You could be Happy
13 Capítulo 12
Notas iniciais
Capítulo 12
Chegar à escola depois de um fim de semana realmente diferente e agitado, não era simples, eu sabia que teria de enfrentar outra batalha, eu fui vista dançando com Tobias, as minhas fotos do baile eram com ele, e realmente alguém viu o nosso beijo.
Estacionei o carro respirei fundo.
— Seja corajosa!
Diferentemente do que imaginei, eu passei tranquilamente pelo estacionamento, a não ser por alguns cumprimentos.
— Hazel, o baile estava perfeito espero os outros serem assim!
Sorria para o rapaz de cabelos enrolados que recolocou o fone de ouvido e saiu.
Eu nem me lembrava do nome dele, mas sabia que era calouro, pois ele estava nas fotos do mural que montei.
Entrei no corredor, peguei meus livros no armário, minhas preocupações eram em vão.
Na aula de literatura Tobias às vezes olhava em minha direção, mas eu evitava estar olhando para ele, tentei prestar atenção na aula, porém sempre me pegava olhando em sua direção.
A manhã passou normalmente.
Quando entrei no refeitório, o mesmo ar de animação da entrada pairava no ar, os sorriso e acenos, era como se eu estivesse em um lugar diferente.
— Hazel o baile foi perfeito, todos gostaram a orientação e a direção estão satisfeitas, e os alunos também! — Mônica estava ao meu lado na fila do almoço.
— Que bom!
— Bom? Isso é fantástico mostra que a nossa equipe da comissão de formatura foi mais que aceita e que nosso trabalho durante o ano e até a formatura vai ser tranquilo, obrigada Hazel. — Monica colocou a mão em meu ombro. — Obrigada mesmo.
Sorri para ela e me virei para a minha mesa de costume com meus amigos, mas avistei Tobias em uma mesa sozinho, e ele fez um gesto para que eu sentasse em sua frente.
Olhei para a mesa de meus amigos e para a dele. O que fazer? Sentar com os amigos que sempre te apoiaram quando todos a ignoravam? Ou sentar com o bonitão ex capitão do time que te beijou o fim de semana inteiro?
Assim que All levantou a cabeça e sorriu eu retribuí o sorriso, mas caminhei na direção da mesa de Tobias.
— Hoje não quer comer sozinho?
— Seus amigos não vão ficar chateados?
Olhei na direção da mesa, Will e Christina estavam sorrindo em sua bolha particular. Isaac estava conversando com Monica e pelos sorrisos eu imaginei que a dança do baile foi produtiva, mas All esse me encarou com ferrões em seus olhos.
— Não, acho que cada um tem sua bolha hoje.
— Então Hazel Grace sempre come tão pouco assim? — ele falou encarando minha bandeja.
— Sim.
Falamos de amenidades, e ficamos rindo da forma que as pessoas nos encaravam.
— Então é assim, a E.T agora acha que vai ocupar o lugar que não é dela mesmo?
Molli chegou ao nosso lado e se debruçou na mesa, quando ela falou isso vi a fúria nos olhos de Tobias, eu a encarei e puxei forças de onde eu nem imaginava que teria.
— Por que você tem o prazer de vir e provocar quem está quieto? Não preciso de sua opinião em minha vida.
— Mas precisa usurpar a vida dos outros, sério Tobias? — ela o encarou agora. — Já vai substitui-la assim?
Demorei um milésimo de segundo para entender do que ela falava, Tris, sim esse era o motivo.
— Não ouse Molli, não ouse usar isso! — ele a encarou e vi medo em seus olhos, o que Molli poderia dizer e usar que o afetava tanto?
— Não usar? — ela riu cínica. — Não estou usando nada, essa E.T sabe por que ela é uma usurpadora, porque para ela viver pessoas legais como Tris tiveram que morrer, assim como Tris teve seus órgãos espalhados por pessoas, essa aí usa um coração que não a pertence!
— Isso foi longe demais, vamos Hazel! — Tobias se levantou pegando em minha mão.
— Isso fuja, pois você é um assassino e sabe disso, se não fosse um idiota completo, ela estaria aqui entre nós!
— Molli cale a boca! — Christina chegou perto a segurando.
— Ah e você sua traidora! Todos vocês querem substitui-la, mas eu não, ela morreu, e aí essa E.T chega à escola, pega as amigas dela, e agora se não bastasse, pega o namorado dela! É por isso que te odeio, e esse coração que você tem aí, era de outra pessoa, não é seu, uma usurpadora de vidas, essa não é sua vida. E você Tobias, conte a sua nova namorada como você matou a Tris.
Molli saiu esbarrando nas pessoas com raiva, neste instante as palavras dela fizeram sentido, e como uma flecha atingiu meu coração de certa forma.
Era muita informação ao mesmo tempo.
— Hazel, não ligue para ela! — Christina falou ao meu lado.
As coisas estavam turvas e rodando, meu peso parecia dobrado, triplicado. Eu me sentia cansada de segurar tudo, as lágrimas tomavam conta de mim.
— Vamos Hazel! — Tobias segurou meu braço e tentava me guiar.
— Não! Deixe-me! — saí correndo.
Eu não poderia aguentar além da humilhação todas aquelas acusações!
Cheguei ao banheiro e entrei em uma cabine, fiquei ali por um tempo respirando o mais devagar possível, tentando fazer com que meus batimentos se normalizassem.
Molli me acusou de tudo que eu realmente sentia, eu sabia que tive de viver a custa da morte de outra pessoa, mas sabia também que ela só estava assim porque Tris teve seus órgãos doados, era isso que ela pensava que eu era uma usurpadora de vidas? E talvez eu fosse!
Mas e Tobias, ele causou o acidente que a matou, foi isso que a Chris quase me falou um dia em sua casa, mas se refreou.
Realmente, eu estava aqui com as amigas dela, e agora com o namorado, eu não poderia ser uma usurpadora de vidas, não, eu não era!
— Hazel! — a voz de Chris ecoou no banheiro.
— Vá, eu não quero falar nada sobre isso!
— Mas você vai, saia ou eu estouro a porta!
Abri a porta não por vontade, mas porque eu não duvidava nada que Christina realmente cumprisse sua ameaça.
Ela imediatamente me abraçou, era um calor, uma força que ela transmitia com esse abraço que eu não tive como não retribuir.
Abracei-a e deixei as lágrimas chegarem.
— Não acredite em nada daquilo!
— Eu já acredito Chris, ela disse exatamente tudo que eu já pensei um dia!
Eu podia ver o meu tordo sendo preso, e agora em uma gaiola menor ainda.
— Pare imediatamente, você não usurpou nada, você conquistou! Desde que chegou a esta escola, fez tudo sozinha!
— Mas e você sua amizade, Tobias...? Ah Tobias! — as lágrimas ficaram mais intensas.
— Hazel, ele dirigia o carro no dia do acidente de Tris, mas isso não muda nada!
Realmente eu entendia isso, não mudava nada de quem Tobias era.
— Hazel, olhe para mim, eu não sou de mentir, e olha eu sou sua amiga mesmo! Não estou substituindo ninguém, assim como garanto que Tobias também não está!
Lavei meu rosto e ao sair do banheiro Tobias estava parado encostado na parede, ele se afastou e veio em minha direção arrisquei encarar seus olhos, eles estavam cheios de preocupação, ele poderia estar pensando se eu o julgaria, eu nada disse simplesmente peguei em sua mão e caminhei ao seu lado como se nada tivesse acontecido.
Na Aula de artes eu fiquei encarando o cavalete, o professor havia mandado começar uma pintura com tintas, eu encarei por um longo tempo, então comecei a pintar, eu não costumava pintar com tintas, geralmente desenhava para passar tempo, mas ficava no grafite mesmo, porém eu visualizei o tordo, e ele merecia cores em sua liberdade.
O sol escaldante o chamava, ele teria de ser livre, eu havia o libertado naquela tarde com Tobias na praça e não seria Molli e suas acusações que o prenderiam novamente.
As imagens do olhar de Tobias, nosso beijo no baile, sua mão segurando a minha quando eu finalmente acreditei que eu estava vivendo, e minha vida começava ali.
Quando o sinal tocou eu deixei a pintura no cavalete, peguei minha mochila e ia saindo da sala quando o professor chamou.
— Hazel.
— Sim.
Ele me encarou e sorriu.
— Todo ano temos uma escola de arte que dá uma bolsa de estudos para jovens com talento, e mesmo em pouco tempo eu percebi o seu talento.
— Talento? — perguntei cética. — São somente rabiscos, eu nunca me dediquei, nem ao menos sabia que era um talento válido.
— Hazel, não são muitos que conseguem viver de arte, ou até mesmo da cultura em geral, escritores, atores, cantores, eles nem sempre estudaram a sua vida toda, muitos aparecem assim do nada.
— Sim, mas o que isso tem a ver comigo? — perguntei.
— Quero mandar seus trabalhos para uma mostra, e se passarem você pode estar na exposição este ano e concorrer a essa bolsa, eu sei que você não estudou em um colégio antes, mas eu posso conseguir cartas de recomendação de outros professores.
— Mas estudar artes? Como uma profissão?
— Somente se esse não for seu interesse, eu não sei o que você vai querer seguir depois do colegial, mas acho que artes seria algo que você se encaixaria sem esforço algum.
Nunca havia parado para pensar o que realmente eu faria depois, e naquele instante me pareceu uma das coisas mais importantes a se buscar, restava saber se artes seria algo que me atrairia.
— Vou ver com meus pais, e te aviso professor.
— Preciso da resposta no máximo até sexta-feira para te inscrever e mandar seus trabalhos. — eu ia me virando e saindo quando:
— E Hazel...
Girei os calcanhares encarando o professor mais uma vez.
— Pense você, antes da opinião de qualquer pessoa, no final é a sua escolha que conta, afinal é seu futuro.
"Futuro". Uma palavra que eu não costumava pensar, e hoje eu vejo a importância dela, pois realmente eu tenho um futuro.
Cheguei à aula de história e meus olhos se encontraram com os de Tobias assim que entrei na sala.
Mantive contato visual com ele até chegar a minha carteira que era atrás da dele.
Assim que me sentei, ele se virou e me encarou.
— Você está bem?
— Sim. — sorri. — Estou bem.
Passei a aula de cabeça baixa focando somente nas explicações da professora, até que um papelzinho caiu na minha carteira, levantei os olhos e tudo estava normal.
Abri o bilhete.
"Não quero ficar assim, precisamos conversar.”
Olhei meio de canto e vi Tobias observando de lado se eu peguei o bilhete.
Respondi no mesmo papel.
"Estou bem, e não precisamos falar sobre nada."
Tratei de ver se a professora estava distraída e joguei o bilhete por cima do ombro de Tobias.
Não demorou muito até que o bilhete voltasse a minha mesa.
"Hazel, o único coração que você roubou foi o meu."
A força daquelas palavras bastou, eu sabia que realmente ele me deu razão para acreditar que era hora de viver. Tobias Eaton também era dono do meu coração, eu enfrentaria qualquer coisa sabendo exatamente disso, não respondi, somente guardei aquele bilhete em minha bolsa.
Assim que o sinal tocou Tobias se colocou ao meu lado. Eu me levantei e ele segurou minha mão.
Eu senti a força que isso significava, ele estava comigo, não importava nada e nem ninguém.
Os olhares sempre eram mistos, havia os que fuzilavam de ódio a cena de estarmos andando de mãos dadas, entre eles, All meu amigo, ou não mais, Molli, e até mesmo Edward, e alguns que nem se importavam. Outros que sorriam como Isaac e Monica, Christina e Will.
— Bem acho que aqui é cada para um lado.
Falei quando chegamos até meu carro.
— Me dê um motivo muito bom para eu soltar ela agora.
— Eu tenho que dirigir e preciso dela.
— Não foi convincente Hazel, mas deixo essa passar.
Ele se abaixou e depositou um beijo em meus lábios, foi nosso primeiro beijo estando aos olhos de todos, sem ser no baile.
— Estamos no estacionamento Tobias!
— E daí? Eu não posso beijar minha namorada?
O encarei por um tempo até que a voz saiu.
— O que você disse?
— Bem é só caso se para você eu sou só um ficante! Porém vou avisando, eu posso parecer só um corpinho bonito, mas eu sou um rapaz sério!
Ri dele fazendo uma pose ridícula.
— Tudo bem se você insiste... Eu acho que pode ser. — falei desdenhando.
— Sua baixinha irritante.
À noite no jantar fiquei tempo demais calada, não porque eu não tinha o que falar, aliás, minha cabeça estava fervilhando de notícias novas, e a principal delas era o meu novo namorado.
— Hazel, aconteceu alguma coisa na escola?
Minha mãe quebrou o silêncio que pairava.
— Sempre acontecem coisas, mas acho que estou preocupada que as provas estão chegando.
— Acho que as provas serão fáceis, seu nível de estudo em casa estava avançado. — meu pai me tranquilizou.
— Mas... Tem outra coisa...
Coloquei um garfo cheio de bolo de carne em minha boca evitando falar de imediato o outro assunto que eu deveria entrar.
— Fale. — meu pai insistiu.
— Vocês se lembram do Tobias?
— Tobias? — minha mãe estava tentando puxar em sua memória inutilmente e meu pai parou de comer e deixou o garfo ao lado do prato, e isso não é um bom sinal.
— O garoto do bolo.
— Ah sim rapaz simpático, ele esteve aqui lembra fazendo trabalho com a Hazel.
Minha mãe lembrava meu pai.
— O que te levou para passear no domingo?
— Esse mesmo. — falei tranquilamente.
— O que tem ele? — minha mãe perguntou, meu pai continuava a me encarar, porém não voltou a comer.
— Bem... Não sei exatamente se é isso que está acontecendo, mas... Eu acho... Que estamos namorando.
Minha mãe ficou me encarando perplexa, e meu pai não disse uma só palavra até que finalmente ele sorriu.
— Como assim? Acha?
— É que não tivemos o consentimento de vocês e acho que isso é importante, mas para todos os efeitos para todos da escola estamos namorando.
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