Your Hunger Games - Fanfic Interativa
33 Samantha Chrsitopper I
Notas iniciais
Samantha Christopper
Hey There Delilah — Plain White T's
O amor não é inútil? Você se mata por ele e depois nem dá tempo de se arrepender. Amor é a coisa mais idiota e desnecessária que inventaram no mundo. Acabei de fazer o que Artur mandou. Eu coloquei um contra o outro. O garoto queria salvar a namorada. A namorada não queria viver sem o garoto. Não há coisa mais imbecil que isso?
Voltei para nossa árvore. Vou explicar a genialidade do ser chamado Artur: Um tronco oco, pendurado em duas outras árvores grandes e que os galhos sustentam. Ele é um gênio. Consegue supervisionar todo o lugar. Sabe exatamente onde estão as armadilhas e como usá-las contra o inimigo. Ele quer mostrar para a Capital que não é mais ela que manda nesses Jogos. E sim, nós. Estamos ficando mais inteligentes, e eles não podem nos dominar para sempre. Ainda mais agora que dois Tributos da Capital estão nos Jogos. Não vejo a hora de poder matá-los.
— Já voltou? – Artur perguntou quando me viu sentar no tronco da árvore.
— Não, estou lá ainda. – respondi irônica.
— Não brinque comigo. Não esqueça que eu posso te matar aqui e agora.
Dei de ombros. Ele continuou a afiar sua faca de caça. Acho que não tinha coisa mais legal que isso. Dei de ombro novamente. Fechei os olhos e comecei a pensar em nada.
— Você é muito despreocupada. – ele comentou.
— Não tenho nada a perder.
— Se eu fosse você, não seria tão confiante assim. – abri meus olhos para olhá-lo.
— Como assim? – perguntei.
— Você é só mais uma peça no tabuleiro, não está vendo? Se der mais um passo errado, a Rainha de come, ou o Bispo.
— Não entendo.
— Isso é como jogar xadrez. Ou você faz a melhor estratégia e vence, ou você é manipulado por outra pessoa que tem a melhor estratégia. E eu te aconselho a não ser manipulada.
- Então esse é o seu plano? Manipular a todos?
— Você já fez isso. Não viu como é ótimo quando as pessoas se voltam contra si mesmas?
— Mas, se você quer mostrar a Capital que quem manda aqui somos nós, como você pode matar a todos? Isso só vai fazer com que você seja mais uma peça no tabuleiro deles.
— Cale-se, ou você vai se arrepender – ele ameaçou.
— Só lhe estou mostrando minhas cartas nas mangas... – sorri irônica.
Mas ele não levou na brincadeira. Suas mãos grandes seguraram meus braços e ele me jogou contra o chão do tronco da nossa árvore oca. Sua cara era de desgosto e de raiva. Não gostava de ser contrariado. Nem que fizessem piadas de sua pessoa.
— Cala boca! Eu mandei você calar a boca! – gritou e eu tive de virar o rosto, sua saliva saia de sua boca e vinha para meu rosto.
Encolhi-me. Já havia visto do que ele era capaz. Não precisava falar mais nada. Então, quando me soltou, me virei de costas para ele e fechei os olhos, enquanto limpava sua saliva de meu rosto. Até meu pai era mais carinhoso que ele!
Adormeci e não tive sonhos. Só fiquei imaginando como seria minha vida sem meu pai. Muito melhor. Acordei quando Artur me cutucou e disse que era hora da caçar. Quando sai de nosso tronco nas alturas, notei que não era hora de caçar.
Estava de noite. As corujas piavam e os grilos cantavam. Não dava para ver o chão embaixo de nós, mas quando desci da árvore e coloquei meu pé no solo, me encolhi toda. Aquilo era neve. A neve estava até minha cintura. Como havia nevado tão depressa assim? Eu não dormir demais. O problema era que eu estava muito mal agasalhada para uma caçada na neve. Comecei a tremer e a trincar os dentes.
— Estou com frio... – reclamei.
— Ninguém mandou não se prevenir.
Fuzilei-o com o olhar e continuei a andar ignorando o frio e a neve que me sugava para baixo. Artur me deu uma lança para eu tentar acertar alguma coisa. Mas naquela escuridão, não dava para ver nada. Nem muito menos acertar. O céu brilho e o hino da Capital começou a tocar. A insígnia da Capital apareceu e a foto da garotinha do Distrito 1 apareceu. Depois o garoto do Distrito 3. Artur sorriu para o céu. Sorri para mim mesma. Havia deixa-o satisfeito. E nada melhor que deixar seu chefe satisfeito.
Senti o vento mudar de direção drasticamente. Ele soprava a meu favor, e eu senti alguma coisa se e mexendo perto de mim. Mirei a lança e joguei. Artur explodiu em palavrões e xingamentos. Por um errinho de cálculo eu não o acertei.
— Você é burra? Estúpida? Uma mula?
— Eu não sabia que era você!
— Pois tinha que saber!
— Eu não sou obrigada a saber de tudo!
— Mas eu não admito erros!
— E eu não te admito!
Gritei virando as costas e subindo novamente a árvore.
Artur voltou só muito tempo depois, com somente um coelho. Ele disse que iríamos fazer uma fogueira do lado de fora, e derreter o gelo do pequeno canal de água que passava por nosso esconderijo. Não olhei para seu rosto em um segundo sequer. Ainda estava de mal com ele, e muito brava. Quem ele pensava que era para me tratar daquele jeito? Assamos o coelho e comemos com vontade. Deixei até um arroto escapar.
Artur, muito pelo contrário do que pensei, riu de mim e arrotou ainda mais alto. Começamos a rir um do outro. Depois disso, só notei que não estávamos mais brigados e que eu poderia olhar novamente para sua cara sem rancor. Deitei-me na grama quentinha e encolhi, torcendo pelo fogo não se apagasse logo. Quando acordei, não vi Artur, mas sim só um monte de lenha queimada e inútil.
— Ei, suba aqui, ou vai virar comida de animal. – ele gritou de cima de nosso tronco.
Se pendurando em árvores, ele cortava os cachos mais bonitos das frutas que podíamos ver. Não as conhecia, nem sabia se eram venenosas ou não, mas não demonstrei a Artur que não sabia o que era aquilo. Seria mostrar que eu era um tanto ignorante e burrinha.
Quando cheguei até o alto das árvores, sentei-me em nosso tronco e fiquei observando ele voltar até mim. Ele carregava muitas frutas, e as colocou dentro do tronco de nosso esconderijo. Ele se sentou e começou a comer algumas das frutas.
— Quer? – ofereceu.
— Não é venenosa?
— Não, isso é uma fruta típica de nosso Distrito.
Se ele estava dizendo aquilo, e também estava comendo, resolvi não duvidar. Desde a primeira mordida já amei a fruta. Era doce mais azeda ao mesmo tempo. Virava uma goma de mascar que ia sumindo devagar na boca, e grudava no céu da boca. Comi uns 7 desses. Até Artur pegar o 8º fruto da minha mão.
— Não exagere mocinha.
Ele pegou a faca que sempre carregava e afiava. Não acredito que iria amolar mais uma vez ela! Daqui a pouco nem havia mais lâmina. Mas ele fez algo diferente, começou a furar a própria pele, adentrando cada vez mais em seu braço, bem em cima da cicatriz de onde havia sido posto nossos rastreadores.
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