Notas iniciais
Desculpem-me, mas alguém sempre tem que morrer.

Mya Kitten

Owl City — Fireflies

Leo havia ido andar por ai, enquanto o ruivo ficava discutindo comigo quem amava mais.

— Eu te amo! – ele falou.

— Eu te amo mais.

— Não, eu te amo mais!

— Eu amo mais!

— Eu amo muito mais!

— Eu amo muito muito mais!

E assim sucedemos até eu perder as contas de quantos “muitos” falamos. Aconcheguei-me em seu peito quente, e deitei minha cabeça em seu ombro e fiquei com a mente vazia. Louie começou a me beijar. Dava mordidas de leve nos meus lábios, até perceber que eu ia deixar ele continuar. A primeira coisa que eu sento quando sua língua encostou-se à minha, foi algo estranho, uma sensação estranha. Então eu fui me acostumando com a sensação da língua dele na minha e então eu já estava beijando-o com vontade.

— Que lindo... – parei de beijá-lo quando ouvi a voz.

Viramos-nos. Ninguém. Nenhum dos lados. Ruivo me abraçou contra seu corpo. Senti seu coração a mil por hora.

— Louie, foi você?

— Não. – ela respondeu baixinho.

— Será que foi Leo?

— Acho que não... – respondeu ainda baixinho.

Levantamos-nos. Louie ainda me abraçava com força, e eu ainda me escondia nele.

— Acho que não. – a voz desconhecida falou novamente.

Senti algo me puxando pelo braço e tirando-me de Louie. Uma menina de uns 17 anos segurava-me com uma faca em meu pescoço. Meus pés não tocavam o chão, e meu rosto estava erguido para o céu em cor de neve.

— Vou te matar, gracinha. – a garota falou apertando mais a faca em mim.

Soltei um gemido sufocado e acho que isso abriu os olhos do Ruivo, e o fez cometer o maior erro de toda a sua vida, e da minha também.

— Não! – gritou.

— AH, e por que não?

— Você não pode matar ela!

— Posso sim.

— Não se eu não deixar.

— E como você acha que vai me impedir?

— Eu...

— Sim, você nada, eu vou matar ela de uma vez por todas...

— Espera!

— Sim?

— O que eu posso fazer para você não matar ela?

— Hum... isso é interessante. – a garota me jogou novamente para perto de Louie, e ele me abraçou e consolou. A garota tinha cabelos louros e olhos escuros. Por algum motivo, isso me lembrava da garota do Distrito 13. Eu a odiava infinitamente. – Você se mata e eu deixo ela viver. – a outra garota falou com a maior naturalidade do mundo.

Louie quase não acreditou na resposta dela. Me grudei nele e sussurrei incontrolavelmente que não soltaria ele.

— E... se eu não estiver afim?

— Bom, eu mato os dois. – A garota mostrou uma metralhadora cromada, que vencia o revólver de Louie. – com uma bala só. – Acrescentou.

— Louie, você não pode fazer isso. – falei para ele.

— Mya, você não vai morrer!

— Nem você!

— Desculpa.

Foi tudo tão rápido. Louie caindo por cima de mim, e seu peso forçando meus braços a sustentá-lo. Sua mão estava banhada de sangue, e o seu revólver estava caído no chão que já estava começando a ganhar um tom branco da neve. Coloquei-o com a cabeça em meu colo. Seus olhos estavam azuis da cor do céu (branco neve) e seus cabelos laranja vivo estavam emaranhados. Minha mão tremeu ao passar por seu rosto. E minha voz falhou quando tentei dizer algo que nem eu mesma sabia o que seria. Não sei, as lágrimas não vinham. Eu queria chorar, eu queria me arrebentar em lágrimas. Mas elas não desciam pelos meus olhos. Eu não queria viver num mundo sem o Ruivo. Queria viver no mundo dele. Ele me disse que depois da morte nós iríamos para lá. Eu queria viver lá com ele. Não ficar aqui em um Jogo sem razão ou motivo para acontecer. Ainda com o corpo trêmulo, tateei o solo frio e coberto com um pouquinho de neve o revólver de Louie. Engatilhei.

— Eu já estou indo, Ruivo. – falei.

Pow. E então cai morta no chão.


Notas finais
Reviws? :'(