Notas iniciais
Gente, eu to sem ânimo para escrever, por isso ficou pequenininho, foi mal.

Camille McGrath

Chuck respirou fundo e pegou um bolinho.

-Você não gosta muito de pessoas, certo? – perguntei a ele.

- Não é isso, e que... Pensar que 24 jovens alucinados vão estar aqui e todos...

- Já entendi, Charlie. – falei. – Não precisa dizer nada.

Charlie me lançou um olhar de agradecimento. Eu não havia esquecido a noite passada. Ainda estava tudo vivo em minha cabeça. Depois da reunião-festa que tivemos no Vagão 1, Charlie e eu voltamos para nossos Vagões e fomos tomar banho, primeiro eu, depois ele, combinamos de jogar alguma coisa. Verdade ou conseqüência. As primeiras perguntas eram fáceis do tipo: Que cor você mais gosta, ou, tem algum parente morto. Mas a quinta pergunta...

- Você ama alguém? – Charlie perguntou.

- Ah, bem... Amo sim. Meu primo, ou irmão, ah, nem sei.

- Você gostaria de estar com ele agora?

- Acho que não.

- Por que?

- Ele deve me odiar, eu me voluntariei para os Jogos, contra a vontade dele.

Ele sorriu, não sei bem porque, e se sentou mais perto de mim, segurou meus ombros e me puxou para perto de si. Me beijou. Sim, eu também esperei um beijo na boca, mas foi na ponta de nariz. Ele disse que eu era uma criança, apenas, e que ainda tinha muito para viver. Fiquei hipnotizada, sem mover um músculo sequer.

- Você é louquinha, não? – Charlie riu.

- Eu? As vezes.

- Percebi. Também tem uma pessoa que eu amo. O nome dela é Ypê.

- Ypê? A filha do prefeito?

- Sim, o pai dela não gostava muito de mim, mas ela até fugiu comigo, uma vez.

Ficamos em silêncio por um tempo indeterminado. Charlie entrou debaixo das cobertas de sua cama, e eu fiz o mesmo na minha. Esperei ele dar algum sinal de sono, mas nada. A única coisa que ouvíamos era o som de nossa respiração. E então, a correria. Alguém passou correndo por nossa porta e fez um barulho absurdo. Charlie saltou da cama e foi para fora, assim que voltou, perguntei:

- O que era?

- O 12, ele ouviu tudo. Temos de matá-lo.

E então, hoje pela manhã fico sabendo que a própria irmã do 12 foi matá-lo, mas infelizmente errou por pouco. Não me perguntei porque, mas ela pediu para entrar nos Carreiristas. Também não me pergunte porque querem ela conosco, ela parece ser somente uma gordinha qualquer, nada de muito especial. Mas a Lia sugeriu, e a Lia é muito inteligente, deve ter alguma coisa por trás disso. Mas por enquanto eu vou me preocupar somente com Charlie e eu. Já decidi que vou protegê-lo para que ele possa voltar e se casar com Ypê, com certeza o prefeito vai gostar de alguém como um vitorioso para sua filha. Mas eu não posso voltar. Devon não me quer mais, e eu iria ser tratada como uma aberração, como sempre. Eu não podia voltar. Mas Charlie sim. Iria protegê-lo até o fim, e depois iria me matar. Pelo menos os parentes de Charlie iriam me agradecer quando eu morresse, deixando Charlie como único vitorioso.

- No que está pensando? – Charlie perguntou ao notar que eu estava sem falar a muito tempo, o que não é algo costumeiro meu.

- Em ontem.

- Sobre o que, mais especificamente.

- Você.

- Hum, isso é algo muito bom para se pensar...

Notas finais
Reviws! Me motivem!