You'll love me again Hermione
3 Capítulo 2
Notas iniciais
Writer’s pov
Hermione desceu do barco e junto de Hagrid conduziu os estudantes para o hall de entrada de Hogwarts. Ela esperava que fosse Minerva a vir organizá-los e informa-los que deveriam passar entre as mesas das casas e se dirigirem até a mesa dos professores onde se encontraria um banco com apenas 3 pés e um chapéu que falava. Mas ela duvidava, afinal agora a mesma era a diretora.
Draco seguia atrás da fila dos alunos, cuidando para que nenhum se desencaminhasse do seu trajeto. Logo após atravessarem o hall de entrada, deram contra a porta fechada que levaria ao Salão Principal. Ali encontrava-se o professor Flitwick.
– Olá professor. – disser Hermione simpática.
Os primeiranistas olharam curiosos para Hermione, tentando entender com quem estava falando antes de notarem a pequena presença do professor minúsculo a sua frente.
– Boa noite alunos. Sejam bem-vindos a Escola de ... – e então o professor começou a sua explicação sobre os fatos que se seguiriam durante a noite.
Aproveitando esta pequena deixa, Malfoy aproximou-se de Hermione e puxou-a pelo cotovelo, sobressaltando-a .
– O que você quer? – perguntou ela sussurrando, irritada por ter sido interrompida.
– Será que podemos conversar depois do jantar? No nosso dormitório? – perguntou ele baixo, ainda tocando-a.
Seus olhos azuis acinzentados estavam implorantes, devorando os olhos castanhos da garota.
– Tudo bem. – disse ela por fim, nervosa. E sem mais delongas ela soltou-se e foi em direção ao grupo que agora esperava com murmúrios ansiosos.
Draco’s pov
Bem, se eu pudesse listar tudo que aconteceu nos últimos meses não seria de acreditar. Eu mesmo não venho escrevendo devido ao que vem acontecendo. Não posso acreditar que em um minuto a guerra teve fim e eu estava feliz ao lado dela para no outro o desgraçado Lúcio estragar tudo.
Minha prioridade? Não deixa-la esquecer de mim agora que sua memoria se foi. Ela vai voltar a me amar, e deixo isso em palavras para concretizar. Eu posso fazer com que ela me ame. Eu posso. – largo a pena e suspiro, observando os olhares indevidos que atraio. Um comichão involuntário passa por minha marca negra. Abaixo minha cabeça, ignorando o banquete em minha frente e então continuo a escrever.
Eu não posso acreditar que realmente voltei para Hogwarts depois de tudo. Mas como eu não voltaria se era aqui que ela estaria? Como eu poderia não voltar depois de ela ter me obrigado a prometer que voltaria para terminar meus estudos? Se eu fechar meus olhos quase posso ver com perfeição seu olhar de determinação e sua voz mandona resmungando “Eu não quero saber Draco. Você vai voltar. As pessoas não tem nada a ver com seu passado, ok? Somente ignore o que elas pensam. Isso é o melhor para o seu futuro. E eu não acho que posso suportar ficar longe. Já estivemos separados o suficiente para uma eternidade. E eu digo ficar longe porque eu vou voltar, independente de você.” – rio baixo e sem humor com a lembrança. – Se ela soubesse que agora eu que iria enfrentar ficar sem ela... aliás, ela sabe. Só não se importa, porque ela não lembra do que tínhamos...
E então meu olhar viaja até a mesa da Grifinória. Hermione está entre seus dois amigos, mexendo a comida de seu prato de um lado para o outro distraída. Eu poderia jurar que algo a estava preocupando no momento, seria eu?Será que mais uma vez eu seria o motivo de fazê-la sofrer?
Lúcio... Apertei a pena com mais força, fazendo com que as juntas dos meus dedos ficassem ainda mais brancas. Eu não era o culpado dessa vez, eu não devia me culpar por isso. Eu o culparia então...
Juro por Merlim que enquanto eu viver eu procurarei Lúcio até no inferno. A partir do momento que eu por meus olhos nele novamente, ele não verá mais a luz do sol. – baixei a pena, colocando-a na mesa.
– E aí filhote de comensal? – Harry me empurrou para o lado, sentando-se exprimido contra mim.
– Ei testa rachada, fazendo o que aqui? – perguntei surpreso, abaixando a pena e então jogando a pena e o diário dentro da mochila.
– Era o que eu ia te perguntar. – disse ele, apontando pra saída do salão. – Acho que você tem algumas responsabilidades como monitor.
– Ah, valeu. – sussurrei.
– Viu... – chamou ele já a meio caminho da porta. – Boa sorte com Hermione. Você realmente a fazia feliz. Por mais incrível que pareça – e aqui ele se virou de costas – eu tô apostando em você.
Acenei com a cabeça, pensando em como eu detestava tantos verbos no passado. E Apostando em mim? Como assim apostando em mim?
E então eu a vi saindo do salão de braço enganchado no Weasley. Fechei meus olhos controlando o temperamento e me levantei, indo até a garota.
– Ei Granger. – chamei pelo sobrenome, sabendo que chama-la por Hermione possivelmente a faria ficar de mau humor. – Não se esqueça do que combinamos.
– Ah... – e aqui ela olhou para o cara de cenoura. — Tudo bem. – ela voltou seu olhar para mim.
Sem mais uma palavra me virei de costas para ela e fui até os alunos da sonserina, ajudando o monitor com os primeiranistas. Fico me perguntando: será que eu também era tão baixinho quanto esses tarecos?
–*-
Após todos sermões e recomendações dadas aos alunos, fui diretamente até o dormitório do monitor chefe. Entrando lá tudo que encontrei foi um lugar vazio e silencioso. Suspirei cansado. Será que ela não viria?
Se passara nem 3 dias e eu já estava desesperado por ter seu toque. Depois de tanto tempo longe dela, aproveitamos cada segundos juntos e agora estar longe dela tornava o mundo escuro outra vez. Era desesperador. Era como se alguém tivesse arrancado meu coração com suas unhas. Era doloroso demais pensar que eu não dormiria essa noite ao lado de seu corpo esbelto.
Eu desejava desesperadamente seus comentários irônicos, seu colo reconfortante e seu corpo. Corpo que voltara a ser como era antes da batalha. Eu podia lembrar de todas as cicatrizes por seu corpo assim que a tive pela primeira vez depois de tudo. Seu corpo marcado pelas lembranças tristes da batalha. Magra como nunca fora... não mais assim. As cicatrizes ainda estavam lá, mas finalmente ela retornara a seu peso anterior e se encontrava ainda mais bonita que nunca.
– Ah! – gritei, levando as mãos até meus cabelos e puxando-os. – Por que fez isso Lúcio?
Era desesperador o modo como eu me sentia. Era um vazio ainda maior do que o de antes da guerra. Por mais que eu não a tivesse em meus braços eu tinha esperança que tudo daria certo, eu podia contar que ela ainda me esperava e quando as coisas se resolvessem ela estaria em meus braços outra vez. Eu podia contar que as lembranças boas que ela tinha de mim a faria me perdoar, a faria me amar outra vez. E por mais que eu acreditasse que eu ainda podia fazê-la me amar, eu tinha medo do que as memórias errôneas dela podiam significar para nosso futuro.
A passos lentos fui até meu quarto e liguei o chuveiro na temperatura mais quente que este oferecia, mais uma vez gritei, frustrado até a alma com a situação. Antes que eu pudesse me controlar fechei a mão em punho e bati contra a parede com toda força que havia em meu corpo. Fechei meus olhos e encostei a testa na parede, deixando a água quente escorrer por minhas costas.
Minha mão latejava terrivelmente, mas nem isso me fazia deixar de sentir o aperto no peito. Balancei a cabeça cansado e por fim terminei meu banho. Sem mais delongas fui até meu armário, arrastando o malão atrás de mim. Com um simples feitiço fiz as roupas se organizarem da maneira desejada nas prateleiras. Estendi a mão no ar enquanto minha calça de pijama cinza estava indo para o lugar adequado.
Peguei uma camiseta preta qualquer, jogando-a sobre meu ombro e segui meu caminho até a sala, meu cabelo ainda estava molhado, então levei minha mão até ele bagunçando-o. com um aceno da varinha fiz com que a lareira se acendesse e então larguei a mesma em cima do sofá. Após isso, peguei a camiseta que estava ali e a vesti, para então me jogar no sofá.
Eu já havia perdido as esperanças de que Hermione viria. E por mais que ela viesse eu tinha certeza que ela iria direto para seu quarto, não se importaria em falar comigo. Era incrível como as coisas mudaram tanto... maldito feitiço.
Estendi minha mão dolorida para frente, vendo o corte fundo que a pedra quebrada da parede fizera entre meus dedos. Mas não me importei em fechá-lo. Eu queria que doesse, eu queria sentir algo além do vazio desesperador que a memória de Hermione deixou para trás.
– Hum, oi. – disse Hermione, ao tempo que abriu a porta do seu quarto, saindo com uma roupa diferente da que vestia hoje a noite.
– Pensei que não viria. – falei, tentando sorrir, mas não obtendo sucesso.
– Pensei tê-lo ouvido gritar. Está tudo bem? – perguntou ela timidamente, agora se adiantando até o sofá. – Sua mão! – disse ela mais alto.
– Você sabe que não está tudo bem Hermione. – sussurrei, erguendo meus olhos até ela.
– Eu... – suas mãos foram para seu rosto, esfregando-o nervosamente. – Eu não sei o que posso dizer Mal... Draco. Agora, me de sua mão.
A simples menção de meu primeiro nome por seus lábios fizeram meu coração disparar. Como ela conseguira tomar tamanho domínio sobre mim? Suspirei frustrado. Naquele momento toda motivação de reconquistá-la se fora. Eu só queria, não. Eu precisava que ela se lembrasse de mim. Eu sentia tanta falta dela.
– Hermione. – minhas mãos foram até meu cabelo, bagunçando-o mais uma vez, num gesto nervoso. – Eu sinto tanto por Lúcio... eu prometo que vou vinga-la. Me perdoe.
– Você não tem que me vingar. E você não tem que se desculpar. – ela me olhou, parecendo sincera – Meus amigos disseram tudo que sabiam sobre nós. Eles disseram que você não é aquele garoto que eu tanto odeio. Harry até parece estar gostando de você. Eu mesma posso ver que você não é o garoto que odeio. E eu odeio saber que eu não posso te odiar mesmo te odiando. – ela riu sem jeito e se sentou ao meu lado. – Se é que dá pra entender isso que acabei de falar.
– Sim... – suspirei, virando de lado para poder observá-la melhor. Ela estava linda em sua calça de pijama marrom escuro e em sua camiseta branca. Seu cabelo estava preso em uma trança de lado. – Pense em mim como alguém diferente, não como o Draco que acha que sabe quem é. É tudo que te peço agora. Eu mudei por você Hermione. Eu juro que mudei. Eu juro que depois que te conheci eu sou outra pessoa. – minha voz soava desesperada. Minhas mãos de novo foram para meu cabelo e nesse momento soltei um gemido.
Minha mão direita doía quando eu a fechava. Provavelmente eu quebrara algo.
– Me de sua mão. – repetiu ela, e foi o que fiz.
Estendi meu braço para que minha mão se aproximasse da dela. delicadamente ela a segurou entre seus dedos. Seu olhar endureceu.
– O que foi que fez nessa mão? – perguntou ríspida.
– Nada demais. É só um corte.
– Claro que é. – resmungou. Hermione pegou sua varinha e nem sussurro conjurou o feitiço que logo fez meu corte cicatrizar. – Assim ficará melhor, mas ainda acho que quebrou algum osso. Está inchada.
– Eu vou ficar bem. É só um osso quebrado, isso sara logo. Tenho problemas maiores.
– Draco. – ela parecia fazer um grande esforço para me chamar pelo primeiro nome. – Eu acredito que esteja diferente. Eu juro que acredito. – ela me olhou com o que me pareceu piedade. – Mas isso não vai mudar nada por enquanto. Eu não posso simplesmente voltar a namorar com você. Eu sei que deve ser difícil para você, mas eu não consigo lembrar desse amor que diz que sinto. A única coisa que consigo lembrar e pensar é que o Malfoy de antes nunca sequer tocaria numa sangue-sujo.
– Não fale assim. Você não é sangue-sujo. – esse pequeno xingamento que antes me vinha tão fácil fazia a bile subir pela minha garganta agora.
– Fico feliz por pensar assim, depois de tanto tempo. – ela se levantou, esfregando sua mão em seu braço. – Por favor Malfoy, só deixe as coisas como estão por enquanto. Eu não sei lidar com isso, eu não consigo entender como é que foi que começamos tudo isso. É tudo confuso demais.
– Hermione. – balancei a cabeça levantando logo em seguida. Parando de frente para ela. – Você não está pelo menos curiosa para saber como foi que tudo aconteceu entre nós? A Hermione que conheço estaria. Ou será que o Lúcio conseguiu apagar sua personalidade também? – tentei soar brincalhão, falhando miseravelmente.
A morena retribui a pergunta com uma careta, o que quase me fez sorrir verdadeiramente.
– Eu estou curiosa, só não estou afim de magoa-lo com as lembranças que eu não posso partilhar. – ela deu de ombros, parecendo realmente chateada em dizer aquilo.
– Acho que se eu quiser me magoar é problema meu. – disse determinado, dando um passo para frente, ficando agora a milímetros do corpo dela.
– Ótimo.
– Ótimo.
Ambos ficamos nos encarando. Ambos perto demais. Seu olhar era de irritação e desafio, enquanto eu tinha certeza que o meu era de puro desejo. Por mais que eu tentasse evitar, eu não podia deixar de sentir aquela onda de eletricidade que perpassava meu corpo toda vez que ela estava perto demais. Era uma sensação única, meu coração batia freneticamente. Era impossível ela não estar ouvindo isso. Eu precisava dela...
Antes que eu pudesse mudar de ideia, minha mão machucada foi até a nuca da morena, fechando-se em seu cabelo, ignorei qualquer resquício de dor que eu pudesse sentir. Eu aproveitaria aquilo. Ao mesmo tempo que envolvi seus cabelos na altura da nuca, com a mão livre envolvi sua cintura, fazendo seu corpo grudar no meu.
Por mais incrível que pareça a morena não teve reação, a não ser me olhar com um tanto de surpresa nos olhos. Antes que ela reagisse mal a ideia pressionei meus lábios nos dela, selando-os com urgência.
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