Notas iniciais
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O período de aproximadamente uma semana de espera sempre parecia muito tempo e não era por desejar se alimentar que o vampiro sentia em demasiado a demora. Ele nunca tinha a certeza de que Zoro voltaria, era normal esperar que o humano simplesmente o abandonasse ali para agonizar até a morte, mas conforme as semanas iam passando e o garoto sempre retornava, passava a confiar mais nele.

Quando Zoro chegava, Sanji apenas costumava cumprimentá-lo e não receber uma resposta, levá-lo até a cozinha e deixá-lo com uma garrafa de bebida e um belo prato de comida. Era apenas o normal e correto a se fazer. Estava se mantendo distante ultimamente, sua presença não era necessária e muito menos bem-vinda enquanto o outro jantava, então apenas ficava em qualquer outro local do castelo, dando alguns minutos para então retornar e ser alimentado com o sangue.

Por mais que tentasse manter sempre distância e respeitar o espaço alheio, era difícil toda vez que Zoro chegava. Durante os dias em que ficava sozinho, ele tentava descobrir como evitar aqueles sentimentos novos e confusos, estava sendo um peso nas costas do outro e quanto menos se intrometesse, seria melhor para o moreno.

Naquela noite, assim que o caçador terminou o prato, o loiro voltou para a cozinha e olhou em sua direção. Um tanto hesitante, ele se aproximou e como de costume se ajoelhou em sua frente, tocando a mão do outro e começando a puxar a manga para sugar seu sangue. Estar tão próximo dele outra vez trazia lembranças de um encontro em específico, do beijo, dos toques, da língua quente e saborosa, bem mais que o sangue, invadindo sua boca e se esfregando contra a sua... O gosto de Zoro era tão bom, desejava que um dia pudesse senti-lo novamente... O que era um absurdo, jamais aconteceria.

Lembrar-se do beijo também o fazia recordar da espada atravessando seu pescoço, das mãos sendo cortadas e do garoto indo embora sem fazer o que deveria. Sanji era apenas um meio vampiro, por mais que tivesse poderes de cura e sua recuperação fosse acelerada, por não morrer se não for pelos meios certos, assim como os humanos, se fosse ferido profundamente, ficaria uma cicatriz horrível no local e era essa sua atual situação.

Toda vez que acordava e olhava suas mãos, percebia uma linha reta no ponto em que segurou a espada, ver aquilo o entristecia. Mesmo sendo um monstro, mesmo machucando-se e se recuperando facilmente, apenas uma parte de seu corpo não gostava de ferir. Suas mãos. Não sabia como aquilo começou, mas sempre gostou de cozinhar e pensava que se as perdesse, não poderia mais fazer a única coisa que realmente amava. Ter que encarar aquilo todo dia era doloroso e não aguentando mais, escondeu-as com luvas.

O horrível reflexo no espelho mostrava a marca profunda em seu pescoço e mesmo não ligando muito para ela, toda vez que sentia a presença de Zoro próxima, usava um lenço para esconder. Não era sua intenção fazê-lo se sentir culpado, sabia bem que a culpa nunca seria do humano. Na verdade, nem mesmo achava que ele se culparia, precisaria se importar para isso.

Zoro ainda pensava naquele dia, nos olhos do vampiro e na sua espada cheia do sangue dele. Não importava quantas vezes tivesse limpado aquela lâmina, era como se sempre pudesse ver a pele pálida sendo rasgada por ela daquela forma triste e suicida. O que ainda não fazia sentido. Vampiros eram mortos-vivos que tinham tanto apego à própria existência aberrante que acabavam com outras vidas para se manterem existindo.

Aquele comportamento era muito anormal. Assim como salvá-lo e cuidar dele por semanas. Assim como tratar a própria existência como um incômodo toda hora. Mas Zoro não queria pensar nisso. A última coisa que queria era ver aqueles comportamentos que o deixavam parecendo menos monstruoso aos seus olhos. A última coisa que queria era humanizar o monstro que matou sua irmã.

Para sua satisfação, estava sendo razoavelmente suportável ir até o castelo de Sanji nas últimas semanas. O vampiro apenas o deixava comer e Zoro se mantinha calado o tempo inteiro, o corpo todo rígido e tenso enquanto estava naquele lugar. Não era exatamente agradável, mas eram visitas curtas e Zoro nunca mais teve que lidar com nada muito estranho. A única coisa que precisava aguentar eram alguns minutos daquela mordida.

Mas, naquela noite, teria que ser um pouco diferente. Geralmente, Zoro apenas deixaria que o vampiro se alimentasse em seu pulso até estar satisfeito, mas não daquela vez. Zoro estava com um certo problema, aquelas marcas em seus braços o incomodavam muito. Não que tivesse nada contra cicatrizes. Zoro passava muito tempo sem camisa, principalmente quando estava treinando, e ostentava sua horrenda marca que atravessava seu corpo como um símbolo de uma luta, mesmo que tivesse perdido feio. Não, o problema era que as marcas em seus pulsos eram muito características do que estava fazendo. E, com o tempo, só tendiam a ficar mais profundas e visíveis. Tudo que o caçador menos queria era que soubessem que ele havia se tornado um banco de sangue particular de um sanguessuga nojento.

— Não, seu maldito monstro descontrolado, eu não vou mais ficar passando horas para esconder essas marcas patéticas. — Disse retraindo o braço, já que a criatura estava quase o mordendo. — Faça em um lugar que a roupa cubra.

Aquela era a primeira vez que se dirigia ao vampiro em muito tempo já que seus encontros eram sempre silenciosos e o único barulho que existia era da boca chupando seu pulso e da sua respiração pesada enquanto aguentava aquela dor deliciosamente nojenta.

Sanji ficou surpreso em ouvir aquela voz de novo depois de tanto tempo em silêncio. Honestamente, achou que nunca mais trocariam uma palavra. Ele sorriu de leve, ficando grato unicamente pelo outro direcionar suas palavras a um ser tão desprezível, então apenas parou o que fazia, juntou seus joelhos no chão e levantou o rosto para encarar o humano. Se um dia algum vampiro o visse daquela forma patética, submisso e obediente como um cão, diante um humano... Pior, um caçador, as chances de ele ser morto antes mesmo que sua mente entendesse o que passava, eram incontáveis. Não que ele se importasse, mas isso acabaria causando algum estrago no garoto também e era algo que não permitiria.

Zoro achou que o vampiro parecia um pouco surpreso de tê-lo ouvido falar, mas se afastou imediatamente do seu braço. Na verdade, tão imediatamente que Zoro achava que se tivesse apenas dito "Não" ele teria obedecido do mesmo jeito, como um cão adestrado. E assim, o caçador percebeu que o vampiro nem se mexeria se ele não desse as instruções do que fazer.

— Aqui. — Ele disse enquanto abaixava a calça e levantava a roupa de baixo, expondo sua coxa, sem nenhum tipo de receio já que sua mão direita estava apoiada firmemente no punho das espadas e seus olhos estavam atentos aos movimentos do vampiro. Era completamente diferente da primeira vez que havia feito aquilo na frente dele, quando ficou tão exposto e vulnerável quanto poderia ficar. Ele estava no controle.

O rosto com expressão submissa de Sanji durou poucos segundos naquele dia. Quando ouviu Zoro dizer que era para mordê-lo em um lugar que a roupa cobrisse, pensou em seus pés, ou até mesmo na canela, a barriga também surgiu em sua mente, mas, definitivamente, jamais chegou a imaginar que ele tiraria sua roupa, expondo o corpo moreno outra vez e fosse oferecer suas coxas como alimento. Foi inevitável o desejo. Ele engoliu a seco e parecia hipnotizado, observando cada movimento que a mão do outro fazia para despir-se. Era lindo. Quando estava cuidando dos ferimentos daquele corpo, jamais o enxergou com seus olhos pervertidos, mas agora... Estava excitado.

A respiração do vampiro estava alterada, deixando-o ofegante. Seu corpo reagiu tão facilmente àquela ordem que ele jamais poderia negar-se. Estava vergonhosamente duro, sentindo-se incomodado com o volume pulsante em sua calça, rezou a deus para que não deixasse o moreno notar aquilo. Mesmo ordenando que chupasse em sua coxa e se despindo, ficando aparentemente vulnerável, Sanji pôde ver facilmente a mão apoiada nas três espadas e até mesmo o brilho de uma prestes a ser desembainhada, para caso não fizesse o que deveria, apenas o quanto era necessário, sua cabeça seria cortada em um instante.

Não soube quando, mas seus olhos tomaram o tom escarlate e estava nítido o desejo ali, pela primeira vez não era o tesão no sangue de alguém. Antes que Zoro mudasse de ideia, Sanji aproximou o rosto, levando as mãos até a coxa musculosa, e passou a circular seus dedos na carne morena. Era linda e extremamente apetitosa. Por ser um vampiro muito pervertido, imaginou-as recebendo sua ereção e a apertando deliciosamente, despejando todo seu prazer ali... Mordeu o próprio lábio para se conter. Aquilo não era o que o outro desejava e mesmo sabendo que poderia apenas usar a força para ter o que desejava, Sanji não ia fazer nada.

O toque em suas mãos era agradável, no entanto, as luvas impediam que sentisse o calor, por isso aproximou os lábios e distribuiu beijos pela extensão que partia do joelho e subia até próximo da virilha. Quando voltou pelo mesmo caminho, usou a língua molhada, deslizando-a pela carne gostosa, provando-o, entorpecendo-se com o gosto saboroso daquele humano. Suas presas foram fincadas profundamente na parte superior da coxa, enquanto as mãos não se afastaram em momento algum e continuaram tocando cada milímetro exposto. Conhecendo-o, explorando-o. Era visível um filete de sangue escorrendo de seus lábios e, embora ainda estivesse controlado, estava sugando com mais vontade que o normal. Sanji precisava de mais.

Zoro realmente havia achado aquela uma boa ideia. Não precisaria mais tentar esconder aquelas marcas horríveis, nem ficar lembrando daquilo o tempo inteiro, era uma solução perfeita. Mas, como quase todas as ótimas ideias que tinha, aquela acabou se provando no mínimo controversa. No começo, tudo estava razoavelmente tranquilo. Mesmo que o loiro tivesse voltado a antigos costumes de lambê-lo e beijá-lo em sua pele já sensível e exposta, Zoro poderia aguentar calmamente. O vampiro parecia paralisado de desejo e Zoro supunha que era sua fome descontrolada, logo sentindo a familiar dor de suas presas e aguentando seu sangue sendo drenado, esperando que o vampiro se satisfizesse e o soltasse depressa.

O problema era que, se quando o vampiro sugava seu pulso já precisava morder seus lábios para se conter, agora achava que precisaria arrancar a própria língua, de tão grande que era a força que estava usando para mordê-la. Não estava no mesmo nível de dor, a carne das suas coxas era muito mais sensível e a dor muito mais profunda. Não conseguia raciocinar e sua mão morena estava quase branca de tanto apertar o punho das espadas para se manter indiferente. Não podia se mexer, nem tremer, por mínimo que fosse. Não iria se rebaixar àquele ponto, não poderia deixar transparecer nem o mínimo de reação, excitação.