Your Blood Is My Wine
1 What have you done?
Notas iniciais

Zoro estava caído na grama macia. As espadas e a estaca de madeira jogadas ao seu lado e o corpo imóvel, derrotado. A luta foi um tanto interessante, nunca havia conhecido um vampiro que usasse uma espada como ele. Na verdade, Zoro nunca havia penado tanto para lutar contra um vampiro antes. Era sempre a mesma coisa. Apenas decepar a cabeça e matar o corpo das criaturas com uma estaca no coração. Fácil. Talvez fosse um tanto arrogante, no auge de seus míseros dezenove anos, ao pensar que este dia nunca chegaria. Que apenas levaria esta vida inconsequente e absurdamente perigosa sem nenhum arranhão. Talvez não se importasse nem um pouco. Só queria ter ido ao túmulo de sua irmã uma última vez antes de morrer pateticamente derrotado, como havia prometido a si mesmo que faria no último dia em que ela completaria anos se estivesse viva. Não realmente acreditava em nada após a morte, então não esperava que fosse vê-la depois disso. Na verdade não achava que pensaria nem sentiria mais nada depois disso. Seus últimos pensamentos seriam os de ser frustrantemente ainda muito fraco. Sua última sensação seria seu sangue quente encharcando sua camisa branca, ou o que havia restado dela depois de receber um golpe que atravessava todo seu peitoral. Se perguntava se aquele vampiro de cabelos escuros e olhos dourados penetrantes como os de um falcão iria beber seu sangue. Se receberia as presas nojentas de um ser daqueles em sua carne. Se na verdade nojo seria sua última sensação em vida.
Entretanto, aparentemente, o outro não estava nem um pouco interessado nisso. Mencionou algo que Zoro mal conseguia entender com os ouvidos zumbindo e a consciência se esvaindo pela perda de sangue. Mas, era alguma coisa sobre ter sido uma boa luta. Maldito. Zoro havia perdido tão pateticamente que nem poderia chamar aquilo de luta. Sentia outro fluído além de seu sangue molhar seu rosto de quentura. Não havia chorado assim desde que segurou o corpo gelado da irmã nos braços enquanto ela jazia pálida, sem vida e sem sangue. Pelo menos não aconteceria o mesmo com ele. Sua derrota patética apenas resultaria na sua morte e não viraria comida para um vampiro nojento qualquer.
Passados alguns minutos, Zoro ainda continuava consciente. Agonizar por muito tempo enquanto sentia a vida deixando seu corpo não era realmente agradável, desejava que o corte tivesse sido muito mais profundo e ele tivesse morrido instantaneamente. Não que fosse um arranhão superficial, longe disso. Pelo máximo que conseguia erguer seu pescoço podia ver que a espada negra do vampiro havia aberto seu tórax em duas partes de forma horrenda. Havia tanto sangue que ele só enxergava vermelho e o cheiro metálico do líquido escuro era bastante forte até para um humano como ele. Tanto que nem sequer entendia como a criatura conseguira ignorar este fato. Pela natureza de qualquer vampiro aquela quantidade de sangue fresco não podia passar despercebida, não podia deixar de fazer os instintos aflorarem. Talvez o vampiro de olhos de falcão fosse apenas fresco demais, daqueles que bebem sangue como bebem vinho, apenas de safras muito bem selecionadas e em taças pomposas de cristal.
Zoro tentou parar de pensar no seu sangue, embora o cheiro e a visão tornasse esse fato difícil, e especificamente em vampiros. Não queria que esse fosse seu último pensamento. Apenas fechou os olhos e tentou achar conforto na grama em que estava deitado, ignorando suas roupas molhadas e a brisa gélida da noite que insistia em castigar ainda mais seu corte aberto e molhado. Ele podia sentir que estava próximo de acabar. Só mais alguns segundos. A previsão se mostrou acurada e em pouco tempo o homem de cabelos verdes estava inconsciente no chão da floresta.
Era só mais uma noite normal no meio de outras milhões que aquele vampiro já havia vivido. Sanji estava saindo para se alimentar, mas, no meio da floresta, acabou presenciando uma luta entre dois caçadores de vampiros... Bom, um deles não era apenas um caçador, como também um vampiro. Conhecido de longa data, Dracule Mihawk, um dos mais famosos vampiros de todas as gerações, centenas de anos mais velho que o loiro, basicamente um rei para eles, alguns até mesmo diziam que ele era o primeiro da espécie. Por algum motivo desconhecido Mihawk começou a caçar seus iguais há um tempo. Por também ser da realeza, já se encontrara com aquele vampiro algumas vezes, em jantares oferecidos por sua doentia família, os Vinsmoke.
Por ser apenas meio vampiro, Sanji foi considerado uma falha e a maior desgraça da vida de seu progenitor. Sempre que pensava que aquele ser sem coração um dia pôde amar ele se sentia enojado. Os métodos daquele lixo eram nojentos e por todos os sete anos de sua vida enquanto crescia e atingia a maioridade naquele castelo, ele desejou morrer. Fugiu antes mesmo de se despedir, sumindo daquele lugar e indo para o mais distante possível. Encontrou um castelo velho e abandonado e com o tempo e alguns cuidados, tomou posse do lugar e o tornou seu lar. Às vezes se sentia culpado por não sentir falta de seus irmãos, iguaizinhos a ele incluindo as sobrancelhas enroladas e os longos cabelos dourados que caíam em cascata sobre os ombros, mas essa culpa sumia ao se lembrar do maravilhoso tratamento que recebia. Não foram poucas as vezes em que os trigêmeos estraçalharam um humano e obrigaram Sanji a assistir, algumas vezes até mesmo a comer partes da pessoa que ainda estava consciente e observava horrorizada a cena. Era mórbido e o enojava. Não era um bom exemplo de vampiro, ele não matava suas vítimas, apenas se alimentava por necessidade. Para um vampiro, uma alimentação à base de sangue de animais não era o suficiente para satisfazê-los, sempre precisavam de sangue humano. Em toda sua existência, apenas matou uma única pessoa e se culpava e odiava amargamente por isso.
Ser apenas meio vampiro tinha suas vantagens. Ele não precisava se alimentar tanto quanto os sangue puros, tinha necessidade de comer alimentos humanos e o mais útil era que sua presença não costumava o denunciar imediatamente como um monstro, mesmo ele sendo um. Os caçadores costumavam ignorá-lo, era muito raro um conseguir rastreá-lo ou atacá-lo. A maior desvantagem provavelmente era sua força. Em uma luta contra um vampiro, ele perderia facilmente. Humanos eram muito mais fracos do que os de sua espécie e por ser metade, acabava tendo sua força balanceada. Era muito mais forte que humanos normais, mas muito mais fraco que vampiros.
Sanji também era muito gentil e talvez esse era seu maior defeito. Enquanto assistia aquela luta, era claro quem seria o vencedor, Mihawk estava anos luz na frente daquele garoto, não havia comparação. Sua vontade era sair das sombras e ajudá-lo, mas o que poderia fazer naquela situação? Nem conhecia aquele humano, não arriscaria sua pele para ajudar um caçador que se descobrisse que ele era um vampiro iria atacá-lo no mesmo segundo. Se seu esconderijo fosse descoberto, teria sérios problemas. Se arrumasse briga com um nobre, poderia até mesmo afetar todos de sua família e isso era o que menos desejava. Não queria ser um incômodo outra vez, não queria causar problemas aos outros. Judge ao vê-lo fugindo disse que não era para nunca mais aparecer em sua frente, que ele não era seu filho e nunca foi, e principalmente, que Sanji jamais deveria dizer que era filho deles, que um dia pertence àquela família. Se fizesse qualquer coisa que alertasse os outros do clã, sobraria para os Vinsmoke resolver... Ainda assim, com todas as desvantagens, ao ver a enorme espada negra sendo balançada para cortar o humano, ele se moveu para evitar um golpe fatal.
E tudo foi em vão. Sua velocidade não foi o suficiente para fazer qualquer coisa e ele apenas pôde assistir à morte daquele pobre humano. Sanji se admirou com o controle que Mihawk tinha, normalmente um vampiro atacaria a jugular de um humano e sugaria todo sangue de seu corpo, mas o moreno apenas recolheu sua espada, falou alguma coisa e se retirou, enquanto Sanji estava salivando ao sentir o cheiro doce de todo aquele sangue derramado. Ele estava faminto e havia um banquete em sua frente, suas mãos se tornaram trêmulas em desespero e ele avançou na direção do humano banhado a sangue.
Zoro mal sabia o que se passava ao seu redor. Suas últimas lembranças era o carmim muito vívido de seu próprio sangue e o frio. Estava deitado numa cama agora, o que com certeza era mais quente do que a terra molhada, mas nem tanto assim. A provável parede ao seu lado transmitia umidade e frieza e aquele local não parecia uma casa muito aconchegante. Zoro mal havia aberto os olhos quando uma quentura invadiu o local onde estava, a quentura fumegante e inconfundível de um bom prato de comida. Junto com o delicioso aroma, porém, Zoro sentiu uma presença familiar, do tipo que fazia seus sentidos se aguçarem e sua guarda levantar sempre que percebia. Tentou virar o pescoço o máximo que conseguia, mas seu corpo não parecia querer obedecê-lo. Odiava estar num estado tão patético. Conseguiu ver apenas um vulto que se abaixava, tudo estava muito escuro para um humano normal enxergar e mesmo ele sendo um caçador e sua visão fosse bem treinada, não era um monstro sanguinária que enxergava facilmente na escuridão. O desgraçado parecia querer manter distância como se assim não fosse ser descoberto, mas Zoro sabia que era um vampiro. Como se não fosse reconhecer a presença de um.
Imediatamente o pânico tomou conta de si ao se dar conta do que poderia ter acontecido para ele ainda estar vivo. A única opção que se passava em sua cabeça para estar vivo e na presença de um vampiro nojento. Seu corpo parecia gelado, as pontas de seus dedos com certeza estavam completamente desprovidas de calor.
— O que você fez? — Ele rosnou em uma voz estranhamente fraca, mas que ele esperava que ainda fosse ameaçadora o suficiente.
Fale com o autor