Your Hunger Games - Fanfic Interativa
35 Samantha Christopper III
Notas iniciais
Samantha Christopper
Acordei cedo, como Artur orientou. Me senti mais como sua escrava do que como sua aliada. Mas tudo bem. Não consegui nenhum veado ou corsa, mas dois coelhos e um cachorro selvagem. O que era bom. Teríamos comida suficiente para um dia. Voltei para nosso esconderijo. Artur não estava. Deveria estar caçando pessoas.
Quando o vi chegando pela floresta, me levantei, limpei a sujeira de minhas calças e fui vê-lo. Parecia cansado e machucado.
— O que ouve?
— Não sei... Um lobo me atacou e... Eu só pude correr.
Ajude-o a subir nossa árvore, seu braço tinha uma mordida muito feia, e sua perna estava torcida. Peguei uma adaga e amarrei-a junto à perna de Artur, para que a torção não virasse permanente. Limpar o braço da pessoa mais sem paciência e estúpida do mundo não é uma tarefa fácil. Ele se mexia o tempo todo e falava para eu não ser estúpida, sendo que estava usando a maior delicadeza do mundo para que não doesse. Molhei um pedaço do pano com saliva e fui limpando em volta do machucado, limpando o sangue seco. Por dentro do machucado estava a carne machucada e jorrando pus transparente.
— Cuidado, aii... – Artur pedia.
— Desculpa, estou tentando ser o mais cuidadosa possível.
— Esse é o seu problema, você não consegue.
— E você não consegue ser nem um pouco simpático. Ou agradecido. – reclamei.
Ele se calou. Não sei se estava ofendido, ou se estava repensando sobre seus atos. Mas permitiu que eu terminasse o meu trabalho, sem falar um “a”. Cozinhei o um dos coelhos que eu havia caçado, e nos alimentamos. Era chato ter que fazer tudo para ele. Mas seu braço e sua perna não estavam melhorando. Pelo menos ele não tinha mais força para me jogar contra alguma coisa. O céu se iluminou e o hino da Capital começou a tocar. Olhei para ele, na esperança de ver garota loira do Distrito 13 ou o loiro do Distrito 12. Mas nenhuma foto apareceu. Sem mortes naquele dia.
Virei-me desconfortável. Estava demorando demais, Artur disse que os Jogos não levariam uma semana para acabar. Mas estavam demorando muito! Ele também me disse, que quanto mais rápido morrem os Tributos do Distrito 12 e 13, mais rápido acabarão os Jogos. E eu quero muito que eles terminem. Para poder voltar pra casa. Vitoriosa. E conseguir morar sem ter de me prostituir.
Arrumei Artur em uma posição em que ele não se queixasse de dor no braço ou na perna. Cobri-o com um lençol que ele havia roubado da garota do Distrito 5. Pensei em algo para dizer. Coisas do tipo: “Amanhã você estará melhor”. “Não se preocupe, o machucado está melhorando”. Ou “Você vai conseguir!”, mas eu sabia que era mentira. Então só disse:
— Até amanhã.
E fechei os olhos, enrolando-me em minha jaqueta.
º º º
Pela manhã, cozinhei nosso outro coelho. Dei para Artur. Seu braço estava muito melhor, mas sua perna... Ainda sangrava se ele mexesse-a demais. E não conseguia andar, pois havia perdido sua perna de apoio e equilíbrio. Eu sabia que ele estava odiando ficar tão limitado, mas se ele queria voltar a matar pessoas com as mãos, deveria ficar em repouso. Eu também sabia que seu objetivo era matar quantos Tributos possíveis. Então me ofereci:
— Quer que eu vá matar para você?
Ele analisou minha pergunta, com se ela fosse muito divertida.
— Não. Você tem que ficar aqui, e prevenir para que os animais não comam nossos cadáveres.
— Ahh, fala sério!
— Isso é sério. – ele se acomodou melhor no lado do tronco que estava sentado.
— Tudo bem... Se você quer que eu fique aqui pra cuidar de você...
— Ei! Eu não disse que era pra cuidar de mim!
— HAHA – risada seca – isso nem precisa dizer.
Ele revirou os olhos e os fechou como se fosse relaxar. Aquele iria ser mais um dia sem mortes, então. A não ser que eu pire de tanto tédio e mate Artur. Ficar parada em um Jogo de mortes e vidas indo embora (basicamente morte) é muito chato, imagine você numa sala de aula fazendo só atividades e provas uma atrás das outras. Pra quem é nerd não seria tão ruim assim. [N/A: eu sou uma nerd...]. Mas ouvi alguma coisa batendo no teto de nosso tronco, e sai dele. Uma caixinha estava amarrada à um mini-paraquedas. Ah, meu conselheiro! Peguei o que havia lá dentro, cartas de baralho. E um bilhete. “Dome a fera”. Tommy, meu conselheiro sempre chamou os Tributos de feras. Como a Fera do Distrito 5, a Fera do Distrito 7 e por ai vai. Ele estava me mandando fazer o Artur ser meu aliado. E não eu ser aliada dele. Não seria fácil, admito. Mas se era uma dica de vida ou morte, eu aceito o desafio.
Voltei para onde Artur estava. Ele tentava coçar as costas sem sucesso. Ri pelo nariz e cocei o lugar onde ele estava tanto querendo aliviar.
— Aiai... – sorriso de prazer enquanto eu coçava para ele – Não sei o que eu faria sem você...
Não sei o que eu faria sem você. O que você faria sem mim? Aquilo era um choque. Meu corpo se arrepiou por inteiro. E não me pergunte por que! Fiquei um tanto boquiaberta.
— Meu braço estaria bem pior. – ele riu.
Ah, então ele estava falando do braço. Ata pensei que fosse... Ah, se lá, seria impossível. Mas quem sabe, né? Domar fera. Mostrei a ele o baralho e seu sorriso se alargou. Sentei-me na sua frente. E esbarrei sem querer em sua perna machucada. Ele escondeu um grito abafado e falou que estava tudo bem. Entreguei as cartas e virei uma no baralho.
— Sabe jogar Truco?
— Não, eu sei jogar Plif, serve?
— Ah, tudo bem.
E começamos a jogar. A tarde escureceu mais rápido, para minha felicidade. Deveriam ser sete horas de acordo com a Lua. Ela brilhava. Ou melhor, metade dela. O céu estava tão iluminado, que as nuvens eram visíveis. As estrelas que formavam constelações estavam alinhadas e dava para ter uma noção de qual era qual constelação. O Arqueiro sempre foi o que mais me fascinou. A flecha dele apontava sempre para o Norte. E na nossa localização, estávamos a Leste. Artur cutucou me braço e indicou o baralho com o queixo.
— Quer ver as estrelas?
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