Your Hunger Games - Fanfic Interativa
5 Jack Hadley I
Notas iniciais
Jack Hadley
Dormi sonhando lindos sonhos. Como eu matando os Tributos do Distrito 12, ou a Ruivinha. Mas quando acordei, foi quando a alegria tomou conta de mim, e me permiti ignorar os olhares indignados e cheios de desgosto de meus progenitores. Acho que eles sabiam bem que naquela manhã eu me voluntaria a Tributo do Distrito 2. Como Cato. Mas eu não sabia que não precisaria fazer isso, pois as coisas saíram um pouco piores do que imaginado.
Sai de meu quarto, o café era coado por minha materna, e meu paterno afiava a faca de caça, que raramente usávamos. O cheiro do café invadia o interior da casa, e eu praticamente flutuava até a mesa de centro, onde a amargura de minha progenitora ficava exposta no ar. Até onde eu saiba, coisas grandes não acontecem aqui em casa. Quando é Colheita, fechamos nossas persianas para demonstrar o luto entre os outros moradores do Distrito 2. Já perdi muitos bons amigos por causa desses Jogos. Claro, o pior deles foi o Cato, que era meu melhor amigo. Mas tentei ignorar isso. Me sentei a mesa e esperei Elizabeth terminar de coar o café de tão bom cheiro. Ela não mostrava nenhum animo, vendo-me aspirar o ar puro do café. Mas sei que no fundo, gostava de mim. Só não queria demonstrar para meu pai, talvez por medo.
Dei-lhe um beijo desajeitado na testa, e ela respirou fundo, enquanto olhava com medo para o sofá, onde minha parte paterna afiava a faca com hálito de amargura. Peguei uma xícara de café e me sentei no outro sofá, onde a luz do Sol entrava pelas cortinas esburacadas de minha casa, se é que posso chamá-la assim.
Fui para meu quarto, em meio a tanta bagunça, e me deixei cair na cama, novamente. Arrumei-a, e coloquei roupas leves, já que não tenho muita escolha. Era Colheita, e a roupa tinha que ser branca ou clara. Eu só tinha uma calça jeans azul clara e uma camiseta branca, com o número 2 nas costas, e o nome de Cato na frente, sim ele era um jogador do time de futebol aqui do Distrito. O futebol também foi aderido, somente para nos distrais enquanto o mundo lá fora corre com a agitação da Capital.
Penteei os cabelos, mas essa tarefa era difícil quando se tratava dos MEUS cabelos. Passei os dedos para um lado. Ficou horrível! Para o outro. Péssimo. Tentei de tudo, mas eles nunca paravam como eu queria. Um pente se projetou em minha cabeça, e quem o segurava era a mão mais fina e delicada que eu poderia ver. Minha mãe deslizou o pente para trás, e como meu cabelo é rebelde, ficou meio levantado na parte da frente. Aquele era um estilo muito original. Dei-lhe um beijo na mão, e caminhei até a porta de casa. Meu paterno até agora não havia olhado para minha face. Respirei fundo, e pensei “Ele vai me olhar quando eu voltar”, e sai de casa.
º º º
O jeito mais fácil de saber se o Distrito 2 está no Carnaval ou na Colheita, é ver se as garotas estão sambando. Só isso. Pois é a mesma festa. Avistei meus amigos ao longe, vindo todos conversando e rindo de piadas sem graça. Me juntei a eles, e combinamos de ficarmos vendo qual menina era a mais bonita na fila. Fiquei tão obstinado, que não notei a Ruivinha bem embaixo do meu nariz. Ela se mexia desconfortável, como se aquela não fosse sua área. Gente demais, eu sabia como era sentir isso. Mas eu era completamente ao contrario. Adorava muita gente num lugar pequeno. Dava para ver mais garotas. Cheguei a primeiro da fila, e um dos homens da Capital perguntou:
- Seu nome? Anda, diga-me seu nome! – exigiu quase me batendo.
- Jack Hadley. – falei.
Ele pegou minha mão e furou com uma maquininha. Não senti dor alguma. Segui a fila dos homens, onde éramos classificados por idade. A minha era a terceira fileira. Me sentei e tentei guardar o lugar de meus amigos. Mas não deu outra, eles preferiram ficar na fila dos caras de 18 anos, pois as meninas davam mais atenção a eles. Fiquei um tanto chateado por isso, mas não me importava tanto assim. Olhei para o palco improvisado que a Capital montara para o sorteio dos nomes. Lá já estavam a prefeita e os dois ganhadores de anos passados, que serviriam como conselheiros para os Tributos desse ano. Eram eles que permitiam as ajudas dos Patrocinadores, e quase sempre eram eles que escolhiam entre a vida e a morte de alguém. O vento cortava o céu, anunciando que uma chuva viria um pouco mais tarde. Como é costume nos Distritos do Oeste, o clima é mais úmido e frio. O céu não ajudava muito nisso, pois era tão branco que as nuvens sumiam enquanto se misturavam com ele. Se passaram mais de trinta minutos, até todos estarem já com os nomes nas fichas da Capital e Derick subir ao palco. Derick era o homem que sorteava os nomes dos Tributos e representava o Distrito 2 na Capital. Ele era alto, mesmo que ainda ficasse parecendo um nanico perto de mim.
- Olá, camponeses do Distrito 2. – ele falou ao pé do microfone. – Vamos cantar o hino da Capital. – sem mais nem menos anunciou.
Cantar o hino da Capital era algo que não estava na minha lista de tarefas daquele dia. E eu nem decorara na escola. O hino a Capital era o pior de todos. Somente mexi os lábios, para enganar os outros. Era um ritmo frenético que quase me deixava surdo. Mas não demorava dois minutos para acabar. Por fim, não precisei ir ao médico para vomitar.
- Vocês sabem como eu não gosto de etiquetas nem mais demoras, então, vamos sortear o nome do Tributo feminino. – ele disse sem animação, como era a característica dele.
Se movimentou até a urna da direita. Os nomes das meninas eram sorteados primeiro, então só aguardei até ele voltar com o papel em mãos. Abriu o selo que fechava o papel e anunciou o nome da infeliz:
- Diana Edmund!
A garota devia ter seus dezessete anos. Era altinha, e até bonita. Tinha os cabelos até metade das costas e andava como se o mundo lhe devesse sua glória. Era uma filha de Pacificador, o que fazia dela um alvo fácil e delicado, que na maioria das vezes não durava uma noite nos Jogos. Mas algo parou a elegante ida da menina até o palco. Uma ruiva saiu do meio das garotas de 13 anos e caminhou um tanto apressada até a frente. E aquela não era uma ruiva comum.
- Eu me ofereço, como Tributo. – falou com a voz mais tremula que eu poderia identificar. – Eu, Hooper Grace, me ofereço.
Derick não demonstrou surpresa, pois aqui no Distrito 2 não era nenhuma. Não era de se espantar que todos os anos jovens se ofereciam para os Jogos. A garota filha de Pacificador mostrou indignação e apontou o dedo para a Ruiva. Acho que ela deveria estar falando que não deixaria uma ruivinha como ela tomar seu lugar. Mas Hooper não mostrou interesse ao que ela dizia. Segurou sua cabeça com as duas mãos e virou seu pescoço. Não dava para ouvir o que acontecia lá na frente, mas quem estava nas fileiras de 12 anos fez uma careta e alguns até colocaram as mãos sobre as bocas quando a menina caiu desmaiada.
Derick não escondeu um ligeiro sorriso que passou por seu rosto. Ele gostava de Tributos exclusivos, como esse. A Ruiva subiu ao palco e ficou do lado direito de Derick. Onde permaneceria até o fim da Colheita.
- Quer dizer algo para eles? – perguntou Derick a Ruivinha.
Hooper somente mostrou o dedo do meio para as câmeras e resmungou alguma praga contra a Capital. Derick soltou mais um sorriso pelas narinas e caminhou até a urna dos nomes masculinos. Sem mais demoras, pegou o envelope e abriu o fecho, onde continha o nome.
- E o Tributo é... – Derick abriu o selo do papel que continha o nome do azarado. – Jake Hadley! Vamos, suba ao palco! – ele chamou.
Era pra eu estar sorrindo. Achando-me o vitorioso! Afinal, eu conseguira entrar nos Jogos sem ter de me voluntariar! Mas o olhar que aquela ruivinha tinha... O jeito como havia treinado na Academia aqui do nosso Distrito... Ela me dava medo. Mas não o medo comum. Eu sabia, que mesmo que fosse permitido dois vitoriosos, ela iria me matar. E de acordo com a cor de seus olhos, seria doloroso e lento.
Jack Hadley
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