Notas iniciais
Mais um, lindos Tributos!

Leo Frangz

David Guetta — She Wolf ft. Sia

Comecei a andar por ai. Procurando algo que eu só saberia o que era quando encontrasse. A visão de Mya e Louie mortos, juntos, como uma fotografia de Romeu e Julieta me deixou louco. Minha mente estava a cem por hora, e eu só queria matar o desgraçado que fez aquilo. Passei o dia inteiro, mesmo cansado, procurando algo que me fizesse retomar a consciência do que eu havia feito para estar ali. Ou por que estava ali.

Cai nas raízes de uma árvore quando meus joelhos se entregaram a cansaço e eu não pude mais caminhar, me arrastei até uma árvore encurvada que oferecia abrigo ao ninho desocupado de uma ave. Não sabia se estava realmente desocupado, mas o dono não estava lá, então deduzi que estivesse sem hospedes. O ninho não é o que você imagina. Era imenso. Cabia eu e mais Lupi dentro dele. Espere, Lupi... Quando me lembrei de meu lobo, minha mente voltou ao normal e eu notei o que estava se passando. Fiquei com medo de dormir ali. Vai que a mamãe ave volta com seu ovo e resolve me dar de alimento para o filhote, ou vai saber. Pelo tamanho do ninho, parecia que a ave deveria ser muito maior que minha casa.

Me deitei no ninho e aconcheguei minhas coisas. Ou seja, meu corpo e meu apito, que por algum motivo eu estava segurando. Olhei para ele. As letras “L U P I” estavam gravadas e do outro lado estava a frase “Só use quando precisar”. Não entendi muito bem o que isso queria dizer. Se um ataque de ratos acontecesse eu tocaria o apito e eles começariam a dançar?

Meus olhos estavam pesados, e meu corpo estava imóvel, enquanto minha alma tentava se aprofundar num sono duradouro. Era normalmente assim que eu me sentia quando voltava de um dia de feira com minha mãe. Ela me fazia vender todos os tapetes, e se não terminasse a tempo, ficaria sem jantar. Mas lógico, quando isso acontecia, ela cedia e dizia que da próxima vez não seria assim. Minha mãe era uma mulher bondosa e gentil. Podia falar que te matava, mas só quando estava muito irritada, e certamente nunca faria isso. Sempre tentava manter o sorriso caloroso e afetivo no rosto, e quando ficava triste, nunca demonstrava a mim ou a meus irmãos. Ela era um tipo de mulher com quem eu me casaria. Se eu encontrasse uma esposa bondosa e gentil como minha mãe, não esperaria um segundo, a pediria em casamento imediatamente. Certo, Ivanny não é esse tipo de mulher. Se ela fala que vai te matar, você só pode correr. Mas ela me fascina. Vamos dizer que é um espécime raro de mulher. O que minha mãe também é. Invejo meu pai de ter conseguido uma mulher como ela. Mas o odeio de, mesmo tento a família perfeita, e a mulher perfeita, ele a abandonou. Se afinal é na Alegria e na Tristeza, Na saúde ou na doença, também deverá ser na riqueza ou na pobreza. Isso eu nunca vou dar a minha mulher. Eu quero ter no mínimo quatro filhos. E sim, uma menininha pra chamar de princesinha! Sério, homens normalmente preferem filhos homens para ensinar a paquerar as meninas da escolinha (O que eu nunca conseguiria ensinar a meu filho, já que eu não sei) e a jogar futebol. Mas eu quero ter só filhas. Filhas pra ser o pai que não deixa elas namorarem qualquer um e ficar mimando. Eu vou ser o pai chato e superprotetor, e Ivanny vai ser a mamãe legal que bate no papai quando ele fica chato demais. Vamos ser uma linda família feliz, e ninguém vai separar a gente. Muito menos a pobreza.

Acordei com o Sol batendo em meu rosto. Mas não era o Sol a única coisa que batia no meu rosto. Gotas de água caíam do galho perto do ninho onde eu estava. E as gotas eram salgadas. Acompanhei aos soluços e aos choros vindos de cima da árvore. Onde também vinham as gotas do que agora eu sabia que eram lágrimas.

Subi a árvore e me sentei no mesmo galho em que a menina sentava. Ela tinha cabelos ruivos vermelhos fogo, como se fossem rosa ou magenta, e os olhos eram escuros e brilhantes por causa das lágrimas. Seu nariz escorria e sua roupa estava molhada.

— Onde ele está? – perguntou-me.

— Ele quem? – perguntei.

— Onde está Lucius?

— Quem é Lucius?

— Meu amor...

— Ah... – engoli em seco. – Não sei onde ele tá não.

— Você me ajuda a procurar? – pediu.

— Ah, desculpa, não vai dar. Também estou procurando uma pessoa.

E não a deixei responder. Pulei da árvore, sentindo o vento entrando pelas minhas roupas e deixando ele me levar até o chão. Mas eu fiz um erro de cálculo. Estava mais perto do chão do que achei. Meu rosto ardeu quando cai direto nos galho finos do ninho. Pelo menos era mais fofo e confortável que o chão.

Ignorei o fato da menina acima de mim estar rindo da minha cara, e continuei meu percurso na procura de achar Ivy. Ela deveria estar naquele lago que eu a vi se banhar. E falando de banho... Estou precisando de um, e é que quero encontrar ela e fazer ela ficar feliz em me ver. Comecei a arrumar meu cabelo enquanto andava. Ele precisava ser cortado, a franja já cobria meus olhos. Limpei a sujeira que já acumulava debaixo de minhas unhas.

Comecei a procurar por todos os lados algo que me fizesse lembrar-me de onde deveria estar a nascente onde Ivanny deveria estar. Fiquei pensando se a veria de novo, mas parecia impossível. Se eu não a encontrasse... Ai sim ficaria louco. Eu não sabia se ela estava viva. Havia dormido antes do sinal da Capital. E quando eu durmo, nada pode me acordar! Quando pensei que Ivanny poderia ter morrido, a adrenalina entrou no meu corpo e eu comecei a correr gritando seu nome e me deixando a mercê de quem quisesse me matar. Eu estava louco. Mas só queria vê-la bem. Mesmo que me sonho estivesse certo e eu morresse, mas que ela estivesse bem. Só isso que eu queria. E não foi muito bom eu ter gritado, eu admito. Pois um cara do tamanho do Empire State Bulding apareceu do meio do mato. Ele era magrelo e seus cabelos eram desgrenhados (ou seja, ufa! Não era Artur!) e ele carregava um martelo quase do seu tamanho. O número onze estava na sua camiseta. O garoto parecia ser muito familiar...

Ele investiu contra mim. Eu não tinha armas nem o que me protegesse, então só pude cambalear com o impacto do vento contra meu rosto. A segunda investida foi contra mim. Meu peito ardeu em dor, e senti como se algum osso se quebrasse na minha costela. Com todo esse impacto, o apito saiu do meu bolso e voou para trás do garoto grandalhão. Arrastei-me indo a sua direção. Minha barriga doía muito, e parecia que eu não teria sustentação para me levantar. Ele começou a rir.

— Você quer mesmo se matar? – perguntou.

Não liguei. Mordi os lábios e ignorei a dor em meu peito, me arrastando cada vez mais rápido. O cara ficou me olhando e rindo de mim, dando a volta nele. Acho que estava pensando que eu queria fugir desse jeito. Mas quando alcancei o apito, seu sorriso mudou para sarcasmo.

— Quer me matar com música?

Assoprei o apito e só pude ver o vulto cheio de pelo brancos e cinzas pulando em cima do cara grande. Era Lupi. Só podia ser ele! Não existia um cachorro maior que ele! (Eu sei que ele é um lobo e não um cachorro). Lupi arrancou o marchado do garoto e começou a mordê-lo, abrindo buracos nos braços, na barriga, nas pernas, até um canhão ser atirado e Lupi, com medo do barulho, vir se esconder em cima de mim. Sim, isso só ajudou a piorar a dor na minha costela. Lupi era sim, uma grande bola de pelo medrosa.

Notas finais
Mais um Tributos! E ai, mereço algo?