisti a Colheita deste ano. Estão dizendo que este ano irão ser Jogos lendários, dos quais ninguém nunca se esquecerá. Mas eles disseram isto no ano passado, e quer saber minha opinião? Tinha que ter rolado mais sangue, isso sim. Mas também dizem que este ano os Jogos tem um novo Chefe de Idealizador, ou alguma coisa assim. Não gravei seu nome, mas dizem que ele é filho do Presidente de Panem. Que também não sei o nome, pois não me interesso por isso. Yuri com certeza saberia o nome dele, pois ele adora ver este tipo de coisa.
- Você está tensa. – Yuri sussurra enquanto esperamos nossa vez na fila.
- Não estou. – respondo sussurrando, e alguns Pacificadores, armados até os dentes, pedem silêncio.
Reviro os olhos e permaneço quieta, pois não quero morrer antes mesmo de saber quem são os Tributos deste ano. Assim que pedem o dedo de Yuri, e o espetam, também pedem seu nome. Eu sigo seu exemplo, e dou minha mão para a Pacificadora, e depois meu nome. E vou em direção a ala das meninas, onde garotas de todos os tamanhos idades e portes físicos estão. A maioria é magra e fraca, deve estar morrendo de fome uma hora destas, mas eu continuo, e paro na terceira fileira, sendo a da ponta da fila. Sou a mais gorda ali, mas não porque como demais, mas sim porque puxei os traços de meu pai. Sou cheinha, e minha tendência é a engordar, e não a emagrecer, como a de quase todos no Distrito 12. Um Sol está aparecendo, e eu ainda acho que isso é a maior cara de pau, pois ele só aparece agora, na Colheita, aquecendo a cada uma de nós, que estamos aguardando não ansiosamente pela Colheita. Fecho os olhos, e ouço a porta da Prefeitura de abrir. Nosso Prefeito, do qual não recordo o nome, também, sai com sua esposa e se senta ao lado de dois jovens. Um deles eu, sim, reconheço. Leo Frangz, ganhador do ano passado. E o outro, se não me engano é Katniss Everdeen, a única ganhadora mulher de todo o Distrito 12. Os dois ganharam em anos consecutivos, o que faz o Distrito 12 entrar na história dos Jogos, pois isto é muito difícil.
- Bem vindos! Bem vindos!- diz a mulher da Capital que nos representa. Sinto um nojo fatal dela.Tento procurar Yuri com os olhos, mas com sempre, é em vão. – Olá a todos vocês do Distrito 12! Bem, para começar, eu trouxe um vídeo diretamente da Capital! Vamos assisti-lo!
Uma nota do hino da Capital toca, e somos obrigados a cantar, se não nos matam. Minha memória não é tão boa, então somente mecho os lábios, na esperança de que eles não percebam. Vejo o telão, três divisões. Um deles mostra alguns meninos, outro mostra a mulher da Capital e o outro... Mostra o meu rosto. Sinto meu sangue congelar, e tento desviar o rosto do telão. Olho para frente, mas sei que ainda estão a me filmar. Tento parecer relaxada, mas é impossível. Assim que o hino termina, o vídeo começa. Reviro os olhos, não me importando se isso vai ou não aparecer no telão.
Guerra. Uma guerra terrível. Me recordo do começo. Todos olham para o telão. Cenas da destruição do Distrito 13 e de pessoas morrendo aparecem. Então uma carta, e a frase da qual a Capital mais usa para se referir a nós. Que a sorte, esteja convosco. Tento não olhar, mas não dá. Cenas dos primeiros Jogos, o primeiro Massacre Quaternário, e a foto de todos os Distritos, até o 12. E em troca pela liberdade, foi declarado que cada Distrito disponibilizasse um menino e uma menina entre 12 á 18 anos, para um evento, em que teriam de lutar até a morte. Sobrando então, um vitorioso. Respiro fundo. Quando o vídeo termina, a mulher da Capital sorri para nós com sua peruca amarela e o sorriso laranja.
- Bem, vamos conhecer agora os Tributos que terão... A honra de representar o Distrito 12. Mas... Vamos sair do costume! – todos se entreolham atônitos, e com uma pontinha de esperança dos Jogos não acontecerem, mesmo que todos saibam que isso é impossível. – Os meninos primeiro!
Não sei o porque, mas sinto um arrepio subir meu corpo. Não! Os meninos primeiro não! Um medo tremendo sobe minhas veias, e se... E se for o nome de Yuri?
A figura de peruca amarela anda até o palco e meche os papeis com os nomes de cada menino ali presente. Nomes até demais, pois alguns se inscrevem mais de uma vez, para ganharem grãos e óleo, mas graças a Deus eu e Yuri nunca precisamos fazer isto. Ela finalmente pega o papel. Anda de mal jeito até o palco, com os saltos que não se encaixam com o piso desregular da Prefeitura e abre o envelope, que contém um nome.
- Yuri Eaghmaoui!
Minha mente esta adormecida, eu não consigo pensar direito. Yuri? Mas este nome é parecido com o do meu irmão, não? Eu será que... É o meu irmão. Olho para ele, subindo as escadas, com seus tênis furados e o moletom cobrindo suas mãos. O gorro em seus cabelos, e cai por causa do vento, deixando aparecer seus cabelos ruivos. Minha mente está a cem por hora agora.
- Senhora e senhores, Yuri, Tributo do Distrito 12! – ela anuncia como se ninguém soubesse disso. – Agora, as damas!
Olho para Yuri, e ele olha para mim. Nossos olhos estão um dentro do outro. Ele nega com a cabeça, e faz um gesto discreto com as mãos, para eu ter calma. Mas minhas pernas estão se mexendo por conta própria, minha respiração está se acelerando, meu coração batendo a cada segundo mais forte. E minha voz também não está em meu comando.
- Parem! Parem! – grito. Alguns Pacificadores vêm me tirar dali, mas eu os empurro, e ao ligo para suas armas apontadas para mim. – Esperem!
- Quer dizer algo, queridinha? – pergunta a mulher de peruca.
Minha respiração falha, minha voz treme, meus lábios tremem. Minhas mãos e pernas estão bambas. E eu mal consigo responder.
- S-sim. – olho diretamente para Yuri e ganho coragem. – Eu quero participar dos Jogos.
Os Pacificadores tiram suas mãos de mim e deixam que eu vá para o palco, sozinha. A mulher está sorrindo, sim ela está. Não acredito na cara de pau dela de sorrir enquanto eu estou me oferecendo, sem saber o propósito, ao certo. Não deixei que ela sorteasse uma outra menina, eu simplesmente me ofereci. Assim que cheguei no último degrau da Prefeitura, ela segurou meus ombros e me levou até o centro do palco, ao lado do microfone.
- Seu nome, por favor. – ela pede.
- Dasha Eaghmaoui.
- Oh, deixe-me adivinhar! Você é irmã de Yuri, certo?
- S-sim.
- Ora! Demos uma salva de palmas para os irmãos Eaghmaoui!
Ninguém se manifesta. Dois anos atrás, quando Katniss Everdeen se ofereceu para salvar sua irmãzinha, nós fizemos um gesto que só fazemos em ocasiões especiais, algo que foi uma cultura inventada pelo Distrito 12. Mas dessa vez, nada acontece. Todos olham somente para nós. Sem esperança nenhuma. Temos treze anos os dois, isso não é vantagem. A idade média de vitória é entre 16 e 18 anos. Estamos longe de qualquer coisa.
- Vamos, apertem as mãos! – ordena a mulher de peruca.
Olho para meu irmão, e vejo que ele está decepcionado comigo. Mas o que eu posso fazer? Eu não estava no controle de mim mesma. Eu não podia fazer nada... Fomos levados para dentro da Prefeitura, em salas diferentes. Como eu esperava, papai não apareceu. Ele devia saber que eu e Yuri estávamos nos Jogos. Devia estar alimentando os tordos, ou dormindo, aproveitando sua folga das minas. Tive de esperar vinte minutos, até que as portas se abrissem e os Pacificadores me tirassem de lá. Desta vez não relaram em mim, mas ficaram perto o bastante para atirar em mim assim que eu protestasse. Assim que me junto a meu irmão, ele me abraça e sussurra para mim: — Sua burra, eu não acredito no que você fez. Mas estou feliz por ter vindo comigo. Com certeza eu perderia a cabeça se você não estivesse aqui. Sorri para ele e assenti. Eu sabia disso. Yuri perdia a cabeça facilmente quando nada dava certo com seus planos ou suas notas vinham baixas na escola.
- Vamos entrando! – a mulher da Capital abre a porta de um carro de vidros pretos, que não permite visão do lado de fora.
Nós entramos, e ela e senta no nosso meio.
Escuto o ronco do motor, e sei que estamos andando pela estrada que leva ao trem da capital. A estrada é de terra, e choveu muito dias atrás, o que fez a terra ficar esburacada.
- Eu me chamo Effie, talvez você tivessem visto outra pessoa em meu lugar, ano passado, mas eu tive de resolver algumas coisinhas.
- Você representou o Distrito 4. – lembrei-a.
- Exatamente. Embora este seja um Distrito melh... Um Distrito maior, eu senti saudades de vocês. E agora, imagine, dois irmãos numa disputa! Ainda bem que podemos ter dois vencedores e...
- Dois?
- Sim. Ora, não seja tola, esta nova regra está valendo desde que Katniss e Peeta surgiram nos Jogos! – ela me encara.
- Desculpe, eu prefiro brincar com os tordos do que ver os Jogos.
Ela bufa, mas não me incrimina, pois sabemos que não se pode ignorar os Jogos, é uma ordem da Capital. : — Bem, vocês vão adorar a Capital! Lustres de vidro, maçanetas de platina... – Imaginei se na fosse isso o que ela sempre dizia aos Tributos sorteados. Deitei a cabeça no banco e olhei para fora da janela. Devagar a paisagem da floresta ia sumindo, e dando lugar a uma região seca, sem natureza, onde havia trilhos, e um trem de 13 vagões. Ele era todo blindado e brilhando e refletindo ao Sol que ainda não queria aparecer completamente, e afastar as nuvens de chuva. Abri a boca, e Yuri a fechou para mim, olhei para ele e sorri, ele também sorriu para mim e Effie nos chamou para entrar no trem. UÁU foi o que eu pensei ao entrar naquilo. Tudo era brilhante. Como Effie disse, os lustres estavam pendurados lá. As maçanetas eram transparentes, o que eu chutei que fosse platina. Segurei uma outra onde de surpresa e fui na frente de Effie e meu irmão, passei a mãos pelas mesas e até um dos bolinhos que estava em uma bandeja de cinco andares, repleta de outras comidas estranhas e com cheiro bom. Olhei para Effie, e ela assentiu.
- Pode comer. Foram feitos para você.
Peguei um o mordi. O bolinho parecia duro por fora, mas por dentro ela fofo e quentinho, tanto que o vapor dentro dele quase queimou o céu da minha boca. O chocolate estava derretido dentro dele, e meus olhos se reviraram, de prazer.
- O que é isso? – pergunto ainda com a boca cheia.
- Chocolate. Mas olhe os modos, termine de comer antes de falar.
- Desculpa, minha mãe morreu antes que eu aprendesse algo sobre “mulher-fresca”. – respondo, e Yuri me da uma cotovelada na costela. – Ei!
- Tudo bem, garoto. Estou acostumada. – Effie diz e se senta em uma das mesas. – Este ano, para não gastarmos tempo, o trem irá buscar todos os Tributos de uma só vez, o que quer dizer que vocês irão dividir esta comida com eles. E, como são o último Distrito, estão sendo privilegiados, então comam, antes que os outros cheguem e acabem com a comida!
Ela sorri, mas eu não respondo e me sento-me à mesa e pego um pedaço de... Oh, santo e glorificado pão! Quentinho e molinho. Yuri também pega um e o observa.
- Parecem com os nossos, Dasha. – ele comenta, sorrindo.
- É... – somente respondo, ainda observando meu pão.
Comi tudo o que podia. E sei que, se continuar assim, irão me chamar de coisas a mais, coisas mais fortes, pois eu irei engordar ainda mais, e irei ficar ainda mais gorda... Não, não posso. Assim que penso, pondero em ir para o banheiro e vomitar tudo, mas não consigo. Ah comida me da um prazer que sinto pela primeira vez. Um prazer de ter a barriga cheia pela primeira vez.
Assim que o trem fez sua parada, escuto a porta por onde entramos se abrir e dois adolescentes entrarem. Eles ficam parados, espantados, enquanto nos olham. Mas o representando deles afirma que não iremos mordê-los e que somos somente os Tributos do 12, e que eles podem encher a barriga, como nós. Ainda desconfiados, eles sentam na mesa mais distante que a nossa. E o trem parte em sua viajem. Eles devem ser do Distrito 11. Effie vai até a mesa deles e começa a conversa com a representando deles, como se fossem amigas intimas. Assim que ela volta para nos ver, comenta:
- Douga não é um amor de pessoa?
- Claro que é. – respondo ignorando-a.
- Obrigada! – ela responde, achando que eu estou dizendo aquilo por respeito. Ah, ninguém merece!
O trem para mais uma vez, e agora dois entre 16 e 18 anos entram. Eles também param ao nos ver, mas não tem medo, e se sentam duas mesas de distância de mim e de Yuri. De vez enquanto eu percebo a menina olhar para mim, e eu olho para ela. As duas viram as cabeças e fingimos não fazer nada. Mas uma vez em que nos olhamos mutuamente, ela sorriu para mim, e eu não pude evitar sorrir para ela também. O menino de seu Distrito tocou o ombro dela, a alertando, e ela voltou a comer como um cachorro faminto. São do Distrito 10.
Em menos de 30 minutos o trem faz outra parada, e agora uma menina entra no trem, rindo e conversando abertamente com o menino de seu Distrito. Ela para um alguns segundos e nos observa, então volta a conversar com ele e escolhe a mesa ao lado dos Tributos do Distrito 11.
Dez minutos depois, os Tributos do Distrito 8 entram, os dois com lágrimas nos olhos e tão magos quando uma ervilha. A menina nem olha para nós, ela somente se senta na primeira mesa do vagão e recomeça a chorar, enquanto o menino olha em torno e estende a mão, como se dissesse “Oi, eu estou feliz em matar vocês!”.
Mais uma hora inteira e o trem para. Agora estamos no Distrito 7. Vejo pinheiros gigantescos do lado de fora da janela e sinto um pouco de inveja, pois este povo pode ficar perto delas, e eu não. Uma menina com cabelos ruivos entra sendo carregada por seu amigo de Distrito. Todos olhamos diretamente para ele, e ele fica constrangido, se sentando na segunda mesa do vagão, perto dos Tributos do Distrito 8 e 10.
Mais uma parada, Distrito 6. Não consigo ver muita coisa, pois parece que estamos dentro de um túnel, mas os dois meninos que entram pela porta se sentam calados e na mesa atrás da nossa. Eles começam a conversar com a representante deles, e comem de pouquinho em pouquinho, como um passarinho medroso. Eles são bem mais altos que os outros de nós, mas também são magrelos e possuem os dois cabelos muitos lisos e dentes amarelados. O que deve ser uma característica forte do Distrito 6.
2 horas depois, estamos no Distrito 5, e depois no 4, onde vejo mar pela janela, e homens pescando, enquanto mulheres sentadas na areia tecem redes de pesca. Fico imaginando em como é boa a vida deles, pois eles podem muito bem sair nadando, e fugir assim que quiserem. Mas acho que ninguém agüentaria nadar tanto.
O Distrito 3 é bem perto do 4, por isso chegamos rápido. O Distrito também possui praia, mas ninguém parece autorizado a ir para elas, cercas de 60 metros, com eletricidade fervendo sobre elas dá impressão de que a cerca do Distrito 12 não é nada. Torres de eletricidade passam por todo o Distrito, e fábricas e empresas estão espalhadas entre casas e pequenos vilarejos mais pobres, o que não deixa o Distrito 3 muito bonito, e faz uma confusão enorme em minha mente.
No Distrito 2, não vejo muita graça em ver as usinas que escondem todo o Distrito por trás delas, por isso só encosto minha cabeça no banco.
Já está anoitecendo, quando passamos pelo Distrito 1. Esses jovens chamaram mais a minha atenção. A garota parece ter 13 ou 14 anos, o que põe ela como uma rival boa para mim, e parece ser delicada e frágil, com os cabelos louros e sem músculos nos braços finos. Seu vestido sugere que ela seja filha de alguém rico e importante. O menino, por outro lado, está usando apenas um suspensório, uma camiseta de botões e uma calça preta. Ele é moreno e magro. Parecido com o físico de Yuri, mas sei que deve ser bem mais forte e habilidoso com meu irmão, que só tem habilidade em virar as páginas dos livros e fazer omelete.
Quando a noite cai, Effie os manda para nosso vagão particular, que é o último do corredor de vagões. Ele possui duas camas, nenhuma janela e televisões uma para cada cama. Me sento em minha cama, que possui uma colcha rosa clara, o que indica que ela é para mim. Me deito e sinto o travesseiro afundas no formato de minha cabeça. É como voar, imagino, mesmo sem saber como é voar. Yuri começa a pular em sua cama, e eu faço o mesmo. No fim, estamos suados e cansados e ofegantes. Yuri liga a TV, bem na hora em que Effie entra dizendo:
- Vamos assistir a reprise da Colheita?
E assistimos.
O primeiro Distrito é o 1. A menina loira sendo sorteada, normalmente. Está com o nariz em pé, e um jeito gracioso de andar. Mas então algo sai dos planos e ela enfia as mãos nas costas da menina que deve ter se oferecido para ir em seu lugar. A partir daí nada mais me impressiona. Quando me vejo gritando para pararem tudo e me debatendo contra os Pacificadores, vejo o quão patética em fui. Yuri da um risinho, após a câmera dar um zoom em seu rosto, e ele estar vermelho e boquiaberto.
- Que tal um banho antes de dormir? – Effie pergunta. – Vocês estão parecendo... Dois gambás molhados!
Dasha Eaghmaoui
Notas finais
1- Qual o estilo da roupa que você quer que seu estilista faça (aceito fotos)
2- O que você vai usar como estratégia base?
3- Dos Tributos já apresentados, quais você acha que se dariam bem com o seu Tributo?
4- Ele vai ter alguma "chama" para atrair Patrocinadores? (Ex: Katniss era a Garota em Chamas)
5- Enviem quantas fotos quiserem de seus Tributos, como a lindíssima Julia Tassinari me envia todos os dias *-*
6- Recomendem, poor favoor... TT.TT
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