Notas iniciais
HEEEEY *-----* leiam isso ouvindo pumped up kicks, fica legalzão :v

Eu já sabia que ele era meio doidinho, desde o primeiro dia que nos falamos. Eu deveria ter uns nove anos, e ele tinha dez. Era hora do recreio, e fomos para o pátio. Eu estava falando com minhas amiguinhas próxima ao trepa-trepa (calma, isso é apenas o nome do brinquedo, ok), quando elas saíram para pegar o lanche e eu fiquei lá; esperando elas voltarem. Então eu vi um garotinho de cabelos loiros bagunçados, sentado no balanço, fitando o chão. Ele usava uma camiseta azul do hot wheels, uma bermuda preta e tênis azuis escuros. Sua blusa vermelha estava caindo do ombro direito, e ele segurava firmemente as correntes do balanço, como se a vida dele dependesse daquilo. Seus olhos castanhos eram vazios e opacos. Ele tinha um curativo no joelho direito e me causou curiosidade. Então me levantei e fui falar com ele, já que era meio estranho uma criança ficar sozinha em pleno recreio. Pelo menos, para mim.

— Oi? — eu disse, me aproximando. Ele logo olhou para mim, suas bochechas rosadas contrastavam com suas sardas.

— Oi. O que foi? — ele perguntou.

— Eu só vim falar com você. Por que não está brincando com os outros? Tem bastante coisa legal para fazer agora.

— Não tenho amigos, e nem vontade de brincar. As pessoas não gostam de mim, e eu não gosto delas — ele disse, virando o rosto para o lado e fitando o chão novamente. Eu me sentei no balanço ao seu lado.

— Quantos anos você tem?

— Tenho dez. Eu repeti um ano porque eu era muito doente, mas mamãe falou que eu melhorei.

— Ah. Mas escuta, por que as pessoas não gostam de você? — perguntei.

— Dizem que eu sou burro, e me chamam de uma palavra estranha que começa com R. Elas dizem que não sirvo para nada, e que não sei brincar, por isso se afastam de mim.

— Não te acho burro, nem estranho, nem nada. Acho você um garoto normal — falei. Então ficamos em silêncio até eu quebra-lo — Ei! Quer brincar comigo? Eu queria brincar de esconde — esconde, mas não dá para brincar sozinha.

Andy deu o maior sorriso de sua vida, e seus olhos se iluminaram.

— V-você quer ser minha amiga? — ele perguntou, antes de saltar do balanço.

— Qual o seu nome?

— Andrew, mas pode me chamar de Andy. Mamãe me chama assim.

— Andy, eu me chamo Elisabeth, mas pode me chamar de Lisa. E eu adoraria ser sua amiga! — eu disse, sorrindo. Então eu o puxei pela mão e nós brincamos de esconde esconde, até o sinal tocar. Então quando entramos, eu me sentei com ele na classe, e desde então viramos melhores amigos.

Eu sempre soube que Andy era meio doidinho, um tanto maluco. Ele sempre pensou diferente de mim, mas mesmo assim eu sempre o amei. Mais do que se ama um irmão. Mesmo tendo uma vida completamente ruim e triste, ele nunca surtou, nem pirou de vez querendo matar todo mundo. Ele sempre foi racional, sempre movido pela razão e nunca se deixou abater pelos seus sentimentos.

Por isso, quando ele me ligou as duas da manhã chorando e me pedindo ajuda, eu senti como se metade de mim tivesse morrido.

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Eu nunca fui bom com amizades, mas acho que era devido ao fato de eu nunca ter realmente tentado.

Na verdade, eu até tentei. Mas sempre que eu tentava algo dava errado e as pessoas não queriam falar comigo. Então eu simplesmente parei de tentar.

Mas, naquele dia ensolarado de junho, tudo mudou. Eu não tentei nada, mas mesmo assim, ela veio falar comigo. Era hora do recreio, a hora que eu particularmente odeio; eu estava sentado no lugar mais solitário e afastado do parquinho : o balanço. Ele deveria ser muito movimentado, mas era velho e gasto. A verdade era que as crianças preferiam o outro balanço, que ficava na frente da escola. Ele era novo, mais alto e ia muito mais rápido. Eu me sentia culpado pelo balanço velho. Não queria ser como eles e abandoná-lo em sua completa solidão. Então eu fazia companhia a ele. Mas, naquele dia, ela veio falar comigo. Seu nome era Elisabeth Verona, uma das garotas mais populares e inteligentes daquele lugar. Eu já havia ouvido falar muito dela, e parecia que todos a amavam. Ela estava encostada no trepa-trepa, falando com umas meninas. Então elas saíram e ela ficou sozinho. Ela tinha um tique um tanto irritante : ficar enrolando os cachos castanhos com o dedo. Seus olhos verdes encontraram os meus, mas acho que ela não percebeu. Ela usava um vestido branco com estampa floral, e sua sandália da moranguinho completava o visual. Ela veio quase saltitando até mim, e começou a conversar comigo; muito entusiasmada por sinal. Quando ela disse que queria brincar comigo, eu nunca fiquei tão feliz. Depois daquilo, Lisa virou minha melhor amiga, e devo dizer que eu a amo mais do que tudo. Não importa quantas garotas eu namore, não importa quantos caras ela namore. Independente até mesmo se ela se casar, eu vou continuar amando Elisabeth como jamais amareis outra pessoa.

Mesmo assim, minha vida está bem longe de ser boa. Rejeição, exclusão, bulling, e depressão fazem parte do meu dia a dia. Sei que isso é bem clichê, mas não posso fazer nada quanto a minha condição. Mas Lisa é única que me entende, e me ama. Mesmo que seja como um irmão e não do jeito que eu a amo. Por isso, quando eu tomei alguns comprimidos a mais e comecei a ver tudo girando e ficar escuro, eu liguei para ela. Eu sabia que ela ira me entender.

—L-Lisa? — falei.

— Andy? O que foi? São duas e pouco da manhã, o que houve? — ela perguntou, atônita.

— E-eu não to bem. V-vem aqui.

— O que você fez? — ela disse, séria.

— Eu tentei de novo, por favor, me aj...

— ANDY? ANDY? — ela gritava. Mas eu não pude responder, porque tudo ficou girando e eu apenas cai.

Então tudo ficou escuro, e a última coisa que eu ouvi antes de desmaiar foi Lisa gritar meu nome pelo celular.

Notas finais
E ai? Comenta glr da pesada Ü bjks ♥