Your Hunger Games - Fanfic Interativa
7 Leo Frangz I
Notas iniciais
Leo Frangz
Mya corria pela floresta, quase caindo nos próprios pés. Algo corria atrás dela. Algo que cresceu e cresceu até virar um monstro fofo e peludo, que babava muito. Mya se encostou no tronco de uma árvore e começou a chorar baixinho. Lupi a lambeu toda e ela começou a gritar de medo e uma tremedeira tomou conta de seu corpo. E por fim, de todo esse terror, Lupi se sentou nas patas traseiras e virou a cabeça para a direita e uma de suas orelhas se dobrou.
Acordei com o sopro do vento, que entrava pela janela entreaberta. Era inverno, e o vento estava frio. Muito frio. Imaginei por que teria sonhado com Mya, uma noite antes da Colheita dos Jogos. Aquilo me deu uma enorme insegurança. Talvez ela tenha ido dormir pensando em mim, já que dizem que quando você sonha com alguém, a pessoa vai dormir pensando em você. Mesmo não acreditando nisso, não achei um motivo certo para sonha com ela. Já que eu não costumo sonhar. Só quando algo me diz que uma coisa terrível acontecer... Esses Jogos seriam mortais. E eu sabia que muitos Tributos me odiavam...
- Leo, acorde! – chamou minha mãe da cozinha.
Sai da cama e arrumei-a sem muito zelo. Afinal, usaria ela para dormir novamente, por que eu teria de arrumá-la certinho, então? Fui até o banheiro e lavei o rosto. E enquanto enxugava o rosto com uma toalha, percebi uma enorme espinha no rosto. Justamente quando eu mais preciso ser bonito! Mas não me dei ao trabalho de espremer-la. Sai de meu quarto e vi Kalú lavando o prato que havia utilizado para tomar o café da manhã. Kaú não se cansava de afiar a sua adaga de caça. Não sei, mas acho que ele não gosta muito de ficar com a família, já eu adoro todo mundo reunido, e isso quando estavam rindo. Mas agora nenhum deles estava muito feliz, para falar a verdade. Era dia de Colheita. Os gêmeos só tinham 13 anos. E eu não podia deixá-los irem. Nenhum deles. Pois afinal, se eu for, não será tão ruim assim. Kalú pode arrumar a casa para minha mãe, e Kaú pode caçar animais pequenos e vendê-los na Costura.
Dei um beijo na testa de minha mãe, que estava a tricotar mais um de seus lindos tapetes na sala, enquanto a TV estava ligada no volume mínimo e o canal da Capital estava cheio de cores e brilhos. Ela não queria perder nada do que iria acontecer. Eu e meus irmãos não a deixamos sair de casa, a não ser para trabalhar. Pois ela está ficando velhinha. E já se perdeu duas vezes quando fora vender seus tapetes aqui no Distrito. Sua memória está sendo afetada, e eu não quero perder minha mãe. Então não a deixamos ir na Colheita. E ela fica atentamente vendo ao noticiário. Também fiquei curioso enquanto comia meu pão com geléia. Na TV passava as imagens dos Tributos do Distrito 2 e 13, que já haviam sido sorteados. A menina do 13 era bem bonitinha. Mas tinha um olhar tempestuoso. E a menina do 2 também tinha lá seu charme. Mas tinha atitude, mostrar o dedo do meio pra Capital é só para os fortes. Mas o menino de 2... Ele era uma ameaça. Fiquei pensando o que eu desafortunados Tributos de meu Distrito fariam se fossem sorteados para irem enfretá-los. E nem percebi a hora passar.
º º º
Mamãe nos vestiu com as velhas roupas de nosso pai, o que odiávamos fazer. Mas aceitamos. Ela nunca falou mal dele, nem falou nada a seu favor. Não falava nada a seu respeito, resumidamente. Só dizia “O pai de vocês...” e hesitava, sem terminar a frase. Nunca soube o que ela queria dizer de meu pai, quando o mencionava. Mas sabia que coisa boa não viria a seguir, e ficava feliz em ver que ela não completaria a frase.
Seus olhos estavam marejados quando saímos de casa. Acho que ela havia sentido o mesmo pressentimento que eu. Nem imaginei o quanto seria difícil vê-la depois desse adeus. Saímos partindo para a praça da Prefeitura. Lá, uma fila de jovens já se estendia. Quase todos já haviam sido fichados. Só faltavam uns 20 mais eu e meus irmãos.
- Seu nome? – perguntou-me a mulher que furou meu dedo um tempo antes.
- Leo Frangz. – respondi ainda segurando para não reclamar por ela nem ter avisado sobre a dor...
Meus irmãos seguiram meu exemplo. Sentei na fila dos caras de 16 anos. E Caú e Kalú ficaram mais a frente, com os caras 13. Em cima do palco estavam o último casal a ganhar os Jogos. Peeta Mellark e Kathyniss Eveerden. Eles ganharam os Jogos do ano passado, levantando, assim, uma imensa fúria dos Distritos Carreiristas contra nós. Eu sabia que esse ano não teríamos tanta sorte como tivemos no ano passado. Pois ninguém aqui treinava, e Kathyniss caçava com arco e flecha, o que dava a ela uma boa mira na hora de atirar em alguém. Pensei que Kaú talvez tivesse uma chance se fosse sorteado. Mas logo apaguei esse pensamento, era loucura demais.
Brun subiu ao palco e se posicionou na frente do microfone, logo atrás veio o Prefeito de quem não me recordo o nome, já que eu não sou muito bom para decorar nomes...
- Olá, Distrito 12. – disse Brun, um pouco desconfortável. – Eu sou o representante de vocês este ano, na Capital. Creio que... a antiga representante não se demitiu... ou foi promovida a um Distrito melhor... digo, um outro Distrito. Bom, eu sou Brun. E Brun não é um apelido para Bruno, Brun é meu nome mesmo. E... bem, vamos acabar logo com isso. – falou dando um sinal com a mão de que o hino da Capital podia começar a tocar.
Cantei com a voz quase no último tom que eu conhecia. E o hino acabou. Preferiria cantar com os tordos do que ter de cantar o hino da Capital. Brun comentou algo com Kathyniss, e ela deu de ombros passando a pergunta para Peeta, que respondeu. Brun e Kathyniss deram uma leve risada, e eu fiquei imaginando o que eles estavam falando. Sabe, eu não gosto de perder a piada, mesmo que não for da minha conta. Isso pode ser meio arrogante as vezes...
- Agora, o Tributo feminino. – Brun caminhou até a urna dos nomes das meninas. E de lá, tirou um envelope e o abriu. – Primrose Eveerden. – Quando acabou de falar, empalideceu e olhou para Kathyniss, que estava mais pálida ainda.
Uma garotinha, lá no meio das garotas de 13 anos, saiu da multidão e caminhou lentamente até os braços de Kathyniss, que saiu de seu lugar para ir consolar a irmã. Infelizmente, Kathyniss não podia fazer nada para evitar que Primrose fosse para os Jogos dessa vez. Vou te contar, no ano passado, Primrose foi sorteada sim, mas Kathyniss se ofereceu em seu lugar. Mas quando ganhou os Jogos, não poderia entrar neles novamente. E isso... bem, só podemos salvar a pequenina se outra garota se oferecer... Mas nenhuma delas estavam dispostas.
- V-vamos agora ao tributo masculino... – Brun tentou esconder o rosto lacremejoso. – Que droga...- sussurrou, mas o microfone ainda estava ligado... – Sem demoras! – falou para si mesmo enquanto abria o papel. – Leo Frangz. Venha, venha logo. Ande...
Todos me olhavam como se eu fosse agora responsável pela menininha. E eu me sentia assim também... Mesmo sem saber se deveria.
Leo Frangz [N/A: Que gato!!]
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