Your Grace
5 French friend
Adele entrou no salão com vista para os imensos jardins onde iria ocorrer o banquete. Ao seu lado, as outras damas de companhia entravam pela grande porta e não tardaram em começar a socializar com os outros nobres. Adele foi até uma mesa onde se encontrava todo o tipo de comida deliciosa e, delicadamente, apanhou um salgado. Ela ia apanhar o seu segundo quando um rapaz se colocou ao seu lado.
— Alguém está esfomeada.- disse ele.
Adele olhou para o rapaz. Ele era bonito mas dirigir-se a uma dama da alta nobreza com aqueles modos não era muito atraente.
— Sabe quem eu sou?- perguntou ela indignada.
— Adele de Guise, se a memória não me falha.- respondeu ele sorrindo.
Adele ficava cada vez mais indignada com a forma de falar daquele rapaz e virou-se repentinamente para se ir embora quando o rapaz a agarrou firmemente no braço.
— Peço desculpa, sua graça.- pediu ele como se gozando com ela.
Ela desfez-se do seu aperto e pensou em afastar-se mas algo nela fez com que ela ficasse no lugar onde ela estava.
— Sou o Richard.- apresentou-se o rapaz beijando a mão de Adele.
— Penso que já sabe o meu nome.- respondeu Adele indiferente.
Richard sorriu e as pernas de Adele tremeram. Ela já não tinha mais vontade de sair dali.
Margaret e Elizabeth sentavam-se numa mesa juntamente com outros nobres. Os assuntos iam desde política até a rumores sobre os nobres da corte. Elizabeth e Margaret sentiam-se em casa naquele ambiente. Elizabeth mexia nos seus longos cabelos loiros que contrastavam com os cabelos negros de Margaret quando percebeu a segunda olhando para algo atrás dela.
— O que é?- perguntou Elizabeth preocupada.
— Aquele não é o rapaz que quase te derrubou no outro dia?- retrucou a outra apontando com a cabeça para o rapaz em questão.
Elizabeth deu uma olhada rápida no rapaz. Realmente parecia-se muito com o rapaz do outro dia porém ela ainda não tinha reparado no quão atraente ele era.
— Nunca pensei que ele poderia ser um lorde.- bufou Margaret incrédula.
Elizabeth continuou a olhar para um rapaz até que um criado se aproximou delas sussurrando algo no ouvido de Margaret. Esta levantou-se, graciosamente e disse:
—Licença.
Margaret abandonou a mesa e saiu do salão deixando Elizabeth para entreter os restantes nobres da mesa.
Margaret seguia pelos corredores até à ala destinada aos soldados. Ela andava pelos corredores quando alguém a puxou para trás de um pilar tapando-lhe a boca. Ela suspirou de alívio quando reconheceu Frederick. Ela rapidamente lhe deu um beijo apaixonado.
— Senti tanto a tua falta.- contou ele.
— Sabes que não podemos fazer isto, é perigoso para ti.- preocupou-se Margaret.
Ele ignorou-a, puxando-a para o quarto e fazendo amor com ela.
Desde o início do banquete que Elena falava com Magdalena de Anjou, uma senhora nobre com os seus sessenta anos. Elas vinham aproveitado a companhia uma da outra devido ao facto de Lady Magdalena saber tudo sobre todos da corte. Elena já vinha descoberto quem eram os nobres que possuíam amantes oficiais e não oficiais e as grandes intrigas entre estes.
— Lorde Richard é conhecido pelas suas muitas amantes nobres. Dizem que ele possui mais de cinco filhos naturais mas que nunca assumiu nenhum. – contava Lady Magdalena a Elena que ouvia muito atentamente.
— E o que dizem sobre mim?- Elena olhou para ver quem seria o sujeito que se havia intrometido na conversa. Um rapaz alto, com cabelos castanhos por baixo das orelhas e muito atraente sorriu para ambas.
— Lady Elena, gostaria de lhe apresentar o meu sobrinho, James.- disse Lady Magdalena.
James beijou a mão de Elena que fez uma vénia.
—É um prazer conhecê-lo, Lorde James.- disse Elena.
— James.- pediu ele.
— James.- repetiu Elena.
Lady Magdalena sorriu ao ver o seu sobrinho e único herdeiro dar-se tão bem com uma rapariga esplêndida como era Elena. Eles continuaram a falar até que o rei se levantou para fazer um brinde. Todos os nobres se colocaram de pé prontos para ouvir as palavras do rei.
— Bem-vindos, meus companheiros.- começou o rei- Alegro-me de os ter aqui nesta linda noite. Primeiramente queria dar os meus sinceros parabéns ao vencedor deste torneio, Lorde Edward de Borgonha.- todos bateram palmas e Edward sorriu para Isabel que estava ao seu lado- Em seguida venho falar de um assunto que nos vem preocupado ao longo dos últimos anos.- o salão ficou em total silêncio.- Na passada noite, o meu filho Vincent foi atacado por traidores que planejaram um atentado contra a sua vida. Graças aos nossos corajosos duques e condes e aos seus exércitos, os responsáveis foram apanhados e serão castigados amanhã em praça pública.- a maioria dos nobres bateu palmas mas Jane, que se encontrava ao lado dos reis, engoliu em seco; ela sabia que um dia teria de tomar essas decisões mas, neste caso, ela achava que era uma ação um pouco precipitada.
Após o barulho cessar, a rainha continuou o discurso:
— Traidores não serão tolerados em França.
Novamente ouviu-se um barulho ensurdecedor vindo dos nobres. Jane começou a sentir-se sufocada e decidiu ir apanhar um pouco de ar. Como ela ainda não conhecia bem o castelo e as suas redondezas decidiu ir até um lugar que conhecia bem, a arena. Ao chegar perto desta ouviu o barulho de flechas sendo disparadas. Ela deu uma espreitadela para dentro do lugar de onde o som estava a vir e viu Seth disparando flechas sem parar. Ela ficou ali um pouco apenas observando bem os detalhes da forma como as suas costas pareciam ficar maiores quando ele puxava a flecha para trás. Notando que alguém estava a olhar para ele, Seth parou de atirar e virou-se.
— Está aí há muito tempo, sua alteza?- perguntou Seth.
— O suficiente para saber que não me devo meter consigo quando tiver um arco e flecha na mão.- respondeu ela, brincando.
Seth riu sem humor e perguntou:
— Não devia estar no banquete?
— Podia perguntar-lhe a mesma coisa.- retrucou ela.
— Tenho a certeza que suas majestades preferem que eu esteja aqui do que naquele salão.- disse ele bufando.- Qual é a sua desculpa?
— Estava a ficar sufocada com toda aquela história da traição.- contou Jane. Ela não sabia porquê mas achava que podia contar tudo a Seth.
Seth olhou estranhamente para ela como se aquela história lhe causasse certa dor.
— Mas aposto uma moeda de ouro a como essa não é a sua desculpa.- disse Jane sentando-se num monte de panha que estava ao lado do alvo.
— Não, não é.- respondeu Seth atirando outra flecha.
— É sobre o homem que liderou o ataque?- perguntou ela.- Quem é ele?
— John Huttington, um seguidor fiel do meu pai.- respondeu Seth.
— O golpe tinha como objetivo colocar-te no trono.- desvendou Jane.
— Um péssimo objetivo.- comentou ele atirando outra flecha.
— Porquê?- perguntou ela levantando-se do monte e indo na direção de Seth. Ele preparava-se para atirar outra flecha mas Jane colocou a sua mão no arco, impedindo-o.
— Eu nunca quereria ser rei.- contou Seth.
— Não gosta de toda a riqueza, toda a glória e toda a honra?- perguntou Jane ainda com a mão no arco dele.
— Eu seria incapaz de colocar o meu reino à frente da minha família.- respondeu ele.
Jane ficou chocada com a resposta. Nunca achou que Seth Bourbon fosse um homem de família. Assim sendo, Seth era o total oposto do seu pai, que desistiu de tudo só porque queria sentar-se no trono francês.
— O Vincent, por outro lado, nasceu para governar.- continuou Seth.- Ele é um dos melhores homens que eu já conheci e será um grande rei, um dia.
— Também seria.- comentou Jane.
— Como sabe isso?- retrucou Seth.
— Só sei.- disse Jane.
Seth assentiu e disse:
— Chame-me Seth.
— Chama-me Jane.- disse ela.- Eu podia usar um amigo na corte francesa.
— Eu protejo-te.- respondeu ele sorrindo.
Jane sorriu de volta. Por momentos os olhos deles ficaram presos juntos até que se ouviu uma risada vindo do salão.
— É melhor voltares.- aconselhou Seth.- A corte francesa é a melhor no que toca a inventar rumores.
Jane assentiu e começou a voltar para o salão.
O banquete já tinha terminado e Edward escoltava Isabel até ao seu quarto. Eles andavam pelo grande corredor que dava para o quarto da princesa e das suas damas quando Edward disse:
— Estou muito feliz.
— Porquê?- riu Isabel.
— Eu tenho a rapariga mais linda da corte inteira como minha futura noiva, acho que isso é razão suficiente.- respondeu Edward.
Isabel corou com estas palavras. Finalmente chegaram ao quarto de Isabel e esta informou:
— Chegámos.
— Tenha uma boa noite, minha senhora.- desejou Edward.
Edward inclinou-se para beijar Isabel mas esta colocou um beijo nos seus lábios e disse:
— Os meus beijos não são tão facilmente ganhos.
Com isto, Isabel entrou no seu quarto, fechando a porta na cara de um Edward surpreso.
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