Notas iniciais
Mais um Capítulo, Tributos! Boa leitura!

Samantha Christopper


Underground — Avril Lavigne

Artur continuou a mexer coma faca dentro de seu braço.

— O que você está fazendo? – perguntei.

— Deixando-me livre.

Quando vi o rastreador saindo de seu braço junto com a lâmina da faca, entendi. Ele não queria ser monitorado, controlado. Queria ser livre. Pensei se eu deveria fazer aquilo também. Ele não havia mostrado sinais de que havia doído.

— Eu preciso fazer isso também?

— Se tiver coragem. – ele me ofereceu o cabo da faca.

Peguei-o. Não queria demonstrar fraqueza na frente dele. Queria que ele me achasse forte e confiante, então ignorei minha pele branca e avermelhada pelo frio, e fui penetrando-a de vagarzinho, até a lâmina estar com a ponta já lá dentro. Senti dor. Senti frio. E senti um arrepio subindo por meu corpo.

— Cuidado! – repreendeu Artur. – Você pode cortar alguma veia desse jeito.

Pegou o cabo da faca da minha mão delicadamente e com cuidado foi procurando meu rastreador. Não olhei para meu braço. Olhei para ele. Mordia o lábio inferior como se estivesse concentrado na missão de tirar meu rastreador. Os olhos estavam fixos ali. E eu senti vontade de começar a rir dele. Não sei por que.

— Pronto. – ele me mostrou meu rastreador e depois amassou os dois rastreadores, deixando somente o pó deles. E o mais assustador, fez isso somente com as mãos.

Conversamos sobre o que faríamos a seguir. Ele falou que tínhamos de achar os Tributos da Capital e decapitá-los, enfiar lançar que atravessassem seus corpos e colocar na frente de nosso acampamento, para mostrar quem é que manda aqui.

— Me conte sobre sua família. – pedi

— Minha família? Ah, você não vai querer saber da triste história do órfão do Distrito 4. Você vai falar que é história de pescador... – ele esperou até que eu entendesse a ironia.

Ele me contou sobre sua vida. Nasceu com uma doença que o fazia diferente das outras crianças. Sua mãe era quem mais o ajudava. Mas então ela roubou um pão para lhe dar de alimento, e foi afogada no mar que há em seu Distrito. Eu não sabia que no Distrito 4 havia praia. Mas ele me contou que tinha sim. E que era lá que morava. Perto de sua mãe.

º º º

Começamos nossa caçada pelos Tributos da Capital. Artur me disse para ignorar os outros Tributos e me esconder deles. Nós teríamos tempo para eles mais tarde. O objetivo agora era os Tributos da Capital.

Observei Artur. Ele andava com uma leveza grande, como se houvesse planejado aquilo a vida toda. E não era mentira. Desde que sua mãe morreu, ele sempre quis mostrar a Capital que ela não manda em nós. E tramou sua estratégia por toda a sua vida, até agora. Se eu me inspiro nele? Não. Acho-o arrogante e explosivo demais, mas ainda não deixa de ser um exemplo. De que sempre podemos fazer coisas alem do que nos julgam capazes.

Quando achamos os Tributos da Capital, eles já estavam quase mortos. Desidratados e cansados, eles estavam deitados com a cabeça encostada na árvore onde deveriam ter acordado. Não estavam preparados para esses Jogos. E por isso, decapitá-los foi a forma mais fácil de acabar com o sofrimento deles. Artur colocou os dois corpos no ombro e disse para eu ir na frente, vendo se o caminho estava livre.

No nosso acampamento, ele fez o resto do trabalho, empalhou os Tributos e os colocou bem na frente da árvore em que estava nosso tronco. E as cabeças deles penduradas por fios bem ao lado no corpo. Quando fomos dormir, tivemos que afastar alguns animais dos corpos, e a garota da Capital até ficou sem braço, já que os animais deveriam estar com fome. Mas não importei muito. Quanto mais mutilado estivesse, mas assustador ficaria. Nosso esconderijo agora não estava mais com cara de um simples esconderijo. E sim, com a cara de um lugar onde você pisasse entraria numa carnificina.

º º º

À noite, Artur me convidou novamente para caçar. Mas eu recusei. Ouvi o sim do hino da Capital, mas não olhei para o céu, já sabia muito bem quais foram os dois Tributos mortos desse dia. Artur voltou com uma coruja. Tive muita pena de comê-la. Mas minha fome e minha ânsia pela nutrição da carne eram mais fortes, eu sempre apreciei as corujas, inteligentes e sempre com o controle dos acontecimentos, mas comer uma me fez sentir-me uma assassina. E olhe que já havia matado uma criança apaixonada, sem ao menos por a mão nela.

Artur palitava os dentes com um osso quando comecei a engasgar com algo. De inicio, ele não se importou, mas depois viu que eu estava com problemas. Abraçou-me por trás e pressionou as mãos em minha barriga. Desengasguei na hora. Mas senti vontade de voltar ao abraço.

Tínhamos que estabelecer outro objetivo agora que o dos Tributos da Capital já havia sido cumprido.

Próxima etapa: Trazer mais corpos para deixar nosso acampamento um aviso muito evidente: “Não entre, nós mordemos e tiramos pedaço”. Não sei quem seria meu próximo alvo, mas Artur me aconselhou a deixar uma loirinha e um loirinho de fora disso. Ele queria cuidar dos dois sozinho. Tudo bem. Eu não tinha inimigos.

Em nosso tronco, demorei a dormir. Por isso fiquei imaginando o que ganharia em troca por fazer tudo que Artur mandava. Não sei bem ao certo se ele era capaz de me matar mesmo. Mas acho que depois de ter me contado a história de sua vida, fosse um pouco mais diferente entre nós. Pois eu estava enganada.

— Amanhã eu quero que você acorde cedo e cace uma corça ou um veado.

— Ah, amanha eu não quero acordar cedo... – reclamei.

-Eu não pedi sua opinião.

— E eu não sou obrigada a fazer tudo o que você manda!

— Se você quiser viver, você vai fazer.

— Eu não preciso das suas ameaças!

— Você também não deve precisar de vida.

— As vezes eu acho que não mesmo!

— Como você consegue ser tão irritante, loirinha?!

— Como você consegue ser tão ignorante?!

— Ei, a ignorante aqui é você!

— Não foi eu que ignorei a vontade de acordar mais tarde da minha aliada.

— Não foi eu que engasguei com um misero pedaço de osso de coruja!

— Não foi eu que nasci com um problema no cérebro que está começando a voltar novamente!

Pronto, ele explodiu. Jogou-me novamente no chão no nosso tronco e fez minhas costas doerem novamente. Gritou para eu calar a boca e respeitá-lo. Não sei se suas palavras eram para mim, ou para ele mesmo.

Notas finais
Reviws? Mereço?