Your Grace
1 Goodbye and Bonjour
Inglaterra:
Desde há muito tempo atrás, casamentos eram feitos como forma de aliança entre os países do mundo e para Jane, a herdeira ao trono inglês, não iria ser diferente. Naquela noite, Jane e as suas seis damas de companhia: Isabel Blois, Margaret Neville, Elena Evreux, Adele de Guise, Elizabeth Percy e Rosemary Beaufort iriam partir do seu castelo em Inglaterra para França. Jane iria casar com o herdeiro francês, Vincent. Este arranjo era um arranjo pouco comum. Dizia que o primeiro filho varão do casal iria governar França enquanto o segundo filho varão do casal iria governar Inglaterra. Mas Jane também não era uma herdeira comum. Ela era filha do rei Henry IV de Inglaterra e da sua primeira mulher, Catherine. Tinha sido a única filha do casal pois o seu pai tinha pedido um anulamento do casamento devido ao facto de a mãe de Jane, a rainha Catherine, ser demasiado ambiciosa. A rainha Catherine voltou a casar, desta vez com o rei de Espanha, rei Louis III. Desde casamento nasceu Louis IV, meio-irmão de Jane e herdeiro ao trono espanhol. O pai de Jane voltou a casar com uma princesa que apenas tem mais seis anos que Jane mas o casal ainda não tinha produzido herdeiros e o mais provável era não produzir devido à idade avançada de Henry. Isto levava a que Jane fosse a provável herdeira ao trono inglês e uma das mulheres mais poderosas do mundo, ao lado da sua mãe. Tudo isto somado ao facto de Jane ir casar com o herdeiro francês metia-a num patamar perto do de Deus. Porém Jane não era o tipo de rapariga que se deixava levar por coisas fúteis. Ela também era uma romântica incurável e esperava que se fosse apaixonar por Vincent assim que o visse. Eles só se tinham estado juntos uma vez. Henry tinha ido até França para fechar uns acordos com o pai de Vincent, o rei John e tinha levado Jane consigo para que ela pudesse conhecer o seu futuro marido. Ela tinha seis anos e Vincent tinha sete. Eles tinham passado uma semana inteira juntos e Jane lembrava-se de ter saído de lá a pensar que queria casar com Vincent.
Jane tinha tido uma infância um pouco diferente dos restantes herdeiros do mundo. Os seus pais anularam o casamento quando Jane tinha mais ou menos um ano e meio de idade. A sua mãe não demorara a casar com o rei de Espanha e dois meses após o casamento estava grávida. Com pouco mais de dois anos, Jane viajou com a sua aia até Espanha para que pudesse conhecer o seu meio-irmão. Ficou em Espanha até aos quatro anos, enquanto o seu pai combatia com a Escócia, país vizinho de Inglaterra. Em Espanha conheceu a sua primeira dama de companhia, Elena de Evreux. Elena era filha de uma dama de companhia da rainha Catherine e como as crianças gostaram tanto uma da outra logo no início, foi feito um acordo entre as famílias e Elena tornou-se oficialmente dama de companhia da princesa Jane, partindo com ela para Inglaterra. Quando Jane tinha cinco anos, foi feito o acordo de casamento com França; um acordo que iria beneficiar tanto Inglaterra como França. Com este acordo veio também a necessidade de mais damas de companhia para a princesa e, por isso, foram feitos acordos com as mais ricas famílias nobres da França, da Escócia (que na altura se encontrava em paz com Inglaterra) e da Inglaterra. Estes acordos renderam a Jane mais cinco damas de companhia: Adele de Guise da Escócia, Isabel de Blois da França e Margaret Neville, Elizabeth Percy e Rosemary Beaufort da Inglaterra. Estas damas cresceram com Jane e hoje eram as suas melhores amigas. Jane costumava ir a Espanha pelo menos uma vez por ano, visitar a sua mãe e o seu meio- irmão Louis. Atualmente, ela tinha uma relação complicada com a sua mãe pois esta quer reinar Inglaterra através de Jane mas Jane não a deixa. Porém, a sua relação com o seu meio-irmão é ótima. Este ano, já com 16 anos, Jane iria falhar a sua visita anual a Espanha devido à sua partida para França.
Jane olhava para a sua amiga e dama de companhia Isabel enquanto esta tentava colocar mais alguns vestidos dentro de um dos seus baús. Isabel adorava vestir-se bem, sendo a mais materialista de todas. Para Isabel, tudo se conseguia se tivesses os melhores vestidos e as melhores jóias, incluindo homens.
— Tu sabes que isso não vai caber, certo?- perguntou Jane movendo-se para perto da amiga que fazia um esforço enorme para fechar o baú.
Isabel desistiu finalmente de tentar colocar os vestidos no seu baú. Mas de maneira nenhuma ela ia desistir dos seus vestidos; se havia algo que Jane admirava em Isabel, era a sua persistência. Ao lado do baú de Isabel, estavam os baús pertencentes a Elizabeth. Isabel colocou os seus vestidos num baú de Elizabeth que ainda não estava totalmente cheio, fechando-o rapidamente antes que Elizabeth visse. Elizabeth era a perfecionista. Ela gostava que tudo tivesse organizado e que as amigas se portassem como perfeitas damas, atitude que elas não conseguiam manter durante muito tempo.
Margaret entrou juntamente com uns quantos cavaleiros que iriam carregar os baús para as carruagens. Os seus olhos azuis estavam sobressaídos devido ao vestido também azul que usava. Ela fez sinal aos cavaleiros para que levassem os baús e estes assim o fizeram. De seguida virou-se para Jane e Isabel que olhavam para os baús a serem levados e perguntou:
— Como é que acham que é França?
— Como é que acham que são os franceses?- Elena perguntou entrando no quarto, juntamente com Adele. Elena era a mais atiradiça, sendo seguida por Adele, Isabel e a herdeira.
As damas não tinham só o trabalho de tratar da sua herdeira como também tinham o trabalho de encontrarem um marido ao seu nível. Umas estavam mais ansiosas por este passo do que outras tal como umas tinham mais experiência com homens do que outras. Margaret já se encontrava apaixonada por um cavaleiro do exército do rei Henry. Este casamento porém, era quase impossível de se realizar pois esse rapaz, Frederick não estava nada ao nível de Margaret. Frederick iria também para França como parte do exército pessoal de Jane e Margaret esperava que isto trouxesse prestígio e títulos a Frederick para que eles pudessem finalmente casar. Já Isabel e Adele estavam muito entusiasmadas com o facto de poderem vir a conhecer novos rapazes. Elas já tinham alguma experiência com rapazes mas nada de mais, não como Elena. Elena, para além de Margaret, era a única do grupo que já não era virgem. Elena tinha perdido a sua virgindade com alguém superior a qualquer dama de companhia mas ao mesmo nível de Jane. Elena tinha perdido a virgindade com o herdeiro de Espanha, Louis. Tinha sido na viagem anual do último ano após um baile fantástico. Louis tinha levado Elena até aos seus aposentos e eles acabaram por fazê-lo. Eles voltaram a fazê-lo mas pouco tempo depois, Elena teve de voltar a Inglaterra e o romance morreu. Ela não tinha tido qualquer contacto com Louis depois disso. Elizabeth e Rosemary eram demasiado atadinhas para ter qualquer contacto com rapazes, apesar de ambas terem uma beleza estonteante. Jane tinha tido os seus pequenos romances que nunca tinham passado disso pois ela tinha um dever para com Vincent.
Jane decidiu responder à pergunta de Elena dizendo:
— Do que a minha mente de criança se lembra, eles eram bem elegantes.
— Elegantes?- retrucou Isabel.
— Parece que vão ter de esperar para ver.- declarou Jane sorrindo.
As amigas riram e entraram Rosemary e Elizabeth dizendo que as carruagens esperavam por elas. Elas saíram todas calmamente dos aposentos de Jane mas Jane ficou para trás. Ela queria observar bem todos os cantos dos seus antigos aposentos porque poderia ser a última vez que os estava a ver. Terminada esta ação, Jane saiu seguindo as suas damas. No pátio estavam duas carruagens destinadas a elas. O “pequeno” exército de Jane contava com mais de 350 cavaleiros, já todos preparados para partir para França e ao lado das carruagens estava o rei Henry com a sua mulher, Eleonor. Jane foi em direção ao seu pai e à sua mulher enquanto Elizabeth, Margaret e Rosemary se despediam das suas próprias famílias. Ela colocou-se em frente ao seu pai, fazendo a devida vénia. O seu pai puxou-a, dando-lhe um beijo na testa.
— Vou sentir a tua falta, princesinha.- “Princesinha” era a alcunha que Henry tinha dado a Jane quando ela tinha nascido devido ao facto de ela ser tão pequena. Os anos haviam passado e a alcunha mantinha-se a mesma.
— Vai fazer-me chorar, sua majestade.- brincou Jane.- Vou sentir a sua falta também.
Henry deu um abraço apertado a Jane. Lágrimas brotavam dos seus olhos, afinal de contas, estava a deixar a sua única filha ir para outro país. Jane deu também um abraço a Eleonor. Devido à sua idade próxima, elas eram grandes confidentes, inclusiva Jane dava-se melhor com Eleonor do que com a sua própria mãe. Jane limpou as lágrimas que ameaçavam brotar. As suas damas já tinham subido para as carruagens, faltando apenas ela. Ela sorriu para o pai e disse:
— Vemo-nos daqui a cinco meses.
— Lá estarei para te levar até ao altar.- respondeu o rei.
Jane subiu finalmente na carruagem. Ela sentou-se ao lado de Isabel, com Elena e Margaret na sua frente. Olhou pela janela quando viu a carruagem sair pelas portas do castelo. Uma nova jornada estava prestes a começar.
Fale com o autor