Your Blood Is My Wine

13 What are you waiting for?


Notas iniciais
Capa: Pixiv ID: 65353287

Sanji teve certeza de que nunca mais veria o caçador e ficou feliz com isso, mesmo que com o coração aos pedaços. Ele sentia falta do outro, de vê-lo satisfeito comendo sua comida, feliz com as bebidas e até mesmo daquela expressão que parecia prazer toda vez que era mordido. Dos dias em que passou cuidando do corpo ferido, trocando suas ataduras, limpando suas feridas, alimentando-o... Sua existência estava girando ao redor do moreno nos últimos meses e perceber que perderia aquilo, por sua própria culpa, o machucava.

Os dias sem ele eram vazios e pareciam sem cor. Se quisesse, não seria tão difícil encontrá-lo, mas Sanji não o faria, não era o desejo do moreno. Muito pelo contrário, o que Zoro realmente queria era que ele morresse, que sentisse dor sem seu sangue, entrasse em desespero e continuasse sofrendo até enlouquecer. Era triste, mas Sanji sentia cada vez mais que era isso mesmo o certo a acontecer, o que ele merecia.

As palavras do garoto ecoaram diariamente em sua mente, no entanto, quanto mais pensava nelas, percebia que Zoro estava errado e sendo completamente injusto.

Sanji poderia ser sim um monstro, mas ele não era um assassino descontrolado. Ele matou por acidente uma única mulher em todos seus séculos e mesmo sabendo que não era sua culpa, ele se culpava. Não decidiu nascer um vampiro, não era culpado por isso, ele tinha sentimentos, era sensível e se preocupava com as pessoas. Sanji não merecia ser tratado como um matador.

Ele não matava. Não drenava a vida de ninguém como Zoro havia acusado. Sempre tomou cuidado até mesmo para nem desmaiar ninguém e seu cuidado com o moreno era dobrado. Costumava passar dias com fome por causa do pouco sangue drenado, tudo para não ser visto como um monstro. E parecia que quanto mais humano ele tentava parecer, mais um monstro Zoro enxergava em si.

Na semana seguinte, Zoro estava batendo na porta do castelo impacientemente. Ele sabia que o vampiro estava ali, podia sentir sua presença mesmo do lado de fora, não era um caçador à toa. Já estava fazendo aquilo há alguns minutos e a irritação começava a se tornar aparente na forma de uma veia saltada em sua testa. Já não bastava ter que se arrastar até ali, mas demorar para ser atendido era demais para sua paciência. Ainda mais dessa vez em que só de pensar em vê-lo de novo Zoro já queria socar alguma coisa.

Depois do último encontro desastroso que tiveram, Zoro andava mais insatisfeito do que o normal. Sua vontade era de nunca mais voltar àquele castelo, exatamente como a vil criatura havia pedido para que fizesse, mas obviamente não era isso que aconteceria.

Ele nunca tinha ido ali por Sanji, porque o vampiro queria ou tivesse pedido, nem nada do tipo. Não importando o quão enojado ficasse consigo mesmo de ter se tornado a comida fácil de um monstro, o único motivo de voltar era que havia feito um juramento de sangue e não o quebraria, mesmo que estivesse absolutamente furioso depois do que ocorreu da última vez e de como seu corpo havia reagido tão pateticamente a tudo. Se não tivesse nem sua palavra, seria apenas tão desprezível quanto uma daquelas criaturas.

Quando Zoro finalmente perdeu a paciência, desembainhou suas preciosas espadas e, num piscar de olhos, golpeou a porta pesada de madeira, abrindo passagem com certa facilidade. Se aquele vampiro achava que uma mísera porta o manteria afastado, ele estava muito enganado. Zoro adentrou na fortaleza sombria e, como esperado, não viu sequer sinal do vampiro.

As velas estavam quase todas apagadas e Zoro mal conseguia enxergar o que fazia, então tratou de logo tomar posse de um dos castiçais de prata que adornavam o aposento. Ele apenas sentou numa poltrona, não iria perder seu tempo procurando naquele castelo de arquitetura maluca como se estivessem num jogo de esconde-esconde. Antes de guardar novamente as espadas na cintura, utilizou uma delas para fazer um pequeno corte em seu pulso. Apenas aguardaria até que o vampiro aparecesse desesperado por seu sangue, como o monstro sedento que ele era.

Sanji só acordou ao anoitecer e saiu de seu caixão. Sonolento, ele caminhou para o andar superior do castelo com a intenção de preparar algo para enganar sua fome, porém, ele rapidamente sentiu o cheiro doce do sangue que tanto amava. Doeu pensar que Zoro estava ali outra vez, preferia nunca mais vê-lo. Caminhou lentamente até ele e com o rosto abaixado, viu poucas gotas de sangue manchando o chão. Diferente de sempre, ele não o cumprimentou, não estava no clima e não o desejava ali.

Como previsto por pelo caçador, o vampiro havia aparecido graças ao seu sangue, exatamente como a criatura fácil e dependente que eçconsiderava que ele era. Mas, diferente do que achara, o loiro apenas ficou observando o líquido vermelho escorrer, imóvel como uma estátua. Sua expressão apática e sem vida e seus olhos fitando o chão.

— Beba, ou vai ficar caindo e você vai desperdiçar. — Zoro disse, sua voz completamente desprovida de emoção. O loiro arregalou os olhos surpreso com aquela ordem, não deveria ser assim.

A voz fria causava arrepios em seu corpo já frio e por mais que tentasse evitar, seus instintos falavam mais alto. Estava faminto. Salivando. Mesmo que não quisesse mais nenhum contato com aquele garoto, ainda era um monstro que precisava de sangue. Com um suspiro, aproximou-se e diferente de todas as outras vezes, não se abaixou ou ajoelhou, apenas puxou bruscamente o braço para cima e encostou sem vontade os lábios, chupando o pouco de sangue que havia escorrido. Não era o suficiente, então as presas cresceram automaticamente e ele abriu a boca para morder.

— Eu já mandei não morder aí. — Zoro afastou seu braço grosseiramente, assim que percebeu que o vampiro estava se inclinando para mordê-lo. Os olhos ainda azuis de Sanji o olhavam com agressividade, como se fosse desobedecê-lo e morder onde quisesse, mas o vampiro apenas cedeu e se abaixou em direção à sua coxa exposta.

Zoro não via nenhuma docilidade enquanto Sanji se ajoelhava. Se antes parecia que fazia de bom grado, agora dava para ver em seu olho que era tudo que não queria fazer no momento. Ainda assim, fez como foi mandado e ficou entre suas pernas.

Para sua surpresa, o vampiro o mordeu quase imediatamente, sem firulas, sem beijar sua pele, apenas cravou fundo as presas na coxa musculosa sem cerimônias. Com certeza estava faminto.

Sanji entrou em transe, estava fora de si, sem pensar nas consequências. Não esperava que um dia Zoro voltasse, então não preparou nada para que ele comesse e assim conseguisse evitar de o deixar tão fraco pela perda de sangue. Mas aparentemente seus instintos que mandavam nele, fazendo-o agir como um verdadeiro monstro. Ele não queria agir daquela forma, mas cada vez mais parecia perder o controle do próprio corpo.

Ter se abaixado imediatamente e atacado como uma besta selvagem a coxa de Zoro provava isso. Estava definitivamente fora de si, havia se tornado um monstro por completo. Seus olhos permaneciam azuis, mas o desejo era maior do que todas as outras vezes. Ele queria morder toda a pele do humano e tomar mais sangue do que sempre fazia, se satisfazendo verdadeiramente pela primeira vez.

Quando percebeu ele já estava chupando sem parar e se surpreendeu por não ter notado o que fez ou quando fez. O sangue preenchia sua boca e o gosto não poderia ser melhor, mas ele conseguiu parar. Se continuasse assim, não duvidava que drenaria totalmente o outro.

— Está esperando o quê? — Zoro rosnou, impaciente, enquanto o vampiro ainda hesitava. Sanji soltando sua perna o deixava confuso.

— É o suficiente... — O vampiro mentiu descaradamente. Seus olhos aos poucos perdendo o tom azul e ganhando o escarlate demoníaco denunciava isso, deixando claro que aquilo era menos suficiente do que em todas as outras vez.

Zoro havia estranhado aquela resposta, pois sua tortura havia acabado muitíssimo mais rápido que em qualquer uma das outras vezes, tanto que nem havia começado a se sentir pateticamente excitado ainda. Mas não pensou em contestá-la. Afinal, tudo que queria era que aquilo acabasse depressa, que durasse o mínimo de tempo possível e que pudesse sair daquele ambiente frio logo. Se o vampiro queria beber menos do que precisava, era um problema exclusivamente dele.

— Você não comeu, vai acabar caído se eu beber muito. — Sanji acrescentou, dando seu melhor para usar um tom frio e distante, tentando se assemelhar o máximo que conseguia ao monstro que o caçador enxergava nele.

E esse adendo na sua resposta acabou fazendo com que Zoro perdesse qualquer paciência que existia em si. Aquele vampiro tratava Zoro como uma criatura inferior, um fracote. Agia como se Zoro dependesse dele, como se sem sua comida injustamente deliciosa ele não fosse nem conseguir se manter de pé depois de ter um pouco de sangue sugado.

Claro que isso havia acontecido algumas vezes, mas não tinha absolutamente nada a ver com isso, e sim com o fato daquele vampiro não ter controle e sugá-lo como faria com um dos humanos que drena até a morte. E Zoro detestava ser visto como fraco e detestava egos maiores que o dele próprio.

— Eu não preciso da sua comida nojenta. — Zoro disse com rispidez a pior mentira que poderia criar. E encheu a mão com os cabelos loiros do vampiro, puxando sua cabeça com violência até a ferida novamente. — Só de pensar em comer aquilo me dá ânsia. Então termine você de comer e pare de dizer idiotices.

Se fosse parar para pensar em todos os anos em que esteve vivo, Sanji jamais sentira tanto ódio.

Ele não se importava em ser xingado, pisado, ofendido, humilhado ou qualquer outra coisa, até mesmo agredido, mas apenas uma coisa ele jamais permitiria: Que falassem mal de comida. Por ser um vampiro, ele não deveria comer comida humana. Bom, não existia nenhuma regra proibindo, eles conseguiam sentir o sabor quase como qualquer humano normal, assim como sabiam apreciar.

Mas, durante muito tempo esteve preso em um lugar em que ficou dias e dias passando fome, às vezes até mesmo de sangue, ou o único alimento que era servido, restos de algum animal de grande porte que viu seus três irmãos estraçalhando vivo, como verdadeiros monstros. Muitas vezes eles mesmos socavam o bicho em sua garganta, só que a pior situação era quando ele havia ficado tanto tempo sem se alimentar que ele mesmo tinha que agir e pegar um pedaço no meio da carnificina, devorando faminto como se não fosse diferente daqueles três.

Ainda se lembrava do gosto e cheiro grotescos de sangue, tripas e morte. Toda vez que precisava comer para evitar morrer, Sanji se escondia na cozinha vazia e comia, enquanto chorava descontrolado. Ele jurou que nunca mais aceitaria passar por aquela situação, precisar comer algo daquela forma. Quando se livrou de seu clã e se mudou para aquele castelo abandonado, a enorme cozinha chamou sua atenção e para evitar que seu passado se repetisse, passou a estudar livros sobre alimentos e culinária, aperfeiçoando suas técnicas.

Em séculos, ele apreciou na solidão tudo que cozinhava, Zoro foi o primeiro a comer algo que cozinhou e ele realmente achava que o caçador gostava, mas ele falava as mesmas palavras que seus irmãos, desprezando o precioso alimento, tratando como se fosse superior à comida. E isso o fez perder o controle.

Então, o vampiro fez exatamente o que o garoto havia mandado, cravando as presas na virilha quente e Zoro imediatamente percebeu que jamais havia sido mordido de verdade, com tanta ferocidade.