Your Hunger Games - Fanfic Interativa
9 Jack Hadley II
Notas iniciais
Jack Hadley
Na sala de despedida, ninguém veio me ver. Não era surpresa para mim. Fiquei meia hora só pensando no nada. Até guardas fortemente armados entrarem na sala de despedida e me tirarem de lá. E eles não eram nada delicados! Vi Hooper, a Ruivinha, subindo num trem, e segui seu exemplo. Derick estava nos mostrando o interior do trem, quando algo o interrompe.
- Mas eu peguei as PlayBoys! – gritou um dos garotos.
- Mas eu comprei! – respondeu o outro.
Derick suspirou como se aquilo fosse uma rotina muito, muito chata.
- Calem a boca, seus ignorantes! – ele falou calmo, porem ainda forte. – Estes são os conselheiros de vocês. Mentores Edval e Gilen, seus aprendizes, Jack Hadley e Hooper Grace.
Edval revirou os olhos para mim, e deu uma piscadela para Hooper. Ou a vi se segurando para não matar um de nossos mentores. Gilen fez um positivo para mim e outro para Hooper, ele não devia estar muito interessado na beleza dela. Não que ela seja bonita! Talvez um pouco...
Derick prosseguiu e nos mostrou onde seriam nossos quartos. Hooper aparentemente não gostou do seu. Talvez por que tinham janelas demais. Não sei muito bem. Mas eu me segurei para não oferecer o meu. Pois um pouco de privacidade é bom quando se é um matador de primeira. Não que ela seja! Ah, deixa eu ficar quieto.
Sentamos-nos numa mesa do refeitório-bar. Nem sentíamos o trem correr, de tão rápido que era. Hooper pegou um pão e o comeu puro. Tirando pedacinhos pequenos. Eu não iria economizar com toda a comida que havia ali! Peguei uma xícara de café, e três biscoitos de aveia, mergulhei-os no café e os devorei, como um animal. Não pude deixar de reparar o riso que ela deu.
- Que foi? – perguntei ofendido.
- Nada, não. – respondeu rindo ainda mais.
- Fala.
- Você parece o Plic! – ela riu.
- Plic? Seu namorado?
- Não, meu porco.
Tá, ela fez uma piada da minha cara. Mas tudo bem. Ri só para demostrar que não matá-la. Não agora. Mas ela fechou o rosto novamente e ficou neutra. Como se não pensasse em nada. Algo que admiro nela, é isso. Esse jeito de conseguir ficar neutro e não passar emoções com a face. Tipo um dom. Ela desenvolveu esse dom muito bem. Mas... por que estamos falando dela? O assunto sou eu. Bom, eu não sou muito de ficar rindo com pessoas que eu sei que logo terei de matar, mas ela parece ser legal. Não aquela menina cruel e misteriosa da Academia.
- Você mora sozinha? – tentei puxar assunto.
- Não. Moro com minha irmã. – respondeu depois de muito ficar em silêncio.
- Eu moro sozinho.
- Tem certeza? Fiquei sabendo que você mora com os pais... – ela ergueu uma sobrancelha.
Fiquei quieto por um tempo. Tá, era humilhação morar ainda com os pais... Mas...
- E você sabe isso como? – perguntei.
- Um amigo seu ...
- E ele disse isso a você... porque?
- Porque eu pergu...
- Aha! – ri – Você fica bisbilhotando minha vida!
- Claro... você é irmão do Cato, e isso... ah, deixa.
- Isso o que?
- Nada, eu falei esquece!
- Agora que não esqueço mesmo.
Ela fungou e se virou para não olhar nos meus olhos. Continuamos até os caras conselheiros entrarem no vagão. Claro, brigando. Ficaram assim até Hooper se enfezar. Eu a vi pegar a faca da mesa que deveria ser usada para cortar pão. Somente eu percebia todos esses atos dela? Parecia que sim. Hooper colocou a faca no pescoço de Edval e ele engoliu em seco.
- Querem parar? Ou eu mato ele. – falou determinada.
Eu não duvidaria se fosse eles. Mas claro, Edval nunca acreditaria que uma menina tão bela e delicada como Hooper fosse capaz de matá-lo.
- Duvido. – falou.
Hooper apertou mais ainda a faca contra o pescoço dele, não pude deixar de rir. Gilen pegou a faca da mão de Hooper quando ela não percebia. Fiquei um tanto decepcionado.
- Guarde sua raivinha para os Jogos. – disse pondo um fim na discutição.
Continuamos a comer. Eu sempre devorando a comida toda. E Hooper de pedaço em pedaço.
Já escurecia quando minha barriga começou a latejar.
- Acho que comi demais. – falei indo para meu quarto.
- Não, — ela falou encostando na frente da porta. – Você só não está acostumado a comer tanto assim. – riu.
- E o Plic está.- eu fiz ela rir mesmo?
Já ia entrando no meu quarto quando ela ergueu uma sobrancelha.
- E é só isso? – perguntou.
- Sim, por que?
- Nem um boa noite? – fez biquinho.
- Boa noite, Ruivinha. – sorri do jeito mais desengolçado que eu conseguia.
- Boa noite, Grandão. – ela disse com a voz suave. Que penetrou minha face e encantou meus ouvidos.
Subiu nas pontas dos pés, e me deu um beijo. Isso, um beijo. Não, não um beijo... Bem, ela me deu um beijo na ponta do nariz, mas... Ah, deixa eu calar a boca! Eu só sei que entrei no meu quarto pisando nas nuvens. E dormi sobre elas. Com Hooper ao meu .lado. Claro, na minha imaginação... Será que é loucura eu fingir que meu travesseiro é ela?
Hooper Grace
Fale com o autor