10 dias depois

França:

Vincent abotoava a camisa. Na sua cama estava uma linda dama de cabelos loiros sorrindo para ele. Ele olhou para ela, sorriu e beijou-a.

— Tens mesmo de ir?- perguntou a rapariga fazendo biquinho.

— Sim, a minha noiva está prestes a chegar e tenho de estar lá para a receber.- respondeu Vincent sorrindo.

A rapariga chegou-se para mais perto dele e sussurrou-lhe no ouvido:

— Eu aposto que ela não te satisfaz como eu…

Vincent sorriu e disse:

— Tens de ir. Tem a certeza que a minha mãe não te vê.

Dito isto, saiu dos seus aposentos, fechando a porta atrás de si. Ao virar-se esbarrou-se com o seu melhor amigo. Seth era o completo oposto do Vincent. Enquanto Vincent tinha olhos azuis e cabelo loiro, Seth tinha cabelo castanho e olhos castanhos. Mas havia uma coisa que eles tinham em comum: direito ao trono francês. Por sorte, ou talvez azar, a família de Vincent era a que vinha governando por anos. Há alguns anos atrás, um golpe feito pelo pai de Seth quase tirou a família de Vincent do trono mas a ameaça foi contida. O pai de Seth foi executado por traição e o rei John reforçou o seu trono com a aliança de casamento com Inglaterra. Entretanto, a mãe de Seth e Seth passaram a residir no palácio ao lado da família real. Mantém os teus amigos perto e os inimigos ainda mais perto.

— A tua mãe tem estado louca à tua procura.- comentou Seth juntando-se a Vincent.

— Mais louca que o costume?- gozou Vincent.

— Esta coisa toda da princesa está a levá-la a outro nível de loucura.- gozou também Seth.- Era a loira?

Vincent riu. Seth conhecia-o demasiado bem.

— Como é que é o nome dela mesmo?- gozou Seth.

Vincent empurrou Seth, brincando. Para ser sincero, nem ele sabia o nome da rapariga que tinha na sua cama.

— Os rapazes já chegaram?- perguntou Vincent mudando de conversa.

— Suspeito que eles só cheguem a horas do baile.- respondeu Seth.

Vincent assentiu com a cabeça. Tinham chegado ao andar térreo do castelo. Iriam receber a princesa e o seu comitê no portão do imenso castelo e era para lá que toda a corte se dirigia; todos queriam ter um relanço de uma das raparigas mais poderosas do mundo inteiro.

— Como é que achas que ela é?- perguntou Seth, assumindo um semblante mais sério.

— Para ser honesto eu não me importo nada. Ela é simplesmente um instrumento de poder.- confessou Vincent.

Seth abanou a cabeça perante a confissão do amigo. Vincent não estava disposto a sequer tentar. Seth nunca tinha conhecido a princesa mas achava que ela merecia ao menos um pouco mais de respeito do seu futuro marido. Seth pensou em dizer alguma coisa mas as cornetas tocaram revelando que o comitê inglês já tinha chegado e eles apressaram-se para receber a futura delfina de França.

— Oh meu Deus, nós chegámos!- exclamou Isabel.

Jane olhou para a janela e viu um imenso e belo castelo erguer-se. A carruagem parou lentamente e as damas ajeitaram as saias dos seus vestidos. Queriam estar no seu melhor quando fossem vistas pela primeira vez pelos franceses. A porta da carruagem foi aberta e Margaret foi a primeira a sair.

— Como foi a viagem, milady?- perguntou um dos servos.

— Foi horrível.- respondeu Margaret. Margaret era sempre muito honesta e direta com as suas opiniões, o que era, muitas vezes, confundido com arrogância.

Em seguida saiu Elena, seguida de Isabel. Jane voltou a ajeitar as suas saias, respirou fundo e saiu da carruagem. Todos os olhos estavam nela mas os olhos dela focaram-se numa só pessoa. Era um rapaz alto, de olhos castanhos e cabelo castanho um pouco comprido. Jane olhou-o diretamente nos olhos e ficou completamente hipnotizada. Ela só parou de o encarar quando Elena lhe sussurrou no ouvido:

— Sua alteza talvez queira ir conhecer os seus sogros.

Jane acordou do transe e quebrou o contacto visual com o rapaz. Ela ajeitou as costas como a mãe lhe estava constantemente a dizer e começou a andar em direção aos reis de França. A cada passo que dava as pessoas sussurravam umas para as outras e suspiravam. Ela caminhou pelo que pareceu uma eternidade até que chegou à frente dos reis. Ela fez uma vénia, acompanhada pelas suas damas. Em seguida, os reis fizeram-lhe também uma vénia.

— Bem-vinda, minha querida.- disse a rainha sorrindo. Ela tinha os seus cabelos loiros presos num trabalhado apanhado e parecia mais alta do que realmente era. Jane viu quando ela fez um sinal com os olhos para o rapaz que estava ao seu lado.

O rapaz aproximou-se de Jane e agachando-se, beijou-lhe a mão.

— Sou o Vincent.- disse ele.

Ele voltou a colocar-se de pé. Jane sorriu e disse:

— Eu sou a Jane.

— Porque é que não dão um passeio pelas festividades?- aconselhou a rainha, apesar dos seus conselhos soarem mais como uma ordem.

— Claro.- respondeu Vincent sem muito entusiasmo.

Ele deu o braço a Jane que aceitou. Ele conduziu-a até à parte de trás do castelo onde estavam montadas uma série de diversões para a corte. Havia muita bebida para os homens tal como combates e apostas e havia muitas bancadas com acessórios e afins à venda para as senhoras. Por todo o lado, pessoas olhavam e sussurravam quando Jane passava de braço dado com o seu futuro marido. A alguns passos atrás, as suas damas seguiam-na, tirando também suspiros dos homens da corte. Vincent parou perto de um rapaz muito parecido a ele, pirragueando para chamar à atenção do rapaz que falava com duas raparigas muito bonitas começou:

— Quero apresentar-lhe o meu irmão, Jordan.

Era por isso que eles eram tão parecidos. Jordan era o segundo herdeiro ao trono de França sendo apenas precedido por Vincent. Jordan beijou a mão de Jane que lhe fez uma vénia.

— É um prazer conhecê-la, sua alteza.- disse ele.

— Chama-me Jane.- retrucou ela.

— Já gosto dela.- informou Jordan a Vincent que riu.

Pelo canto do olho, Vincent viu a rapariga com quem tinha estado há momentos nos seus aposentos fazer-lhe sinal para que ele se aproximasse.

— Com licença.- disse ele para o grupo, afastando-se.

Ele fez sinal para que a rapariga o seguisse para a traseira de uma tenda, de modo a que não fossem vistos a falar.

— O que estás a fazer aqui?- questionou Vincent quando teve a certeza que estavam sozinhos.

— Eu vim avisar-te. – informou a rapariga com olhos aflitos.

— Avisar-me do quê?- perguntou Vincent incrédulo.

— Hoje irá acontecer um golpe para tirar a tua família do trono, irão aproveitar a chegada da princesa para meterem outra pessoa no trono.- explicou ela.

— Sabes quem é que eles querem colocar no trono?- perguntou ele.

Havia poucos candidatos ao trono, por direito. Aliás, desde a morte do pai de Seth, o único candidato ao trono que não pertencesse à família de Vincent, teria de pertencer obrigatoriamente à família de Seth. Isso só deixava três candidatos: o tio de Seth e o filho deste e o próprio Seth. Ele sabia que Seth nunca iria organizar um golpe contra ele e a última vez que tinha ouvido falar na restante família de Seth tinha ouvido que eles estavam pelas terras escocesas. Isto fazia com que fosse pouco provável a realização de um golpe contra ele.

— Não sei, a única coisa que sei é onde eles se vão reunir.- respondeu a rapariga.

— Então, tu vais levar-me até lá.- ordenou Vincent indo até aos estábulos reais.

— Não vais pelo menos avisar alguém?- perguntou a rapariga com aflição.

Vincent só riu da ideia. Ele era o delfim de França e não havia nada que ele não pudesse enfrentar sozinho.

Isabel ria com um grupo de homens que se encontravam bebendo em torno de uma fogueira. Os homens franceses eram bem bonitos pelo que não devia ser muito difícil encontrar um marido. Ao seu lado, Margaret não parecia minimamente interessada em conversar com os homens encantadores que falavam continuamente com elas. Isabel, tal como todas as outras, sabia do caso de Margaret com o soldado e, tal como as outras, não aprovava. Isabel era bastante realista, pelo que sabia que era impossível alguém subir tanto em pouco espaço de tempo. Levaria pelo menos 50 anos para que aquele rapaz pudesse ser um bom partido para Margaret, embora ela não visse isso. Ela voltou a rir de uma piada e quando olhou para o lado viu que Jane estava um pouco perdida falando com um rapaz e um grupo de raparigas, mas sem sinal de Vincent. Isabel tocou no braço de Margaret fazendo sinal para que ela a seguisse. Pelo caminho puxou Adele que conversava com um grupo de homens que já tinham bebido mais que o suficiente. Ao verem o grupo reunir-se, as restantes damas de companhia juntaram-se ao grupo para ir buscar a sua princesa. Ao aproximarem-se, Elena disse:

— Sua alteza, devemos ir para os seus aposentos prepará-la para o baile desta noite.

— Sim, devemos ir indo.- reconheceu Jane.- Foi um prazer conhecer-te.

Jane despediu-se de Jordan, que lhe beijou a mão, e seguiu as suas damas.

— Obrigado.- agradeceu Jane pelo salvamento.

— Onde está o teu noivo?- perguntou Rosemary.

— Ele desapareceu do nada.- respondeu Jane sem perceber o motivo para o desaparecimento repentino deste.

Elas estavam prestes a entrar no castelo quando um rapaz, vindo em alta velocidade esbarrou em Elizabeth, quase fazendo-a cair.

— Vê por onde andas.- gritou Margaret para o rapaz que nem olhou para trás.

— Estás bem?- perguntou Isabel.

— Sim.- respondeu Elizabeth encarando as costas do responsável.

Elas seguiram o seu caminho até aos aposentos de Jane onde se iriam preparar para o baile.

Notas finais
Quais são as primeiras impressões de Vincent e Seth? Irá mesmo acontecer um golpe?