Your Grace
11 Royal Mistress
Margaret permaneceu na entrada do castelo parecendo o mais apresentável possível. Ainda não tinha visto a rainha em lado nenhum desde que ela lhe tinha dado a ordem para receber os duques da Polónia e estava curiosa por saber o porquê da visita deles. Ela sentiu alguém colocar-se ao lado dela e quando olhou viu Graham com os seus olhos azuis semicerrados devido ao sol que estava naquele dia.
— O que estás aqui a fazer?- perguntou ela desconfiada.
— Sua majestade achou que a minha relação com estes duques poderia ser proveitosa para esta aliança que ela tenta formar.- respondeu Graham seco.
— Qual é a tua relação com eles?- perguntou Margaret com um sorriso sarcástico.
— O duque e o meu pai cresceram juntos.- respondeu Graham sem adiantar mais conversa.
— Porquê é que a rainha precisa desta aliança?- perguntou ela, desta vez curiosa.
— Com os outros reinos em guerra connosco e os apoiantes dos Bourbon a aumentarem cada vez mais ela precisa de todas as alianças que conseguir encontrar.- explicou Graham com uma paciência que Margaret não sabia que ele possuía. – Para além disso, ninguém num raio de mil quilómetros quer casar a sua filha com o Jordan.
Margaret riu involuntariamente.
— Ela ri como um ser humano.- comentou Graham sarcástico.
— Espero que tenhas desfrutado da minha gargalhada porque foi a única vez que a ouviste.- respondeu Margaret sarcástica.
Graham estava prestes a responder quando a carruagem dos duques entrou no seu campo de visão. Ambos Margaret e Graham voltaram às suas poses apresentáveis até que a carruagem parou na sua frente. De dentro da carruagem e com a ajuda de criados, saíram um homem e uma mulher que aparentavam os seus quarenta anos seguidos de uma rapariga loira de olhos azuis e muito bonita que aparentava ter a mesma idade de Margaret e que ela percebeu que deveria ser a futura noiva de Jordan. Em seguida saiu uma rapariga um pouco mais nova que a anterior e um rapaz com os mesmos cabelos loiros e que aparentavam ter à volta de dez anos. Margaret e Graham fizeram uma vénia aos duques e eles fizeram o mesmo.
— Graham!- saudou o duque abraçando-o.
— Senhor.- respondeu Graham após desfazer o abraço.
— Já não és um pequeno rapaz.- comentou o duque sorrindo.
— Passou muito tempo.- respondeu Graham forçando um sorriso.
— Esta deve ser a sua esposa.- comentou o duque dirigindo-se a Margaret.
— Que Deus me proteja de tal desgraça, sua graça.- respondeu Margaret fazendo os duques rirem.
— Margaret Beaufort.- disse Graham apontando para ela.
— Uma inglesa como eu.- disse a duquesa sorrindo.- Posso dizer que nos vamos dar muito bem.
— Espero que sim, sua graça.- respondeu Margaret também sorrindo.
— Vamos levá-los aos seus aposentos.- disse Graham soando autoritário.
Os duques e os seus filhos seguiram Margaret e Graham pelo castelo. Graham cruzou olhares com a filha mais velha dos duques e um brilho estranho apareceu no rosto de ambos. Margaret pediu a Deus que isso não lhe trouxesse problemas.
Há hora combinada, Seth e Jane abriram a porta do que eles achavam ser um cômodo do castelo. Em vez disso, encontraram um corredor escuro com umas escadas em espiral que desciam até não se ver mais nada. Seth agarrou a vela acesa que tinha sido deixada provavelmente para eles e fez sinal para que Jane fosse atrás de si. Eles desceram calmamente as escadas e após o que parecera horas chegaram a uma sala ampla. Jane reconheceu que aquela sala devia ser uma cripta. Um caixão de pedra permanecia no meio da sala e ela reconheceu Michael como o rapaz que olhava para o caixão de uma forma estranha.
— A minha mãe está aqui.- comentou Michael fazendo sinal para que Seth e Jane se aproximassem.
Seth hesitou mas Jane puxou-o pelo braço fazendo-o avançar.
— O que aconteceu com ela?- perguntou Jane.
— Pneumonia.- respondeu Michael levantando a cabeça.
— Porque é que nos chamaste aqui?- perguntou Seth evitando o momento sentimental.
— Temos de parar o meu pai.- disse Michael afastando-se do caixão.
— Como planeias fazer isso?- perguntou Jane.- Eu só vejo uma maneira de o fazer.
Jane percebeu que Michael também só via essa única maneira de retirar o seu pai do trono.
— Queres matar o teu pai?- perguntou Jane incrédula.
— Não há outra maneira.- respondeu Michael.- Aquele homem deixou de ser o meu pai no dia em que a minha mãe deixou este mundo.
— Ele ainda é o teu pai, maluco ou não.- comentou Seth achando estranho a decisão de Michael.
— Neste momento é entre o meu pai e a cidade inteira que um dia eu irei governar. Uma vida por outras centenas.- disse Michael convicto do que estava a dizer.
— Parece que já pensaste bem nisto.- comentou Jane aprovando a ideia de Michael.
— Eu fá-lo-ia mas, se eu falhasse, o meu pai cortaria a minha cabeça.- avisou Michael.
— Presumo que tenhas um plano.- percebeu Seth.
— O meu pai nunca recusa um desafio. Era uma das coisas que eu mais admirava nele.- comentou Michael parecendo um pouco nostálgico.
— Quem é que iria desafiar o teu pai?- perguntou Jane não vendo ninguém do seu exército bom o suficiente para vencer o conde num combate.
— Eu.- pronunciou-se Seth.
— Não podes ser tu.- retrucou Jane assustada.
— Sou o teu melhor lutador.- retrucou Seth desvalorizando os medos de Jane.
— Eu não te posso perder.- disse Jane agarrando o braço de Seth.
— Não vais perder-me.- disse Seth convicto, colocando a sua mão na bochecha de Jane.
Michael pigarreou. Seth deixou cair a sua mão e disse:
— Eu vou fazê-lo.
— Devo avisar-te que o meu pai é dos melhores homens a lutar com a espada que este país já viu.- avisou Michael preocupado com a derrota de Seth.
— Será ainda melhor quando eu o matar.- disse Seth com um olhar sombrio que preocupou Jane.
Elena acabara de ter um dos melhores jantares dos últimos dias juntamente com a Lady Magdalena e James e, agora, caminhava pelo corredor do castelo desconhecido tentando voltar para os seus aposentos. Foi então que reparou numa grande pintura na parede. Na pintura estavam desenhados um homem e uma mulher juntamente com um filho bebé que se parecia com James. Aqueles deviam ser os pais de James. O homem parecia-se muito com ele de aparência e a mulher tinha um olhar sincero no seu rosto igual ao que Elena já vira muitas vezes no rosto de James. Ela continuou a olhar para os traços da pintura até que James a viu. Ele foi até ela e colocou-se também a olhar para a pintura que não vira nos últimos meses. Elena olhou para James e perguntou:
— Sãos os teus pais?
— Sim.- respondeu James com um olhar choroso.
— Como é que eles morreram?- perguntou Elena sem perceber o quanto aquele assunto podia magoar James.
— Naufrágio.- respondeu James.- Eu tinha dois anos.
— Foste criado pelos teus tios.- percebeu Elena.
— Devo tudo o que sou a eles.- comentou James ainda olhando para a foto.
— Nós vamos recuperar o teu tio.- disse ela convicta.
— Que Deus te oiça.- retrucou ele ainda olhando para a pintura.
Elena olhou mais uma vez para a pintura e depois para James. Ela podia ver a dor que aquela pintura lhe causava mas essa era uma dor com que James teria de viver para o resto da sua vida. Iria melhorar… Pelo menos era o que Elena esperava.
— Devemos descansar.- disse James limpando os olhos.- Vemo-nos pela madrugada.
Com isto James foi pela mesma direção da qual tinha vindo deixando Elena para voltar aos seus aposentos sozinha.
Elizabeth acabara de sair da biblioteca e trazia consigo um livro. Ela havia tido problemas para adormecer desde que saíra de Inglaterra e só os livros a vinham ajudando. Não tinha encontrado nenhuns livros que ela considerasse agradáveis e havia ficado desiludida com a pouca escolha que aquele castelo apresentava. Ela seguia o seu caminho quando se cruzou com Michael. Ela sorriu educada e Michael parou-a segurando-a pelo braço.
— Acho que ainda não nos conhecemos.- comentou ele.
— Sou Elizabeth Percy, uma das damas de companhia da princesa Jane.- apresentou-se ela fazendo uma vénia.
— Michael.- disse ele simplesmente.
— Só Michael?- perguntou ela desconfiada.
— Para uma donzela tão bonita quanto tu, sim.- respondeu ele, cortejando-a.
Elizabeth riu com vergonha. Ao contrário das suas amigas, ela não sabia como reagir quando elogiada por um rapaz.
— Deixei-a constrangida?- perguntou Michael preocupado.
— Eu não estou habituada a esse tipo de elogios.- confessou Elizabeth ainda constrangida.
— Não vejo o porquê.- comentou ele.
Um silêncio instalou-se até que Elizabeth disse:
— Devo ir, está a ficar tarde.
— Se essa leitura não a satisfizer, sinta-se à vontade para passar no meu escritório.- ofereceu Michael.- Vai achar o material de leitura bem melhor.
Então era aí que se encontravam os bons livros.
— Obrigado.- agradeceu ela indo em direção ao seu quarto e encerrando a noite.
Vincent saía sorrateiramente do quarto de Alanna. Ele tinha estado com ela todas as noites desde que chegara ao castelo de Gideon mas recentemente tinha sido invadido pelo sentimento de culpa pela sua futura esposa, Jane. Jane tinha sido uma noiva fantástica e ela não merecia o que Vincent lhe estava a fazer. E era por isso que ele iria terminar a sua relação com Alanna no minuto que metesse os pés fora do castelo de Gideon.
Ele fazia o seu caminho para os seus próprios aposentos quando chocou diretamente com Gideon.
— Meu senhor.- disse Vincent com o coração a palpitar.
— Sua alteza.- retrucou Gideon.- Poderia perguntar o que faz deste lado do castelo?
— Decidi dar uma volta.- mentiu Vincent sorrindo falsamente.
— Sua alteza deve pensar que eu sou ingénuo.- comentou o outro, sarcástico.
— Porque diria isso?- retrucou Vincent percebendo que havia sido descoberto.
— Sua alteza pensa que eu não sei que anda a fornicar com a minha filha todas as noites desde que chegou aqui?- desembuchou Gideon.
Vincent não sabia o que dizer. Não contava com Gideon descobrir sobre o seu caso com Alanna e, agora, isso poderia estragar toda a aliança que eles vinham tentado formar.
— Vou facilitar isto para si, sua alteza.- começou Gideon.- Faça da minha filha sua amante real e tem a minha lealdade.
— Quer que eu leva a sua filha para a corte como minha amante?- perguntou Vincent incrédulo.
Amante real era um cargo com duas pontas. Por um lado, as amantes costumavam receber muitos presentes dos seus senhores e poderiam influenciar muitas vezes as decisões destes mas, por outro, seriam as maiores inimigas das esposas ricas e seriam um alvo a abater pelo facto de ser uma posição considerado nojenta pelas pessoas de fé.
— Sim, eu quero.- concordou Gideon.- Com todos os benefícios que isso inclui.
— Não será fácil para ela.- comentou Vincent imaginando o que Jane lhe faria quando descobrisse.
— Se fala da sua noiva, ela nada pode dizer sobre o assunto.- explicou Gideon como se já estivesse tudo explicado ou como se soubesse algo que Vincent não sabia.
— Temos acordo.- concordou Vincent apertando a mão de Gideon que sorriu.
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