Your Blood Is My Wine
17 Can I do it again?
Notas iniciais
Depois de terminarem a refeição, Sanji organizou a cozinha pois odiava que suas coisas ficassem bagunçadas, em especial a cozinha. Ele levou Zoro para o quarto em que costumava ficar, perguntando no caminho se ele não gostaria de tomar um banho, mas apenas ouviu uma negativa e deixou que o outro fizesse como bem entendesse.
Chegaram no quarto do qual Zoro se lembrava bem, ele pôde sentir o frio daquelas paredes que o aprisionaram por tanto tempo durante sua recuperação. Era bastante diferente do calor da cozinha e do forno e Zoro ajeitou seu casaco automaticamente ao entrar nele. O que o fez lembrar do outro casaco que carregava consigo junto das espadas.
— Tome. — Zoro praticamente jogou o casaco no vampiro, como se ele queimasse sua própria pele e ele não aguentasse segurá-lo nem por um segundo. Nem sabia porque havia carregado aquela tentação consigo durante todo esse tempo, se era porque queria se torturar ou torturar o vampiro mostrando seu desprezo, agora não importava mais.
Sanji franziu o cenho ao receber o casaco que o moreno havia roubado na última vez. Aquele casaco trazia lembranças agradáveis, era como se ainda sentia o calor do corpo moreno, ambos se chocando um contra o outro em desespero, necessitados. Ele balançou a cabeça pra afastar os pensamentos impróprios e pegou o casaco, mesmo hesitando.
— Pode ficar com esse, eu tenho outros. — Empurrou o casaco pesado de volta na direção do outro.
— Não preciso. Não está fazendo muito frio hoje. — Zoro mentiu descaradamente, já que a noite avançava impiedosa e a temperatura certamente cairia ainda mais depois. — Por falar nisso, sempre tive impressão do castelo ser um tanto gelado. Não gosta de calor?
Zoro divagou enquanto sentava na cama e retirava as botas pesadas de viagem e suas espadas, deitando na cama gélida e tremendo discretamente. Não fazia ideia da preferência de vampiros por calor ou frio, apenas sempre imaginou que não houvesse necessidade de um cadáver ambulante de se esquentar. Mas, poderia estar enganado, já que aparentemente estava descobrindo que sabia pouco sobre eles naquela noite. O vampiro se aproximou carregando a vela que pôs ao lado da cama e ajoelhou ao seu lado como sempre fazia no tempo em que morou ali e velava seu sono diariamente.
— Na verdade, eu gosto... Mas meu corpo não é muito quente... — Sanji respondeu com a voz bem mais baixa do que de costume. Ainda tentou entregar o casaco outra vez para o humano, mas ao ser ignorado ele apenas se agarrou ao tecido e desistiu.
Era inevitável que Sanji pensasse que Zoro apenas não queria o casaco por ser dele, já que ele continuava com aqueles trapos enrolados no corpo o esquentando, era um tanto humilhante. Ele tentou não se afetar com aquilo e agir normalmente, indo para o lado do mais novo e se ajoelhando no chão como de costume, dando espaço para que o humano não se sentisse pressionado.
— Bom, isso é óbvio, não? — Zoro falou enquanto encarava as sombras de ambos dançando no teto do quarto, muito nítidas já que a vela recém-acesa ainda queimava forte e Zoro agradecia mentalmente pelo seu calor próximo ao seu rosto. — Vampiros são basicamente corpos sem vida, frios como uma carcaça.
Ele conseguiu ouvir o suspiro do vampiro, mesmo que tenha sido um suspiro muito contido, já que estavam bastante próximos e um silêncio momentâneo se instalou até que finalmente ouvisse o loiro se dirigir a ele de novo.
— Meu corpo é um pouco diferente... — Sanji disse bem baixo e sentiu que o outro não se atentou a esse detalhe, isso até sentir aquela mão que parecia pegar fogo de tão quente tocando sua pele bastante gelada. Ele engoliu a seco e fechou os olhos, deixando que Zoro fizesse o que desejava com ele.
— Tem razão. — Zoro disse depois de impulsivamente estender a mão para tocar o rosto ao lado da cama. Ele já havia tocado Sanji outras vezes e sua pele naquelas ocasiões apenas parecera fria em contraste com a sua. E certamente nunca havia tocado outro vampiro assim antes, apenas deduzia sua temperatura.
Aquele humano intrigava Sanji. Há instantes afirmava que ele era basicamente um defunto gélido, para então tocar seu pescoço e incendiá-lo com seu calor viciante. Queria tocá-lo também e teve que apertar com muita força o tecido do casaco em suas mãos para não ceder a suas vontades impróprias. A última vez que se permitiu seguir o instinto, Zoro passou semanas sem voltar no castelo, ele precisava ter controle de seu próprio corpo.
— Há um calor. É pouco, mas consigo sentir graças aos meus dedos gelados por estarem expostos durante muito tempo. — Zoro disse ainda testando a ponta dos dedos naquela pele pálida, até seu pescoço, até subitamente recolher novamente sua mão e acomodá-la dentro do casaco, cruzando os braços e sentando na beirada da cama, passando a mão livre pelos cabelos verdes. Não sabia porque havia tocado voluntariamente o vampiro e não queria pensar no assunto.
Sanji sempre ficava muito quente com o toque do outro, ele não sabia se controlar e era normal que ficasse excitado com a situação. Era bom ser tocado sem nenhum ódio, apenas tocado levemente, quase como uma carícia. Mesmo que não fosse, a seus olhos era e o agradava. Ainda ajoelhado, ele se arrumou no meio das pernas do outro e ergueu o tronco apenas o suficiente para seu rosto ficar na altura das coxas grossas. Com os olhos brilhando ainda em azul, ele olhou para o rosto de Zoro enquanto tocava suavemente suas pernas.
— Posso chupar mais uma vez? — Perguntou ansioso, sem se dar conta do quão mal interpretado aquele pedido pudesse ser, especialmente por sua posição.
— Sacie sua fome. — As palavras saíram dos seus lábios antes que ele sequer pensasse sobre elas. A situação inteira era como um déjà vu. Estar naquela cama, conversar amigavelmente com o vampiro, ter aquele exato pedido feito naquela posição submissa. Como uma fresta no tempo, o fazendo voltar para quando sentia piedade e curiosidade pelo monstro à sua frente, ao invés de profundo desprezo.
Zoro abaixou a calça e levantou a roupa de baixo ao conceder o pedido, talvez as mãos acariciando levemente suas pernas tivessem coagido seu cérebro a retomar aquela posição perigosa. Tentava racionalizar na sua mente que não queria mais marcas em seus braços, que havia uma explicação racional perfeitamente plausível para aquilo, mas a ansiedade e antecipação pela mordida o entregavam completamente.
O corpo inteiro do vampiro estremecia com a ordem tão enfática para que o chupasse até que estivesse satisfeito. Acabou sem querer bastante excitado, e não no sentido de empolgação. Estava duro. O pouco sangue em seu corpo se reuniu em apenas uma parte em específico e ele levantou pulsante. Ele não hesitou em abocanhar a coxa grossa com vontade, chegando a ser um tanto animalesco. Mas não foram apenas as presas que foram enfiadas na pele morena, suas mãos se aproveitaram para tocá-lo bastante também, apertando cada milímetro de carne, extremamente possessivo. Seus dedos sem dúvidas ficariam marcados, demandando posse daquele corpo que o alimentava.
Enquanto era sugado, Zoro rapidamente começou a se perder nas sensações, como sempre acontecia, se excitando mais do que devia embora tentasse seu máximo focar os pensamentos nas sombras do teto e fingir que não estava gostando exatamente tanto quanto das outras vezes. Logo desejou não ter removido as espadas do lugar, porque agora queria desesperadamente algo em que se agarrar. As mãos tentavam apertar o colchão coberto por lençóis macios que escorregavam entre seus dedos, não sendo o bastante para firmá-lo, ancorá-lo em seu resto de sanidade.
Então, num ímpeto de loucura talvez, Zoro observou a cabeça loira que ocupava-se em sugar seu sangue e lembrou-se exatamente de onde havia ido parar seu aperto da última vez. Aquela em que muito mais do que suas coxas foram violadas, em que ambos se descontrolaram como animais tendo apenas as paredes frias do castelo como testemunha. Zoro levou a mão até o dourado daqueles cabelos, incentivando obscenamente as presas a se afundarem mais na carne, o vampiro a se engasgar com seu sangue.
Sanji estava sugando completamente diferente de todas as outras vezes. Não era só do sangue que ele estava em busca como também do prazer próprio. Sua boca sugava a carne apetitosa, com os dentes cravados bem fundo. Os lábios se apertavam naquela pele tão saborosa e era notável que ele estava beijando de língua a coxa do garoto. E isso fazia seu próprio pau esmagado por tantas camadas de tecido pulsar violentamente. Ele estava ofegante, havia muita saliva no ponto em que chupava e cada vez mais ele intensificava o ato. Até que ele sentiu. Zoro também estava excitado. Ao abrir os olhos por um segundo ele teve o vislumbre de uma chamativa ereção e desejou satisfazê-lo de todas as formas.
No entanto, antes mesmo que pudesse se movimentar, a mão forte pressionou sua cabeça contra a coxa suculenta, obrigando-o a dar mais atenção. Era delicioso. Ele chupava como nunca antes chupara, era quase um boquete, mesmo que nunca tivesse feito um de boa vontade. A mão pesada empurrava seu rosto contra a perna, mas facilmente o vampiro poderia retirá-la, só que ele não sentia nenhuma vontade disso.
Saber que Zoro estava com tesão o deixava ainda mais fora de si, não se lembrava a última vez que chupou alguém com tanto desejo. Sugou tanto sangue que sua aparência havia rapidamente voltado ao normal e aquilo já era mais do que o suficiente, mas a mão desesperada ainda o prendia e Sanji sabia bem o que ele realmente desejava. Então, sem hesitar, ele forçou a cabeça para trás ao soltar aquela parte musculosa da coxa e um segundo depois os dentes foram cravados novamente na parte com menos músculos, mais macia e sensível, praticamente na virilha.
Sentiu os dedos se enroscando em seu cabelo e o puxando contra o corpo e ele se deixava de bom grado ser impactado com tanta vontade. Os dentes apertavam com muita força a carne muito macia e, mesmo não drenando seu sangue, ou Zoro acabaria desmaiando, ele não parou de morder, dilacerando a pele sensível e a sugando com desejo, praticamente demonstrando o que faria caso fosse no pau pulsando ao lado de seu rosto.
O vampiro sugava com ganância, mas Zoro sentia que aquela situação era inteiramente diferente. Sim, podia sentir a fome pelo seu sangue, fome que fez com que pedisse por mais afinal. Mas era como se o vampiro não estivesse interessado em satisfazer-se e sim satisfazer Zoro. O que era absurdo, mas mesmo assim ele não questionou nada, deixou que tudo acontecesse como sempre. Na verdade, ao contrário de omissão, ele ofereceu incentivo, empurrando a cabeça loira repetidamente em direção a si, deturpando seu objetivo original de apenas se segurar ali.
Em momento algum Sanji parou de chupá-lo com gosto. Sim, sua mente havia chegado à conclusão de que aquilo era realmente um boquete, e ele estava feliz por ser permitido a chupar Zoro com tanto desejo. Talvez sua boca tenha deslizado, sem querer, até a virilha do outro e o sugado ali, sem nem mesmo mordê-lo. Não era sua culpa e sim de toda a saliva que escorria pela coxa grossa. Ou ao menos seria isso que ele diria caso fosse questionado, porque ele fez de propósito, desejou se aproximar da bela ereção, tomá-la em sua boca, mesmo que não o tenha feito.
Zoro devia ter parado, podia ter parado, quando soube que o vampiro não mais precisava do seu sangue, mas continuava apenas a fazer o que a sua mão impacientemente ordenava. Ele estava quase lá, a dor e a pele sendo sugada o bastante para fazer seu corpo se satisfazer sem sequer ser tocado onde interessava.
Se estava tão perto do objetivo, nada mais justo do que ir até o fim, do que fingir que o vampiro ainda se alimentava e aproveitar aquele prazer egoísta para si. Não havia problema em usar o vampiro para aquilo, seu cérebro dizia, embora ele mal precisasse de uma justificativa racional naquele momento, tão perdido no que faziam que pouco se importava.
Acabou por se despejar no tecido que ainda o cobria, apertando com mais força os cabelos macios e ouvindo os barulhos obscenos que vinham do loiro enquanto ele tinha sua pele morena capturada repetidamente, sem descanso. Ficou um tempo aéreo, a respiração descompassada, enquanto o vampiro lambia a área abusada até que estivesse dormente.
Sanji sentiu dor no momento que Zoro gozou, enchendo sua roupa com seu prazer. Seus olhos atentos admiraram a visão, achando-a completamente erótica. Sabia ser um pervertido, não era nenhuma novidade. Naquele momento, o outro estava tão fácil de ser tomado que ele poderia fazer o que quisesse, tomá-lo como posse, como homem. Mas o vampiro apenas continuou lambendo e chupando cada uma das mordidas dolorosas, coletando sua própria saliva e os restos de vestígio do sangue tão quente e saboroso.
Seria mentira se afirmasse não estar envergonhado, porque estava e muito. Sua língua sentiu um gosto novo, diferente do sangue, saliva e até mesmo do típico sabor que a pele morena possuía, ele deduziu que deveria ter lambido alguma gota de sêmen durante a limpeza. Não se importou realmente, era saboroso e se fosse do desejo do outro, lamberia cada gotinha com prazer.
Seus olhos se fixaram no rosto do moreno por alguns momentos antes de se afastar das pernas dele. Zoro estava claramente cansado, os lábios entre-abertos demonstrando o quão ofegante estava, nem conseguia se controlar. Era lindo. Desejou poder beijá-lo, então se aproximou, ficando próximo o suficiente para com uma única investida ter os lábios colados.
Então, a lembrança da expressão enojada do outro na vez em que lambeu o sangue em sua boca veio em sua mente e ele se sentiu mal o suficiente para se afastar.
— Descanse um pouco. — O loiro simplesmente disse, enquanto pegava o casaco que havia caído no chão e saia em passos rápidos do quarto, como se estivesse com medo da reação do outro quando saísse do transe do orgasmo. Honestamente, ele realmente estava com medo.
O vampiro se tocou ao chegar no próprio quarto. Apertando o casaco com o cheiro de Zoro, enquanto manipulava desesperadamente o pau e se lembrava do quão apertado seus cabelos foram segurados há pouco. Sanji gozou no momento que se lembrou da linda expressão de prazer estampada no rosto lindo de quem mais amava.
Enquanto isso, Zoro desabou na cama tentando não pensar sobre o que acabara de acontecer, tentando manter a mente vazia de qualquer vestígio de pensamento inconveniente. Apenas se concentrou em sua respiração pesada e na dormência que agora sentia na coxa.
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