Your Blood Is My Wine
12 Thank you.
Notas iniciais

Zoro se sentia fraco e vulnerável, mesmo querendo estar no controle, mesmo com o vampiro naquela posição humilhante, se arrastando no chão enquanto buscava seu sangue de qualquer forma, como um verme faminto. Odiava se sentir assim, odiava que não importava quanto sake bebesse antes daquilo, nunca era o suficiente para entorpecê-lo, para o fazer gostar menos daquele ato repugnante. A boca de Sanji iria enlouquecê-lo. Sentia a língua afoita bebendo seu sangue, passeando sobre seus músculos bem definidos, as presas pareciam querer afundar o quanto podiam, se enfiando profundamente em sua pele cor de bronze, fazendo seu sangue jorrar copiosamente e a dor deliciosa aumentar a cada segundo. Mesmo assim, Zoro se mantinha completamente estóico.
A ereção do vampiro pulsava em desespero, gotejando e melando mais a cada segundo a peça íntima, era desesperador. Parecia que nunca esteve tão excitado em sua vida. Sanji queria mais, precisava. Era quase como se não tivesse Zoro por completo, não conseguiria permanecer vivo. Então ele buscou o que queria. Afastou a boca, retirando as presas que estavam mais profundas do que qualquer vez na pele morena e antes que o outro sequer pensasse que estava satisfeito só com aquilo, segurou com firmeza a coxa grossa e usando um pouco de força levantou a perna alheia, deixando a bota apoiada na cadeira.
O vampiro lambeu lentamente os lábios com aquela visão maravilhosa. Analisou cada centímetro da pele, indo até a minúscula parte da bunda que estava visível. Era linda. Queria tocá-lo em toda parte, enlouquecer o garoto. Enquanto segurava a perna no lugar, a outra mão deslizou por toda extensão e ao terminar o caminho, deixou apoiada no primeiro local que esbarrou, que era um volume conhecido. Arregalou os olhos em surpresa, Zoro também estava com tesão, então... Aquilo o excitou ainda mais. Sem pensar que poderia ser errado, ele colocou a língua para fora e deslizou várias e várias vezes, demoradamente, pela coxa grossa, sentindo o gosto invadir sua língua e sem dúvidas era bem melhor que sangue. Com a mão ainda pousada em cima da ereção, Sanji mostrou as presas afiadas e penetrou profundamente na pele macia na parte inferior da coxa, muito próximo da virilha.
Ouviu facilmente o menor arfar e o volume em sua mão pulsar parecendo em desespero, assim como seu próprio sendo sufocado por todos aqueles tecidos que no momento eram muito incômodos. Nessa posição conseguia observar melhor o outro, então levou o olhar escarlate até o rosto lindo de Zoro, enquanto movia mais os lábios na carne do que sugava o sangue, Sanji não deixou de observá-lo em momento algum, como se a expressão dele o proporcionasse ainda mais prazer. A língua era colada na pele muitas vezes, passando pelos pequenos furinhos causados pelos dentes pontudos que nem mesmo mais estavam em contato com a pele alheia, estavam bem retraídos, denunciando que já estava totalmente satisfeito do sangue, mas do corpo de Zoro não havia nem começado.
O caçador nem percebeu quando fechou os olhos, sua mente esquecendo-se completamente do objetivo de continuar no controle, de se manter vigiando a criatura. Sua cabeça estava ficando aérea, parecia que ia desmaiar a qualquer segundo, que seria sugado até secar, mas se fosse o caso apenas se manteria ali, imóvel e patético.
O vampiro estava se aproveitando daquela situação, abusando do corpo perfeito de Zoro, devorando sua coxa grossa e a marcando como se fosse sua propriedade, talvez estivesse fazendo tudo de forma inconsciente... Não, ele sabia que estava bastante são naquele momento. O que tinha de são, também tinha de tesão. Era absurdo como o simples cheiro exalado da pele morena o deixava louco. A textura do corpo era sentida perfeitamente por seus lábios e língua, que explorava cada centímetro. Sua boca estava muito quente devido ao sangue e todos os toques no corpo que parecia ter febre de tanto que pegava fogo. E o melhor era a temperatura que mal conseguia sentir por estar usando luvas, mas sabia que estava mais quente do que qualquer outra parte.
Zoro se sentia mais exposto do que o planejado, mas se tentasse se mexer o mínimo que fosse denunciaria automaticamente seu estado, já que estava concentrando todas as suas forças em não transparecer nada. Estava tão imerso nessa repressão, que sequer havia notado o quão duro estava, levando um susto quando a mão do vampiro pousou ali. Zoro engoliu em seco, absolutamente puto com seu estado.
E não sabia o que era pior, o fato do vampiro ter notado aquilo, ou o fato de sua mão estar irritantemente parada ali, como uma tortura, quando tudo que ele precisava era de um pouco de pressão, de atrito. Mesmo não tendo isso, parecia que apenas aquelas mordidas profundas seriam o suficiente, apenas sua coxa sendo devorada o faria se derramar sem controle. Embora não quisesse de jeito nenhum gozar daquele jeito e estivesse se controlando o máximo que podia, preferia a morte.
Em algum tempo, a dor parecia ter quase completamente passado, o que restava era a língua macia ainda acariciando sua carne, amenizando suas feridas. Zoro imediatamente abriu os olhos, encarando o vampiro com raiva. Ele parecia ter acabado, mas Zoro não iria se mover até que tivesse certeza, não queria ter que ouvir que não foi o suficiente e ele teria que voltar em menos tempo ou alguma droga assim. Na verdade, nunca mais queria voltar. Estava cansado daquilo, cansado de se sentir nojento e fraco, cansado de seu corpo desobedecê-lo toda vez e se entregar pateticamente.
Sanji viu quando os olhos cinzentos banhados na mais pura luxúria se abriram e o encararam, percebendo que diferente de quase todas as outras vezes, não existia nenhum tipo de ódio ou nojo ali, por mais que o desejo estivesse tentando ser escondido por uma enorme raiva.
Soube que gozaria se mantivesse as mordidas e lambidas e a ereção pulsando debaixo de sua mão parecia que sofreria o mesmo, mas ele sabia que não era esse o desejo de Zoro, então primeiro afastou a mão e depois seu rosto da coxa musculosa, após dar um demorado chupão ali para deixar uma marca possessiva. Endireitou a postura ainda ajoelhado e levantou o olhar até o rosto de Zoro.
— Obrigado. — Ele agradeceu baixo pela comida, fechando os olhos e sorrindo de leve. Seu rosto estava todo manchado de sangue, apenas os vestígios de sua monstruosidade.
Ele só não esperava que quando fosse se levantar, sentiria a bota suja e pesada do caçador chocando-se fortemente contra seu rosto, com tanta agressividade que no mesmo instante ele caiu para trás e apoiou as mãos no chão para tentar evitar bater a cabeça. Sanji abriu os olhos e encarou, amedrontado, o outro, sem entender o que havia acontecido. Era possível ver um filete de sangue escorrendo por seus lábios, que se cortaram ao ser atingido pela sola do sapato.
Zoro havia o chutado sem pensar. Estava com raiva do seu próprio cérebro, dos seus próprios olhos, do seu próprio corpo. Era um vampiro asqueroso, o mesmo que havia arruinado a vida de Kuina e sabe-se lá quantas mais. Ele não deveria achá-lo nada mais que horrível. Mas ele não parecia assim. Mesmo com os cabelos loiros, sempre presos num laço, um tanto desarrumados devido às atividades recentes. Mesmo com a mistura de saliva e sangue que fazia seus lábios brilharem enquanto sorria docemente. A visão parecia fazer o aperto em sua roupa piorar mais ainda e Zoro ficava com mais ódio do que sentia.
Então o chutou. Para que ele entendesse qual era a língua que estava sendo falada ali, para continuar demonstrando que sua relação, assim como quase tudo em sua vida, era pautada em violência, não em gestos estranhamente carinhosos, não em palavras gentis que um monstro como ele nem deveria dizer. Para colocá-lo no lugar dele e ver seu ódio espelhado nos olhos do vampiro.
— Eu não estou fazendo isso por você. — Zoro vociferou enquanto arrumava sua roupa e mantinha a mão firme num dos punhos das espadas. — Se dependesse de mim você estaria morto.
O que era obviamente uma mentira. Ele amargamente sabia muito bem que já teve a oportunidade e ao invés disso resolveu fazer aquele pacto estúpido por causa de uma dívida idiota. Preferia que nunca tivesse sido salvo, assim nunca precisaria dever nada àquele ser.
Sanji estava confuso. A reação de Zoro não fazia nenhum sentido, especialmente por ele não ter feito nada além do que fora ordenado. As palavras frias do outro o magoavam de uma forma que não saberia nunca expressar, especialmente porque concordava com aquilo. Pior, era o que desejava.
No entanto, diferente do normal, por mais magoado que tenha ficado, o vampiro ficou bem mais irritado. Não havia motivos para aquele chute, ele literalmente obedeceu e não fez nada que não deveria, era injusto. Aquelas palavras eram injustas e se Sanji possuía um mínimo de amor próprio, ele sabia que não ia aguentar aquele tratamento.
Bom, ele não possuía, mesmo assim quando ia se levantar, apoiou as mãos no chão e elevou suas pernas em um movimento rápido e inesperado, chocando seu sapato contra o abdômen daquela criança. Sim, era como uma criança que Zoro estava se comportando, então o trataria como uma.
Violência. Aquela era a resposta que Zoro estava esperando, a reação com a qual era tão mais simples de lidar, tão mais confortável. Seu único problema era a reação de seu próprio corpo àquilo. Ter sido chutado com indelicadeza pela perna forte e ter suas costas e cabeça empurradas na parede com força o suficiente para machucá-lo não o fazia ficar menos excitado. Pelo contrário. Talvez estivesse ficando louco.
Em seguida Sanji se levantou e com as duas mãos enluvadas agarrou com força o colarinho da camisa do menor e o jogou bruscamente contra a primeira parede que encontrou. Estava agindo sem controle ou pensar em suas atitudes, ferido por aquelas palavras, aquele chute… Não era justo.
Desde o momento que se encontrou com o humano o tratou bem. Salvou. Acolheu. Cuidou. Fez tudo que pôde para que se sentisse bem, à vontade. Controlava-se para beber o sangue viciante apenas o suficiente e necessário, evitando que Zoro desmaiasse. E tudo isso para o quê? Sem nenhuma explicação, receber um chute? Não iria admitir algo assim. Ele poderia aguentar o olhar de ódio e nojo o tempo todo, mas machucá-lo fisicamente? De forma alguma. Se o desejo de Zoro fosse matá-lo, aceitaria, mas apenas causar dor, jamais.
— Acredite, faço das suas palavras as minhas. — Sanji disse de forma ameaçadora, encarando-o com os olhos ainda brilhando no tom escarlate e frio. Ainda dava para notar mágoa e melancolia em sua voz, mesmo que o tom ameaçador se sobressaísse. Zoro não fazia ideia do quanto o vampiro estaria morto se dependesse apenas de sua própria vontade, o único problema era a falta de coragem. Era um covarde.
Mesmo que já tivesse tido um vislumbre da melancolia de Sanji, o caçador não conseguia notar aquela obviedade. Muito menos com aquele olhar escarlate que brilhava espelhando seu próprio ódio. Tudo que conseguia interpretar era que o vampiro estava rebatendo suas próprias palavras, que a recíproca era verdadeira. Que ele queria ver Zoro morto. Essa interpretação se encaixava perfeitamente em sua narrativa distorcida, ainda mais cega pela raiva que sentia, puto com aquele vampiro por provocar aquelas reações em si e puto consigo mesmo por reagir assim.
— Eu sinto nojo de ter que dar meu sangue a você. — Zoro disse com amargura, tentando contradizer seu corpo que ainda tremia de excitação depois de bater tão forte contra a parede. — Vir aqui é cada vez mais detestável.
— Então por que você não me mata logo e acaba com isso de uma vez? — Disse o vampiro soltando o colarinho da roupa do menor e levando uma das mãos até onde estava a mão do outro nas três espadas, apertando-a. Parecia até estar dando consentimento para que fizesse aquilo.
— Não, eu não vou fazer isso. — A morte era muito fácil. Era covarde, rápido e indolor. O que ele queria mesmo era que Sanji sofresse o mesmo que Kuina sofreu, passasse por tudo aquilo. — Eu quero que você sinta dor e desespero, e vá definhando lentamente, pouco a pouco, até enlouquecer.
Movido por todo seu ódio, Zoro que quase não pronunciava palavra nenhuma quando estava naquele castelo falou muito mais do que devia.
— Que anos após eu ter morrido, você não tenha mais de quem se alimentar. E nunca mais aja como um maldito monstro assassino. Que drena a vida de uma pessoa sem nenhum ressentimento. Que sequer deveria existir.
Sanji arregalou os olhos ao ouvir as palavras mais frias e cruéis que já ouviu em todos aqueles séculos. Ele sentia que uma estaca fincada em seu coração e ter a cabeça decepada seria bem menos dolorido que aquilo. Ficava impressionado em como um humano cheio de sentimentos conseguia agir daquela forma terrível. Estava ferido. E pior, ele concordava com as palavras, concordava que não deveria existir, que era só um monstro terrível e assassino, mesmo que em toda existência só tenha matado uma mulher. Era o suficiente.
Ouvir da boca de Zoro o que sempre soube, que ele o odiava e sentia nojo, era dolorido, mas não é como se já não soubesse. Claro, ouvir as palavras sempre machucaria mais, ferindo seu coração com mais força do que qualquer estaca. O ódio sumiu nos olhos do vampiro, assim como a força de suas mãos, que largaram o corpo menor e se afastou. Ele não queria demonstrar-se abalado depois daquilo, mas era impossível.
— Por favor, vá embora. — Tentou seu máximo para não transparecer toda a dor que estava sentindo. A excitação de antes havia sumido por completo, seu coração estava em pedaços e ele não queria mais. Sabia que não aguentaria mais aquele tratamento. — Por favor... Não volte mais... Por favor...
Ele implorou com a voz baixa e falha e antes que Zoro pudesse pensar em se mover, o próprio vampiro sumiu em um instante. Estava chorando e não deixaria que o outro visse o estado patético que se encontrava, ainda tinha um mínimo orgulho que preferia preservar. Voltou para seu caixão, local que jamais deveria ter saído e trancou-se, envolvendo-se na escuridão e solidão, desejando que fosse para sempre.
Zoro apenas fez o que o vampiro queria, que coincidentemente também era o que ele próprio mais gostaria de fazer, e saiu dali extremamente puto. Não era seu plano falar tudo aquilo, mas sua raiva pelo seu estado fez com que tudo borbulhasse à superfície com mais intensidade do que o planejado.
Ao sair do castelo, se tocou vergonhosamente da maneira menos satisfatória e mais angustiante que já havia feito em toda sua vida. Se odiando a cada movimento, o punho cerrado de raiva e a expressão nada menos que mortífera. Odiando cada segundo de prazer e amaldiçoando sua própria fraqueza.
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