Notas iniciais
Aqui vai mais um capítulo....

–- Nicole! — chamou minha mãe enquanto eu acidentalmente quebrava um ovo na bancada de mármore da cozinha.

–- Desculpe... — falei começando a limpar.

Já era a segunda vez que eu fazia isso.

Luke não havia respondido a minha mensagem, ele a havia visto, disso eu tinha certeza.

Eu não gostaria de machucar Luke, nunca, jamais. Em outros momentos eu teria aceitado o pedido no mesmo momento... Mas está tudo tão diferente. Eu odeio admitir isso, mas estou com medo. Eu sou ridícula, idiota, talvez pior. Eu tenho medo de me machucar, de me magoar, de começar a odiar Luke se isso acontecer.

Nunca me vi tão medrosa sobre algo em minha vida.

Luke me pedira uma chance de se mostrar bom, de mostrar que sentia algo por mim, mas eu praticamente o rejeitei, mas naquele momento eu fui mais sincera do que nunca fui.

Eu me arrependia perdidamente por isso.

–- Nicole. — mamãe chamou novamente. — Você está bem?

Ela se sentou na mesa, seu rosto estava preocupado. Pela primeira vez em anos eu via quantas rugas de preocupação ela tinha para uma mulher jovem.

–- Sim, eu estou. — falei.

–- Não parece. — seus olhos me analisavam dos pés a cabeça. — Está distraída, preocupada.

Eu suspirei, se eu precisava desabafar com alguém por que não agora? Por que não com a minha mãe?

–- O que você faria se estivesse em uma encruzilhada? — perguntei.

–- Que tipo de encruzilhada? — ela franziu o cenho.

–- Se você amasse alguém desde... Desde sempre, mas você sempre teve medo de se machucasse? E agora essa pessoa que você sempre amou pedisse uma chance. Uma chance para mostrar que sente algo por você, mas se você tivesse medo disso, de se machucar novamente. E nesse momento estivesse ao mesmo tempo machucando essa pessoa, por não dar uma resposta? Mesmo que nunca quisesse machuca-lo em sua vida? O que você faria?

Ela suspirou.

–- Isso não é uma encruzilhada, é um dilema, dos piores. — ela indicou uma das cadeiras e pediu com os olhos para que eu sentasse. — Eu já estive em um dilema como esse, só que eu era aquela que pedia uma ultima chance e não quem tinha a opção.

–- O papai que tinha que fazer a escolha? — perguntei.

Ela confirmou com a cabeça.

–- Depois de que você nasceu e nós viramos pais, tudo se complicou, brigas, discussões, tudo. Eu acabei fazendo coisas que até hoje me arrependo. Mas eu pedi uma segunda chance ao seu pai e ele me deu. Mesmo que poucos anos depois houvessem mais problemas e dessa vez nós não tivemos mais chances para dar, nem eu nem ele.

–- Você está dizendo que eu vou me arrepender? — perguntei.

–- Não, eu e seu pai já estávamos fadados a isso, sempre brigamos. Nossas discussões foram o que começaram nosso relacionamento. Ele foi formado a partir de discussões, brigas e xingamentos. Se nós não conseguimos nos olhar nos olhos hoje em dia a culpa é nossa. — ela suspirou. — eu não posso dizer que nunca amei seu pai. Eu o amei mais do que jamais vou amar qualquer outro homem na minha vida.

Ela passou os dedos pelos meus cabelos.

–- Eu quero dizer, que cabe apenas a você o que vai responder a ele. Se vai aceitar ou recusar. Não pode deixa-lo sem uma resposta. Isso iria mata-lo. Se ele realmente sente isso por você, se ele realmente sente o que você sente. Você não vai poder ter certeza, você terá de confiar nele para descobrir. Sempre há a chance de nos machucarmos, sempre, você não deve ter medo disso. Eu não posso escolher por você, você tem que fazer suas próprias escolhas. Seu pai escolheu me dar uma chance. Os anos que passamos antes da separação foram os melhores da minha vida. Tem chances de você se machucar e tem chances de você ser o mais feliz possível. Não cometa o mesmo erro que eu e seu pai cometemos. Mesmo se vocês machucarem um ao outro, não pare de olha-lo com os mesmos olhos que sempre o olhou.

–- Obrigada. — sorri.

–- Por que não vai pro quarto? Minha cozinha já está suja o suficiente e você precisa pensar um pouco.

Eu acenti com a cabeça. Saí em direção ao quarto.

Sentei-me na cama com as pernas dobradas e os joelhos nos peitos.

Luke... O que eu me iria fazer? Se eu aceitasse o que aconteceria? Se eu não aceitasse o que aconteceria também? Se eu começasse a namorar Luke eu poderia gostar, mas também poderia acabar me machucando. Se eu não começasse a namorá-lo, eu poderia me machucar também ou poderia simplesmente gostar.

Por que tudo tem que ser tão complicado? Por que tudo não pode ser fácil, por que?

Eu enfiei o rosto entre as pernas. As lágrimas caíram antes mesmo de eu perceber.

Por um momento eu pensei em Luke e eu. Nós estavamos sentados em um parque próximos, nos beijando. As mãos dele em minha cintura. Seu nariz roçando no meu. Os olhos fechados... tudo parecia... Tão perfeito, tão bonito.

Deitei-me na cama. Os olhos fechados para impedir as lágrimas de saírem. Abracei o travesseiro e encostei meu nariz na capa macia.

Eu já tinha uma resposta para ele. Uma verdadeira. Uma que eu não poderei revogar, que não poderei desistir, por nada. Eu vou dizer sim.

Notas finais
Bye bye