Your Grace
8 Lean on me
Notas iniciais
Seth olhava para as tropas partirem. Ele sabia o porquê de não ter sido convidado: o rei procurava o apoio de um duque que ainda não suportava nenhum lado, nem os Valois nem os Bourbon. Com a Europa sob ataque iminente de guerra entre si, os Valois precisavam do máximo apoio possível. Porém, Vincent tinha-lhe pedido para ajudar Jane nas suas tarefas enquanto ele estivesse fora e era isso que Seth iria fazer. Ele foi até Jane, que se encontrava a apenas a alguns passos juntamente com as suas damas, e perguntou:
— Estás pronta para reinar?
— Mais pronta é impossível.- respondeu ela.
— Parece que vocês vão ter o dia de folga.- disse Seth às damas de Jane.
— Eu mandarei chamá-las, se necessário.- interferiu a princesa.
Ela foi então com Seth até à sala do trono onde iria dar início às suas tarefas reais.
Com Jane ocupada, Adele e as outras damas tinham o dia inteiro para aproveitar. Elas tinham decidido que iriam passar o dia nos jardins juntamente com outras damas da corte. Ela andava ao lado de Elena que parecia pensativa com algo. Adele precisava de contar a alguém sobre Richard e não haveria melhor que uma das suas melhores amigas.
— Preciso de te contar algo.- desabafou Adele.
Elena que se encontrava emersa nos seus pensamentos, levantou uma sobrancelha e retrucou:
— O que aconteceu?
— Eu fiz algo.- respondeu Adele.
— Já tinha chegado a essa parte.- disse Elena ficando impaciente.
— Eu fui para a cama com o Lord Richard.- sussurrou Adele.
— Não!- gritou Elena irritada com a sua amiga.
— Aconteceu.- defendeu-se a outra.
— Sabes o que isso significa para ti?- atacou Elena.
— Eu acho que ele tem sentimentos por mim.- contou Adele.
— Tu sabes quantas amantes ele teve?- perguntou Elena.
Adele permaneceu em silêncio. Ela sabia que não era a primeira amante de Richard mas, para ser sincera, não sabia quantas tinham sido. Ela não ia apontar isso a Elena que já estava furiosa com o assunto.
— Claro que não sabes. Se soubesses não terias dormido com ele.- gargalhou Elena, sem qualquer humor.
Adele continuou em silêncio. A verdade é que ela já estava a perceber o erro que tinha cometido em deixar Richard tirar-lhe a sua virtude.
— Tu sabes o que a esposa dele faz às suas amantes?- perguntou Elena, já mais calma.
— Não.- respondeu Adele, sincera.
— Elas desaparecem completamente. Ninguém sabe para onde elas vão. Rumores dizem que ela as mata tal como mata os bastardos dele.- contou Elena.
Adele ficou horrorizada. Não sabia como uma mulher podia ser tão má ao ponto de matar. Ela conteu as lágrimas. O que estava feito não podia ser desfeito.
Margaret andava rapidamente até ao lado oposto do jardim. Os acontecimentos da noite anterior presentes na sua mente. Ela precisava de convencer Graham a não contar a ninguém sobre o que tinha visto senão ela iria ficar com sérios problemas. Os criados tinham-lhe dito que Graham costumava treinar com outros nobres na zona para a qual ela se dirigia. Ao longe, ela conseguiu avistar cavaleiros lutando e bebendo. Ela desceu cuidadosamente as escadas que davam para aquele lugar e tentou avistar Graham. Reconheceu a armadura que tinha visto há algum tempo no torneio de chegada e esperou até que o combate terminasse. Não demorou muito para que Graham derrubasse o outro cavaleiro e retirasse o capacete revelando uma face que Margaret achava ser muito agradável. Ele avistou-a e, depois de receber palmas dos seus amigos pelo combate, foi até ela. Todos os olhos se voltaram para ela; ela sabia o que aquilo parecia ser, mas também sabia que era melhor eles pensarem que Graham a estava a cortejar do que a verdade: que Margaret estava ali para o convencer a manter o silêncio sobre a sua relação com Frederick.
— Isto não é lugar para uma dama.- gozou Graham.
Margaret endireitou a sua postura, parecendo mais intimidante, e disse:
— Eu vim para te pedir…
— Vieste pedir-me para não contar nada sobre o que eu vi ontem à noite.- interrompeu Graham.
Margaret sentiu-se insultada por ele não a deixar acabar de dizer o que ela desejava mas não queria arranjar problemas com Graham; tinha de ser inteligente com ele. Ela assentiu com a cabeça e ele disse:
— Olha, o que eu vi ontem à noite não é da minha conta. Por isso, eu não vou contar nada.
Margaret soltou o ar que nem sabia que estava a prender. Graham riu com esta reação dela. Eles encararam-se durante algum tempo até que alguém gritou:
— A senhora bebe algo?
— Ela já está de saída.- gritou Graham de volta.
Margaret viu isto como a sua expulsão daquele sítio e virou as costas sem mais uma palavra para Graham. O seu segredo estava a salvo.
Elizabeth tomava chá com algumas damas. Todas elas eram damas mais velhas, a maioria tinha inclusive filhos da idade dela. As suas amigas estavam todas espalhadas pelos jardins, falando com as outras nobres tirando Margaret que não estava em lugar algum do jardim. Elizabeth procurava por Margaret quando uma senhora nobre perguntou:
— Está a ser cortejada por alguém, Lady Elizabeth?
Elizabeth olhou para a senhora. Ela era a mulher do conde de Roucy e Elizabeth lembrava-se de ver o seu filho com o delfim.
— Ninguém em particular, minha senhora.- respondeu Elizabeth.
— O meu filho iria ser um bom partido para si.- retrucou ela, sem mais explicações.
— Vai deixar a menina envergonhada, condessa.- interferiu Lady Magdalena, tia de James.
Elizabeth riu envergonhada.
— Devia pensar no assunto, Elizabeth.- continuou a condessa, sem preocupar-se com a reação das restantes damas da mesa.- Ele é mais ou menos da sua idade, herdeiro de uma vasta fortuna e é bem bonito.
— Não posso argumentar contra isso.- brincou Lady Magdalena.
Elizabeth riu juntamente com as outras damas, bebericando o seu chá. Mas no fundo da sua mente, ficou a ideia. Não seria mau ser cortejada por Isaac.
Jane encontrou-se com Jordan que a esperava à porta da sala do trono.
— Pronta?- perguntou ele não passando da porta.
— Tu não vens?- perguntou Jane, preocupada.
— Há outro lugar onde eu tenho de ir.- disse Jordan.- Mas eu tenho a certeza que tu vais ficar bem.
Jordan apertou o ombro de Jane antes de ir para o lado contrário ao da sala do trono. Agora, ela estava preocupada. Teria de enfrentar os súbitos, completamente sozinha. Ela entrou na sala do trono. De ambos os lados encontravam-se soldados prontos para interferir caso algo mau acontecesse. Jane sentou-se no trono e suspirou. Seth colocou-se ao lado dela, de pé.
— Algo que precises, é só apertares a minha mão e eu irei interferir, imediatamente.- tranquilizou-a Seth.
Jane sorriu e disse:
— Obrigado.
— Devo mandar entrar o primeiro queixoso, sua alteza?- perguntou o comandante da guarda.
Jane assentiu com a cabeça e o guarda mandou os primeiros súbitos entrarem. Eram ambos camponeses, mas Jane podia ver que um possuía bem mais dinheiro que o outro.
— Sua alteza.- o mais rico ajoelhou-se perante Jane.
— Qual é o problema?- perguntou Jane.
— Este ladrão roubou seis ovelhas do meu rebanho. – queixou-se o homem rico.
Jane gargalhou mas o restante da sala ficou em silêncio. Após perceber o seu erro, Jane disse:
— É a sério…
Seth contou o riso.
— Bem, porque é que o senhor roubou as ovelhas?- perguntou a princesa ao outro homem que ainda não se tinha pronunciado.
— Porque é isso que os ladrões fazem, devia cortar-lhe ambas as mãos.- interrompeu o outro homem.
— Eu não estava a falar consigo.- disse Jane ameaçadoramente.
Seth tentou conter um sorriso mas falhou. O outro homem levantou a cabeça, permitindo a Jane olha-lo pela primeira vez. Ele tinha uma aparência cansada e pobre, o completo oposto do outro homem com quem Jane acabara de falar.
— Eu possuo seis filhas, sua alteza.- começou o homem.- A minha esposa morreu de lepra.
— Uma doença cruel.- disse Jane.
— A minha filha mais velha tem 15 anos e a mais nova tem 4. – continuou o homem.- E eu não tinha como as alimentar.
O homem começou a chorar. A sua história tinha comovido Jane. Ele só estava a tentar manter as suas filhas vivas.
— Cheguei a um veredicto.- pronunciou-se Jane.
Ambos os homens olharam para ela, esperançosos.
— Declaro que o senhor culpado irá ficar com as ovelhas.- começou Jane.
— Mas é um ladrão!- gritou o outro homem.
— Quieto!- gritou Seth.
— Dentro de seis meses, esse senhor irá dar ao senhor queixoso o dobro das ovelhas que ele roubou.- concluiu Jane.
— Mas ele é um ladrão, sua alteza.- disse o homem queixoso.
— Quantas ovelhas tem o seu rebanho?- perguntou Jane.
— Mais de 1000, sua alteza.- respondeu ele.
— O que são 6 ovelhas em 1000, senhor?- retrucou ela.
Ambos os homens acabaram por aceitar a proposta de Jane, saindo da sala do trono.
Seth sorriu para Jane, aprovando o veredicto dela.
De seguida, entrou um homem de aparência rústica trazendo por um braço uma rapariga com mais ou menos a idade de Jane.
— Sua alteza.- ajoelhou-se o homem.
Jane, porém não conseguia parar de olhar para a rapariga que tinha sido brutamente atirada para o chão pelo homem.
— Venho pedir-lhe que castigue esta minha filha.- disse o homem agarrando a rapariga pelos cabelos fazendo-a choramingar. Jane reparou que Seth tinha serrado os punhos.
— Porquê é que deveria?- perguntou Jane.
— Esta puta engravidou de algum homem.- disse o homem olhando com raiva para a sua filha.
— O castigo que lhe deu não foi suficiente?- perguntou Jane, incrédula.
A rapariga estava coberta de hematomas pelo corpo todo. A face que outrora parecia ter sido bela, estava cheia de marcas de chicote, entre outras coisas.
— Qual é o seu nome?- perguntou Jane à rapariga.
— Anna.- respondeu ela, chorando.- Por favor, não me mate.
— Eu não vou matar-te.- disse Jane sorrindo.- Aliás, eu vou dar-te um trabalho.
O pai da rapariga olhou para Jane sem perceber o que se estava a passar.
— Uma das minhas damas irá partir hoje para o castelo do seu marido.- começou Jane.- Ela vai precisar de uma dama de companhia.
— Eu?- perguntou a rapariga incrédula.
— Tenho a certeza que te vais encaixar perfeitamente no trabalho.- confirmou Jane.
A rapariga abriu um imenso sorriso.
— Preparem-na.- ordenou Jane às criadas que passavam. Elas levantaram a rapariga e levaram-na pelo castelo.
Jane sorria, vendo a felicidade da rapariga. Porém ela ainda tinha um problema em mãos.
— Quanto a este homem…- começou Jane.- Mostrem-lhe que nenhum homem deve bater numa mulher, especialmente na sua filha.
Jane soou ameaçadora e imediatamente os soldados levaram o homem que se debateu. Jane respirou fundo e Seth colocou uma mão no ombro dela. O resto do dia ocorreu sem incidentes. Já estava a ficar tarde e Jane recebeu um homem que trazia algo nos braços.
— O que traz aí, senhor?- perguntou Seth.
O homem ajoelhou-se ao pé da princesa, colocando o pano que trazia no chão e abrindo-o. Dentro do pano encontravam-se ossos de uma criança. Jane assustou-se com aquilo.
— Sua alteza…- começou o homem chorando.- Esta é o que resta da minha única filha.
— Que idade tinha ela?- perguntou a princesa.
— Jane…- sussurrou Seth.
— Ela tinha cinco anos.- respondeu o homem chorando mais.
Jane ficou com lágrimas nos olhos vendo tamanho sofrimento.
— O que aconteceu?- perguntou ela, engolindo o choro.
— O nosso senhor queimou tudo. Nós não pudemos pagar os impostos que ele queria, tudo devido à guerra com um outro lorde espanhol.- contou o homem.
Jane olhou para Seth, surpresa.
— Sua alteza, eu sei que deve ser difícil governar um reino tão vasto quanto França, mas o rei não devia esquecer a existência de certas vilas.- apontou o homem.
— Onde é a sua vila?- perguntou Jane.
— Perto da fronteira.- respondeu o homem.
— Com o que é que a sua vila contribui para o reino?- perguntou Jane, sem quaisquer intenções de atacar o homem.
— Nós cultivamos todo o tipo de trigo, sua alteza.- contou o homem.
— Quando foi a última vez que alguém da família real esteve na sua vila?- perguntou Jane, por último.
— Jane…- avisou Seth.
— Nos meus quarenta anos de vida, é a primeira vez que estou a olhar para alguém de sangue azul, sua alteza.- contou o homem.
Jane assentiu com a cabeça. Ela levantou-se do trono dizendo:
— Acabamos aqui, por hoje.- ordenou ela.- Convoquem uma reunião.
Os soldados apressaram-se a cumprir as ordens.
— Sinto muito pela sua filha.- disse Jane saindo da sala do trono com Seth no seu alcance.
Ela começou a andar acelerada pelos corredores quando ouviu Seth gritar:
— Espera!
Ela parou no lugar onde estava mas não se virou. Seth depressa a alcançou perguntando:
— Estás bem?
Ela abanou a cabeça fazendo sinal que não, deixando as lágrimas cair. Seth abraçou-a, beijando-lhe o topo da cabeça. O que eles não sabiam é que havia alguém à espreita…
Jane entrou com Seth pela porta onde se realizam as reuniões do conselho. Já toda a gente se encontrava lá incluindo a rainha e Jordan. Todos fizeram uma vénia a Jane antes de se sentarem e darem início à reunião.
— Eu convoquei esta reunião porque há algo que eu decidi e vos quero transmitir.- começou Jane.
A rainha olhou para ela, levantando uma sobrancelha.
— E o que seria isso?- perguntou a rainha.
— Eu irei fazer uma viagem diplomática.- contou Jane.
— Mas nós temos um lugar para estar na próxima semana.- apontou Jordan.
Jordan referia-se a um festival dado por um duque com um castelo perto do mar. A família real inteira tinha sido convidada a participar e eles não podiam faltar.
— Nós estaremos lá.- prometeu Jane.
— Nós?- apontou a rainha.
— Eu e o Seth obviamente.- disse Jane com ênfase no nome de Seth.
A rainha fez uma expressão que Jane não conseguiu desvendar.
— Se não há mais nada, existe um lugar onde eu preciso de estar.- disse Jane levantando-se do seu lugar.
A princesa saiu pelas portas da sala do conselho com um pressentimento mau sobre a rainha.
Música ON
Rosemary alisou pela milésima vez o seu vestido de noiva. Ela não conseguia acreditar que iria casar com o duque de Montpensier. Uma batida da porta fez com que ela fosse retirada dos seus pensamentos. Ela limpou uma lágrima que tinha caído e disse:
— Entre!
A porta foi aberta e Jane entrou juntamente com Seth.
— Estás pronta?- perguntou Jane.
— Quase.- respondeu Rosemary.
—Seth vai levar-te até ao altar.- contou Jane aproximando-se de Rosemary.
— Ele não precisa, isto nem é um verdadeiro casamento.- gozou a outra.
— Pode ser o único que tenhas.- apontou a princesa.
Rosemary assentiu, triste. Jane abraçou-a, sussurrando no ouvido dela:
— Finge que o teu marido é o lindo Robert de Montpensier, irá ser mais fácil.
— Seria uma mentira.- sussurrou Rosemary de volta.
Lágrimas tinham começado a escorrer pela cara dela.
— Mas será mais suportável.- disse Jane.
Elas abraçaram-se uma última vez.
— Vemo-nos num bocado.- disse Jane.
Rosemary limpou as lágrimas enquanto Jane saia do quarto dando um último olhar a Seth. Rosemary continuou a olhar-se no espelho. Ela iria ultrapassar isto. Seth esperava na porta por ela, em silêncio.
— Eu estou pronta.- afirmou ela.
Seth deu-lhe o braço e guiou até à capela real onde se iria realizar o casamento. A porta encontrava-se fechada. Seth puxou o véu de Rosemary para que este lhe cobrisse a cara e abriu as portas da capela. No final do corredor estava Robert parecendo mais bonito que nunca. Rosemary quase sorriu com esta imagem. Mas não era Robert o marido dela. Ela respirou fundo e foi guiada por Seth até ao final da capela. De ambos os lados vários nobres e damas estavam atentos à cerimónia. Rosemary viu as suas amigas do lado esquerdo e Jane colocada ao lado de Robert. Seth entregou Rosemary a Robert e colocou-se do lado oposto ao de Jane. Robert retirou o véu da face de Rosemary. Uma expressão estranha no rosto dele. Ele não sabia como é que o seu pai havia arranjado um casamento com uma dama tão linda como aquela.
— Estamos aqui reunidos para casar sua graça, Lady Rosemary Beaufort com sua graça, Duque Francis de Montpensier representado pelo seu filho, Lorde Robert de Montpensier.- começou o sacerdote.
Robert agarrou ambas as mãos de Rosemary olhando nos olhos dela.
— Apesar da grande distância entre o noivo e a noiva estes votos e estes direitos são tão legítimos como seriam como se ele estivesse aqui connosco.- continuou o padre.- Se alguém se opõe a este casamento fale agora ou cale-se para sempre.
Os convidados permaneceram em total silêncio. Rosemary tinha esperanças que alguém tivesse algo a dizer. Ela ficava cada vez mais triste e quando procurava apoio em Robert, via que ele não lho poderia dar.
— Lorde Francis aceita Lady Rosemary para sua esposa de hoje em diante: para o melhor e para o pior, na riqueza e na pobreza, na doença e na saúde, para amar e honrar até que a morte os separe?- perguntou o sacerdote.
— Aceito.- disse Robert colocando a aliança no dedo de Rosemary.
—Lady Rosemary aceita Lorde Francis para seu marido de hoje em diante: para o melhor e para o pior, na riqueza e na pobreza, na doença e na saúde, para amar e honrar até que a morte os separe?- perguntou o sacerdote, desta vez a Rosemary.
Rosemary hesitou na resposta. Aquilo não era o que ela queria. Mas ela não tinha outra hipótese.
— Aceito.- disse Rosemary colocando a aliança em Robert.
— Pelo poder que me foi dado, declaro-vos marido e mulher.- concluiu o sacerdote.- Pode beijar a noiva.
Robert beijou levemente os lábios de Rosemary e ela só queria que aquilo durasse para sempre. Ela só desejava que fosse realmente Robert o seu marido. Mas não era e ela não devia esquecer isso.
Robert e Rosemary foram até os seus aposentos. Eram tal como quaisquer outros aposentos do castelo visto que eles iram partir no dia seguinte para se encontrarem com o verdadeiro marido de Rosemary.
— Esquerda ou direita?- perguntou Robert.
Rosemary não percebeu a pergunta e Robert explicou:
— Dormes do lado direito ou esquerdo da cama?
— Nenhum.- disse Rosemary.- Quer dizer, não tenho preferência.
Robert assentiu. Ele retirou a sua blusa revelando o seu corpo. Ela tentou não olhar mas os seus olhos eram atraídos para lá. Robert percebeu que ela estava a olhar mas nada disse. Em vez disso, tirou os seus sapatos deitando-se do lado esquerdo da cama. Ele adormeceu instantaneamente e Rosemary olhou por momentos o seu peito subir e descer. Ela acabou por retirar o seu vestido de casamento, colocando as suas roupas de dormir e deitou-se do lado oposto da cama. Ela teve o cuidado de não tocar em Robert. Não queria nenhum mal-entendido entre ele e o pai por causa dela. Ela podia sentir o calor vindo do corpo de Robert nas suas costas e de repente, ela não se sentia triste mas sim confortável. E foi deste modo que ela adormeceu.
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