Young Bones
1 Prólogo - Young Bones
Notas iniciais
Pelo que parecia ser a terceira vez que eu olhava-me no espelho com ódio, sentindo ódio de cada pedacinho de meu rosto, de cada maldito traço bonito que houvesse sobrado. Um olho roxo, tornozelo e flanco direito pulsando de dor. A marca do anel ainda encontrava-se em meu dedo. “Um para a felicidade nunca encontrada, dois para uma vida solitária e o terceiro...”.
- Abra essa porta Jazz, você sabe que não vai conseguir sair dessa. – A voz era grossa, porém melodiosa, uma das mais doces vozes a se ouvir antes de morrer.
Olhei para a porta e novamente para o espelho e, com uma ideia repentina e impulsiva, característica de muitas das minhas ideias, soquei o espelho, sentindo a dor que se espalhava de meus dedos já feridos e tendo a vaga sensação das lágrimas descendo por minhas bochechas rosadas. E pela última vez em minha vida rezava, rezava pelo Deus que um dia acreditei. Por fim, peguei o caco de vidro. Mirei-o em minha jugular.
Acredite, eu nunca fui egoísta, fiz tudo por um propósito. Por esse motivo o diário deve começar no ponto crítico, jurei a mim mesma que faria isso. Jurei por ele, o último dos meus. Espero que entendam por que faço isso.
Não.
Na verdade eu tenho quase certeza absoluta que vocês nem ao menos se dariam ao trabalho de lerem o diário de uma garota. Agora espero que a culpa que eu carreguei, seja removida dos meus ombros. Já se foram três. Uma hora eles viriam atrás de mim.
“E o terceiro para a honra seus eternos ossos na hora da morte.”
Todos nós somos iguais na morte, sempre, o fim é igual assim como o começo de nossas vidas. O meio é que importa.
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