You better run, better run, faster than my bullet.
2 Como um irmão. (parte 1)
Notas iniciais
Quando cheguei na casa de Andrew, eu estava em desespero. Seus pais nunca estavam em casa, e ele ficava sozinho quase o tempo todo. Mas, para minha sorte, eu sabia onde eles guardavam a chave.
Era um apartamento razoavelmente grande, na zona sul da cidade. O prédio era bonito, tinha cerca de oito andares e o da família de Andy era o último. Logo que cheguei, ofegante de minha quase maratona para salvar uma vida, eu me deparei com a Senhora Stwart, uma mulher bondosa que era vizinha a Andy. Ela me viu e sorriu, apesar de estar visivelmente preocupada. Ela ainda usava seu robe lilás e suas pantufas rosa-claro. O cabelo branco preso num monte de bobs, e ela entrelaçava os dedos constantemente, muito nervosa. Me aproximei dela e a cumprimentei.
— Boa madrugada, sra. Stwart. O que houve? — perguntei.
— Não me diga que você não sabe, querida. Não viria visitar o pequeno Andy no meio da madrugada por um motivo corriqueiro — ela disse, sorrindo; porém seus olhos estavam inchados e vermelhos, e ficavam tremulando vez por outra.
— Andy me ligou, disse que precisava de ajuda.
— Ele tentou de novo, não foi? — ela disse, sem nenhum pingo de esperança na voz. Quando eu concordei com a cabeça, ela desatou a chorar — Eu não sei o que eu faço. Eu tento ajuda-lo mas ele não quer minha ajuda. Os pais dele não ligam para ele, mas ele deveria saber que amor de pai e mãe não tem igual. Por favor querida, entre lá e salve aquela pobre alma — ela dizia entre soluços.
— Fique calma — eu disse — Eu vou ir lá. Quer entrar comigo?
— Não, não querida. Ele não quer me ver. Sabe, Andy te ama muito querida, espero que não o magoe, certo?
— Eu também o amo, muito. Como um irmão.
Ela revirou os olhos castanhos e foi para sua casa.
— Espero que entenda que ele te ama bem mais do que isso.
Eu iria retrucar, mas não tinha tempo. Andy precisava de mim, querendo ele ou não.
Então eu me abaixei e peguei a chave que estava em baixo do carpete de boas vindas. Antes de abrir a porta e entrar, pude ouvir a sra. Stwart entrando em seu apartamento e falando com o sr. Stwart.
— Tomara que ela não parta o coração do Andy e acabe com o resto da esperança daquela pobre alma.
Ignorei esse comentário, entrei e fechei a porta. E logo ouvi alguns gemidos de dor entre a música alta que tocava, vindos diretamente do banheiro de Andy.
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