Era sábado. Dia de acordar tarde e passar o resto do dia jogando vídeo game. Na sua antiga rotina, seria isso.

Mas aquele era o primeiro sábado que Arthur passava na sua casa, e toda a sua rotina já estava bagunçada. Faltavam poucos minutos para as oito da manhã e Alfred já estava acordado, só enrolando em se levantar da cama. Tudo era culpa de Arthur, que já tinha se levantado e privado o corpo do americano do calor agradável que vinha do corpo do pequeno inglês.

E por causa daquilo, agora Alfred não conseguia voltar a dormir. Estava ali como um idiota, olhando para o teto e pensando em Arthur há quase uma hora. Ele queria descer e ficar juntinho de Arthur, o abraçar, beijar e... Não podia ficar pensado naquelas coisas! Já bastava o que tinha acontecido ontem!

Pôde ouvir o som da água saindo da mangueira e molhando as flores que Arthur tanto estimava. Se fechasse os olhos, Alfred poderia imaginar com perfeição Arthur molhando as plantas, e olhando com carinho para cada uma delas, parando uma e outra vez para arrancar ervas daninhas que poderiam matar uma de suas adoradas flores.

Gemeu e rolou na espaçosa cama, que parecia ridiculamente grande sem Inglaterra ali. Tudo parecia errado e sem graça com Arthur longe de si. Alfred não gostava de pensar em como ficaria a casa, e sua relação com Arthur depois que este recuperasse a memória. O inglês o mataria por ter se aproveitado de sua fragilidade.

Se bem que se tinha alguém se aproveitando da fragilidade de alheios, era Arthur. O menor tinha se aproveitado dos sentimentos de Alfred para agir como um pervertido. Um pervertido adorável, mas ainda assim, um pervertido. Porque Alfred nunca esqueceria que sua primeira vez com o inglês quase aconteceu no seu sofá, e com Arthur com as idéias fora de lugar.

Sentiu algo suave roçar no seu rosto, quem sabe era Arthur que tinha vindo lhe acordar suavemente. Virou o rosto para o lado e encontrou dois olhos verdes, com pupilas verticais. Ah, era só o gato feio de Inglaterra. Levou a mão em direção a cabeça branca e marrom do gato. Mas percebeu que Scone não gostava muito de carinho por que quando a mão do americano encostou no seu pelo, o gatinho fincou as garras nela, arrancando um grito do humano e fazendo com que o mesmo saísse pulando da cama.


- Por que você fez isso?! Gatinho mal!!

Era um simples machucado, nada mais que três riscos na mão do americano, mas eles ardiam. Alfred agia como se o pobre gatinho tivesse tentado arrancar a sua mão fora.

Alfred olhou para o gato que estava sentado na sua cama, aquele bicho tinha a mesma personalidade terrível de Arthur, se você o abraça, faz um carinho, você apanha. Se tenta ser gentil, apanha também!


- Você é um gatinho horrível. Hambúrguer, pega ele!

O gato caramelo e mais gor- fofo, se aproximou sorrateiramente do outro gato, que chiou em aviso, e Alfred viu abismado o seu gato, que deveria defendê-lo daquele gato inglês rabugento, deitar de barriga para cima pedindo para brincar com o outro gatinho.


- Mas o que está acontecendo aqui? Os seres vivos que moram naquela ilha devem ter algum poder especial sobre os americanos, só pode!

Por que só podia ser essa a explicação para Alfred e Hambúrguer serem tão bobos diante a um inglês.

***


- Iggy seu gato é do mal! Onde já se viu, atacar o herói quando ele só queria fazer um carinho inocente?

O inglês apenas olhou para o namorado, se Scone tinha atacado era porque o idiota tinha merecido!


- sei, sei.

América inflou as bochechas infantilmente, ele sabia que Inglaterra só concordava com ele sem maiores discussões, quando achava que o assunto era muito idiota!


- Não seja sarcástico, Iggy. O herói não gosta! — exclamou fazendo biquinho.

Inglaterra olhou para o americano, que ainda vestia o pijama e estava sentado no meio da cama com uma expressão exagerada de dor. Tão tentador... Inglaterra não pôde se segurar mais.


- Não gosta, é? — e engatinhou até ficar em cima do outro que tinha as bochechas coradas de vergonha.

- Hey Iggy, o que você está fazendo?

América não podia acreditar que Inglaterra estava tentando fazer sexo com ele de novo. Pelo amor de todos os hambúrgueres, ainda era de manhã! E comprovando as teorias do herói, Inglaterra o beijou. Começou como da outra vez, calmo e então se transformava em um vulcão em erupção.

Podia sentir o corpo de América, coberto apenas por aquele fino pijama de dormir, podia sentir a pele, o calor. Era tudo tão bom, tão viciante! Não estava como da outra vez, estava bem mais intenso.

America rolou ficando assim em cima de Inglaterra, que gemeu com o movimento.


- Você me deve uma por ontem à noite, Alfred.

Inglaterra falava aquele tipo de coisas como se estivesse dizendo algo banal, e não dizendo que o americano o tinha deixando, literalmente, na mão.

Alfred sentiu as bochechas ficarem ainda mais vermelhas, nunca que ele esperava ouvir isso do gentleman que Inglaterra dizia ser.

- Achei que você fosse um gentleman, e estes não cobram favores. — disse Alfred, mas antes que pudesse dizer mais alguma coisa, Arthur voltou a beijá-lo, e mordeu o lábio inferior do maior como um castigo pelo comentário anterior.

- Vamos ser justos, herói. — disse com uma voz sarcástica, e completou — E eu também quero me divertir. — e sorriu sem vergonha.

A pancada tinha sido muito forte mesmo! Só assim para Arthur estar agindo tão fofamente sexy.

Os dois voltaram a se beijar. O beijo era quente, necessitado, e acima de tudo, cauteloso. Porque América podia aproveitar os beijos, e até uma carícia mais quente, mas nunca deveria passar daquilo. Se passasse as consequências seriam muito sérias.

Arthur gemeu quando o americano puxou o seu quadril com força, de encontro ao dele. E então começou a fazer uma simulação de uma penetração.


- Isso nos deixa quites, Arthur?

O inglês apenas concordou com um aceno de cabeça rapidamente, e requisitou novamente os lábios do americano de encontro aos seus.

A fricção era prazerosa, mas ainda não era o que Arthur esperava, não era como se ele fosse um pervertido que só pensasse em sexo, mas era normal querer fazer aquilo com quem se gosta. E ele não entendia por que América agia como se os dois nunca tivessem feito aquele tipo de coisa.


- Eu te amo, ouviu Arthur? Eu te amo muito. — As palavras que o americano sussurrou no seu ouvido, junto com o hálito quente dele, fizeram o inglês gemer baixinho:

- Eu também te amo, seu idiota. — As mãos do americano no seu quadril o puxaram com mais força em direção a ele, e Arthur teve certeza que depois ficaria com duas marcas rochas no quadril.

Era melhor do que da outra vez, por que ambos estavam aproveitando juntos, mas aquilo ainda não era o bastante. Parecia que nunca seria o bastante.

Os corpos buscavam por mais contato, a roupa grudava na suada, era incômoda, mas não o bastante para merecer atenção naquele momento.

E do mesmo jeito imprevisto que começou, terminou.


- Hey Alfred, que tal se da próxima vez nós dispensarmos as roupas? — perguntou brincalhão, e teve como resposta apenas um resmungo do americano.

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O cheiro de café recém-moído enchia a cozinha. Aquele era um cheiro que trazia América de volta à sua antiga rotina, uma rotina sem Arthur, sem beijos e amassos quentes logo pela manhã.

Alfred, que estava ocupado demais olhando para a sua moderna cafeteira, foi tirado de seus devaneios a ouvir a voz de Inglaterra.


- Minha cabeça dói... — O inglês estava sentado na mesa e tinha ambas as mãos na cabeça, perto do local onde ele tinha levado pontos pelo acidente.

- ...Que tal um remédio?

Porque era óbvio que o herói não deixaria o seu falso namorado ficar sofrendo com uma horrenda dor de cabeça. O que o herói não esperava era pela próxima frase de Inglaterra.


- Francis me paga, aquela cadeirada ainda está fazendo minha cabeça doer...

Foi como se o tempo parasse. Arthur não tinha como saber que França tinha lhe dado uma cadeirada, porque Francis mesmo que tinha dito ao inglês que ele tinha caído da escada.


- Mas... Achei que você tinha caído da escada, Iggy. — América estava de costas para Inglaterra e tinha o rosto pálido, pois o inglês estava lembrando-se das coisas.

Sentia as mãos suarem e a voz sair fraca e vacilante. Seu castelo de areia começava a desmoronar, lentamente.


- Foi o que aquele idiota tinha me dito, mas se ele acha que pode me enganar ele esta muito errado! — disse num tom irritado e, ao ver o estado de seu namorado, perguntou — Hey Alfred, você esta bem?

Se ele estava bem? Mas é claro que não, Alfred estava lutando contra o pânico que ameaçava tomar conta de si. Pânico esse, que o faria contar tudo para o inglês.

Pegando a sua xícara de café e colocando seu melhor sorriso no rosto, América se encaminhou à mesa.


- Sim, eu estou bem, Iggy. Só fiquei surpreso que Francis tenha feito isso com você. Normalmente quem age com essa brutalidade é você.

Demorou apenas dois segundo para o inglês entender o que o americano estava falando.


- Está insinuando o que, Alfred? Pois saiba que eu sou um cavalheiro, e que se eu me comporto fora dos meus padrões com França... É porque ele merece.

América suspirou aliviado, por enquanto ele estava conseguindo desviar Inglaterra de pensar sobre o assunto anterior, mas não conseguiria manter isso por muito mais tempo.


- Eu sei que você é um cavalheiro, Iggy.

O inglês apenas ergueu uma sobrancelha e tomou um gole de seu chá, antes de responder ao comentário.


- Assim como eu sou um cavalheiro, você é um herói, América. — Que falso-namorado cruel que ele fora arranjar!

- Hey Alfred, mudando de assunto, posso usar o seu escritório depois, eu gostaria de falar com o meu chefe.

América olhou para Inglaterra que parecia estar concentrado demais tomando sua xícara de chá e comendo biscoitos. Ainda bem que o inglês não parecia querer levar o tema da agressão de Francis à serio.


- Ah, claro que pode, Iggy!

Como agradecimento, Alfred ganhou um leve sorriso de Arthur, e ambos voltaram aos seus respectivos cafés da manhã.

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Oh, mas é claro que América não estava espionando Arthur! Ele so estava com um copo de vidro colado na porta para saber se Inglaterra não ia falar nada sobre França ou sobre ele.

Por enquanto o pequeno inglês só estava falando de economia e política.

Até que o primeiro ministro inglês fez uma pergunta que fez o sangue de América congelar nas veias.

- E você e América, Inglaterra? Está tudo bem?

E agora? O que Inglaterra responderia? Que sim? Talvez um não e dissesse que o seu falso-namorado andava estranho consigo?


- Sim, está tudo bem.

Alfred não pôde conter um suspiro de alivio, agora era só os dois acabarem com aquela vídeo-conferência e-


- Mas eu gostaria de falar sobre França.

Notas finais
Ola meninas!
Deu uma sumida.
Mais final de ano não e fácil, provas e mais provas!
Mais já estou de volta!Espero que tenham gostado do capitulo.
Beijos e ate à próxima