Notas iniciais
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Zoro estava demorando um pouco para achar o castelo. Havia se acostumado tanto com a égua que nem se lembrava mais como sempre fazia para retornar àquele lugar, se é que realmente existia um método.

A caçada havia sido razoavelmente produtiva, havia conseguido uma boa quantidade de moedas depois de livrar um pequeno vilarejo de uma vampira. Nada demais, embora Zoro se agradou em perceber que conseguiu decapitá-la quase sem esforço. Seu ego de espadachim se inflava a cada uma dessas lutas, sempre o tornando um pouquinho mais arrogante do que já era, mesmo sempre sendo alertado por Sanji que excesso de confiança em uma luta com seus iguais era algo perigoso. Zoro talvez fosse um pouco teimoso e imaturo demais para dar ouvidos.

Chegou ao castelo ao amanhecer e avistou a égua bebendo água, parecendo muito satisfeita. Ela notou sua presença e deixou que acariciasse sua crina, que Zoro notou que estava bem mais limpa e penteada que o normal. Não duvidava que o vampiro tivesse gastado água e tempo arrumando aquele cavalo como se fosse uma dama, o que fez Zoro rir um pouco consigo mesmo. Deixou para ela algumas cenouras que comprou com parte do dinheiro que ganhou e rumou ao castelo.

Sanji só acordaria à noite, então Zoro provavelmente passaria o dia alternando entre treinar e cochilar, como de costume. Passou na cozinha para deixar alguns ingredientes que havia comprado junto com as cenouras, acreditando que Sanji talvez apreciaria, e notou que havia algo acima da mesa. Um prato de comida bastante cheio coberto, ainda morno, com talheres e uma garrafa de bebida, exatamente o tipo de arranjo que o vampiro faria para ele quando estava ali. Havia um bilhete ao lado, que Zoro não entenderia de todo modo, mas facilmente podia deduzir que aquilo era para ele.

Sanji não tinha como saber quando ele voltaria, o que significava que provavelmente havia feito isso todos os dias desde que ele partiu, sempre deixando a mesa pronta para Zoro antes de ir dormir, para caso o caçador chegasse durante o dia e tivesse fome. O que era tão afetuoso que o fazia se assustar um pouco. Essas demonstrações de gentileza exagerada do vampiro sempre faziam isso.

— Vampiro idiota... — Ele murmurou consigo sentando à mesa.

Depois de esperar todos aqueles dias, Sanji, ao acordar, finalmente sentiu a presença de Zoro, seu cheiro, chegando até a ouvir os batimentos do coração quente do garoto. Ele não conseguiu evitar de um sorriso nascer em seu rosto, sentindo seu próprio coração acelerar ao pensar que o jovem realmente havia voltado. Estava feliz e antes de encontrar Zoro, passou pela cozinha e viu que havia comido o prato que deixava preparado todo dia antes de dormir, até mesmo havia lavado a pouca louça que usara durante a refeição. No fim, Zoro até que era um bom garoto quando queria.

Sanji o encontrou adormecido no meio do corredor e se já não o conhecesse bem o bastante para saber que apenas não conseguiu encontrar um quarto, acharia que ele havia caído de cansaço e não pôde esperar para chegar em uma cama. Era fofo, se fosse parar para pensar, sempre se encantava vendo o jovem indo para a direção oposta que deveria. Ficou alguns minutos em silêncio apenas o observando, pensando se deveria levá-lo para uma confortável cama ou se só deveria acordá-lo. Não que tivesse alguma forma de transportá-lo sem que a guarda sempre atenta do mais novo não o fizesse despertar.

Com um suspiro demonstrando sua frustração, Sanji resolveu tentar e tomou o corpo menor em seus braços com todo cuidado do mundo. Zoro estava bem mais pesado do que quando se conheceram, assim como seu corpo estava maior e mais musculoso, nem poderia mais chamá-lo de pirralho. Para sua surpresa, o humano apenas resmungou inconsciente e não acordou em momento algum durante o trajeto curto até o quarto mais próximo, que acabou sendo o de Sanji. O depositou na cama e se sentou na beirada, ficando em silêncio enquanto o observava dormir por tempo suficiente para que pudesse fazer o que quisesse com ele, o que não aconteceria.

Assim que Zoro acordou, estranhou estar numa cama porque realmente não se lembrava de ter conseguido achar um quarto. A última coisa de que tinha lembrança era ter ficado entediado o suficiente para começar a procurar o calabouço do vampiro, como havia se tornado seu costume sempre que estava ali durante o dia, mas não o encontrou, então depois de passar muito tempo andando em círculos apenas desistiu e dormiu no chão de pedra do corredor.

Não ficou surpreso com a presença de Sanji o vigiando, já era rotina ser recebido pelos olhos azuis assim que abria os seus naquele castelo. Ele costumava ser mais sensível à presença do vampiro, acordar durante a noite, mas ultimamente era como se seus sentidos nem o alertassem mais. O que fazia Zoro refletir se deveria tentar treinar isso, tentar fortalecer seus instintos, se era perigoso continuar dessa forma. Embora o sorriso que iluminava a face pálida de Sanji toda vez que notava que ele estava acordado o dizia o contrário.

— Noite? — Zoro perguntou enquanto bocejava e o vampiro assentiu com a cabeça enquanto acendia uma vela para a sua comodidade, o que fez Zoro perceber que aquele aposento era distinto entre os demais que havia visto na casa, que pareciam apenas quartos de hóspedes iguais, cópias de si mesmos. Estava deitado numa cama de casal, com cortinas ao redor da cama, era um quarto mais rico e aconchegante, de modo que intrigava ainda mais o fato de Sanji usar uma masmorra fria para dormir. — Esse é seu quarto?

— Sim. — Sanji balançou a cabeça em positivo e continuou observando o garoto, as pupilas se dilatando mais e mais a cada mínimo movimento que Zoro fazia, por poder sentir o cheiro que ele exalava, quase conseguir ver o sangue correndo por suas veias.

Estava com fome, mas ainda não se sentia muito à vontade para ficar pedindo pelo sangue do humano, sempre tentando ignorar o desejo em cravar seus dentes naquele pescoço moreno que parecia ter veias tão apetitosas. Sanji odiava seu próprio comportamento, preferia se alimentar apenas quando o outro oferecia, mas naquele instante parecia que caso se descontrolasse por um momento, avançaria direto na jugular do outro. Ele balançou a cabeça para afastar o pensamento absurdo, jamais faria algo tão primitivo.

— Então, como foi a caçada?

— Rápida. Nem deu para suar. — Zoro gabou-se com um sorriso absolutamente convencido, o único tipo de sorriso que deixava Sanji ver.

O vampiro sempre perguntava isso, todas as vezes que ele voltava, mesmo que Zoro tivesse certeza que ele não gostava muito de ouvir. Sanji não parecia gostar de ouvir sobre quando ele quase era morto, mas muito menos sobre como ele estraçalhava os vampiros, não que Zoro fosse entender aquelas reações. Uma caçada era apenas isso para ele, uma luta, uma vitória.

— Você está com fome. — Não era uma pergunta. Zoro havia melhorado em ler as expressões do loiro e já fazia alguns meses que conseguia dizer com certa precisão quando ele estava precisando de sangue. Antes ele costumava ser bem ruim nisso, oferecendo quando o vampiro estava cheio ou não se importando quando ele estava salivando, mas agora era quase natural saber. — Quer beber?

Era uma pergunta retórica, e a confirmação de Sanji era quase cômica de tão desesperada. Já fazia uma semana, o vampiro devia estar no seu limite, esperando que voltasse e louco para se alimentar, mas mesmo assim Sanji nunca se forçava nele, mesmo quando Zoro sabia que estava faminto. O caçador tirou a calça e levantou sua roupa de baixo, como de costume, para dar acesso ao vampiro. Suas coxas a essa altura estavam completamente cheias de marcas das mordidas que eram dadas ali repetidamente há tanto tempo, as cicatrizes no formato dos dentes de Sanji marcavam toda sua pele morena, não deixando dúvidas do acordo entre eles

Não era algo consciente quando os olhos de Sanji perdiam o tom azul céu e se transformavam em um escarlate intenso e brilhante. Por mais que odiasse, não é como se fosse possível controlar, felizmente era raro acontecer, apenas quando estava se alimentando, ou começando a sentir fome além da que conseguia aguentar. A única reação do vampiro antes de se deitar submisso no meio das pernas de Zoro fora engolir a seco, se excitando em demasiado para sugar o sangue apetitoso.

E como de costume, Sanji não o fazia de imediato. Ele se demorava observando as coxas que estavam cada vez mais grossas, percorria as mãos hábeis pelos músculos, apertava, arranhava, desejava. Não era só o sangue que o enlouquecia, todo o corpo moreno o excitava. Sanji o desejava há muito e só de poder se aproximar de uma parte tão íntima ele sabia ser uma péssima ideia. Desde o começo percebeu que a genialidade de Zoro ao ordenar que o sugasse em um ponto não visível era estúpida e sem sentido, mas na primeira vez não pensou que fosse em um local tão próximo de sua intimidade.

Sanji cheirou a pele morena, suas mãos afastaram bem as pernas e levantou a que estava mais próxima, passando a língua pelos músculos tensionados. Ele sempre fazia esse tipo de coisa com os olhos fixos no rosto do jovem, como se esperasse por uma reação de prazer. O vampiro deu a primeira mordida bem próxima do joelho, fincando suas presas e o sugando de forma gulosa. Mas assim que o sangue parava de jorrar em abundância, ele mudava de lugar e ia morder em outros pontos, devorando com desejo a coxa de Zoro. As duas mãos seguravam com firmeza as coxas, uma delas a envolvendo e a outra apenas a mantendo pressionada para que não fossem juntadas.

A saliva de sua boca escorria para cama a cada vez que se afastava, estava em sua terceira mordida, dessa vez um pouco antes do pequeno local que mais gostava, que era mais macio e o sangue mais quente, próximo da virilha, onde sempre podia sentir a ereção do outro, em que poderia se iludir de que ser mordido e chupado por um vampiro excitava aquele caçador. Sua língua sempre brincava com os pequenos furos, rodeando-os enquanto ele terminava com a limpeza de cada mordida.

Sanji se aproximou em demasiado da ereção de Zoro, notando o tecido já bastante molhado. Era nesses momentos que mais se sentia excitado. Sugar o sangue da virilha do moreno o deixava duro. Só de pensar em fazê-lo o excitava. Não negava que era um pervertido e desde o começo tenha feito atos obscenos com aquelas coxas, mas não era sua culpa, não foi Sanji quem teve uma genial ideia de ser sugado nas coxas. Ele cravava com bem mais vontade suas presas naquele ponto sensível, deixando mais uma de suas dezenas de marcas que banhavam o corpo moreno. Era lindo. Ainda mais lindo como Zoro tentava fingir que não reagia, enquanto o pau duro encostando no rosto do loiro pulsava cada vez mais forte. Zoro gostava de ser chupado ali, não foram poucas as vezes em que Sanji provou sua teoria.

Mesmo que Sanji estivesse faminto o suficiente para se alimentar mais rápido do que de costume, Zoro já estava bastante excitado. Isso não era uma novidade, muito pelo contrário, era praticamente a regra. No começo, o caçador tentava racionalizar e pensar que era justo que ganhasse algum prazer em troca do alimento que proporcionava, muito embora ultimamente nem precisasse mais recorrer a tal raciocínio.

O vampiro às vezes parecia fazer aquilo de propósito, com uma sensualidade exagerada, estimulando sua carne incessantemente, o fazendo arfar com mordidas profundas e uma limpeza meticulosa de qualquer vestígio de carmim que permanecesse na pele morena, pressionando sua língua gentilmente enquanto capturava tudo, enquanto roubava todo para si. Sanji nunca parecia ter pressa, mesmo quando estava com fome, nunca se alimentava de qualquer jeito ou sem cuidado, era sempre assim e Zoro se acostumou àquele tratamento.

Talvez Sanji gostasse um pouco de ver aquele garoto se contorcendo em busca de um orgasmo. Zoro sempre tentava fingir não reagir, mesmo com a ereção molhada roçando no rosto do vampiro, mas o fato do humano jamais pedir para que o aliviasse, fazia o loiro simplesmente desejar deixá-lo sozinho e excitado para que fizesse tudo por si mesmo. Provavelmente essa era a característica mais cruel daquele vampiro tão fora do comum.

Toda vez que o abandonava e sabia que Zoro estava pulsando em desespero, Sanji dava seu melhor para esconder sua presença ao sair do quarto, mas sempre ficava atrás da porta para ouvir os ruídos emitidos pela boca do outro, os movimentos molhados e desesperados que ele fazia com a mão. Era excitante. Já havia se acostumado a gozar segundos depois de ouvir o jovem se entregando ao prazer. Se Zoro soubesse que fazia de propósito certamente teria sua cabeça cortada.

Era uma rotina Zoro se excitar com aquilo, tanto que o caçador mal tentava compreender e se censurar à essa altura, era inútil uma vez que já havia perdido a conta de quantas vezes tinha gozado enquanto tinha as coxas mordidas e sugadas. Por vezes, entretanto, Sanji acabava de se alimentar antes que Zoro tivesse a chance de se despejar, ou a dor não era intensa o suficiente.

Então ele incentivava o vampiro a continuar mais um pouco ou, na maioria das vezes, continuava frustrado e excitado e acabava com aquilo sozinho, se tocando quando o outro o deixava a sós. Era exatamente o que ia acontecer agora que o vampiro já se afastava de si e Zoro não estava nem perto de se sentir aliviado, sua ereção contida e clamando por alívio. Mas Zoro não queria se aliviar sozinho e escondido. Então inconsequentemente ele direcionou até seu volume o rosto do vampiro que ainda lambia os lábios ensanguentados.

— Aqui. — O caçador realmente não sabia o que diabos estava fazendo. Não conseguia reconhecer se aquele já era um desejo que vinha nutrindo há algum tempo ou se era um impulso do momento...