Notas iniciais
Gente, quando tiver "Final" nos capítulos, não quer dizer que o Tributo morreu, e sim que ele não narrará mais a história, ok? Até as notas finais, eu espero...

Samantha Christopper

Coldplay — The Scientist

Artur não me olhava nos olhos, não me acordava com bom-dias, e não falava comigo. Isso me deixava preocupada, da última vez que ele fez isso, Artur disse que não poderíamos ficar mais juntos. Eu sentia, eu sabia, era exatamente isso que ele iria dizer. O jeito que olhava para o carvalho do tronco, para o céu da manhã... Eu o conhecia bem o bastante para saber que ele estava receoso.

– O que houve, Artur? – perguntei. Me senti uma idiota, pois estava quase escrito na testa dele.

– Samantha, não podemos ficar mais juntos. Não dá mais. Não consigo ficar com você.

POW! BANG BANG! UPA UPA! E tantos outros... Um soco atingiu meu peito, e trevas me engoliram por dentro. Eu ouvia um riso, um riso sínico e frenético, enjoativo. Era meu cérebro. Meu cérebro batia em meu coração. E ria de sua desgraça.

– Mas por que, Artur? Eu te fiz algo? Não gosta mais de... de mim? – Torci para não ser a última alternativa. Fora muito difícil conquistar aquele “Impiedoso” e agora não podia perdê-lo sem motivos!

– Vamos perder o controle se caso continuarmos. Iremos começar a pensar como Leo e Ivanny, daremos mais importância para nós mesmos, e esqueceremos dos Jogos. Iremos pensar que os Jogos não tem importância, somente nós mesmos. Nós juntos.

– Mas não é isso que temos de pensar? Afinal, iremos morrer de qualquer jeito! Só precisamos saber aproveitar o momento.

– Viu, já está pensando como eles!

– Mas é isso que importa, Art...

– Samantha, eu não sei você, mas eu quero sair desses Jogos vivo.

– Eu também quero.

– Então você me entende.

– Não, não entendo. Não entendo porque você tem medo.

Artur bufou e me ignorou. Comecei a me arrastar para fora do tronco.

– Para onde você vai? – perguntou com desgosto, como se mesmo eu tendo o deixado frustrado, ele ainda se importava comigo.

– Vou caçar esquilos com meu novo arco. E não tente me impedir! Eu preciso de um tempo para... Esfriar a cabeça.

Ele assentiu e permitiu que eu partisse. Sai daquele tronco e desci a árvore. No solo, tirei o arco das costas e puxei uma flechada aljava. Posicionei-a na corda do arco e agucei minha audição para acha uma presa. Olhei para uma árvore e marquei um alvo na madeira. Posicionei novamente a flecha na corda e senti a penugem negra dela fazer cócegas em meus lábios. Soltei. A flecha fincou a madeira bem no centro do alvo, com precisão e voracidade.

– Otima mira. – ouvi algo atrás de mim.

Assim que me virei, recebi um soco no estômago e alguém tirou o arco de minhas mãos, logo notei uma ponta de espada no alto de meu pescoço, ameaçando entrar em minha pele. Cai sentada aos pés de uma gloriosa árvore.

– Anda, tira! – ele apontou a espada para a alça da aljava.

Tirei com cuidado, e joguei a aljava longe. Ele, por sua vez, abaixou a espada e me levantou, segurando-me pelos cabelos. Senti sua espada voltar para meu pescoço, e eu fiquei em pânico, não queria morrer sabendo que estava brigada com Artur!

– Artur! Socor – O menino tampou minha boca com sua mão suja e grossa, me fazendo lembrar de Artur.

– Na-nani-na-não. – ele sorriu e ordenou – Você não vai gritar, vai fazer o que eu mandar, o que eu quiser. E agora eu quero você.

Senti sua mão escorregar minha cintura e querer entrar em meu jeans. Arregalei os olhos e senti minhas pernas bambas, tentei empurrá-lo, mas ele mudou a espada de lugar, colocando-a em minha barriga.

– Não, eu disse que você ia me obedecer, não disse? – ele beijou-me no pescoço. Seu hálito fedia a gambá. – Eu tenho uma queda por loiras, sabia? Principalmente as perigosas. – “Então por que não pega a Ivanny?” pensei, “Além de perigosa é puta”. – Promete que vai me obedecer.

– Nunca. – consegui dizer.

– PROMETE! – ele gritou para mim. Ele aprofundou a lâmina em minha pele, fazendo-me sentir dor na região na cintura.

– E-eu p-p-prometo! – soltei, com algumas lágrimas saindo pelos cantos dos olhos.

Ele sorriu e começou a melar no meu pescoço. AI QUE NOJO! Ele chupava, e eu sabia que ficariam marcas horrorosas ali. Com suas mãos grosas, começou a erguer minha camiseta, e a beijar-me nos lábios, claro, eu não correspondia, mas ele não desistiu. Não deixei ele levantar minha camiseta, mas você acha que ele ligou? Soltou-me rapidamente, fazendo-me cair sentada, e de cima para baixou foi cortando lentamente o tecido de minha roupa. Até chegar ao começo da calça jeans.

Ele me levantou, novamente, pelos cabelos e grudou a boca na minha pele, perto dos seios. Com as mãos livres, abriu lenta e divertidamente o fecho de meu sutiã, pelo menos estava divertido para ele. Mas para mim era uma tortura. Eu me lembrava de tudo! Quando os amigos de meu pai entravam em meu quarto pela madrugava e abusavam de mim em troca de algumas moedas... Quando meu próprio pai ousou me tocar, e quando eu fugi e tive de me vender novamente para sobreviver. Tudo que eu havia esquecido passando as últimas semanas ao lado de Artur, sendo tratada como uma mulher de verdade, se fora, e eu me mostrava diferente, como um lixo.

Meus seios, a mostra, e ele acariciando-lhes com as mãos grossas e duras. Nem Artur teve a coragem de fazer isto! Como ele ousava? Mordi sua boca e lhe pisei os pés. E com uma voz aflita e de puro medo gritei em plenos pulmões.

– ARTUR!

O garoto levantou a espada e seu rosto estava com raiva, fechei os olhos rapidamente, antes de ver o garoto ter a cabeça atravessada por uma espada de dois gumes e um fio extremamente cortante.

– A-artur... – sussurrei, enquanto caia em seus braços.

Ele me carregou até nosso tronco, eu mal havia acabado de me recuperar quando ele já começou com seu lindo discurso de cavalheiro que salva a mocinha:

– VOCE ESTA LOUCA! – sua voz estava com ódio – COMO FAZ UMA COISA DESSAS?

– M-mas eu não fiz nada! – gritei de volta, não conseguindo atingir seu mesmo tom.

– SE VOCE NÃO FOSSE TAO BONITA, NINGUEM IRIA QUERER TE ESTRUPAR!

Eu o encarei. Ele disse isso mesmo. Seu rosto estava vermelho de ódio, e os olhos ainda mais vermelhos de raiva. A boca espumando desgosto e as mãos tremendo de horror. Mas ele havia dito “Se você não fosse tão bonita...”. Sorri. Ele... Corou? Sim, ele corou. Segui a linha de seus olhos e percebi que ele olhava diretamente para meus seios. Mas que atrevido! Mas por um motivo, eu gostava do jeito vergonhoso dele de tentar não demonstrar.

– Ah, bem, eu, quer dizer, você, bem, eu... – ele estava gaguejando! Ah! Eu fiz Artur, o Impiedoso gaguejar! Eu sou realmente única! – Sugiro uma blusa. – ele limpou a garganta – Uma blusa fechada, de preferência.

Artur saiu de nossa árvore para buscar meu sutiã lá em baixo, durante isto eu tive tempo de procurar entre nossas armas alguma roupa e o máximo que achei fora uma blusinha fresquinha de alça, dez tamanhos menores que o meu. Meu umbigo ficava de fora, como se isso fosse bonito!

– Já posso olhar? – Artur perguntou.

Eu havia obrigado ele a se virar para não me ver colocando as roupas. E ele obedeceu, como um anjo. Um anjo moreno, lindo, de olhos caramelos.

– Pode. – respondi, terminando de prender o cabelo em um rabo de cavalo com alguns elásticos que também encontrei.

Sua primeira reação foi dizer:

– Uau.

Sua segunda reação foi dizer:

– Você está sexy!

Sua terceira reação foi...:

– Não tinha algo mais decente não?

Sorri. Eu sabia que ele havia gostado, ele havia gostado, tinha que ter gostado! Ele voltou a ficar sério e me perguntei se ele nunca iria se acostumar com o fato de que me amava, e de que nós éramos feitos um para o outro. Quer dizer, se é que ele me amava.

– Não acredito que aquele canalha tocou nos seus peitos primeiro que eu! – ele bufou.

Segurei uma risada e me deitei em seu colo, claro, ele se negou, mas não me retirou de seu colo, o que me fez ganhar um fio de esperança, m mais curto e fino que fosse, mas esperança.

Fechei os olhos, e me senti ser engolida por um longo sono.

º º º

Assim que abri os olhos, senti o cheiro de sangue.

– Já está melhor. – Artur comentou – Já está cicatrizando.

Notei que ele havia feito um curativo em minha cintura enquanto eu dormia, mas que fofinho! Também notei que ele estava com uma camiseta sem mangas e os cabelos recém lavados, uma espada grossa em mãos e havia ajustado a corda de meu arco. Polido-o e afiado as flechas.

– O que foi? – perguntei.

– Pensei que, já que estamos prestes a ganhar os Jogos, deveríamos ganhar com estilo. – ele sorriu. Um sorriso de lado, vergonhoso. Não me pergunte por que.

Sorri de volta, e coloquei a aljava nas costas, e olhei para as figuras em meu arco prateado. O nome “ SAMANTHA” entalhado nele, com letras curvilíneas e formosas, que faziam-me confundir com a palavra “IMPIEDOSA” o tempo inteiro.

Talvez fosse a propósito, talvez fosse meu cérebro querendo enganar meu coração, mas não demonstrei o que havia reparado. Passei as mãos pelos cabelos, eles estavam... Trançados?

– Você trançou meus cabelos? – perguntei com medo e com surpresa (não sei por que medo).

– Sim. Sabe, quando se vive num orfanato com milhares de meninas, não se pode não aprender nada.

– Meninas?

– Ah, sim, lá em meu Distrito as mulheres são menosprezadas e quem tem um filho homem é alguém de poder extremo. Muito preconceito, eu acho, afinal foi uma mulher que me pôs no mundo, e foi ela que cuidou de mim até ter de morrer ao ser presa tentando roubar comida somente para me alimentar. – Artur abaixou o olhar – Foi injusto, ela morreu por mim. – Mas logo voltou a me encarar. – E é por isso que os orfanatos estão sempre cheios de meninas, os homens não querem as filhas e fazer as mulheres abandoná-las pelo Distrito.

– E você...? Não é menina, pelo que sei.

– Bem... Como eu já disse, sou o monstrengo de meu Distrito.

– Por quê?

– Bem, lá todo mundo é branco, e eu...

– Ah, entendi, não precisa dizer mais nada.

Ele me lançou um olhar de agradecimento.

– Aonde vamos? – perguntei.

– Matar Pray Collide.

º º º


Coldplay — Clocks

Nos esgueiramos pela floresta, até Artur achar o acampamento de Leo, Ivanny e Pray. Todos dormiam como anjos. Quer dizer, Leo e Ivanny, separados, Pray deveria estar caçando, pois eu ouvi barulhos de arcos a alguns metros de distância de nós. Leo parecia frustrado e Ivanny estava vermelha, como se tivesse acabado de ter tido uma briga com seu namorado. Um ponto para mim! Refiz as pazes com Artur!

– Bem, não temos a Pray, mas a Ivanny é bem melhor... – Sorri, mas Artur não me acompanhou.

Algo o imcomdava, como se ele não quisesse matar Ivanny Justice, e sim, Pray Collide. Que diferença fazia? As duas eram inimigas e do sexo feminino! Artur me escondia algo...

– Eu vou até lá... – falei.

Estávamos em cima de uma árvore, naquele momento, sobre os galhos, bem em cima de onde Leo e Ivanny dormiam separados. Artur estava somente um pouco longe de mim.

– Não, Samantha. – respondeu

– Sim, Artur, eu vou lá... – comecei a ir, quando Artur me pegou pelos ombros, e me bateu contra o galho em que estava.

– Não, você não vai!

– E por que não?

– Porque você tem de ficar aqui em cima! Isso é uma ordem.

– E desde quando eu te obedeço? Hein?

– Samantha, você não pode matar a Ivanny.

– Posso sim, e é isso que vou fazer!

– Não vai não!

– E por que você me impede?

– Porque você não vai conseguir!

– E por que não?

– Porque você é fraca demais!

POW! BANG BANG! UPA UPA! TA TA TA!! E tudo mais, meu coração recebera outro soco, e a risada ecoava dentro de mim mais uma vez. Espere, olhei para baixo, Ivanny dormindo como um anjo. Eu lembrava de sua risada estranha, era a mesma do meu cérebro. Ivanny é que estava me batendo. Oh, não, não não! Isso não! Será que Artur...

– Então é isso, não é? – gritei, fazendo questão de acordar os Frangz – Você gosta da Ivanny, não é? Por isso você nunca disse que me amava! Por isso não quer que eu a mate!

Senti náuseas intensas e me afastei de Artur.

Senti sua mãos em meus ombro, e me afastei mais, dando um tapa em sua mão. Infelizmente, eu me afastei demais, chegando a ponta do galho, fazendo-o se envergar, e me derrubar de mais de dez metros de altura.

º º º

Assim que minhas costas chegaram ao solo, pude ouvir o barulho interior de um dos ossos de minha coluna vertebral se quebrar, e sair voando por dentro de mim. Uma dor agonizante, e tremenda, não pude ficar sentada.

Levantei-me com força, e encarei Ivanny, que agora estava atrás de Leo, como se ele fosse a proteger. Era só isso que ela sabia fazer, correr para trás de seu namoradinho!

– Anda! – gritei com raiva – Luta comigo, Ivyzinha! Mostra que você não é fraca!

Ele me fuzilou com os olhos, mas não fez nada.

Senti meus olhos arderem, e minhas mãos tremerem. Peguei meu arco, que por incrível que pareça, não quebrara na queda, e tirei uma flecha na aljava.

Leo me encarou, assustado. Sorri.

– Quer saber? Você fica melhor com ele. – joguei o arco aos pés de Ivanny, fazendo-a pegá-lo, receosa. E logo joguei a aljava também. – Você é melhor, não é? – tirei uma faquinha que Artur me dera, caso algumas flechas falhassem e o perigo estivesse perto demais para utilizar o arco. – Eu prefiro isto aqui.

Ivanny riu com prazer, e eu notei que era a mesma risada dentro da minha cabeça, quando os socos me atingiam.

– Você acha que me desafia com uma simples faca? – ela gritou de volta, saindo de trás de seu namorado. – Vamos ver, Samzinha!

Ela colocou uma flecha na corda e a apontou para minha perna, assim que soltei, por puro reflexo, mudei a perna de lugar poucos segundos antes da flecha passar por ela. Sorri, mas ela já havia colocado outra no arco, e mirava bem na parte esquerda de meu peito, no último segundo, também, virei a lâmina de minha faca e desviei a flecha. Sorri novamente, mas fui atingida por uma flecha, bem no ombro. Mais uma, na perna, outra no braço direito, e mais uma na barriga. Eu ria como doida. Não sentia a dor, não sentia nada. Somente ria com uma louca, deixando Ivanny mais furioza e me atingindo com mais flechas. Assim que vi, com a visão embaçada já, ela apontar o arco para meu rosto, fechei os olhos e esperei. Mas quando abri novamente, a vi olhando para o alto de uma arvore, para onde Artur descia de nossa árvore. Ele havia jogado uma faca, para desviar a flecha, como eu fizera.

– Pare de me ajudar! – gritei a ele – Eu vou te mostrar que não sou fraca!

Aproveitei o descuido de Ivanny, e a golpeei no rosto, abrindo um corte fino, mas grande, em sua sobrancelha ate a maçã do rosto. Ela me olhou com ódio, e senti Leo me olhar do mesmo jeito, mas ele nada fez, sabia que a luta era entre eu e Ivanny, e que ela tinha a maior vantagem. Atirou mais saraivadas em minha direção, fazendo rir ainda mais, cambalear e cair.

Minha visão já se apagava, mas eu ainda não sentia dor. Eu só enxergava manchas de vermelho branco e amarelo, o sangue, o Sol e o céu. Senti uma flecha atingir o mesmo ombro já machucado, e estremeci, mesmo sem dor, eu sabia que deveria doer muito. Os meus braços estavam todos perfurados, algumas flechas em minhas pernas e a maioria na minha barriga. Senti uma se mexer enquanto eu me curvava, ela estava em meu ventre. Encomodando-me. Até que a arranquei.

Notei que as flechas pararam de me atingir, e fiquei irada.

– E ai? Ainda vai me matar? – gritei, mesmo sem saber se Ivanny podia estará inda ali, já que eu estava sem minha perfeita visão. Ri e gargalhei, estava fora de mim mesma. Meu coração me controlava, não meu coração. Eu recebia socos de Ivanny e ouvia sua risada o tempo todo, enquanto eu sentia as pontas das flechas em meu corpo. – Você não é melhor que eu? Você não conseguiu tudo o que queria? Anda, me mate! Só assim sua vida estará completa! Não fez nada! NADA! Para conquistar esses idiotas! Eu... Eu sofri de tudo para tentar me aproximar, mas nada! NADA! Eu te odeio, Ivanny Justice! E eu te odeio também, Samantha Christopper, sua vadia puta e prostituta!

Senti uma flecha atingir me joelho, e logo, com um lampejo, vi que era Leo. Gargalhei. Uma sombra me tampou, eu louca, já reconhecia a sombra.

– Seu idiota! – gritei. – Eu te odeio mais ainda! Eu fiz de tudo, TUDO! Adiantou? NÂO!

– Samantha... – ele começou em um tom severo.

– Que foi? Vai lá com sua putinha, ter seus cento e vinte putinhos! Vai lá, os nomes eu já até adivinho, Putencia, Vadioso, Vacalina...

– Samantha, CALE A BOCA! – ele urrou.

– Cale você! Seu... Ignorante! Eu te amo! E te odeio! – gargalhei para o céu. – Você não entende? Sabe o que eu sinto? Já parou para pensar no que EU sinto? Não, não é? Eu sinto como se meu cérebro e meu coração estivessem em um confronto. E meu cérebro está... Vencendo. Ele... Me mata por dentro. Eu sinto que... O que está me matando, não são as flechas, nem a queda, mas sim, eu mesma. E essa é a forma mais dolorosa de se morrer...

Todos silenciaram. Senti uma forte pancada, e uma dor insurportavel no estômago, tive vontade de vomitar, e foi isso que fiz. Mas vomitei sangue. Senti uma flecha atingir minha nuca.

– PARA DE ATIRAR, PORRA! – Artur gritou para Leo.

Cai para o lado, e estremeci abracei os joelhos, mesmo que as flechas adentrando mais e mais em mim. Eu não sentia, isso já me fazia melhor.

– Art... – eu sussurrava, sentia minha voz se indo – Artur... Me... Ajuda...

Sabe o que eu recebi dele? Um chute. Um chute no coração, e ouvi sua risada. Ele não me ajudou, mas por fora ele também me chutou, me chutou no rosto. Enterrei o olhar no céu, e só enxerguei o nada, o branco. Eu estava cega? Sentia que meu cérebro havia ganho de meu coração. E agora estava se alto desligando aos poucos, para me dar o gostinho de morrer lenta, e dolorosamente. Eu comecei a sentir todas as flechas em mim, era muita dor, mas eu já não conseguia me mover, meu cérebro havia desligado meus membros. Meu coração estava morto, e eu ouvia as risadas de Artur e Ivanny. Ivanny me batendo era uma coisa, mas Artur... Bem pior, era duplamente pior. Eu sentia trevas dentro de mim, me engolindo.

– E-eu te a-mo... – sussurrei, com minha última força. Vi o Sol desaparecendo, e Artur me segurando, e chuva caindo em meus rosto.

Assim que as gotas chegaram aos cantos de minha boca, notei que essa chuva era salgada. Uma chuva de lágrimas. Lágrimas de Artur. Meu coração, com seu último adeus para o mundo, segurou o rosto de Artur, minhas mãos tremiam e doíam. Pareciam queimadas por fogo e ácido.

– Eu te amo. – falei somente com um fio de força.

– Eu sei disso.

O Sol desapareceu. Os barulhos cessaram, meu corpo desabou, minhas mãos soltaram seu rosto, e eu morri.

Notas finais
Gente, está foi a morte mais linda que eu já escrevi... Sério, ela morreu por amor, algo puro. Odio, sim, raiva, também, mas amor e ciúmes. INveja e odio de si mesma. Isto... Faz com que a Samantha seja muito mais do que apenas ela, e sim, uma merecedora da vida. Sei que muitos leitores não gostavam dela, mas... Eu sim, ela era apenas uma garota de 17 anos, querendo recomeçar a vida, e esquecer o passado. ENcontrou a pessoa que poderia ajudá-la, a pessoa perfeita para isso, mas o perdeu. Para sua pior inimiga. Seu cérebro era como Ivanny e e seu coração como Leo. Infelizmente, nest luta pela vida, quem se deu melhor foi Ivanny. Bem, é só isso que tenho a dizer dela. Espero que sua morte não tenha sido em vão, para cada um pensar que ainda temos tempo de recomeçar, de aproveitar o tempo que ainda temos para mudar tudo. Foi isso que ela tentou, pelo menos, fazer. A música que dedico a Samantha é Viva La Vida, do Coldplay. Viva a sua vida, ela vale mais do que ser jogada fora. Samantah reconheceu isto, será que você é capaz de reconhecer?