Notas iniciais
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Sanji parecia confuso com o pedido de Zoro. Seus olhos, uma mistura estranhamente bonita do vermelho da fome de sangue e do azul puro e cristalino o olhavam como se não entendesse, ou não quisesse, Zoro não saberia dizer.

O caçador abaixou sua última peça de roupa, se deixando exposto e trouxe o rosto frio do vampiro para perto levemente, apenas para indicar claramente o que queria. Seu polegar encontrou a presa afiada do loiro e perfurou a carne de leve, o suficiente para fazer sangrar, derramando o sangue sobre sua ereção. Era um raciocínio estranho, mas Zoro queria que Sanji soubesse que ele queria que fizesse exatamente o que fazia com suas coxas, que usasse a boca com a mesma ternura e habilidade. Talvez ele tivesse amolecido porque antes se sentia extremamente fraco e impotente sendo tratado daquele jeito afetuoso, ou talvez apenas parou de se importar.

Sanji permaneceu alguns instantes paralisado tentando compreender aquela situação. Zoro queria que ele... Não, não era possível. O cabelo bagunçado deixava seus dois olhos visíveis e já haviam retornado ao azul, mas brilhavam ainda mais intensamente que o vermelho anterior. A atitude daquele garoto, a forma erótica que ele furou o próprio dedo e banhou sua ereção com sangue, convidativo, quase que implorando para que fosse chupado ali, tudo deixava o pobre vampiro fora de si. O cheiro forte de sangue misturado com o de sua intimidade fez o loiro salivar e ansiar por aquilo.

Com a língua para fora, ele a deslizou da base até a cabeça, rodeando lenta e sensualmente a glande melada. Era saboroso, bem mais do que um dia ele conseguiu imaginar. Agiu de forma instintiva quando segurou as coxas do jovem e as colocou em seus ombros, aproximando mais o rosto da ereção que pingava no abdômen.

Sanji continuou deslizando a língua por fora, sem colocá-lo na boca, até que Zoro o fez por ele, pegando seu cabelo e empurrando sua cabeça em sua virilha no momento que ia começar a penetrá-lo aos poucos. Sanji fechou os olhos, tentando não engasgar com a invasão. Pelo canto dos olhos as lágrimas escorreram e ele sabia o motivo da existência delas.

Era igual com seus irmãos, exatamente igual. Ele não conseguiu fazer nada, não conseguiu se mover ou chupar, apenas travou outra vez enquanto apertava os olhos em uma tentativa de não pensar no que acontecia, deixando que sua garganta fosse invadida.

Estava tentando se forçar a não pensar no passado, em todas as vezes que seus irmãos o prenderam e ele teve que fazer esse tipo de coisa grotesca. Que eles haviam usado sua boca como um depósito. Fazia centenas de anos, mas era como se o gosto amargo e desagradável ainda estivesse em sua língua. Não deveria ser assim.

Então, ele abriu os olhos, percebendo que não era a mesma coisa, que Zoro não estava se forçando nele e que desde o princípio Sanji queria fazer aquilo. Com extrema delicadeza ele afastou a mão de sua cabeça e o retirou de sua garganta, olhando no rosto do outro em uma súplica para que não fizesse novamente. Sanji queria chupá-lo, mas do jeito certo.

Enquanto uma das mãos abraçava uma das coxas, a outra arrumou seu longo cabelo dourado e o segurou para que não atrapalhasse, assim voltando a abocanhá-lo. Não totalmente, apenas o penetrava aos poucos, fazendo movimentos de sucção, sugando em especial a glande. Queria que se despejasse em sua boca por sentir prazer, não apenas por ter metido em um buraco. Sanji não queria mais ser apenas aquilo.

Zoro havia observando os olhos de Sanji e entendido imediatamente, como ele sempre fazia quando encarava aquele azul, como se toda a verdade sempre estivesse contida neles. A gentileza, a preocupação, a melancolia, tudo sobre aquele vampiro. O caçador era impaciente e teimoso, muitas vezes egoísta, mas ele iria deixar que o loiro fizesse da forma que preferia.

A única coisa de que Zoro discordava era que ainda queria segurar seus cabelos compridos, porque era o que sempre fazia, porque poderia sentir que tinha algum controle, mesmo que mínimo e ilusório. Mas também porque ele queria fazê-lo, gostava de tocá-lo. Substituiu então a mão do vampiro que segurava seus próprios cabelos, deixando a sua mão morena mantendo-os no lugar. Sanji o observou como se já esperasse que Zoro apenas ignorasse o que ele queria e voltasse a puxá-lo com força contra sua garganta, mas a mão do caçador se manteve no lugar.

O vampiro fazia igual Zoro imaginara, coletando sensualmente seu sangue igual fazia em suas coxas e era extremamente mais prazeroso, claro, mas não parecia em nada mais íntimo do que antes. Não parecia que estavam fazendo nada diferente do habitual, de todas aquelas vezes que marcara a pele de Zoro, vez após vez.

Era praticamente a mesma coisa, a diferença era o local, mas parecia igualmente exposto, e Sanji parecia se movimentar propositalmente prazerosamente, como sempre.

Zoro costumava achar que fosse um bicho de sete cabeças, um absurdo se expor tanto, toda sua fraqueza e desejo, mas não tinha se dado conta que isso já era o que fazia todo esse tempo. Talvez não fosse uma vergonha, afinal, uma barreira intransitável. Talvez fosse tão simples quanto ser honesto consigo mesmo e ele só precisasse ter feito isso antes, ter pedido aquilo há muito mais tempo.

— Morde. — Ele ordenou, quando já não podia mais aguentar aqueles movimentos lentos. Ainda não conseguia se fazer demonstrar seu prazer, se fazer perder completamente a fachada da expressão indiferente que sempre mostrava, mas pelo menos pediria pelo que queria. Ele queria intensidade, a dor familiar daquelas presas. — Forte. Eu quero forte.

A voz autoritária de Zoro fez o loiro o encarar em completa surpresa. Havia ouvido corretamente ou só eram seus instintos aflorados implorando pelo sangue exageradamente acumulado naquela parte dura? Sanji não sabia e estava com medo de fazer algo que não fosse do agrado do moreno, por mais que a forma que ele pulsava em sua boca parecia clamar por suas presas.

Mesmo assim, ele não fez de imediato. Continuou chupando com vontade, os movimentos fortes se tornando mais intensos, a boca sugando a extensão antes da glande como se tentasse deixar dormente aquele ponto.

Seus olhos em momento algum desviaram do rosto alheio, tentando ver qualquer mínima mudança em sua expressão. A mão forte era apertada em seu cabelo e Sanji percebeu que não estava mais com medo de que ele se forçasse em si, conseguindo confiar que o garoto acataria seu pedido. Ele sorriu de leve com o pensamento, era um estúpido e estava perdidamente apaixonado, daria tudo que ele quisesse.

— Faça logo...

Quando Zoro enfatizou sua ordem, Sanji permitiu que suas presas fossem enfiadas na pele tão melada e sensível, e fez forte, do jeito que o mais novo queria. A inserção de suas presas durou apenas um segundo, mas assim que as retirou continuou mordendo com força, fazendo pressão e sentindo o sangue escorrer para sua garganta. Quase no mesmo segundo, outro líquido viscoso se juntou ao sangue, os sabores se misturando. O prazer do jovem era ainda mais apetitoso que seu sangue.

O clímax de Zoro apenas se intensificava por ter o loiro ainda o estimulando. Ele havia se despejado tão rápido que mal podia acreditar, bastou uma simples mordida e sua visão nublou, seu cérebro embaralhou, entorpecido demais pela dor num lugar tão sensível.

Pela visão da criatura o devorando. Visão que sempre o repelia e atraía ao mesmo tempo, a lembrança de que era um alimento, que estava ali para dar seu próprio fluido vital ao vampiro, a confirmação do laço inquebrável entre eles, do que os prendia juntos para todo o sempre.

O vampiro continuou a chupá-lo sedento, engolindo-o em movimentos rápidos e um tanto desesperados. O gozo logo terminando de ser despejado e o sangue aos poucos cessando. Mesmo assim, Sanji continuou a chupá-lo até que estivesse flácido, desejando engolir cada gota que Zoro pudesse produzir.

Zoro achava que o vampiro parecia tão satisfeito e regozijado que era como se ele que tivesse sentido prazer, e não proporcionado. Era o mesmo tipo de olhar que Zoro via incontáveis vezes quando o vampiro trocava seus curativos, ou o observava comendo sua comida. Sempre como se tudo que ele quisesse fosse fazer bem a Zoro. O caçador impulsivamente levou seu dedo cortado àquela boca que deveria ser sua perdição, deveria ser maldita e monstruosa, mas era o oposto.

Sanji obedientemente limpou todo seu dedo melado de sangue, cuidando dele, se erguendo e se aproximando de seu rosto enquanto ainda olhava em seus olhos e beijava o dedo cortado até que estivesse limpo. Um mínimo e minúsculo toque de Zoro fazia o vampiro se derreter por completo. Havia ficado encantado com o toque leve em seu cabelo, da mesma forma que estava agora com o dedo em sua boca outra vez. Sanji o chupou, não de forma tão erótica como antes, apenas leve e delicadamente, mais distribuindo beijos do que sugando.

Seu corpo acabou se ajoelhando por cima do menor, enquanto se aproximava sem pensar duas vezes, hipnotizado pelo tratamento não agressivo. Uma de suas mãos tocou delicadamente o rosto moreno, vendo a expressão surpresa se formar nele. Sanji não enxergou o nojo e desprezo da última e única vez que havia o beijado, mas só de lembrar fez com que parasse. Zoro iria odiá-lo.

Por um momento Zoro o viu se inclinar para frente, mas o vampiro logo recuou hesitante, o que fez Zoro o puxar de volta com assertividade. Olhou no fundo dos olhos azuis, tão puros, tão verdadeiros, e viu receio, desejo, conflito. E o beijou com força e pouco cuidado, assim como tudo o que fazia, seus lábios rudes pressionando a boca imaculada como mármore, ainda com seu odor, com seu gosto, o que não o enojava.

Ao ser beijado, Sanji ainda pensava que era apenas um sonho impossível, que tudo que estava acontecendo não passava de um devaneio de sua mente. As lágrimas escorreram por seu rosto enquanto ele se entregava ao ato, deixando o corpo cair sobre o menor e segurando com firmeza os fios verdes em sua nuca. Era tudo que ele queria, beijá-lo, amá-lo. Poder ficar ao lado da pessoa que amava, mesmo sendo uma ilusão.

Sua ereção acabou sendo pressionada pela coxa do outro e Sanji se esfregou sem pudor, em busca de prazer e alívio. Poder enfim sentir o corpo quente do moreno contra o seu. Ele se entregou facilmente, não hesitando em nenhum instante, crente de que aquilo nada mais era do que o melhor sonho que já teve.

Mas Zoro não gostava nem um pouco daquela posição. Se sentia impotente, atacado e preso. Ele precisava da sua ilusão de controle, precisava do mínimo para não perder completamente a dignidade. Então virou o vampiro, prendendo suas mãos no colchão com as suas e trocando-os de posição. Automaticamente se sentiu estúpido por isso. Sanji ainda tentava pateticamente se esfregar em si, mas não funcionaria do mesmo jeito, então Zoro teria que fazer por ele. Era tão fácil, entretanto, que sequer era um esforço. Ele mal movia a perna e o vampiro já reagia, intensificando o beijo, arfando e pedindo por mais enquanto erguia o quadril.

Sanji sentia o caçador pressionando o corpo pesado sobre o seu, uma de suas mãos era segurada ao lado de seu rosto, provavelmente o jovem sequer havia notado aquilo, mas Sanji não o deixaria fugir, entrelaçou os dedos e os apertou para mantê-lo no lugar. A boca voltou a devorar a sua, o joelho encostava em sua ereção e Sanji não conseguiu conter os gemidos que escapavam em meio ao beijo, se desesperando pelo outro.

— Zoro, Zoro... Zoro... — Seu braço livre se infiltrou por dentro das roupas superiores do humano e a mão agarrou seus músculos, enquanto ele sentia o prazer enlouquecedor que era ter o menor pressionando seu corpo, o calor, o cheiro.

— Cale a boca. — Zoro disse ao ouvir seu nome ser balbuciado pela voz de Sanji incontáveis vezes, se sentindo estranho por ouvir seu próprio nome na voz dele daquela forma, quase envergonhado.

O vampiro não deu ouvidos e Zoro continuava a ouvir apenas aquela palavra repetida enquanto continuavam a se beijar sem parar, completamente desesperados. Zoro começou a perceber que desde que beijaram-se pela primeira vez ele tinha essa curiosidade. De saber o gosto de Sanji, de como seria realmente beijá-lo. Havia muito do seu próprio gosto, óbvio, seu sangue, seu prazer, tudo ainda presente naquela boca que o beijava. E ainda mais sangue que jorrava graças às vezes que sua língua e seus lábios haviam encontrado as presas de Sanji naquele beijo descoordenado. Bem no fundo, entretanto, Zoro podia sentir o gosto que era particular do vampiro e só dele. Queria buscá-lo, alcançá-lo e degustá-lo. Queria beijar Sanji quando não tivesse acabado de se alimentar, quando seu próprio sabor forte e férreo não mascarasse o dele.

Sanji se agarrava com força nos músculos do jovem, tentando memorizar cada pedaço de pele em sua mente, achando que aquilo jamais fosse acontecer novamente, precisava aproveitar. Desde a primeira vez, o sangue de Zoro era viciante para aquele vampiro. Sanji achava que isso era apenas por ser um monstro, mas o fato de ter sentido o mesmo com o sabor do prazer dele contradizia sua lógica. E agora que podia finalmente se esbaldar com o gosto da boca do garoto, que ansiou durante tantos meses, ele sabia que não era por ser um monstro faminto, era por ser Zoro, por ficar enlouquecido apenas por ele.

O joelho do jovem ainda pressionava sua ereção dolorida e ele tentava se esfregar contra aquela parte também, em busca de mais fricção, mais contato. Seu nível de excitação estava muito elevado para conseguir aguentar mais, então em minutos estava se despejando em suas roupas, gemendo enlouquecido pelo nome do outro.

Zoro sequer notou quando o vampiro parou de se mover contra sua coxa, só notou que havia acabado quando Sanji estava muito aéreo até mesmo para continuar o beijo. Ainda estava um pouco surpreso com aquilo, com a excitação, desde que o vampiro havia começado a roçar em sua perna. Claro, Sanji já havia até mesmo o penetrado naquela ocasião específica, mas naquele dia o vampiro parecia estar com tanto ódio que Zoro apenas imaginou que fosse sobre isso, sobre puni-lo, sobre descarregar sua raiva.

Agora parecia que ele havia se excitado ao dar prazer a ele e Zoro imaginava se isso havia acontecido em todas as vezes, se Sanji também finalizava suas noites frustrado e sozinho.

— Você sempre... — Zoro tentou começar a pergunta sem saber exatamente como exprimir aquilo. — Sempre fica nesse estado?

O vampiro ainda estava com o corpo fraco, a mão que agarrava o mais novo não conseguiu se sustentar e voltou a cair na cama, no entanto, as mãos com os dedos entrelaçados permaneciam da mesma forma, como se tivessem esquecido completamente do que faziam. Havia um leve rubor em seu rosto, sem dúvidas culpa da temperatura elevada do outro ter sido transmitida para seu corpo. Era vergonhoso admitir, mas Zoro estava certo. Em todas as vezes ele ficava excitado.

— Sim... Desde que fizemos o pacto... — Sanji fechou os olhos e esperou pela reação do moreno, sabendo que não seria amigável. Nunca era. Se lembrava bem do que aconteceu quando o beijou. Ou quando cederam ao desejo e transaram como dois animais. Assim como... A reação de Zoro ao agradecer por permitir que um monstro tomasse seu sangue.

Mas a reação negativa nunca veio.

— Você é um vampiro estranho. — Zoro disse, apenas.

Embora fosse estranho para Zoro chamá-lo assim agora, reconhecer sua natureza vampírica enquanto o beijava novamente e deixando seu peso cair na cama, até que estivessem de frente, os lábios se movendo mais lentamente que antes, sem o desespero, apenas duas bocas sentindo uma a outra.

Zoro conseguia perceber a diferença de temperatura entre os dois, a boca de Sanji sendo mais fria que a sua, mas aquilo não era ruim. Ele apenas fechava os olhos e tentava esquecer quem Sanji era e porque supostamente deveria odiá-lo. Não queria pensar em nada, só queria continuar ali.

Ele não tinha consciência de quanto tempo passaram daquele jeito, talvez até os lábios de ambos estarem dormentes. Em seu último vestígio de consciência, ele percebeu que suas mãos estavam grudadas, mas não realmente se incomodou. Zoro logo adormeceu e parou de se mexer. Mas ele dormiu bem.

Mesmo que estivesse bastante frio naquela noite, Zoro não acordou batendo os dentes durante a noite, apenas dormiu sereno e tranquilo, sentindo o cheiro de Sanji, que havia tentado por tanto tempo afastar-se de si. Sem sonhos amargos de um passado que queria esquecer. A mente vazia e em paz.

As atitudes de Zoro começavam a confundir a mente do vampiro. Estava esperando um soco, palavras cruéis ou qualquer outro insulto, não mais beijos, não Zoro se deitando ao seu lado e se permitindo ser embalado pelo sono, baixando a guarda e ficando tão frágil na presença de uma aberração.

Sanji não conseguiu se mover, apenas continuou durante o resto da noite observando a expressão calma no rosto do jovem, admirando seus traços, seu cabelo. O máximo que se movimentou foi para retirar o pesado casaco de pele de seu corpo e jogá-lo em cima do outro, para que se mantivesse minimamente aquecido, já que Sanji abraçá-lo não teria muita utilidade.

Sanji cogitou continuar ali até que Zoro acordasse, mas o risco dos raios solares invadirem alguma brecha do castelo o aterrorizava. Antigamente, ele não se importaria de virar pó, de correr o risco de ser atingido e morrer carbonizado, mas pela primeira vez ele pensou que não desejava morrer. Desejou poder se encontrar com o moreno outra vez, quem sabe beijá-lo e fazer amor, como nos romances que tanto amava.