You'll love me again Hermione
2 Capítulo 1
Notas iniciais
– Por que estamos voltando para Hogwarts mesmo? – perguntou Rony emburrado.
– Porque é o melhor para nosso futuro. – Hermione revirou os olhos.
– Me obrigue a crer nisso se for capaz. Quer dizer, — ergueu as mãos frustrado – quem não iria querer empregar quem ajudou o Harry a derrotar Voldemort?
– Não seja estúpido Ronald.
– Chega vocês dois. – Harry cobriu o rosto cansado. – Vocês não conseguiram ainda parar com essa discussão desde que decidimos voltar.
E com o fim da pequena discussão o trem partiu da estação King Cross. Draco estava caminhando pelo corredor do trem nesse momento, procurando de cabine em cabine até encontrar onde o trio e a namorada do Potter estariam.
Caminhou por toda extensão do vagão antes de encontra-los. Hermione estava de costas para a porta, olhando para Ronald e rindo. Mesmo sem permissão ciúmes invadiu Draco. Sem mais delongas ele segurou o puxador e abriu a porta de supetão.
– Olá. – disse ele sorrindo amarelo em direção ao ruivo.
– E aí Draco? – disse Harry simpático. Misteriosamente a inimizade deles passara a partir do momento que partilharam o momento que Harry fora para a floresta.
Hermione direcionou o olhar ao amigo, parecendo traída. Desde que Hermione expulsara Draco d’a toca sob o pretexto de precisa digerir toda a historia de que eram namorados, o trio haviam feito um acordo mutuo de não mencionar a historia.
– Malfoy. – Rony balançou a cabeça.
O ruivo nunca deixaria de odiar Draco. Mesmo que não quisesse admitir ele não podia acreditar que fora ele quem despertara o amor de Hermione. Ele era orgulhoso demais para aprovar a ideia. Por mais que não fosse apaixonado pela morena – pelo menos era o que insistia a si mesmo -Rony não queria a repartir.
– Weasley.
– Hum, — Gina olhou de um garoto para o outro sentindo a animosidade – sente-se com a gente. – disse receosa.
– Não! – Hermione deu um pulo em seu acento, para então se acomodar novamente timidamente. – O que quero dizer, — tentou corrigir-se – é que com certeza ele deve ter muitos amigos loucos para ter ele. A Pansy e tal.
– Na realidade, — ele sentou-se ao lado de Harry, ficando de frente para a garota e sorrindo torto – depois que eu resolvi me juntar a você na batalha meus amigos já não gostam mais de mim. – Draco inclinou-se, apoiando seus cotovelos em seus joelhos, encarando a garota. – Então a culpada de eu não ter companhia é você, acho que o mínimo que pode fazer agora é me deixar ficar aqui. E acredito que você não prefira que eu fique com a Pansy. Pelo menos você ficava de cara feia toda vez que ela chega num raio de 10 km de mim.
Hermione abriu a boca para dizer algo e então fechou, fazendo um biquinho que para Draco parecia hilário. Ele sabia que a falta de memoria a afetava. Ela não gostava de não ter completo domínio sobre as coisas a sua volta. Ela queria saber qual seria o seu próximo passo, mas ela não saberia, pois ele não era mais o que ela lembrava. Ele realmente mudara por ela, ela só precisaria redescobrir isso. Ela estaria sempre um passo atrás nessa batalha verbal. Ele já sabia todos os truques que ela poderia usar e lidar com eles facilmente.
Então ele sorriu daquela maneira que ele dedicava somente para ela, da maneira que sabia que a afetava, pois ele só sabia ser assim para ela. Ele podia lembrar quando sorrira assim para ela a primeira vez e como seu olhar foi surpreso e um pouco mais: admirado. A morena abriu os lábios suavemente e deixou sair uma arfada de ar, então virou o rosto para o lado, levando a mão ao pescoço. E o que pareceu uma eternidade depois ela revirou os olhos e recostou-se no banco.
Enquanto Hermione pensava da onde surgira aquele sorriso nada típico do Malfoy os seus 3 amigos pareciam alheios ao que acontecera. Os três estavam muito envolvidos numa conversa acalorada sobre quadribol. Hermione nunca entenderia porque sentiam tanta paixão naquele esporte, mas sempre ficava admirada pela garra que tinham por aquilo e por serem bons no que faziam. Bem ou mal ela adorava poder esfregar na cara da Sonserina que a Grifinória era melhor.
– Sabe, não sei se lembra. – começou Draco, aproveitando a distração dos 3. – Mas somos monitores-chefes.
– Nem com o obliviate mais potente do mundo eu esqueceria do desprezo que senti quando Minerva nos obrigou a trabalhar juntos. – ela tentou direcionar o seu melhor olhar de desprezo para o loiro, mas isso só o fez rir.
– Eu também lembro. Lembro muito bem a maneira que aceitei só para poder te infernizar. Foi a melhor decisão que já tomei.
– É? – Hermione indignou-se com o comentário do garoto. – Quer diz...
– Sim, quer dizer que foi a melhor decisão porque eu tive a oportunidade de me apaixonar por você.
Um silencio incomodo se instalou na cabide após a ultima frase do loiro, todos o olharam surpresos. Por mais que todos soubessem agora da relação que Hermione e Draco tinham, não significa que podiam se acostumar a ideia de Draco demonstrar publicamente afeto.
– Cala a boca Malfoy. – Hermione disse baixinho segundos depois, tentando quebrar o clima tenso. Tudo que Draco fez foi sorrir de canto.
Por mais que tentasse ele não conseguia não se sentir magoado com aquilo. Era deprimente saber que não a teria novamente por algum tempo. Mas ele sabia que a reconquistaria. Ele sabia que ele a teria de volta. Ela já o amara uma vez, ela poderia a amar uma segunda.
Mas enquanto ele não conseguia reconquistar Hermione seu ódio por Lúcio se aumentaria, Draco sabia disso. E isso era tudo que ele precisava para continuar com sua determinação para encontra-lo e o fazer pagar por isso. Ele nunca deixaria o pai imune por tudo que fez a sua mãe e a Hermione.
– Bem, voltando ao assunto depois de sua indelicadeza. – continuou Draco. – Temos que ir vistoriar as cabines.
– Indelicadeza? – Hermione levantou-se sorrindo ironicamente. – Não sabia que estava ficando sensível Draco.
Draco revirou os olhos e então abriu a porta segurando-a aberta, esperando Hermione passar. Hermione olhou-a desconfiada.
– Desde quando você tem educação Malfoy? – perguntou a garota azeda.
– Não é educação, só quero olhar para sua bunda. Agora anda logo. – ele estreitou os olhos e sorriu com malicia.
Harry e Gina que observavam a cena não aguentaram e desataram-se a rir, já Rony corara até a raiz do cabelo. Suas orelhas pareciam em fogo. Draco agora sorria abertamente, enquanto Hermione, da mesma forma que o Weasley, corara.
Com raiva Hermione, segurara Malfoy pela cintura e o empurrara pelo corredor, antes que ele pudesse dizer alguma outra coisa. Mesmo aquele pequeno toque fazia com que o coração do loiro disparasse, era uma pena que a morena não pudesse sentir aquilo.
Hermione logo após fechar a porta empurrara o garoto para o lado e seguiu marchando em frente ao Draco, indo até a cabine particular dos monitores. Aproveitando-se da deixa Draco esgueirou-se para dentro da cabine junto dela, fechando a porta atrás de si. Ele colocou no rosto o melhor olhar de inocência que pode.
– E aí Hermione? — chamou ele.
– Hermione? Qual a dificuldade de continuarmos com nossa pequena hostilidade de que lembro e seguirmos nos chamando pelos nossos sobrenomes? Não quero correr o risco de ter que lhe dar pequenos fofos e amorosos apelidos. – a garota disse asperamente.
Draco a encarou com uma sobrancelha erguida e então desatou-se a rir.
– O que? – Hermione estreitou os olhos e o encarou emburrada.
– Nada, é só que você não muda nunca. – Draco a encarou nos olhos. – Essa não é a primeira vez que fala isso para mim.
– Não sou tão original pelo que parece. – ela deu de ombros. – Mas tenho bastante convicção pelo que digo.
– Não está curiosa sobre minha resposta? Quando você disse isso?
– Hum. – resmungou Hermione, não concordando e muito menos discordando. A sua curiosidade sobre o que passara ardia dentro dela, mesmo ela acreditando piamente que havia algo errado naquela historia. Ela é Malfoy? Era impossível!
Aproveitando que Hermione não discordara dele demonstrar ele trouxe a tona aquele sorriso de deboche que antigamente usava com frequência e então puxou-a pela cintura, encostando-a em seu corpo, girou seu corpo, fazendo com que eles trocassem de lugar e a encostou na porta da cabine. Levou sua boca para perto da orelha da garota.
– E se eu quiser te chamar por esse nomezinho horroroso? – ele omitiu a parte em que ele claramente a chamava de sangue-ruim no final da sentença.
– Tire suas mãos de mim. – Draco conseguiu ouvir a hesitação suave na voz da garota.
Hermione’s pov
Espalmei minhas mãos em seu peito e o empurrei para longe. Por mais que eu não quisesse admitir aquela voz sussurrada com rouquidão, aquele perfume e até mesmo o tecido confortável no momento em que eu o tocara traziam alguma coisa a tona em minha mente. Parecia que havia alguma parte querendo romper algo dentro de mim e eu não sabia o que seria aquilo. Estava com medo de encarar aquilo de frente.
Era estranho vê-lo ali na minha frente e não sentir um pingo e saber que o mesmo já compartilhara toda uma historia junto de mim e eu não me lembrar do fato. Eu não conseguia botar em mente isso. Não conseguia administrar tudo o que estava acontecendo. Tudo que eu podia me lembrar era a raiva e magoa que sentia por ele, por tudo que ele já me fizera passar chamando-me de sangue-ruim e desprezando-me. E, no entanto, eu ainda sentia pena do garoto. Se ele gostava de mim, se namorávamos e se ele realmente largara o lado de seus pais para ficar ao meu lado na batalha, ele realmente me queria e deveria estar sofrendo, não?
Mas tudo que podia me lembrar da batalha não envolvia nenhum Draco. E quando envolvia, envolvia ele batalhando contra nós. Levei aos mãos ao rosto e me afundei no banco vermelho atrás de mim. Aquilo era demais para mim. Eu não podia lidar com aquilo. Era uma lacuna muito grande deixada para trás. Mas quem sabe aquilo não era o certo? Afinal, o que tinha a ver um Malfoy e uma sangue-ruim juntos, certo?
– Hermione? – sua voz parecia preocupada.
– Não me chame assim, tá bom? – gritei frustrada, o olhando. Meu semblante parecia cansado, mesmo eu não estando olhando para mim eu sabia disso.
Eu passara as duas ultimas noites em claro, debatendo-me sobre as possibilidades de tudo aquilo ser verdade. Querendo acreditar que não passava de uma mentira absurda. Mas como seria se até m esmo Harry e Rony concordavam com a história de Draco?
Eu não gostava do Rony? Eu podia me lembrar que gostava dele antes de tudo. E mesmo agora eu poderia jurar que gosto dele. Não gosto?
– Me desculpe. – Draco parecia estar sentindo culpa.
– Não se desculpe. –novamente alteei a voz. – Você não faz isso.
– Na verdade eu faço isso com frequência com você. – Draco suspirou sentando-se a uma pequena distancia de mim. Me enrijeci em tensão. – Me desculpe por Lúcio. Eu juro que o farei pagar por isso Mi.
– Não me chame de Mi. – balancei a cabeça frustrada. Aquilo era demais, era impossível. Não era humanamente possível um Malfoy agir assim com uma sangue-ruim.
– Costume. Você não tinha problemas com isso. – o garoto deu de ombros, parecendo cansado e até mesmo sua feição se tornou momentaneamente triste, pelo menos foi o que me pareceu. Mas se ele realmente estava assim ele fez questão de esconder rapidamente.
– Só vamos vistoriar os corredores, por favor. – pedi baixo, tentando parar de ser tão dura com ele, mesmo que fosse completamente contra meus extintos.
Ergui minha cabeça e o encarei, olhando em seus olhos. Seu olhos cinzas me encaravam de volta, seu olhar parecia implorar por algo, eu podia ver perifericamente seu peito descer e subir rapidamente. O que pareceu uma eternidade depois eu desviei o olhar, eu mesmo me sentindo com o pulso acelerado. Aquele olhar fora intenso demais para que eu pudesse sustentar.
– Pode me dar licença, por favor? Quero me trocar. – tentei não demonstrar que fiquei abalada sob aquele olhar.
– Sabe que já te vi muitas vezes só com suas roupas intimas não sabe? – perguntou ele, novamente trazendo a tona aquele sorriso malicioso que dera na cabine dos garotos e Gina. – Na verdade te vi com muito menos que isso.
– Dá.o.fo.ra.da.qui. – disse cada sílaba separadamente, qualquer vestígio de compaixão que eu sentira pelo garoto evaporando. Empurrei-o para fora da cabine, ouvindo seu riso debochado.
Eu sabia que era estupidez ter feito isso. Eu poderia simplesmente ter trocado de roupa com um aceno de varinha, mas eu precisava de um pouco de privacidade.
E também, como ele tinha a audácia de falar algo desse gênero para alguém como eu? Bufando, puxei a minha varinha e fiz as cortinas se fecharem com um aceno. Apontando a varinha para o meu malão pensei nas minhas vestimentas da Grifinória e as conjurei. Sem pressa alguma me vesti. Após me olhar na janela da cabine e ver se tinha algo fora de ordem, tirei o rabicó de meu pulso e prendi meu cabelo numa trança de lado.
– Você pode usar agora. – disse abrindo a porta da cabine de supetão. O garoto se encontrava encostado de costas contra a parede do trem.
Ameacei a sair pela porta.
– Você não precisa sair.
– Ah eu preciso. – estreitei os olhos. Ele ergueu as mãos em sinal de rendimento. Tive que juntar toda a força que existia em mim naquele momento para não rir. Era muito idiota da minha parte ter achado graça naquele gesto.
– Tudo bem, madame. – então ele se afastou para eu passar. – Você que estará perdendo de ver esse corpinho aqui. – disse ele em tom de brincadeira, enquanto se encostava contra a porta da cabine.
Revirei meus olhos para ele e fechei a porta em sua cara. Pude ouvir seu riso e não pude evitar sorrir de canto.
–*-*-
Antes do que o esperado chegamos ao castelo.
– Hagrid! – sorri ao vê-lo ao longe. Sua mão gigantesca acenou em minha direção, seu sorriso era visível.
Me aproximei dele e então o mesmo me puxou para um abraço de quebrar costelas. Sorri após solta-lo, pensando se seria mal educado fazer um feitiço de cura em sua frente. Eu podia jurar que algo realmente quebrara, pela dor que eu sentia. Mesmo assim me senti feliz por ver o gigante, bem, meio-gigante bem.
– Tudo bem? – perguntou ele alegremente. – Como foram as férias?
– Boas. – respondi, sorrindo amargo agora sabendo que eu não lembrava de metade de minhas férias, pois essas foram passadas com ele.
– Que ótimo! E ouvi dizer que está namorando com o garoto Malfoy. Que mudança, hein?
– Hum. – foi minha resposta inteligente, junto de um sorriso desanimado.
– O que houve? Aquele bastardo te fez sofrer? – Hagrid elevou a voz.
– Não foi nada disso, fique tranquilo. Acho que os alunos estão te esperando.
– Ah sim! – Hagrid sobressaltou. – Esqueci. – parecia envergonhado e então ergueu sua mãozona e gritou: – Alunos do primeiro ano por aqui. Primeiro ano, por aqui!
– Saudades daqui. – sorri abertamente, finalmente algo que eu podia lembrar e amar sem sentir uma lacuna e culpa no peito. – Eles realmente conseguiram reformar tudinho?
– Claro. – Hagrid piscou. – Está tudo novinho em folha. A propósito, não quer ir junto conosco de bote? Sempre trago dois a mais.
– Uau. Claro! Obrigada Hagrid.
Felizmente, como estava um bom dia – no caso, noite — resolvi ir com Hagrid de bote, atravessando o lago para juntos levarmos os primeiranistas. Infelizmente, Malfoy viu minha intenção e antes que eu pudesse sequer pensar em mudar meus planos ele se sentou no mesmo bote em que eu estava.
– O que está fazendo? – sussurrei para ele, inclinando-me em sua direção, para que nenhum dos primeiranistas pudessem escutar o que estávamos conversando.
– Indo andar de bote contigo. A luz de lampiões. Achei que poderia ser romântico. – sussurrou ele de volta, falando cada frase pausadamente. – Afinal nunca fizemos isso.
– Que romântico. Uau! – disse mais alto agora, ironicamente, arrancando alguns olhares curiosos. Revirei os olhos e me virei de costas para ele, olhando diretamente para o castelo.
– É lindo não é? – perguntou Draco a minhas costas no momento em que os botes começaram a deslizar pelo lago negro.
– Uhum. – resmunguei de volta, lembrando da minha primeira viagem por aquele lago, atravessando-o.
– Hermione? – chamou Draco. Suspirei cansada e me virei de frente para ele.
– Sim? – tentei fazer uma nota mental de parar de xingá-lo toda vez que ele me chamasse pelo primeiro nome ou eu ia gastar minha cota de xingamentos em apenas um dia.
– Nada. – disse ele, encarando meu rosto com o que parecia ser admiração. – Só queria te ver. – ele não sorriu, estava sério demais.
Por mais que eu não quisesse, não pude evitar corar. Aquilo tudo era tão estranho e frustrante. Quem era aquele garoto que estava comigo ali naquele barco. Por mais que eu odiasse o Draco Malfoy, eu não estava conseguindo odiar esse garotona mesma intensidade. Ele era diferente mesmo que tivesse a mesma cara do outro.
Sem mais esperar me virei novamente para o castelo, sem ter uma resposta inteligente para o que Malfoy disse.
Draco’s pov
Ela estava linda somente sob a luz dos lampiões e da lua. Eu sequer conseguia me impressionar pela vista maravilhosa do castelo a nossa frente. Me doía mais do que eu poderia explicar saber que ela não me amava mais, que ela não sentia mais o que eu mesmo sentia toda vez que eu a olhava.
Mas tudo bem, eu amaria por nós dois pelo tempo que fosse necessário, até eu conquista-la outra vez.
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