Notas iniciais
Agora era não vai dar mole.

Ivanny Justice

Hands All Over — Maroon 5

O primeiro dia de treino foi o melhor de todos. Depois dos próximos dias. Eram quatro, e eu ia cair matando. Tudo era diferente. Nós seríamos jogados em lugares diferentes, tínhamos que nos matar, não de verdade, mas tentar acertar os pontos fracos de um Tributo adversário. Era mais ou menos assim: Vestíamos uma malha de ferro e no lugar do coração, da cabeça e de outros pontos vitais eram contados como pontos. Quanto mais você atacasse e atingisse esses pontos, mais o seu adversário perdia os pontos, e quando chegava a zero, ele era tirado da arena, e vencia quem mais tivesse pontos. Era outro jeito de nos avaliar. E acho que também de decidirem onde seriam os Jogos desse ano. Numa montanha nevada. No deserto do Saara. Ou na Selva.

Lembro-me como foi acordar nas raízes de uma árvore. O Pântano me cercava e onde eu pisava algo molhado subia minhas canelas. Eu estava num rio enlameado e a névoa subia das águas. Quando me levantei, vi o garoto de meu Distrito logo caído também acordando. Levantei, e percebi um leve peso do meu lado direito. Olhei e lá estava um punhal e uma adaga. Coloquei o punhal e com a outra mão a faca. Fui andando em sua direção. Não daria mole hoje. Agora era pra valer.

O primeiro golpe que desferi atingiu seu ombro, e com isso ele se levantou assustado. E logo se colocou em posição de ataque. Com uma faca em mãos, até menor que a minha. E nas costas um escudo, me logo pegou, sem eu perceber. Segurei com mais força a adaga e dei um golpe em seu braço, e então ele se ligou que eu não estava brincando. Tentou atacar, mas eu virei sua mão e dei uma cotovelada em sua barriga, fazendo que eu sentisse que lá era um ponto sensível e ele perdera pontos. Ele me empurrou e eu bati em uma árvore. Senti a roupa de ferro se contrair e sentir o impacto também. Me enfezei. Não lembro décor de todos os meus golpes. Mas foram tão lindos.

Lembro de ter chutado seu rosto, atingido sua panturrilha, chutado seu coração, e quando ele veio para cima de mim e nossas lâminas se cruzaram, senti sua respiração em minha face. Dei um passo para trás, acho que ele pensou que eu iria desistir, e mudou a expressão. Mas meu punhal em sua testa não demorou a acontecer.

Ele caiu desmaiado e eu vi ele sumir no solo, com se a terra o sugasse. Havia morrido, ou perdido todos os pontos. Sorri para mim mesma, mas logo depois tive que deixá-lo escapar pois uma garota apareceu andando pela floresta úmida. Ela tinha feições delicadas, mas um jeito assassino de andar que eu conhecia bem. O número 4 reluzia em sua roupa. Distrito 4. Distrito da pesca. Não seria nada difícil me livrar dela. Me escondi em uma árvore e esperei ela passar por mim, despercebida. Pulei em seu pescoço e coloquei a adaga nele. Ela lutou contra minha força, mas eu era mais forte. Não a deixei escapar. E a cada chute que eu dava nela, em suas costas, ela se contorcia mais, até cair no chão, e lá desaparecer. Havia sido fácil demais. Até eu sentir a lâmina em minha garganta.

– Não vai ser tão fácil assim para você, loirinha. – falou o menino.

Vi em seu braço o número 4, também. Ah, pescadores não! Me abaixei um pouco e lhe dei uma cotovelada em seu lugar mais vulnerável. Ele caiu com o corpo dobrado em dois. Vi seus cabelos desgrenhados, e logo depois, numa velocidade incrível, a lâmina de sua espada batendo em cheio no lugar de meu coração. Senti uma dor tremenda, e logo percebi o quanto havia perdido pontos. Ele não deu tempo, sua série de golpes eram impressionantes. E não demorou muito até eu estar sendo sugada pela terra que borbulhava em lama e eu ver pela última vez a luz, depois apagar.

º º º

O menino do Distrito 4 ganhou o treino daquele dia.

Jurei que eu o mataria no próximo dia de treinamento. O que não demorou a acontecer.

Acordei desta vez em meio a neve. Minha cabeça repousava em uma pedra grande e do meu lado havia um arco e uma flecha. Quando me levantei, vi o garoto com o número 4 no braço. Andei até onde ele estava adormecido e preparei uma flecha. Estiquei a corda do arco, e encostei as penas vermelhas nos lábios. E soltei. A flecha fincou e sua roupa, do lado direito de sua cabeça. Pensei que o havia matado de verdade, mas então notei sua respiração se controlando, e percebi que ele estava querendo que eu pensasse que ele havia morrido. Preparei mais uma flecha. O garoto grande e forte mostrou sua espada. E eu não tive como controlar. Duas flechas erraram o alvo. Uma fincou no braço e três ele fez recuarem com a espada. Quando ele lançou-a, senti o verdadeiro medo tomar conta de mim. Mas meus reflexos me salvaram. A sua espada, que não sei por que, ficou em uma árvore cheia de neve. Peguei a espada. Era muito mais pesada do que eu imaginara.

– Ela serve para ser lançada. – ele informou vindo para cima de mim.

Ignorei a espada e disparei uma flecha. Senti que nada havia acontecido, até o garoto cair aos meus pés. A flecha havia ricocheteado em sua malha de ferro, como foi que ele...

E então eu vi, o garoto, com a espada em mãos. Ele era loiro, e de olhos verdes. Lindo. Com a expressão que eu gosto: Odio.

– Quem está rindo agora, otário! – falou vendo o menino do Distrito 4 desaparecer na terra. – Que idiota! Eu disse que ia te matar! Verme! HAHAHA, que piada... – mas parou de rir quando me viu. – Você! – falou como se já me conhecesse. – A garota do Distrito 13! – sorriu. – Muito melhor pessoalmente.

– Do que você está...? – e então eu vi o número 12 em sua roupa. E o ódio tomou conta de mim.

A última coisa que eu vi, foi ele caído no chão, olhando com seus olhos verdes para mim, e com uma pergunta na face. “Quem é você?” sua boca se mexeu antes de sumir para sempre.

Notas finais
E então? Gostaram da Ivy?