Your Hunger Games - Fanfic Interativa
10 Ivanny Justice II
Notas iniciais
Ivanny Justice
Fui mandada direto para a sala de despedidas. Vânia entrou arrombando a porta. E logo atrás os pais dela. Minha amiga ainda não havia parado de chorar. E eu também não. Não podia abandonar Vânia. Não agora! Ela que sempre me apoiou e me deu força... Quando eu mais queria desistir. Eu sabia que iria morrer. Nenhum garoto dos Jogos iria com a minha cara e teria dó de mim, como tiveram com Melinda. Eu era só a Irmã menor. E todos sabemos que os irmãos menores são muito piores do que os maiores. Eu sempre quis ser Melinda. Era um sonho de todo irmão menor. Ser o irmão mais velho. Eu tenho certeza que se eu fosse Melinda, sairia viva desses Jogos. Mas sendo eu, não duraria um segundo! Eu sempre usei um lado meio arrogante e discreto de falar e conviver com as pessoas. Mesmo sendo as mais íntimas, mas eu não iria conseguir abandonar Vânia. Eu não teria essa única desvantagem de Melinda. Ela me abandonou, e eu sabia o que era sentir na pele alguém tão próximo indo embora. E eu não podia deixar Vânia sentir o mesmo...
- Amiga... – Vânia se ajoelhou perto de mim e me abraçou.
Meus cabelos louros se misturavam com meu rosto, grudando-se, e senti as lágrimas quentes rolarem por minha face. Era muito difícil para mim chorar na frente de alguém. Mas aquela era a minha família. Eles me deram carinho quando eu precisei. Devo a eles minha confiança e minhas lágrimas. Vânia ficou por uns vinte minutos me abraçando enquanto uma a outra enxugava as lágrimas. Me levantei e abracei a mãe de Vânia. Tia Dindi me abraçou devolta e sussurrou em meu ouvido:
- Você vai voltar, eu sei que vai voltar... – tentou segurar as lágrimas, mas não conseguiu.
Fui até o pai de Vânia, Tio Clark. Hesitei antes de o abraçar. Nunca fomos muito chegados, e eu nunca havia nem dado um beijo em sua barba... Mas... Era a última vez que o veria.
- Obrigado, pai. – falei em seu ouvido enquanto o abraçava.
Ele havia sido pego de surpresa, pois não esperava que eu o fizesse, mas não iria desperdiçar a chance de dar adeus ao meu pai de criação. Aquele que sempre me deu 20% de sua cesta matinal. Só queria dar um adeus a Télo... Mas seria pedir demais. Mas minha vida já estava por um fio mesmo...
- Obrigado... – falei a eles.
Vi os guardas entrando na sala e anunciando que o tempo acabou. Me desesperei.
- Obrigado! Obrigado, vocês são uma família para mim! – gritei enquanto eles eram empurrados para fora.
- Ivy! – gritou Vânia antes de desaparecer. – Eu te amo!
Pensei um pouco naquela frase. Eu não acredito no amor. Nem mesmo no amor vindo de Vânia. O amor já me traiu e me deixou uma marca muito dolorosa. A parte mais importante de minha vida se foi, e eu fiquei aqui. Só. Não deixaria-me levar por ele novamente. Não respondi a Vânia. Mas não seria preciso, pois ela e meus pais já haviam saído. E não ouviriam.
Fiquei a esperar alguém me tirar daquele lugar. E logo entrou Scarlett, e me conduziu até o trem que me levaria ao Inferno. Que também pode ser conhecido com Capital.
Não me pergunte se eu já conheço Alex Minervo, pois conheço, e muito bem. Ele foi um de meus inúmeros alvos quando criança, pois não era acostumada a todos sussurrando coisas de mim pelas costas. Eu me lembro de como finquei minhas unhas nele. E como elas estavam cheias de seu sangue e sua pele quando o soltei. Lembro de como fui punida pela diretora, e como era doloroso ter de receber chicotadas e depois me banhar no mar salgado. Se você nunca cortou o dedo cozinhando e depois relou no sal, não sabe o que é dor. E imagine isso pelo corpo inteiro. Sei que fiquei em repouso por algumas semanas. Pois uma hemorragia tomou conta de mim. E sei também que Alex não pouparia nada do que eu fiz a ele. Minha morte seria a pior daqueles Jogos, eu tinha certeza.
Me sentei no vagão-refeitório e esperei alguém entrar. Pois isso não aconteceu. Então resolvi comer sozinha. Peguei um pedaço de uma coisa rosa e que na primeira mordida não gostei. Era algo cheio de pintinhas e com folhas verdes. Por dentro era meio vermelho...
- São morangos. – falou alguém acima de mim.
Olhei para direção de tal voz, e encontrei um menino com uma cicatriz grossa no pescoço. E ela tinha sido feita por uma unha... A minha, especificamente. Tentei desviar o olhar dela, mas ele já havia notado. Senti minha morte chegando cada vez mais rápido. Aquilo era tortura, saber que se vai morrer logo, mas não saber quando. Nunca fiquei tão indecisa na minha vida. Mas olhei para cima. E encontrei os olhos castanhos-negros dele. Seu sorriso ela carnudo e seus lábios... Tentadores.
- São amargos no começo. – falou de novo. – Mas eu gosto.
Mordi os lábios e abaixei minha cabeça. Peguei um cacho cheio de coisinhas parecidas com bolinhas. Roxas. Comi uma, mas tive que jogá-la para fora da boca, pois algo duro havia dentro delas.
- Uvas, — me informou. – elas tem caroços. É melhor não engoli-los.
Abaixei minha cabeça novamente. Peguei algo que ele com certeza não saberia o nome!
- São maçãs. Muito gostosas.
- A alguma coisa que você não saiba? – perguntei me enfezando.
- Bom, são frutas cítricas e vêem da América do Sul. – falou sorrindo.
- E o que é América do Sul?
- Uma antiga civilização, que fazia parte da América. Nós éramos a América do Norte. A América Central foi tomada pela América do Sul, e por isso eles são um enorme potencia que abrange...
- Ei! Você é muito nerd! – sorri. O que eu estava fazendo.
- Eu sei.
Percebi que estava sendo amistosa demais com alguém que teria de matar em algumas semanas. Então fechei a cara e me levantei da mesa. Ignorei-o e fui procurar onde eu dormiria. Pois encontrei com somente algumas horas... Aquele trem era enorme! E olhar para a janela e ver tudo passando extremamente rápido me dava enjôos. Meu quarto tinha uma estrela na porta e o número 13. E bem embaixo “Justice”. Tinha que ser o meu. Lá, encontrei um banheiro, uma cama, e um guarda-roupas cheio de peças da Capital. Que não faziam meu estilo. Então, resolvi tomar banho somente quando chegasse no local onde ficaríamos por uma semana, até os Jogos. Decidi que não iria me importar se estava ou não bonita. Afinal, eu tenho que dar medo. E fui dormir pensando em como mataria aquele menino.
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