Young Blood
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Notas iniciais
You'll find me in the lonely hearts
Under "I'm after a brand new start
And I don't belong to anyone"
They call me homewrecker
Annie.
Sua chamada está sendo encaminhada para caixa de mensagens e serácobradaáposdosi...
DESLIGA SAPORRA!
Suspirei, puta de raiva.
Já tinha até comido a sobremesa, e Lee e Mich não chegavam. Como sempre. Deixei a cabeça pender pra trás, bufando de raiva.
O céu estava apagado, e o vento úmido balançava meus curtos cabelos. As luzes do bistrô ao ar livre que estávamos iluminava pouco os rostos sentados a mesa. A rua estava deserta, exceto por alguns comércios que se estendiam ao longo dela. Ainda com as luminárias de fogo, sentia um frio descomunal por estar apenas de bata estampada e botas de salto que batiam na minha coxa. Afinal, era pra eu estar numa boate enchendo a cara, não em um restaurante na esquina da minha casa.
Na mesa posta à calçada, cheia de louças sujas e de desilusões amorosas, conversavam, sentados e fartos, o pessoal que estava lá em casa, pais, primos e...
— Essa Annie tá toda vampira! Pensa que esparadrapo vai esconder o bife que tirou do Percy? Não mesmo, querida!— Grover não parava de tirar uma com a minha cara. A qualquer momento, eu me levantaria e daria um socão na cara dele. Ou o sufocaria com a toquinha rastafári.
— Só o bife?— Hay interagia muito bem com ele. O cabelo cacheado ia de um lado para o outro, volumoso, sincronizado com sua risada.— Foi o filé, a picanha, a alcatra...— eles desembestaram a rir, todos amiguinhos.
Eu não estava pra isso. Eu estava só pra álcool essa noite. Minha dor de cabeça só aumentava com comentários desnecessários. Além, de uma série de outros acontecimentos que preferiria nem relembrar. Me segurava pra não ficar rosnando.
— Para, Grover! Chega de os sacanear!— Juníper esbugalhou os olhos, revoltada e num sentido de alerta. Venha cá, linda, me abrace apertado.
Juníper era, realmente muito linda, às vezes eu ficava hipnotizada com sua beleza. Mas não no meu lado produtor de testosterona, eu ficava até com um pouco de ciúmes da sua simplicidade e graciosidade. E dos seus cabelos avermelhados e olhos azuis que sempre quis ter. Queria ser igual a ela um dia, uma princesinha, não a ogra que eu era.
— É para ele falar, mesmo! Vê se cria vergonha na cara desses dois! Pelo amor de Afrodite, estamos cansados de enrolação!— Nico resmungou, tomando o resto da cerveja, cabisbaixo.
Thalia estava doente, gripada que não conseguia se levantar, minha menina, e tinha deixado eu e ele na mão, no bom sentido da coisa, ela não tinha vindo conosco. Nem ela, nem Jay e Pips, que tinha chegado, mas estava na sua sessãobesteira com o namorado, nem fui incomodar.
Eu queria desabafar com alguém, eu queria gritar e socar alguma coisa, imediatamente. Eu sentia meu estômago pulando de ódio. Tentava até, bem forçadamente, controlar minha respiração.
Percy murmurou um como se fosse fácil, desdenhando. Sentávamos frente à frente, na ponta da mesa.
Eu ficara completamente mais irritada. Muito irritada com a irritação irritadiça que ele ficara. Eu precisava me embriagar o mais rápido possível, me sentia sufocada. Juntei minhas sobrancelhas, enquanto o encarava, brava, com as narinas dilatadas, franzi os lábios e balancei a cabeça.
Os que estavam na conversa se calaram, sentindo a tensão palpável no ar. Palpável nada, ela despencara sobre nós e meu showzinho com Percy. E ele devia sentir tanta raiva quanto eu sentia, mas parecia querer me provocar com aquela blusa de botões, desleixadamente, jogado no seu peitoral bronzeado, os olhos intimidadores, como se fosse me prensar na parede e me fazer implorar por seu perdão. Eu sentia uma vontade inebriante de atacar aqueles lábios, contraídos num pequeno beiço desafiador.
Foco, eu estou com raiva dele.
Não tínhamos nos falado muito desde de que saímos do apartamento. Discutíamos sobre eu sair pra beber com meus amigos e a promiscuidade da minha roupa. Ele conseguiu, perfeitamente, acabar com meu dia com seu ataque machista, bem afeminado, poderia confessar.
— Que graça teria se fosse fácil?— Juníper pôs a mão no seu ombros.
— Se eu fosse você, cara...— Leo balançava a cabeça, sonhador fazendo um barulho escroto com a línguas e esfregando as mãos. E não pude deixar de rir.
— Valdez, tu é muito mulherengo— Frank disse, indignado, mas sorria abertamente, inclinado para ele.— Você deu em cima até da garçonete.
— Mulherengo que não pega ninguém!— Bianca sussurrou, tossindo falsamente, se cobrindo com o cabelo.
Todos caíram na gargalhada, esquecendo o clima ruim.
— E meu eterno vai tomar no cú pra todos você— Leo levantou cotocos ao alto.
— Vamos já resolver esse probleminha...— balancei as sobrancelhas e lambi os lábios, toscamente.
Frank e Hazel começava a chorar de rir. Nico e Bianca tinha uma risada idêntica, pareciam hienas. Percy, como sempre, dava tapinhas na mesa. Leo se inclinava na mesa pra me beijar, com um bico extremamente exagerado, mas um barulho abafado interrompeu nosso momento super romântico.
Dois faróis acenderam no fim da rua, de onde as batidas, agora, com um ritmo compreensível, vinham. Reconheci a voz do Usher, numa das minhas músicas favoritas, um Cadillac vermelho e envernizado sem capota parou atrás de Percy, enquanto três gorilas no cio cantavam junto ao rádio a plenos pulmões.
Cause baby tonight,
The DJ got us falling in love again
Yeah, baby tonight,
The DJ got us falling in love again
So dance, dance, like it's the last,
Last night of your life, life
Gonna get you right
Cause baby tonight,
The DJ got us falling in love again
Soltei uma gargalhada espontânea, e me levantei de primeira, pegando minha bolsa de lado. E dei meu maior sorriso do dia, com o humor renovado.
No carro, Lee dirigia, os cabelos loiros bagunçados pelo vento e camisa xadrez. Mich, o moreno mais gentil e provável o mais bêbado, sentava na porta do passageiro. E atrás, uma pessoa que não via a tempos, um antigo amigo querido. Jake Mason, das classes de espanhol e álgebra avançada, os cabelos pretos e os olhos mel como eu me lembrava, devia ter um 2 metros de altura, e sorria abertamente pras minhas coxas. Ele abaixou o volume da música ensurdecedora, ainda me olhando divertido.
— Que inocência do seu pai te fazer tão gostosa, hein, Annabeth!— abriu os braços, impressionado.
— Culpe-me se eu sou um bom partido— meu pai gritou, ofendido, balançando os cabelos longos.
— SOGRÃO!— os três gritaram, fazendo meu pai rir.
Meu coração apertou. Eu os amava demais, nunca os deixariam me escapar de novo. E que saudade eu estava! Eu queria os agarrar como tias chatas faziam e apertar suas bochechas!
— Porra! Pensava que vocês iam me dar um bolo...— afastei a cadeira, com meus quadris pedindo pra rebolar na batida da música. Os outros olhavam pra eles, prestando atenção em cada mínimo detalhe.
Principalmente, Percy. Agora, ele iria descobrir o que era sofrer por amor, ninguém o mandara abrir a boca pra falar merda pra mim. Não custava apenas pedir pra que ficasse com ele? Precisava daquelas palavras? Pois agora, estaria fazendo jus à elas.
— Só se for o nosso do casamento, Aninha— mordi o lábio com o nosso velho apelido, Lee adorava inventar. Droga, eu sentia tanta falta dos meus meninos lindos. Eram bem mais que velhos amigos. Eram meus irmãozinhos, por mais das nossas provocações.— Se eu fizesse um negócio desse com você, eu mesmo me jogava na cadeia por crime de federal! Me amordaçava e me estuprava com cano PVC por deixar você esperando, minha deusa!
O olhar sombrio de Percy estava sobre mim. O ignorei com mais arrogância que eu consegui desenterrar da minha personalidade egocêntrica.
— O bonitão aí— Mich apontou pra Lee, com uma garrafa verde na mão.— Ficou horas tentando achar uma camisa que combinasse com seus olhos.
Ouvi um rosnado baixinho.
— A propósito... Você está linda— olhei Mich reprovadora.— Correção. Perdão. Você é linda.
Quase morria desidratada de tanto que era secada por eles. Nós quatro caímos no riso, numa interna velha.
— Trouxe sua malinha pra dormir lá em casa?— Jake perguntou com seu melhor e mais safado sorriso.
— Tenho certeza que você me empresta uma roupa— pisquei pra ele e sorri de lado.
Percy roubou a nova cerveja de Nico que o garçom ia colocar na mesa e bebeu tudo no gargalo, em dois segundos.
— Que os Zeus nos abençoe essa noite!— Lee estendeu as mãos pro céu, as bochechas rígidas em alegria.
— Opa!— tio Zeus deu um aceno se apresentando.— Abençoados— prolongou o s, nós fazendo rir.
Percy colocou a garrafa vazia na mesa, e jurava que ela tinha trincado.
— We're from the blocka blocka o polaca— Mich me chamou com o dedo.
Porém meu pai interveio e levantou os braços pedindo atenção.
— Não quero ligações de madrugada, dizendo que minha filha está em coma alcoólico, pra me tirar do meu sono de beleza. Entendido?— meu pai alertou, divertindo mas ciumento e preocupado como sempre.
— Sim, senhor— disseram os três, batendo continência, simultaneamente.
Rebolei em direção ao carro. Passei mais lentamente, rente a Percy, empinado mais a bunda. Nossos olhos se encontraram, e minha intimidade pulsou com a intensidade devoradora que ele lançou. Uma mísera gotinha de gozo escorreu pelos meus lábios maiores, molhando minha calcinha, e eu senti as pernas um pouco sem equilíbrio. Mas nenhuma pessoa pareceu notar, era como se tudo acontecesse em câmera lenta e em um infeliz e mísero segundo. Ele me ofereceu o sorriso safado que nenhum outro me faria muito efeito, ele sabia da minha reação e falou, convencido e mudo.
— Tenha uma ótima noite.
...
Fechei a porta do apartamento, delicada como uma rinoceronta. Sabe-se lá, se essa palavra existia. Se existisse presidenta e estudanta... Dei de ombros pros meus devaneios.
Ainda sentia as pernas meio bambas como se fossem feita de gelatina, minha cabeça dava voltas e voltas como numa xícara maluca, meu estômago queimava que sentia ardência fora do normal, parecia um vulcão dentro de mim (nada era normal pra mim) e eu estava numa ressaca monstra. Tipo Mike Wazowski e Sullivan, o Gatinho. O sono pesava nos meus olhos, e eu escorregava pela porta vermelho-sangue, pronta pra desmaiar simplesmente ali. Era tentador demais. Eu podia entrar em coma eterno, tipo a Bela Adormecida. Coitadinha. Veio um fresco e a acordou. Matava um puto desse se ficasse de caô pras minhas bandas. Marron 5, eu queria ser marida do Adam.
Estava morrendo de frio. A blusa imunda e fedorenta de Jake servia como um vestido bem soltinho, tinha um corte e caimento ótimo, mas eu precisava mesmo de um edredom quentinho, elétrico, igual os olhas da Thalia. Joguei a minha bolsa no chão, fixando o olhar embaçado na parede oposta, via minúsculas pessoinhas dançando balé.
— Annie!— uma voz feminina falava distante. Endireitei a postura, preguiçosamente, esfregando os olhos e penteando os cabelos pra trás. Eu queria tanto meus óculos. Coloridos que semelhavam fogos de artifício estouraram no preto da minha visão. Hehe, tão bonitinho. Seria que o Ano-Novo teria fogos bonitinhos? Minha mãe sempre chorava no Ano-Novo. Eu odiava o Natal.
— Pips?— da minha boca e garganta brotariam cactos, nem pra serem tulipas amarelas. Arrastei os pés até a mesa do café, onde numa imagem distorcida eu podia vê-los. Rezei a todos os deuses que espíritos do mal não me fizessem bater o dedo mindinho na quina de algum móvel, esperava muito não ter essa sorte. Porque eu tinha azar no jogo, azar no amor e sorte no azar. Isso não era de Zeus não, parça.
— Caralho... Você tá destruída— a voz de Thalia não estava mais fanhosa, devia ter melhorado da bomba de catarro atômica.
Like a Skyscraperrrrrrrrrr. Massa atômica de K é 19. Olha eu tenho 19 anos! Isso é muito maneiro.
— Que horas são?— murmurei, esperando ver alguma coisa, ouvi o arrastar de cadeiras.
— Dez e meia— Bia se pronunciou, lá de Tão Tão Distante.
— Annie? Você está bem?— Tia Meg falou, e eu continuava a ouvir as vozes distantes e um zunido insistente.
— Que estrago— Leo sussurrou audível.
— Do que você estão falando?—falei baixinho, levando pontadas de dor na testa, eu estava ficando irritada e mais desnorteada, e minha cabeça poderia explodir a qualquer momento. Não enxergar piorava tudo. Pus as mãos nas têmporas, pressionado e me encolhendo um pouco.
— Hm... De você— Hades falou.
— Onde está suas roupas?— escutei Jason segurando o riso.
Arregalei os olhos, tocando no troco. Mas eu não sentia nada nas palmas das mãos, nem na barriga, era como se meu corpo estivesse todo dormente, ainda extasiado, sem horário pra voltar ao normal. ONDE ESTÁ O COELHO, ALICE? Principalmente o pescoço e o meio das pernas. Eu me sentia um bonecão de posto num terremoto.
— Por favor... Diga que eu não estou nua— choraminguei como uma criancinha.
— Não! Não está— Nico disse, segurando o riso, também.
Suspirei, aliviada, quase caindo no chão de emoção. Algo foi posto no meu rosto, e as coisas finalmente era visíveis. Meus óculos. (NINGUÉM SAI! MEUS ÓCULOS! JULIANA VOCÊ VIU MEUS ÓCULOS?)
Meu pai segurou meu braço, me acompanhando, cuidadosamente até onde os outros estavam. Minha mente se iluminou com a luz do sol. Mas tecnicamente eu teria fritado se a luz do sol mesmo me atingisse... Se eu estivesse no espaço sideral.
Vi Pips, e seus lindos olhos mutantes e seu sorriso divertido. Parecia radiante segurando uma das mãos de Jason. Ela parecia a Pocahontas. Todos vestidos de pijamas. Menos Percy, Mal e Tyson, que eu não consegui localizar. Franzi a testa, mas logo voltei a fitar Piper.
Acenei com um sorriso, abobalhado.
— Oi, Pipes! Fã número um— tropecei nos próprios pés, com meu pai me segurando. Solucei alto, rindo logo em seguida. Os outros me seguiram.
Recebi um beijo na bochecha.
— Como foi sua noite?— meu pai perguntou.
Focalizei numa mesa cheia de comida gostosa e colorida. Nutella. Eu me casaria com um pote de Nutella e o comeria todinho. Isso seria canibalismo, mas não importa Nutella era bom demais pra pensamentos altruístas.
— Traz ela aqui, Fred— Thalia abriu os braços pra eu sentar em seu colo. Sorri. Ela era minha Branca de Neve. De cabelo azul e estilo punk. Mas era minha princesa.
— Pouco buraco pra muita vara... Se é que me entende— Tio Pose se engasgou com seu suco amarelo, seria de milho? Mas milho não era verde?
Zeus e Hades caíram na gargalhada, enquanto as outras esposas esbugalhavam os olhos. Não via nada engraçado. Devia ter perdido a piada. Fiz uma cara de confusa.
— Quer um café?— papai perguntou. Ele tinha uma barbona. Barbonas eram legais. Principalmente barbonas de papai. Comecei a fazer barulho de peido com a boca. Ele estralou os dedos na minha cara e eu inclinei pra trás.
— Com menta?— ele me inclinava mais ainda pra trás. Ele era doido?
Sentei em alguma coisa macia.
Thalia!
— É pra já, patroa— papai desaparatou.
— Você tá um poço de porra— Thalia me ajustou no seu colo, me segurando igual à noivas saindo pela porta da igreja, passei os braços pelo seu pescoço e enterrei minha cabeça ali. Um dia a gente casava. Lembrei dos nossos planos de casar no Canadá, adotar dois filhos e um cachorro. Égua, isso parecia música sertaneja tosca. Ah, e morar na Suíça.
— Você não tava dodói?— sussurrei, me arrepiando com seu carinho na minha perna. Afagou os meus cachos amarelos dourados. Meus cabelos eram feitos de ouro. SOU UM TESOURO. Eca, rimou. Mas não filho da dona Florinda, eu tinha bochechas mais bonitas.
Peguei uns fios e coloquei na frente dos olhos. Fiz um bigodinho. Eu queria ter um bigodinho. O do Billy Ray. Ele era gatão.
— Tomei néctar... Estou melhor, agora...
Focalizei algo incomum no teto.
— THALIA— saltei, balançando a mesa. Apontei pro teto, loucamente. Pensava que ia chorar de alegria. — O ASTRONAUTA! DAQUELE FILME QUE VIMOS NO AVIÃO QUANDO VOCÊ ESTAVA MENSTRUADA E SUJOU A POLTRONA! E DISSE PRO AEROMOÇO QUE VOCÊ CHEIRAVA PEDRINHAS DE CRACK POR ISSO SEU NARIZ SANGRAVA!
— Ai, meu Zeus— Thalia ficou pimentão e esfregou a testa. Surgiu uma vontade de mordê-la. De novo, as pessoas riram e eu não entendia o porquê.
Nico ao nosso lado ficava repetindo que não ia rir.
— O que eu fiz?— olhei pra ela com a cara do Gato de Botas. Comecei a escutar um som. Bob Marley... Meu parça de todos os punhados de haxixe.
— Isso era um segredo— ela sussurrou.
— Mas é mentira! Não tem como cheirar pedras!— eu queria chorar por chatea-la. Não gostava de chatear as pessoas. Eu era comediante, eu as fazia rir.
— Não, a parte da menstruação!— ela sussurrou/gritou.
— Mas você é um ser humano como qualquer outro! Você menstrua igual a todos nós aqui... Não, é, Jason?— encontrei Jay de cabeça baixa, com uma careta esquisita.
Ele tinha os lábios comprimidos e as bochechas infladas, mas assentiu.
Fitei Leo ao seu lado, me olhando, esquisito também. Ele era muito bonito. Peculiar. Mas eu pegava esse peculiar no pique-pega.
— Leo você já trabalhou pro Papai-Noel?— sorri, excitada.
— Não!— sua alegria diminuiu, ele parecia cansado. Alisou seus cachinhos. Leo triste era igual mundo dos distritos de Joshifer e de Gale, o the bundão.
Me senti morrer por dentro.
— Nunca foi ao Polo Norte?— estava confusa. Leo era um elfo latino do Papai-Noel, não era? Bianca, Piper e Nico explodiram em uma gargalhada.
— E é aí que o bullying começa— ele suspirou, cutucando suas panquecas, com uma barra de 4 pontas mais finas, chateado.
— Não!— levantei a cabeça, para encará-lo melhor.— Poxa! Me perdoa! Eu não quis ofender... Bullying, não! Papai do céu tá vendo! É muito feio bullying... Faziam comigo— tentava ser o mais compreensível possível, sabia o quanto era horrível.— Quando eu era uma filhotinha de mamute. Papai era o Many.
— Tudo bem, Annie... Tudo bem— Leo sorriu, confortador.
Uma caneca rosa purpurinada tamanho família foi posta a minha frente. Esbugalhei os olhos, desejosa pelo cheirinho de café e menta. Salivei e peguei o copo dando um gole na bebida fervente, amarga e refrescante. Tinha leite também. Adoro leite, todo branquinho.
— Você é louco, Fred?— Tia Sally perguntou.— Dar café pra menina assim? Justo com esse ataque de hiperatividade?
— Eu não sou hiperativa!— resmunguei a cortando, com bigode de café com leite.
— Sally!— Tia Maria repreendeu.
— Lógico que você não é, linda— Tio Zeus me consolou.
Fiz um bico, bebendo mais um pouquinho de café.
— Eu coloquei o remédio dela aí dentro— ele falou. E eu continuei bebendo. Papy poderoso voltou a suas conversas de velho com os meus tios, conversas como xadrez e charutos. E encontrei os olhos de Pips.
— Oi!? Hihihi— sorri pra ela.— Eu vi você nas revistas! Te achei muito bonita mesmo. Adorei aquele com o cocar!
— Obrigada, Ann— sorriu, meiga. E eu o cosplay da Fiona.— A Si falou com você sobre as fotos da Vogue com o Percy?
Minha mente deu um estralo.
— Sabe... Uma vez eu li uma coleção de livros... E o personagem principal se chamava Percy Jackson!— dei mais um gole no meu café, fitando a varanda a fora.
— Acho que ela tá delirando— Jay sussurrou pra Leo.
— Quando de maconha ela deve ter fumado? Pelos olhos injetados, uns cem baseados— Leo sussurrou de volta.
— Ai ela taria morta de overdose, seu babaca— Nico zombou.
— Então, Annabeth, qual é o filme do astronauta?— Bianca perguntou, cautelosa, me estranhando.
Tomei um gole da minha bebida quentinha e ofereci pra ela, que negou acenando. Voltei a garrafa de a abracei.
— A Thalia sabe! Velocidade, deve ser— mais um gole, aquilo estava muito bom. Docinho e amargo. Cremosinho.
— Eu estava ocupada demais, menstruando!— me rebateu, raivosa.
— Acho que é Gravidade— Nico me corrigiu com o indicador apontando pra cima.
O pessoal olhou pra cima, para um troço que saia luz. Tio Apolo era muito prendado.
— Caralho! O lustre parece mesmo o George Clooney!— Leo olhava com uma careta doidona pro coisinha no teto e eu comecei a rir, maluquinha de pedra e logo parei, vendo que ninguém correspondeu. Os outros olharam pro Leo usando máscaras de desprezo no rosto. Muito feio isso, po. Do nada, encarei o perfil de Nico.
— Nico? Já presenciou a Thalia menstruada?— perguntei com uma careta de nojo.
Jason e Leo seguiram meus passos. Nico assentiu olhando pra mim, rindo. Ele pegou na minha blusa e abaixou um pouco.
— Eu ainda mato essa arrombada— Thalia disse melancólica, apertando meu joelho.
— Essa vai ser boa— Bianca riu, seguida de Piper.
— Parece o sangue de um genocídio, misturado com o terrorismo dos islamitas e a bomba de Hiroshima juntos. Né, Blood Women?— falei, fazendo um beiço. Ouvindo o povo rir compulsivamente e o suspirar de Thalia. Adorava sentir o subir e descer do seu peito na respiração. Thalia era minha joia rara.
Bebi mais um gole, vendo Percy entrar na minha vista. Todos disseram um Bom Dia, não sincronizado, mas ele estava lá, estancado, travado no movimento de puxar a cadeira pra sentar. Ainda fazia a bebida, não tão quente, descer gole abaixo, mas foi difícil com o nó que se formou ali. Os olhos verdes intenso de Percy analisaram meu corpo, e sorriu frio, magoado e irado (não irado sinômino de Leo, deus supremo da magrelice sensual). Aquele olhar doeu.
Acenei pra ele, e sorri até minhas bochechas arderem, frenética e retardamente. E ele me ignorou, quase revirando os olhos, pegando torradas e uvas.
— Annie, sabia que o Percy ficou berrando Steal My Girl aos quatro ventos ontem?— Leo falou, arrancando risadinhas de Jay, Bia e Pips.
Percy bufou, cerrando os punhos na mesa e encarando Leo.
— Pode ser o novo hit da enrolação de vocês— Jay falou.
— Everybody wanna steal my girl. Everybody wanna take her heart away. Couple billion in the whole wide world. Find another one cause she belongs to me— Bia e Pipes se abraçaram cantarolando juntas e gingando pra lá e pra cá, com as mãos pra cima. Nico e Thalia apenas riam.
Os ignorei.
— OI, PERSEU? Tudo bem com você? Comigo tudo ótimo— peguei um pedaço de presunto próximo e joguei nele. O super presunto saiu voando no ar e caiu em Perseus.
Ele fechou os olhos, os esfregou, tirando o pedaço fino e rosado da cabeça. Mas não aguentou segurar o riso. Sabia que ele não ia ficar com raiva de mim por muito tempo. Thalia também riu.
Ele apontou pra algo no meu peito.
— Outra tatuagem?— perguntou. Olhei pra onde apontava, vendo um plástico transparente na minha clavícula, meu pescoço doeu. Tirei o papel transparente nojento.
Nico inclinou a cabeça pra ver.
— Jesus is gay? Sério, Annabeth?— eu não consegui ler, mas era uma frase engraçada. Jesus é gay! Hihihihi.
— Bêbada?— Percytcho indagou, fingindo estar surpreendido. Não estava falando comigo, e sim com Thalia. Por que ele não falava comigo? Eu só era mais uma alma condenada a amar os seus olhos verdes caribiano.
Eu estava farta desse papo.
— Você e essa de bebê de novo! Eu já falei que não tem como eu ter filhos, porque eu coloq...— ia começar a tagarelar, mas Percy me cortou, de repente, não tão alienado a minha pessoa.
— Annie, que tal você ir... Sei lá, tomar um banho— sugeriu, nervoso e alto.
Thalia me apertou em seu colo, e eu senti seu olhar penetrante em nós dois. Gemi baixinho.
— To fraquinha— deitei em Thalia, manhosa.
Ele suspirou, profundamente. Como se não acreditasse que iria fazer algo a seguir.
— Quer que eu te leve?
Levantei meus braços, esperando ele vir me pegar.
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Mais quinze minutos, para a primeira arara chegar, descansem um pouco.
A vozinha ecoou na sala de preparação onde haviam espelhos, mesas de maquiagem, araras de roupas, mesas de lanchinhos, sofás e divisórias antiquadas para trocarmos de roupa.
— Dá pra falar comigo? Eu não vou aguentar mais um minuto de silêncio nesse camarim!— implorei sentada naquelas cadeiras de diretor de cinema.
Já tinha perambulado o quarto todo, tirado foto do meu nome atrás da cadeira de diretor de cinema e postado em todas as redes sociais possíveis, tirado fotos minhas, bisbilhotado as roupas, mexidos dos vidrinhos de base da Mac, mas eu continuava inquieta e incomodada com aquele clima escroto que eu e Percy havíamos ficado desde que ele me deu banho bêbada.
Meu corpo todo já estava rebocado das marcas que os meninos tinham deixado. Uma maquiagem poderosa e escura cobria minhas pálpebras e eu vestia, sobre a sensual lingerie preta de cinta-liga e corpete que Marc tinha feito pra mim, um robe de seda com meu nome gravado atrás e Teen Vogue bordado no bolso da frente. Eu estava excitada e Percy quase se tornando parte das almofadas do sofá preto.
— Você pode falar agora ou está ocupada levando surra de piroca?— ele usava não usava blusa, apenas calças milimetricamente surradas. Deuses, era um esforço responder à altura.
Processei o que ele havia dito. Aquilo saíra mesmo da boca dele?
— QUE?— me levantei, com o sangue fervendo nas veias.
Ele riu, frio. Era assim que ele estava esses dias, congelante e áspero.
— Eu aqui fazendo promessas e você me chega em casa depois de ter transado com três homens. Eu sou um otário, mesmo— enterrou as mãos no cabelo, rindo dele.
— Eu estava, completamente, bêbada e chapada!— controlei meu tom de voz. Cerrei os punhos, querendo dar na cara dele. Meus olhos ardiam de tanto ódio, junto com a garganta de palavras não ditas.
— Quer dizer que toda vez que você ficar bêbada, vai dar pro primeiro que passar na rua e nem lembrar que eu existo?— ele se levantou, tão cheio de ira e raiva quanto eu. Talvez não tanto.
Quis muito chorar e me esconder em um cantinho escuro. Ele não estava falando coisas tão horríveis pra mim... Nunca tinha presenciado esse lado de Percy, e não havia gostado nem um pouquinho. Cada palavra proferia parecia arrancar um pedacinho de mim. Fechei os olhos, implorando à mim mesma não levar tanto para o lado pessoal.
Ah, não mesmo que eu ia engolir esse sapão. Senti todo meu sangue subir, violentamente.
— Vem cá... Me diz se você se lembrou de mim enquanto beijava aquela boca nojenta da Calipso quando tínhamos 12 anos. Pelo que eu me lembro você não precisou encher o cú de cana pra fazer isso— rosnei, pausadamente. Me fudida pra sua reação, eu queria atingi-lo, espancá-lo, destruí-lo.— Ou quando comia a virgenzinha da Cali, você pensou em mim enquanto ela gemia seu nome, no seu ouvidinho?— forcei uma voz sensual. Fingi engasgar.— Percyyyyy....— mordi o lábio.— Hm... Mais... Mais... rápido— disse entre sôfregos, com a expressão venenosa e desafiadora.
Ele tinha uma careta indecifrável, mas a raiva não deixava de se fazer presente.
Problema dele, porque eu não ia parar agora.
— Se lembrou de um quando levantou a taça do campeonato regional de basquete e se tornou o capitão do time? Se lembrou, não se lembrou? Dedicou as cestas pra mim ou pra sua namoradinha?... Que você se apaixonou, chegou até a amá-la. Que bonitinho! Faziam um belo casal, eu admito— levantei as mãos ao ar, em forma de rendição.— Ah, você se lembrou de mim, bêbado, beijando a mesma menina que você quase fudeu do lado da máquina de gelo, acabando com minha adolescência, no meu aniversário de 19 anos...? Eu me cortei por você— cuspi, esperando sua resposta.— Que desperdício... Aposto que acho melhor por aí— provoquei, e ele continuava impassível, o rosto sem um sentimento definido. Tudo passava por ele naquele momento.— É, acho que não. E quer saber Percy? Eu pensei em você a vida toda! Toda! Sonhava com seus lindos olhos verdes e chorava querendo te abraçar só mais uma vez. E isso importa mais que uma noite de sexo com fantasmas do meu passado que em dois dias depois eu nem lembro mais.
Eu queria muito chorar. Porém, eu não conseguia. Estava concentrada demais pra bobear. Agora, sim, ia tacar umas poucas e boas nele.
— Sabe por que você era corno? Sabe por que você nunca vai me ter? Porque você não é homem suficiente pra isso...
Não consegui medir minhas palavras direito, elas jorraram boca a fora. E não poderia negar que fiquei bastante satisfeita, pensando bem, nenhuma delas era mentira, apenas uma verdade dolorida que tive de enfrentar.
Nem pude respirar mais uma vez ou até piscar. Quando me dei por mim, estava encima da mesa de maquiagens, esmagada, ouvindo o barulho das mesmas caindo no chão e de vidro se quebrando, tentei me estabilizar, colocando as mãos do lado do corpo pra não cair. Com mãos gigantescas espalmadas nas minhas coxas e meu sexo espremido no dele, o sentia pelo tecido do jeans. Meu coração revolveu tocar bateria, e eu o senti na garganta, queria normalizar minha respiração mas ela saía cada vez mais descompassada, encolhi os dedos dos pés, me sentindo arder no meio das pernas, senti o formigar gostoso e dolorido de ter tesão em Percy. Mordi os lábios, tremendo levemente, eu devia estar gozando, e um tapa estralado foi desferido nas minhas pernas desnudas, me fazendo dar um saltinho de surpresa.
— Repete— ele rosnou, sensualmente.
Levantei os olhos, encontrando as orbes verdes me encarando com uma luxúria que eu nunca tinha visto antes. Eles estavam diferentes, selvagens, devastadores. Fiquei completamente sem ar ou palavras, eu estava desarmada e indefesa sobre aquele olhar possessivo, eu era a caça agora. Me sentia minúscula em relação a Percy. Estava gostando de ser domada. Estava gostando muito mesmo.
Remexi meus quadris, instintivamente, querendo alívio imediato, choraminguei. Meu cérebro iria entrar em pane e meu ventre se afundava cada vez mais em mim.
— Que você é corno?— ele jogou seus quadris pra frente, chocando com o meu. Por um último pingo de sanidade, eu não gritei.
— Não— os lábios dele iam em direção dos meus, devagar quase parando. Os encarei, tão convidativos e brilhantes, soltei um muxoxo.
— Que você não é homem suficiente?— falei baixinho, hipnotizada pela sua boca. Eu pensava que ele ia arrancar minhas coxas fora, e eu não estaria nem aí, contanto que ele me comesse logo.
— Acho que isso, eu já provei o contrário, não é, Annabeth?— disse, provocador. Eu engoli o seco, entrando em pânico. Não consegui me mexer pra revidar tantas provocações, eu estava submissa de todos os modos. Ela desceu a mão, de novo, na minha coxa, com mais força. Pendi a cabeça pra trás, inflando o peito, respirando fundo.— Não, é, Annabeth?
Assenti, fraquinho.
— Boa garota— acariciou onde tinha batido, me arrepiando até as sobrancelhas.— Agora, repete o que disse.
Franzi o cenho, com medo de falar.
— Você nunca vai me ter— forcei ser, no mínimo, um pouco desafiadora. Foi tudo por água abaixo quando ele puxou meu cabelo escovado e com megahair pra trás, se deixando a vontade e deleite do meu pescoço.
Estava à mercê daquelas mãos.
Ele se aproximou, deslizando o nariz pelo meu pescoço, sutilmente. Abracei seu ombros e quadril, o puxando pra mais perto. Fechei os olhos, esperançosa. Chegou ao meu ouvido e chupou o lóbulo.
— Ahh— suspirei, engasgando. Enterrei minhas mãos no seu cabelo sedoso, castigando meu lábio inferior com os dentes.
— Namora comigo, Annabeth— esbugalhei os olhos, pro que mais pareceu uma ordem, não um pedido. Seu hálito de chiclete Juice Fruit bateu na minha pele, me fazendo delirar.— Casa comigo. Fica comigo.
Ele mordeu meu maxilar e minha visão ficou turva.
Meu corpo todo gritava um sonoro sim. Meu cérebro. Meu coração. E principalmente, minha vagina.
Tantos anos, apenas para aquelas palavrinhas. Estava derretendo de amores naquela mesa. Eu queria gritar de alegria por, finalmente, eu ter a chance de nomear Percy The Galã Jackson meu namorado.
— Não— falei, trêmula. Neguei e todas as minhas quatriliões de células doentes e murchando por ele. E querendo me espancar.
Ele sorriu contra minha pele.
— A senhorita desejaria algo mais apresentável?— seus dedos subiam da minha coxa, para o laço do robe, e o desfazendo, vagarosamente. A outra mão massageava meu fios longos. E os seus lábios...
— Ohhhh— ele chupou meu pescoço como se o fosse engolir. Minha buceta parecia ir explodir de tanta pressão. Meus olhos pesavam demais que eu fui obrigada a os fechar. Eu começava a me contorcer. Percy conseguiu achar meu ponto G, sem nem mesmo ter me tocado lá em baixo. Como no provador da Versace.
Ele pegou meu queixo com força, do nada, e me inclinou contra o espelho nas minhas costas. Só faltava ele rugir pra mim.
— Me responde— tinha os dedos cravados na minha cintura, a abraçando.
Tremi internamente. Fitando seu braço, me segurando, firme. Vai entender, até o braço no cara é gostoso.
— Talvez fogos de artifício e escritas de gelo seco no céu... Nada de flores, uma serenata...— rezei pra não fraquejar, ou voltar atrás. MAIS QUE MERDA POR QUE EU NÃO ACEITEI ESSA BOSTA?
Ok, agora, o efeito alucinógeno tinha passado, e a ficha da maior burrice do século caído. Como que eu pude rejeitar a porra do pedido que eu mais esperei e mais quis a vida toda? Se fosse pra me sentir melhor, eu queria me sentir melhor imediatamente. E não tinha como dar replay. MERDA! Eu tinha feito a maior cagada... E o pior era que o veado de Percy tinha percebido isso. Eu quis me afastar dele e começar a me espancar, antes que outras pessoas o fizessem por mim.
Ele riu, olhando, alternadamente, em meu olhos.
— Anotado.
Ele me beijou com força. E fôlego. Como da vez do aeroporto. A língua dele explorava minha boca tão intensa e rapidamente que eu não consegui retribuir a altura.
O mundo parou para nós.
Ele me beijava como se faltasse tempo. Colamos nossos corpos e eu arqueei os ombros, enroscando a minha com a dele. Ele chupou minha língua, me fazendo gemer alto. Não consegui pensar nada além de que nunca haveria beijo melhor que aquele, perfeitamente encaixado. E via explosões multicoloridas num horizonte escuro, senti as correntes frias e quentes passarem pelas minhas veias, me enlouquecendo. Uma das suas mãos escorregou para minha intimidade, relando devagarinho, eu levei a minha até lá, junto com a dele, e o fiz me esfregar direito, eu estava encharcada. Ele abriu mais a boca, me beijando mais, eu consegui imitá-lo, o deixando com o controle da situação. Acompanhava nossos movimentos com a mão, rebolando nela.
Algo caiu no chão, devia ser mais maquiagem.
— OPA...— alguém pigarreou, e Percy se afastou de mim, com cara de culpado, como se nunca tivesse se jogado na minha pessoa. Assédio!
Um figurinista tinha aberto a porta, com a arara de roupas. Catou a prancheta no chão, com um sorrisinho bobo no rosto. Ele era o típico francês que eu preservava. Boina cobrindo seus cabelos brancos, lenço no pescoço, calças coladas e sapatos sociais. Ele subiu os óculos no nariz, evitando dar um gritinho de felicidade por flagrar a cena erótica. Sacudiu os punhos no ar, contendo-se.
Percy, envergonhado, sorriu. Eu baixei a cabeça, pressionado as pernas uma na outra e fechando um pouco o robe e pondo os dedos nos lábios inchados e dormentes, querendo morrer. Eu parecia uma garotinha que acabara de beijar pela primeira vez.
— Eu já ia perguntar que estilo vocês faziam. Os certinhos, que se guardam pro casamento. E depois de casados com um casal de filhos e dois cachorros, vão passar os feriados em Monte Carlo bebendo champanhe caro. Ou... Os completamente apaixonados com personalidade peculiar e gritante, prontos pra transar em qualquer lugar que der na telha...— tagarelou, gesticulando. Eu e Percy rimos.— Mas acho que descobri por mim mesmo.
...
Queria explodir em milhões de confetes. Fora perfeito!
A sessão tinha sido bem sexy e espontânea, cheia de provocações, carões, gargalhadas, quedas de salto alto e trocas de roupas.
Víamos algumas das fotos que sairia na próxima edição da Teen Vogue, ou seja, nessa segunda, no IPad dado pela produção. Que tinha sido super atenciosa e foda com dois inexperientes. Sentávamos nas nossas cadeiras, que a linda produção me deixou levar pra casa, no meio do cenário de paredes e telas coloridas e estampadas, esperando pela entrevistadora, vestidos com a roupa que chegamos (camisetas de bandas, jeans e tênis, de cara lavada e nada de megahair), repus meu colar de sempre, aliviada, prontos pra ir embora. E já devia ser umas nove da noite, tínhamos chegado sete, foi um longuíssimo dia.
O figurinista, que não era exatamente o figurinista e sim o diretor do ensaio, era diretor fotógrafo oficial da Chanel... Nada mais, nada menos que o lendário Karl Lagerfeldt. Se eu pirei, bem, eu pirei. Se eu quase beijei seus pés por toda a maquiagem quebrada no chão, eu quase beijei. E se ele continuava com aquele sorriso plastificado e invejável, ele continuava.
Karl quebrava o gelo, com sua feminilidade encantadora, de Percy. Eles se deram muito bem, e Percy era um prodígio no mundo da fotografia, segundo o fotógrafo de 81 anos. E eu ainda estava processando que tinha sido modelo de Karl Lagerfeldt, não me entrava na cabeça. Era engraçado nós tietando um com o outro.
Percy passou uma das minhas fotos favoritas.
Nós dois estávamos de peitos desnudos e calça jeans, colados um de frente pro outro, e eu de costas pra câmera, Percy cheirando meu pescoço e esmagando minha bunda, que tinha ficado enorme (mais que o normal) na foto. Eu olhava de perfil, com um sorriso malicioso, meus olhos cintilavam, cinzas, minhas mãos estavam no cabelo de Percy, e o meu, a cascata loira, caía nas minhas costas.
Rimos, juntos.
— Nem parece nós dois— comentei, dando um zoom na minha bunda maior que da Nicki Minaj.
Percy me olhou de canto.
— Se algum dia te falassem que iria ser isso...— não o deixei, completar o pensamento.
— Eu o chamaria de louco, depois de ir pro hospital de tanto rir, e falaria que meu destino era ser uma arquiteta famosa.
— Claro!— ele passou mais uma foto.
Eu agarrava um Percy de terno pela gravata verde, e eu com um cropped e saia também verde, estampados de coqueiros, headband marrom numa trança e um maxcolar dourado, virada para câmera com uma careta mostrando os dentes branquinhos de photoshop, subindo apenas um lado da bochecha, franzindo o nariz e arregalando um olho. Minha careta marcada como minha mesmo, dizendo Cuidado, vadias, esse é meu homem e Percy meio penso atrás de mim, me seguindo com um cachorrinho, tinha uma expressão confusa e nervosa.
Ele passou a outra. E uau, queria aplaudir o gênio que nos fez prestar nessa foto.
Ela era bastante sensual. Só pra começar, minha mão estava dentro da calça de Percy, foi num dos momentos de provocações, logo no início, quando ainda estava excitada; podia ouvir os suspiros e as palminhas da produção quando fizemos tal pose. Apoiávamos com a mão direita numa parede pichada, e a foto foi tirada do nosso perfil esquerdo. Percy usava roupas pretas e uma jaqueta de couro, eu um vestido vermelho cintilante de mangas compridas com decotes até minha barriga e lombar e um sapato alto preto trançado até minhas cochas, meu lábio se destacavam vermelhos num meio sorriso aberto, eu me empinava na direção de Percy, que segurava minha minhas coxas por dentro do vestido puxado pra cima, e eu com a mão dentro da sua calça, de cinto, botões e zíper abertos, Percy sorria como se fosse um irrigador de calcinhas, nossas pernas apoiadas às opostas. Exibia toda minha coxa esquerda bronzeada e a calcinha fio dental, enxergava perfeitamente os dedos de Percy sobre o pano dela.
Ri, novamente.
— Preciso registar, vem, Percy— peguei o meu novo celular, que parecia mais uma tábua de passar roupa. Percy colocou o Ipad rente dos nossos rostos e fez uma cara tosca/sexy de beiço gigantesco, lendo minha mente, eu aproximei meu rosto também, intensificando minha beleza papal e ficando vesga com apenas um olho.
Tirei a foto direto do Instagram e outra no Snap, e as postei com a legenda Being Sexy. Rimos durante um tempo até Percy arrastar para a última foto, que eu quase morrera de diabetes ao vê-la de tão romântica que era.
Eu tinha tropeçado e caído nos panos dispostos no chão, e estava tendo um ataque de riso, junto com Percy, que tentou me levantar e não conseguiu, caindo ao meu lado, com os braços acima da cabeça e eu na barriga, nós ainda ríamos, o ângulo da câmera vinha de cima. Meu cabelo estava espalhado ao redor de nós, Percy usava um suéter azul marinho e bermudas claras e eu um vestidão cheio de alças da mesma cor do suéter dele.
— Essa é minha favorita— falei baixinho, vendo a mulher que nos entrevistaria chegando em passos preguiçosos.
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