Your Hunger Games - Fanfic Interativa
75 Leo Frangz (Final)
Notas iniciais
Leo Frangz
A Música Que Marcou a Sua Vida
Ivanny caiu, morta. Não sei como Artur conseguiu sentí-la, pois no último segundo, antes de me matar com sua espada, ele se virou e cortou o pescoço de Ivanny. Não tanto a ponto de tirar a cabeça, mas a ponto de fazer todo o sangue de seu corpo começar a sair. Tum. Foi o que eu deveria ter ouvido, mas em meus ouvidos só passava um barulho de choro de bebê.
- Bem, me vinguei de alguma forma... — Artur comentou, guspindo no chão ao lado do corpo de Ivanny, e saindo pisando duro, escalando seu tronco.
Corri para Ivanny, eu podia falar para Deus e o mundo, mas ainda amava aquela mulher, infelizmente. Olhei para sua barriga, deveria ter um pequeno embrião lá dentro, numa hora como essas, morto. Não empedi que minhas lágrimas rolasse. Primeiro Mya, então Pray, e agora Ivanny. MUlheres da minha vida. Que se foram pelas mãos de uma só pessoa. Artur. Minha raiva e fúria correu por minhas veias e me fizeram gritar para o alto, tudo explodindo em um milhão de pedacinhos. Eu podia não ser o melhor homem da face da terra, o mais defençor, e o mais corajoso, mas eu era alguém que me vingava de uma forma muito mais forte do que do jeito que fora atingido.
Escalei a árvore de Arthur, e o encontrei no fundo do tronco, afiando uma faca já muito afiada. Ele me olhou, e voltou a afiar sua faca. Me sentei ao seu lado, e peguei a faca de sua mão. Olhei dentro dos olhos dele e... Nada. Não consegui. Ele me olhava com dor, peso, castigo, solidão e arrependimento. Era quase como se ele quisesse nunca ter vivido.
- A Samantha não ficaria feliz se soubesse o que eu fiz... — ele comentou, de cabeça baixa.
- E o que você fez.
- Eu matei a Ivanny, estragando a sua vida, você era inocente. Não teve nada a ver comigo ou com a Samantha. Eu ia te matar, ia mesmo, mas... Felizmente a Ivanny foi a melhor escolha.
- Ahn... — eu queria dizer tudo de ruim para ele, queria matá-lo e ver suas tripas para fora do corpo, sendo comidas por urubus, mas... eu só disse. — Você matou meu filho.
Artur ficou com um olhar ainda mais triste e desconsolado. Ele parecia prestes a se matar a qualquer momento, e eu sabia o que fazer.
- Ahn... Estamos quites. Sem mulheres, e... Bem, sem filhos. Então, acho que podemos ser... Amigos.
- Matar o menino do 7? — ele sugeriu.
- Sim, o menino do sete.
E com isso, sorrimos para nós mesmos, e preparamos as armas para o confronto final. O que daria a vitória para mim e para Artur, afinal, éramos dois contra um.
º º º
- Vamos? — chamei, mas Artur parecia estar com a cabeça em outro lugar. A noite já estava no final, e ainda não tínhamos matado o menino do Distrito 7.- Artur! Acorda! — estalei os dedos na frente de seus olhos.
- Ah, ahn? — ele pareceu voltar ao mundo. — Ah, desculpa, Leo... Eu só... Acha que a Samantha era mais fraca que a Ivanny?
- Bem, depende do ponto de vista.
- Você acha ou não?
- N-não. Ela morreu, não morreu? A Ivanny matou ela, e isso quer dizer que a Ivanny é mais forte. Mas, vamos sair deste assunto... Temos um trabalho a fazer, lembra? — o lembrei.
Ele suspirou e saiu do tronco, com sua mega espada em mãos. Eu levei uma espada menor e mais fina, de longo alcance, nós nos esgueiramos pela floresta. Tínhamos tido uma discução breve sobre como seria nossa viajem até o menino do Distrito 7. Artur me disse que ele e Samantha mapearam a possível localização de todos os Tributos, e assim eles sabiam onde pegar cada um deles. Artur também me disse que o menino do Distrito 7 deveria estar no deserto, pois era o único local onde ninguém havia ido. Quando olhei para o céu, após ver a insignia da Capital e o hino tocar, apareceu a imagem de Samantha e de Ivanny. As duas com belos sorrisos e cabelos louros muito bem amarrados em tranças, os olhos de Ivanny brilhavam e eu ainda não sabia porque a amava tanto. Estava prestes a abaixar a cabeça, quando a imagem de Ivanny desapareceu, dando lugar a outra imagem. Uma imagem mais escura, que as vezes se confundia com a noite negra. Quando li as letras embaixo de sua foto, fiquei pálido e senti um calafrio subir minhas costas. A Princesinha do Papai. Era um ultrasson, mostrando um embrião ainda em formamento, com cabecinha e bracinhos miudos. Caberia na minha mão. Senti uma fúria enorme tomar meu peito, e encher meu curação. A Capital queria que eu matasse Artur, para dar um gostinho extra para eles, mas eu me segurei, não iria fazer isto, ele não me fez nada (Sim, matou a Ivanny, mas foi mais como um acerto de contas) e eu também não tenho muita coisa contra ele, só seu péssimo hábto de afiar sua faca 24 horas por dia...
Logo estávamos na fronteira da floresta com o deserto. Era uma linha imaginária, a floresa terminava, e logo começava o deserto, como se houvesse uma linha que a floresta não pudesse infiltrar, uma linha reta, sem curvas. Artur estava tranquilo, até demais, e andava sem ligar para o fato de que seus grandes pés faziam as folhas fazerem barulhos irritantes. Mas tudo bem, nós tínhamos a vantagem, ainda. Ele parecia saber exatamente onde o menino estaria, e quando parou de repente, tive medo de que tivesse visto algo muito ruim, mas ele somente riu para mim e apontou seu dedo para baixo. Assenti, coloquei a espada a posto, e ele adentrou por um buraco aberto na areia, a noite estava fria, e não havia vento, somente frio. Quando o menino foi atirado para fora, comeu areia e estava esparramado, inofencivo.
- Prontinho, Leo. — ele saiu do buraco batendo a poeira das mãos. — Ele é todo seu.
Assenti, ainda não estava muito confiante de que EU pudesse matar aquele menino, quer dizer... Eu não gosto muito de morte, nos filmes é até legal, mas você mesmo fazer... Ah, não, isto não é comigo mesmo! Abaixei a lâmina para o pescoço do menino, Artur estava ancioso para ver este momento. Senti um arrepio subir por mim e... Você deve estar pensando que eu desisti e entreguei o trabalho de matar o menino para Artur, certo? Errado. Eu não desisti. Abaixei a lâmina. Estava cansado de ser fraco, estava cansado de não conseguir proteger quem eu amo. Não que eu amasse Artur, mas eu não queria mais ser este homem fraco. Decidi de uma vez por todas ser um homem confiante e corajoso. Assim como Ivanny e minha princesinha queriam que eu fosse. Quando o canhão tocou, comecei a sorrir para mim mesmo, e notei que Artur também sorria. Sim! é isso ai! Nós havíamos conseguido sobreviver nos Jogos. E agora era a hora de voltar para casa. Eu estava tão feliz, que quase esqueci de tudo que havia perdido ali, naquela mesmoa arena. Quase.
- Mya Kitten. Pray Collide. Ivanny Justice. Minha Princesa. — falei para o nada, tinha de homenageá-las. Artur respirou fundo e disse:
- O meu mundo. — e olhou para mim. — Eu perdi o meu mundo. — fungou e olhou a lâmina de sua espada. — Eu rejeitei o pedido dela de ajuda. E ela ainda por cima morreu pensando que eu não a amava...
- Ela, no fundo, sabia que você gostava dela. — eu o segurei.
- Como?
- A Ivanny sabia que eu ainda gostava dela, quando eu disse que não.
- Mas, você é diferente. Eu não sei demonstrar as... Emoções. — ele respirou fundo, como se segurasse o choro no fundo da alma. — Você acha que quando morrermos, iremos para o paraíso? Um mundo só nosso?
- De onde tirou isso? — perguntei com um sorriso, mas ele não acompanhou, estava falando sério.
- A Samantha um dia me disse isso... — ele olhou novamente para o fio da espada, devia estar pensando em quantas almas deveria ter mandado para o "paraíso" com aquela arma. — Você acha que nós dois iremos para nossos mundos perfeitos?
- Eu li muitos livros de ciência, e nenhum deles disse nada sobre isso. Bom, seguindo a lógica, quando morremos, apenas desaparecemos. Nós sumimos do espaço, somos carbonizados e as nossas cinzas são colocadas em um pote em cima da lareira de nossos familiares. Não, eu não a cho que iremos para o "Paraíso".
Ele fungou, chateado.
- Eu confio na Sam... — e olhou para mim, com os olhos marejados. — Você vai para o seu mundo, e lá vai encontrar a Ivanny, eu te garanto. — e levantou a espada, não! Não! Ele iria me matar!
- N-não, Artur, ainda não acabou! Vamos sair daqui e vamos esperar até o final da velhice para morrer... — pedi.
- Adeus, Leo. Eu vou... — e segurou o cabo da espada com força, indo abaixá-la — visitar a minha princesa.
E antes que eu pudesse raciocínar tudo, o canhão de Artur já havia disparado, e ele estava caído ao meu lado, com sua espada enfiada no estômago. Seus olhos estava fixos no céu noturno, e sua boca estava entre-aberta, como se ele tivesse morrido enquando dizia uma frase. Olhei para o céu. Uma noite escura e sem estrelas, uma Luz e meia, opáca, e sem muita alegria de estar lá em cima, presenciando tudo aquilo. O aerodeslizador chegou alguns minutos após eu começar a derrabar minhas primeiras lágrimas.
º º º
Na Capital, eles passaram muitos produtos em minha pele, para fechar os machucados e dar uma melhor apresentação a ela, pois na noite seguinte eu iria para uma entrevista com o Grego, o cara que nos entrevistou antes dos Jogos. Ao vê-lo, eu lembrei da roda de Tributos, todos arrumados e com bom cheiro, um sorriso no rosto, como se não fosse no dia seguinte que iríamos para a Capital. Eu me lembrava de como aquilo fora muita pressão em cima de nós, e em como parecia ter acontecido á décadas atrás.
- Fique quieto, querido, estamos quase acabando. — me disse um dos homens que ajeitavam meu cabelo e minha roupa. Eles haviam me dado uma camiseta de botões, que ia até o cotovelo nas mangas, e era amarelada, como se já tivesse sido usana muitas vezes, um suspensório cinza imendado em uma calça jeans também cinza. Um sapa-tênis preto e um relógio de prata.
Quando entrei no palco, lembro-me de que as luzes se voltaram para mim, e a platéia me deu medo. Passei tempo demais na arena sozinho, e não estava acostumado com tanto barulho e gente junta. O Grego estava sorrindo e me apresentou, como se ninguém soubesse quem eu era.
- Senhoras e Senhores, Leonardo Frangz! O primeiro campeão da Segunda Temporada de Jogos Vorazes! Bem vindo a Capital, e Que a Sorte Esteja Sempre a Seu Favor!
Todos vibraram e eu me encolhi mais ainda, me sentando na poltrona que estava a frente da cadeira do Grego. Ele esperou que todos cessassem, o que demorou muito, e voltou a olhar para mim. Ele era assustador, tinha um olho cor-de-rosa e um amarelo, o cabelo era metade azul, metade laranja, e ele tinha uma roupa tão estranha que nem sei descrever. Ele sorria com dentes tão brancos e retos que senti enjoo só de imaginar o que a comida deveria pensar quando passava por ela. Ele disse oi para mim e logo perguntou a coisa que sempre perguntavam para mim, desde que sai da arena.
- E então, Leo, como foi a sensação de vencer os Jogos?
- Ah, foi... Ruim.
- Ruim?
- Perdi muitas pessoas especiais para mim, e principalmente um amigo que... Valia ouro.
- Que amigo? Pelo que eu saiba, foram somente meninas!
- Ahn... Artur. Ele... Me surpreendeu.
- E você o considera um amigo?
- Sim. Olhe, eu não quero mais falar sobre as pessoas que morreram naquela arena, ok?
Ele assentiu e sorriu para a platéia, para tirar a tensão do lugar.
- Leonardo Frangz, o que você pretende fazer daqui para frente?
Essa pergunta martelou a cabeça, e fez eu perguntar pela primeira vez: E agora? O que eu faria agora que ganhara os Jogos? De verdade, eu não sabia, mas inventei qualquer coisa.
- Vou abrir uma empresa de tapetes para a minha mãe. — falei/menti. — Ela adora fazer tapetes para todo mundo.
- Muito bom, você é um bom filho. Queridinho da mamãe. — ele sorriu e alguns da pleteia o seguiram. — E já que estamos falando de família, me diga, você é filho único?
- Não, tenho mais dois irmãos. Gêmeos. Kaú e Calú.
- Hum. E você é filho mais velho, certo?
- Sim.
- Bem, em relação a isso, eu soube que vocês não moram com seu pai. Poderia me contar melhor isso?
Respirei fundo, eu tinha que falar isso. Tinha que botar para fora.
- Meu pai tinha um frigorífico no centro do Distrito 12, bem ao lado da Prefeitura, era um bom local de vendas e nos dava uma ótima renda. Nós morávamos num dos melhores locais do Distrito, depois da Prefeitura e o Jardim dos Vitoriosos. Mas... Os negócios começaram a piorar, quando uma padaria abriu bem ao lado da loja de meu pai, lá trabalhava um homem muito honesto e simpático, que fizera com que nossos mais fiéis fregueses mudassem de freguesia, ele não gostou muito e até brigou com a minha mãe. Ele também bateu nela. E quando o frigorífico faliu de vez, ele nos abandonou e não sabemos onde ele está.
- Bem... — o Grego sorriu para mim. — Nós sabemos! E vamos lhe dizer onde. — eu o encarei e ele apontou o dedo para uma porta no final de um corredor que divia a platéia. — Bem ali, atrás daquela porta. Você quer que eu o chame? Mas é claro que quer! Senhor Frangz, você pode entrar!
Quando a porta se abriu, e eu vi o velho corcunda de cabelos grisalhos e na pontas dos fios, loiros e rebeldes, como os meus, e os olhos verdes claros e sem vida, também como os meus, e a pele enrrugada e cheia de veias estouradas, felizmente, diferente da minha. Ele sorria e estava com os braços abertos, olhando para mim. Usava as mesmas roupas de quando foi embora de casa. Ele caminhava lentamente até mim, e eu me levantei para ir até ele.
- Filho! — ele exclamou quando estávamos já um pouco perto um do outro — Como eu estou orgulhoso de...
Ele não terminou sua frase, pois eu lhe dei um soco no rosto. Aquele velho mais que merecia. Virei as costas, enquanto o Grego ajudava ele a se levantar, grite alto, na esperança de toda a Capital ouvir:
- Vão se ferrar!
º º º
Eu estava na frente de minha velha casa. Pronto para bater na porta feia e mal pintada. Já sentia o cheiro bom dos cozidos de minha velha e pobre mãe. Respirei fundo, e empurrei a porta devagar. Olhei para dentro de casa. A lareira com alenha já queimada, e tudo muito bem arrumado. O kit de custura de mamãe na poltrona que era somente dela, a pequena TV desligada, o cheiro de mofo e de gente velha, as também de produtos de limpeza. Calú, meu irmão deveria ter limpado a casa. Nenhuma loça na pia e tudo em silêncio. Normal para minha casa. Quando entrei, vi o tapete novo. Sim, como minha mãe fazia muitos tapetes, ela sempre fazia um diferente do outro para cada semana. Desta vez estava escrito: Bem-Vindo, Leo — Este Lar é Feliz Novamente.
- LEO! - meu irmão exclamou quando me viu. Veio me abraçar, e depois segurou-me pelos ombros e terminou dizendo — Eu sabia que iria voltar! Venha, sente-se no sofá! E-eu fiz uma xícara para você e... Olhe! Mamãe custurou um guardanapo com o rosto de Lupi e...
- Onde está mamãe? — perguntei.
O sorriso e a felicidade de Calú saiu de seu rosto e ele balançou a cabeça em direção ao quarto de casal de minha mãe. Me levantei, com medo, e andei até lá. Minha mãe odiava ficar o dia inteiro na cama, deveria estar com gripe, novamente... Mas não. ELa estava deitada, sim, mas vendo TV, com uma camisola feita por ela mesma. Assitia um programa qualquer, feito pelo Distrito 3. Quando me viu, apenas sorriu e disse:
- Oh, Rodnei! Eu sabia que nosso filho estava mentindo! Você voltou!
E voltou a ver sua TV. Calú púxou meu braço, até seu quarto e de Kaú.
- Ela está te chamando de Rodnei a muito tempo. — Rodnei era nosso idiota pai — Ela... Está... Ah, bem, três vezes acharam ela na rua, andando por vielas e choramingando que estava perdida. Ela não lembra de nós, e acha que têm somente Rodnei com ela. Ela te chamava de Rodnei sempre que te via passando na TV, nos Jogos. A gente tentou falar com ela, mas a velha não nos ouve. — ele abaixou a cabeça — Ela está velha, Leo. Não é a mesma desde que você foi. Ela pareceu envelhcer trinta anos. Eu e Kaú não sentimos mais a alegria nesta casa.
- Um dia isto chegaria, Calú. — lhe disse — Mamãe não era tão nova quando vocês nasceram, imagina agora.
Ela assentiu e a alegria voltou para seus olhos, como se ele tivesse se lembrado de algo muito bom. Me puxou até a porta de meu quarto e me disse:
- Ela fez isso, antes de adoecer.
E virou as costas, me deixando sozinho com a porta de meu quarto. Nela, estava um quadro muito bonito, e bordado com os nomes: Leo Ivanny & A Princesinha do Papai. Quando entrei em meu quarto, fiquei mais que surpreso. Fiquei... Não acreditava no que via. Em minha cama, havia um cobertor quentinho e groso, com vários lobos bordados, três travesseiros no começo do colchão, cada um com um nome diferente, os mesmos do quatro, sendo que o último era menor, perfeito para um bebê. Ao lado de minha, cama, o mesmo quarda-roupa, mas agora com o nome Família Frangz destacado em tinta. Um troca-fraldas no outro lado de minha cama e um espelho perto da penteadeira, com os dizeres Senhora Frangz escrito nele. Na minha antiga penteadeira, tinham escovas, produtos de beleza para mulheres, perfumes de bebê e minha gaveta de cuecas, meias e outros. Senti um peso enorme no coração. Minha linda e velha mãe havia feito tudo aquilo para mim, pensando que eu voltaria com uma linda esposa e um bebê para lhe dar como neto. Mas eu não pude fazer isto.
º º º
O tempo passou voando. Minha mãe morreu três meses depois de nos mudarmos para a Vila dos Vitoriosos, Kaú abriu um frigorífico maior que o de nosso pai e Calú se casou e foi morar com sua esposa. Kaú arrumou inúmeras namoradas, mas nunca casava, até encontrar a perfeita, que lhe deu um belo filho, e muitos outros. Eu fiquei só em minha mansão, desfrutando a solidão. Nessas horas eu lembrava de Ivanny, de seu sorriso. E como ela me fazia feliz. Eu vivi até os 87 anos. Só.
Lamento lhe informar, mas eu morri ontem.
Bom, não sei se foi exatamente ontem, aqui onde estou o tempo não passa o tempo não muda, ele faz o que eu mandar, o que eu quiser. Quando morri, eu nasci em outro lugar, em outro mundo. Minha pele ainda era enrrugada e eu ainda era lento, mas sentia que nunca iria envelhecer. Eu abri os olhos para um novo mundo, uma nova terra. Onde havia uma mulher linda e loira, perto de uma nascente, dando banho em uma bebêzinha ainda mais linda, com os mesmos olhos verdes que os meus e os cabelos cacheados de Ivanny. Uma velha estava neste mundo, e ela tinha uma empresa de tapetes, e eu sorri. Estava no meu Paraíso. Junto com as pessoas que mais amava.
Logo chegou Calú e Kaú com seus filhos e descendentes, povoamos toda a terra, e eu hoje tenho mais de um milhão de bis-netos.
A única coisa da qual me arrependo, é de ter dito um dia, a um homem, que este Paraíso não existia.
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