You could be Happy
12 Capítulo 11
Notas iniciais
Capítulo 11
Namorar?
Tobias?
Bem eram palavras que eu realmente não imaginava caber em uma mesma frase
O Baile foi maravilhoso, ou pelo menos eu achava, pois depois do beijo na pista os outros beijos forma inevitáveis.
E tudo para mim se resumiu em dançar com Tobias, Beijar Tobias, rir com Tobias, brigar com Tobias. Porque é claro que ele não deixou de uma hora para outra de ser uma pessoa irritante, e eu também não sou uma pessoa muito legal.
— Vamos eu te levo embora.
Tobias disse assim que ele viu que eu estava exausta. Ele estacionou em frente a minha casa, eu fiquei um tempo calada antes de quebrar o silêncio.
— Como ficaremos?
Suspirei forte, olhei em direção a minha casa e de volta para Tobias.
— Não acho que seria bom falar alguma coisa agora, meus pais estão lidando com as mudanças tão rapidamente, eu acho... Nossa! — eu pare e pensei um pouco. — Eu nem sei o que somos.
— Depende de você Hazel. — ele sorriu e me deu um beijo leve nos lábios.
— Veremos onde isso vai dar Tobias. — retribuí o beijo, mas desta vez ele segurou minha nuca e aprofundou o beijo, até que o ar fosse necessário, tivemos que nos afastar.
— Acho que é melhor eu entrar. — falei ainda de olhos fechados e ofegando.
— Boa noite Hazel.
— Boa Noite Tobias.
Entrei com a minha chave, achei que encontraria meus pais acordados e preocupados afinal era meu primeiro baile, mas assim que subi as escadas eu dei uma olhada no quarto deles, e estavam os dois dormindo tranquilamente.
Fiquei de costas na porta do meu quarto por um tempo tentando organizar as ideias e lembranças da noite.
Imagens de tudo passavam como um flash, eu comecei a sorrir, eu tinha sido beijada de verdade, não um, mas vários beijos.
Coloquei minha mão em meus lábios eles estavam levemente inchados, Tobias tinha uma mania constante de mordê-los ao final de cada beijo, fechei meus olhos tentando acreditar em tudo.
Andei um pouco até a cama me jogando de costas, fiquei fitando o teto, havia estrelas que brilhava durante a noite eu ficava ali olhando para elas feito uma idiota. Eu sorria, até que senti juntamente com meu sorriso as lágrimas.
Se haveria felicidade maior que essa, ou uma sensação ainda mais forte que abalasse tanto a razão como o coração, eu não sabia, pois até aquele momento, aquela era minha sensação de felicidade.
A manhã de domingo nunca foi tão linda, o céu nunca teve as cores que eu estava vendo hoje, somente tinha lido romances em que se descreviam algumas sensações como essa, e até então eu não poderia assimila-las por não ter sentido.
Creio eu que agora se eu lesse novamente qualquer que fosse a história de amor que eu já lera, elas fariam maior sentido.
Romeu e Julieta, Sr. Darcy e Elizabeth entre esses todos os casais que eu sempre questionava a sua devoção em lutar por um sentimento até então eu não conhecia.
— Hazel? — minha mãe batia em minha porta.
— Entre.
— Nossa achei que não acordaria hoje! E aí vai me contar como foi o baile?
Pensei por um instante, eu não sabia como chegar a esse assunto, não quando eu mesma estava em dúvida em algumas coisas. Como eu chegaria a minha mãe e diria simplesmente que beijei um rapaz no baile? Ela teria um surto psicótico! E só de imaginar meu pai e Tobias sentados na mesma sala e ele enchendo o rapaz de perguntas, eu fiquei arrepiada.
— Foi bem, acho que eu me diverti muito.
— Dançou com algum rapaz?
Mordi os lábios, mas decidi dar o mínimo de informações a ela, mas o suficiente para deixa-la contente e ela desistir do interrogatório logo.
— Sim mãe era um baile eu dancei.
— Com quem? Ele é bonito?
— Mãe!
— Filha, é que eu estou curiosa!
— Percebi.
— Mas... — ela insistiu.
— Sim acho que ele é. — dei de ombros. — Você o conheceu.
Resolvi dar algumas pistas, pensei que se um dia realmente eu chamar o Tobias de namorado, ela não iria se espantar.
— Conheci? — ela deitou a cabeça de lado e logo sorriu. — O Rapaz que veio aqui há alguns meses? — ela perguntou com seus olhos brilhando.
— Sim, um deles. — lembrei que foi dois.
Minha mãe me encarou por um tempo e sorriu novamente.
— O rapaz do bolo.
— Como?
— Sim o que ficou fazendo o trabalho aqui com você, ele amou meu bolo, eu sabia Hazel, vocês são perfeitos!
— Ei, pode parar de shippar casal aí!
— Como?
— Esquece é um termo, mas o que importa é, pare de formar casais, e para sua informação naquele dia eu o estava odiando demais.
— Odiando?
— Mãe, coisas nossas.
— Ok Hazel, mas... — ela fez uma pausa... — Vocês somente dançaram?
— Mãe!
— Tudo bem, eu não pergunto mais nada, mas filha eu quero te pedir algo.
— Peça.
— Sempre fomos amigas além de mãe e filha, acho que sim, não?
Pensei por um momento, e essa resposta era difícil, pois realmente eu tive muita ausência de amizades e fora a enfermeira do hospital eu não confidenciava muitas coisas com outras pessoas, e minha mãe era a última que eu compartilharia minhas ideias e meus medos, e até mesmo minha falta de fé que um dia eu teria o milagre do transplante, só que eu não queria magoa-la, nunca e não seria agora.
— Sim mãe.
— Então, quero sempre estar por dentro de sua vida, mesmo agora que está fora de meus olhares, você está vivendo e isso é bom, mas é assustador para uma mãe saber disso, quero ser a primeira, a saber, de algumas coisas sabe?!
Olhei perplexa para ela.
— Mãe não... Essa conversa não!
— Filha isso é importante!
— Mãe eu já sei de tudo , não se preocupe, sabe que a TV ajuda.
— Não da forma certa, Hazel!
— Me recuso. — tapei os ouvidos.
— Uma hora vamos ter que falar de sexo, e você é linda, isso pode não demorar.
— Mãe!
— Tudo bem, não hoje, mas vamos falar disso.
— Tudo bem, não hoje.
Respirei aliviada assim que ela deixou meu quarto.
Observei em volta e entendi um pouco da minha mãe, meu quarto ainda havia brinquedos o que significava que eu há pouco deixei de ser uma criança.
Deitei em minha cama peguei meu celular e fui olhar a rede social.
Eu fui marcada em várias fotos, e para meu espanto estava com Tobias, fiz questão de olhar todas em que eu conseguisse, e graças a Deus ninguém postou um beijo ou cena indiscreta, mas os comentários estavam rolando isso era incontestável.
Fofoca cibernética, bufei por essa pequena popularidade, eu só queria ser invisível, já que o buraco que eu desejo nunca aparece.
Uma mensagem chegou, tamanho foi meu espanto quando vi que era de Tobias.
T."Hazel, Bom dia"
H."Bom dia Tobias."
T."Viu as fotos?"
H."sim, achei deplorável o fato de eu estragar todas as suas fotos"
T."affs, acho que nem quero comentar isso"
T."o que essa garota estraga fotos faz aos domingos?"
Pensei por um instante, meus domingos eram resumidos a pais, almoço em família, e ler.
H."Nada"
T."me recuso a aceitar isso."
H"Acredite, você vai se entediar ao saber, pode ate dormir."
T,"zzz...Opa o que você disse??"
H" :P "
T"Não mostre a língua, tenho imagens nada puras."
Neste instante eu sorri, mas ao mesmo tempo fiquei temerosa o que eu responderia? Foi aí que eu percebi, eu não era de conversar por mensagens com muitas pessoas, somente com Chris, mas ela geralmente estava tendo surtos com Will e seu relacionamento. Mas agora era com Tobias com quem eu trocava mensagem.
T."? "
T."Hazel"
Demorei a digitar, mas enfim resolvi brincar também, afinal, acho que isso poderia ser normal.
H."Desculpe, tentei imaginar que imagens nada puras você se referia, e pensei nas bactérias presente na boca humana, deve ser nada puro."
T." :P"
T." Acho que não me entendeu."
H"entendi mais do que pensa."
Foi a vez de ele demorar a responder.
H"?"
H." Tobias?"
T."Aceitaria dar uma volta?"
H"Somente se você prometer me manter longe das impurezas"
T."Isso eu não vou prometer"
"Onde iriamos?
T."Passo ai em uma hora esteja pronta."
Eu ia responder, mas a bolinha de online dele se apagou.
Droga!
Saltei da cama, e fui tentar achar uma roupa, mas e meus pais? O que eu falaria para minha mãe, sem que ela me enchesse de perguntas?
Saí porta a fora e desci as escadas correndo.
— Calma Hazel! — meu pai falou quando eu esbarrei nele.
— Eu vou sair.
— Aonde vai com essa pressa toda?
— Vou me arrumar antes, mas vim avisar tudo bem?
Eu ia subindo quando meu pai chamou.
— Calma aí mocinha, para onde vai?
— Realmente, eu não sei.
— Como assim? — minha mãe saiu da cozinha enxugando a mão em um pano de prato.
— Eu não sei, só sei que vou dar uma volta.
— Hazel com quem? — meu pai me encarou nada contente.
Olhei para os dois.
— Com um amigo.
Girei nos calcanhares e ia subindo, mas meu pai chamou novamente, virei com a maior cara de tédio que eu consegui fazer.
— Quem é esse amigo?
Sorri para os dois, porém encarei a minha mãe com um sorriso.
— Com o rapaz do bolo. — dei de ombros e subi correndo, só ouvi as risadinhas de minha mãe e ela dizer algo que certamente era para despreocupar meu pai.
Escolhi uma blusa azul de botões observando se eles cobriam a minha cicatriz corretamente, um jeans, pois realmente não saber aonde se vai deixa poucas opções.
Demorei muito no banho, ainda bem que meus cabelos curtos eram fáceis de secar, olhei no espelho pensando se deveria passar alguma maquiagem, então passei um batom, mas me lembrei da menção dele as coisas nada puras e retirei o batom, garotos não gostam de beijar com batom, eu li isso em uma dessas revistas idiotas, mas resolvi não arriscar, somente passei uma máscara nos cílios, e um lápis.
Desci as escadas apressadamente quando minha mãe me chamou avisando que o belo rapaz do bolo havia chegado.
— Tchau mãe! — passei por ela puxando a mão de Tobias antes que eles resolvessem chama-lo para entrar.
— Hazel e o almoço? — minha mãe perguntou, me fazendo parar e olhar para ela.
— Comemos algo no caminho, não se preocupe.
— Fiz bolo de chocolate para sobremesa. — desta vez quem parou foi Tobias, eu encarei ele e olhei séria para minha mãe.
— Tchau mãe. — puxei Tobias apressadamente.
— Calma Hazel, ela fez bolo. — revirei os olhos quando entrava no carro. — Sua mãe é legal, fico imaginando como você pode ser filha dela. — revirei mais os olhos desta vez bufando ao sentar no banco do passageiro da caminhonete.
— E Você é a pessoa mais legal que eu conheço! — ironizei o encarando.
— Acho que é por isso que gosto de você. — ele sorriu de lado ligando o carro, olhei para trás e vi minha mãe com as duas mãos unidas e juntas ao peito.
Balancei a cabeça.
— Está me devendo um bolo.
— Para onde vai me levar?
Ele deu de ombros.
— Ainda não sei, mas vamos dar uma volta. — ele disse tranquilamente enquanto dirigia.
— O que você costuma fazer aos domingos? — perguntei.
— Te fiz essa pergunta antes.
— Minha vida não é muito interessante.
Ele me encarou e depois colocou os olhos na estrada, entramos em uma rua secundária e logo chegamos a uma praça, não estava tão cheia, mas muitas crianças brincavam de bola com seus pais, alguns faziam piquenique.
Tobias estacionou o carro, desceu, fiz o mesmo chegando a seu lado atrás da caminhonete.
Tobias abriu a lona atrás e retirou uma manta, fechou novamente.
— Se esperava eu tirar uma cesta de piquenique, se decepcionou. — ele sorriu.
— Eu? Não, nem imaginei isso. — e nem imaginei mesmo! Não seria algo que Tobias faria.
— Vamos.
Ele passou pelas crianças brincando, e continuou andando até que chegamos a um lugar mais distante da praça, eu podia ver tudo, o lago, as crianças, casais de namorados.
— Não imaginava que você fosse esse tipo de garoto Tobias.
Ele ergueu as sobrancelhas.
— Eu realmente não tinha o que fazer, e aí tive a ideia de vir aqui, quando eu era apenas moleque meu pai sempre quis que eu jogasse bola, e acho que isso o fazia me trazer aqui sempre para jogar com ele, imagina a decepção dele ao saber que isso não era meu sonho!
— Não era?
Ele me olhou estendeu a manta e sentou, deu uma tapinha ao seu lado e eu sentei.
— Não, eu não sei o que eu quero, mas fico me imaginando em algo realmente importante.
— Como ser importante sem saber o que você quer?
— Hazel eu fui criado para ser um jogador, mas não é isso que eu quero, e sei disso, só falta eu encontrar o que realmente me atrai. Meu pai não entende isso ele foi o capitão do time, e se não fosse por ter estourado seus joelhos ele hoje seria um profissional.
— Mas ele está transferindo o sonho dele para você.
— Sim, isso é o que me incomoda, mas esses dias depois de deixar de ser o capitão me deram mais luz, eu realmente estou aliviado por ter sido expulso do time.
— Mas seu pai não gostou.
— Não, mas é a minha vida. — ele encarava ao longe como se tivesse buscando alguma resposta para seu futuro.
— Por que me trouxe aqui?
— Acho que precisava desabafar, minha mãe entende, mas também não gosta de ficar contra ele, sabe ele pode ser muito ditador às vezes, Marcus Eaton é o soberano em nosso lar, o líder.
— É difícil de imaginar.
Tobias olhou em meus olhos, ergueu sua mão até meus cabelos e os acariciou, ele se aproximou e beijou meus lábios.
— E você Hazel? Qual a sua história?
Sorri para ele, e joguei meu corpo para trás deitando a cabeça na manta e encarando o céu azul.
Tobias ficou sentado ao meu lado me encarando.
— Eu não tenho uma vida interessante, aos sete anos me disseram que eu estava com meu coração cansado e que precisava descansar muito, e que eu jamais iria poder correr e interagir como uma criança normal, mas meus pais sempre quiseram me fazer me sentir especial, depois disso, dez anos se resumiram a muitos tratamentos, dias de hospital remédios e mais remédios, não tinha sonhos, e nem minha mãe falava comigo sobre uma profissão, a única coisa que eu ouvia era que eu tinha cardiomiopatia dilatada, e que precisava me manter viva, mas eu só não entendia porque manter viva uma pessoa que nunca realmente ia viver.
— Isso não é legal de se pensar.
— Acho que já percebeu que não sou muito legal.
— Mas isso mudou, não mudou?
— Eu realmente não consigo pensar ainda em como isso mudou, é como se eu ainda estivesse em um universo paralelo e que a qualquer momento eu vou acordar no hospital e ver que isso foi só um sonho e ilusão.
— Não deveria pensar assim, isso é ter pena de si mesma e você Hazel não parece a pessoa que quer depender de pena.
— Não, eu realmente não quero, eu fiz o transplante de coração, isso me deu uma nova vida, mas me fez analisar as coisas de outra forma.
— Hazel, eu queria somente que meu pai entendesse minhas escolhas, você ganhou um coração, se contente, e agora... — ele se debruçou em cima de mim tapando minha visão do céu e preenchendo com seus olhos. — Agora Hazel, viva, dê a vida que esse coração merece!
Ele me beijou, e o beijo foi intenso e forte, até que o ar se fez necessário ele deitou a meu lado segurou minha mão e ficamos ali por um tempo.
Eu sabia que o Tordo de meu desenho havia sido solto, ele agora não mais se debateria na gaiola, eu estava o deixando voar.
Era como estar ali segurando a mão de Tobias, me desse á luz que eu necessitava, e aprenderia a realmente viver e buscar meu lugar ao sol.
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