You belong with me.
25 Capítulo 24
Notas iniciais
Eram duas e meia da manhã. Eu havia acabado de voltar da viagem. Meu quarto estava mais bagunçado do que quando eu havia saído. Eu possivelmente também estava.
Eu estava andando de uma ponta a outra do quarto. Meus pés fazendo barulhos enquanto eu me locomovia.
Estava ansiosa, muito mais do que o normal.
Meus olhos foram novamente até a janela de Luke. Havia prometido a mim mesma que só iria falar com de manhã, mas a espera me matava. Eu tinha minha resposta. Eu finalmente tinha uma porcaria de resposta. Eu havia passado todo o dia de ano novo até agora pensando em uma forma de falar para ele. Havia passado todo o vôo da Inglaterra até aqui pensando em uma forma de falar para ele tudo o que eu sentia. Eu havia deixado meu dedos em carne fresca de tanto roer as unhas. Eu estava nervosa. Meu coração batia contra o meu peito. Eu tinha de esperar até a manhã de manhã. Luke poderia ficar bravo ou irritado ou me ignorar completamente. Ele poderia não querer falar comigo. Eu não falara com ele, nem uma mísera mensagem de texto, desde quando a aeromoça me mandou desligar o telefone. Meu coração acelerou mais ( eu achei que isso seria impossível), ao ver o pé dele se mexer enquanto dormia. Meus olhos estavam fixos na janela de Luke havia cerca de quinze minutos. Eu iria ficar maluca desse jeito.
Eu desistir de esperar até amanhã.
Olhei para o quarto. Eu precisava de algo pequeno. Luke sempre tinha um estoque de pedrinhas dentro do quarto caso precisasse falar comigo a noite. Eu precisava de algo como isso.
Peguei duas borrachas e uma cola bastão que estavam estrategicamente largados em cima da escrivaninha junto com alguns lápis e papéis. Valeria a pena tentar.
Abri minha janela o máximo possível e me inclinei.
Joguei o cilindro de cola na janela com demasiada força. Luke não se mexeu (apesar de eu ter ouvido o som de bidra trincando... Possivelmente apenas minha imaginação). Peguei uma das borrachas e a joguei errando a janela por pouco. Luke mexeu o pé levemente enquanto dormia. Eu peguei a ultima borracha, uma pequena e redonda de cor roxa, joguando-a no centro da janela. Vi o pé de Luke se mexer do outro lado da janela. Ele havia acordado.
Luke se sentou na cama esfregando os olhos, parecia um pouco desorientado, e se curvando sobre os joelhos. Ele levantou da cama e andou até a porta do quarto abrindo-a confuso. Ele se virou e me viu na janela.
Ele pareceu perdido por um momento, como se tentasse absorver informação. Ele serrou os olhos e os abriu alarmado em seguida. Ele quase caiu enquanto corria abobado até a sua janela. Seus olhos estavam esbugalhados e uma expressão surpresa brilhava em seu rosto, que mesmo com a pouca luz do cômodo era fácil de se destinguir.
Eu sorri ao ver seu modo atrapalhado ao ver. Foram poucas as vezes que vi Luke em um momento como esse, isso tornava tudo mais... engraçado. Tornava tudo mais comum.
Eu peguei o caderno de desenho e comecei a escrever. Luke entendeu e na mesma hora pegou seu caderno também. Ele mostrou seu caderno para mim.
"Luke: foi você?"
Ele indicou a janela com a cabeça.
Eu assenti com a cabeça.
Luke sorriu e recomeçou a escrever.
"Luke: achei que estivesse magoada."
Ele passou uma página e recomeçou a escrever. Seu sorriso brilhando na meia luz.
"Luke: é bom ver você.
Nick: digo o mesmo."
Eu suspirei. Havia sentido falta das conversas com Luke, mas eu tinha assuntos a tratar.
"Nick: preciso falar com você."
Ele franziu o cenho.
"Luke: nós estamos falando agora.
Nick: eu preciso falar pessoalmente."
Eu virei a página e continuei a escrever.
"Nick: tem coisas que não se pode falar por papel."
Pude vê-lo suspirar.
"Luke: você vai finalmente dar uma resposta?"
Eu sorri um pouco. Borboletas pareciam estar voando por todo o meu estômago.
Eu assenti com a cabeça e ele recomeçou a escrever.
"Luke: deixe sua janela aberta."
Vi Luke sair pela porta do quarto a passos rápidos. Ele havia pedido para deixar a janela aberta... Eu sabia o que ele iria fazer.
Corri até a janela e me inclinei. Luke havia pulado o muro que dividia as nossas casas e agora começara a escalar a cerca viva. Eu apertei o parapeito da janela com força. Luke era ágil e habilidoso o suficiente para escalar a cerca viva, mas mesmo assim me preocupava. Observei a escalada receosa. Ele parecia bem, apesar de seu rosto estar mais sério do que antes.
Dei espaço para que ele entrasse pela janela. Algumas gotas de suor escorriam de seu rosto a seu queixo. Ele estava levemente ofegante.
Eu o observei atenta. Desde suas roupas até as linhas do seu rosto. Ele não parecia sonolento, apesar de achar que é apenas por causa da adrenalina.
Ele levantou a cabeça. Seus olhos verdes passeando dos meus pés a cabeça. Ele deu seu melhor sorriso safado e baixinho.
–- Adorei seu pijama. — sua voz saiu rouca e prazerosa.
Eu senti minhas bochechas corarem fortemente. Olhei para o que estava vestindo. O pijama era novo, apesar de extremamente vergonhoso. Os shorts curtos tinham a estampa de coelhinhos e a blusa de manga caída um grande coelhão comendo uma cenoura do tamanho do meu antebraço.
–- Cala a boca. — resmunguei ainda muito envergonhada.
–- Ficou lindo em você. — ele riu baixinho.
–- Por favor, cala a boca.
–- Não precisa ficar envergonhada. — ele sussurrou em tom brincalhão.
–- Não, por favor, fale nada sobre meus pijamas.
Ele continuou a sorrir. Havia sentido falta daquele Luke. Aquele que ficava o tempo todo rindo da minha cara e aproveitando os piores momentos para me irritar.
Luke se sentou na cama, sua face mudando de risonha para séria em um piscar de olhos.
–- Nick... — ele começou. — eu sei que fui um cretino, um hipócrita, um merda, um idiota, um grande bastardo, um galinha que não se importa com os sentimentos de ninguém, que fui insensível e que....
–- Eu sei. — o interrompi enquanto sentava ao seu lado.
–- Sabe? — ele arqueou uma de suas sobrancelhas.
–- Eu sei. — respondi. — sei que você foi idiota, um dos maiores. Também sei que foi Isaac que mandou você fazer aquilo... Mas de certa forma eu acho que foi bom.
–- Você é masoquista? — ele perguntou de repente.
Eu sorri.
–- Talvez.
–- Nick, eu te machuquei, bastante. Você não deveria querer nem olhar na minha cara. — ele suspirou. — por que seria bom?
–- Eu não sei. — falei. — talvez porque você tenha visto algo a mais em mim? Algo que não tinha visto antes?
Ele sorriu.
–- Você diz como se eu nunca tivesse percebido que você era uma garota.
–- A pouco tempo atrás eu realmente achava isso. — respondi sinceramente.
–- Mesmo assim eu te machuquei.
–- Mas pediu perdão. — ele ergueu sua cabeça. — Luke, você me mandou quinhentas mensagens, todas falando que sentia muito e que... Que queria uma chance.
Ele engoliu em seco.
–- Em maioria delas você falava para eu não desistir de você. Falava que queria uma chance. Falava que pensava em mim, o tempo todo.
–- Isso soa tão gay. — ele resmungou baixinho.
Eu peguei sua mão e apertei seu indicador.
–- Não tanto. — eu sorri. — eu aceito.
–- Aceita o quê?
–- Te dar uma chance. — respondi.
Seus olhos brilharam.
–- Nick...
–- Você falou que desde o beijo... Você se sente estranho, que não para de pensar em mim e que sente algo mais que a amizade. Eu decidi acreditar nisso. Decidi acreditar que você realmente sente isso... Mas eu não quero ser mais uma.
–- Mais uma? — ele franziu as sombrancelhas.
–- Eu não quero ser mais uma na sua lista de ex-namoradas, não quero ser esquecida. Quero que mesmo se tudo der errado continuar sendo sua amiga.
–- Nick, você nunca seria apenas mais uma. Nunca.
–- Bom saber. — sorri.
–- Mas... Por que você vai me dar uma chance?
–- Se o que você sente é isso mesmo... Você deveria ter uma chance de me mostrar, ao menos tentar. Não quero me arrepender depois por não ter tentado.
Luke levantou a mão pondo uma mecha atrás da minha orelha. Ele sorria radiante e vitorioso. Sua mão foi para a minha bochecha, o polegar acariciando uma das minhas maçãs do rosto delicadamente. Senti minhas bochechas arderem e vi ele sorrir torto. Ele estava tão próximo que eu podia sentir seu hálito contra meu rosto, que por incrível que pareça cheirava a maçãs. Seus olhos verdes brilhavam tanto que eu poderia enxergar as diferentes tonalidades de verde que compunham a íris. Ele se aproximou ainda mais. Seu nariz rossava no meu, quase como se estivesse fazendo carinho. Ele me beijou.
Seus lábios continuavam quentes e macios como da última vez, só que estava melhor. Ele deslizou as mãos para minha cintura, apertando-a delicadamente. Pus minhas mãos em volta de seu pescoço. Continuamos assim até que alguem bateu na porta do quarto.
–- Nicole? — meu pai perguntou do outro lado da porta.
Eu olhei para Luke que parecia aterrorizado.
–- Pra baixo da cama. — sussurrei.
–- Tem certeza? — ele sussurrou.
–- Você quer ser morto? — perguntei. — eu não quero.
Ele se levantou e entrou para debaixo da cama, ninguém perceberia ele ali.
–- Nicole? — papai repitiu.
–- S-sim? — gaguejei.
Papai abriu a porta e me olhou um tanto desconfiado. Seus cabelos loiros bagunçados.
–- Estava falando com alguém? — ele perguntou serrando os olhos para ver sem os óculos.
–- Eu estava falando com Clarisse pelo celular. — menti. — ela pediu para eu ligar assim que chegasse.
–- São quase três da manhã. — ele falou com a voz cansada. — Vá dormir. A viagem deve ter sido cansativa.
–- Eu já vou. — respondi.
–- Está tarde, você pode falar com Clarisse amanhã. — ele fez uma pausa. — você deveria falar com Luke também. Ele parecia preocupado quando passou aqui outro dia.
–- Está bem.
–- Vá dormir, querida.
Ele apagou as luzes do quarto.
–- Boa noite, princesa. — desejou um sorriso nos lábios.
–- Boa noite, papai. — respondi.
Ele fechou a porta e eu suspirei aliviada. Meu coração pulava contra o peito e minhas mãos tremiam.
Luke saiu de baixo da cama um sorriso travesso no rosto.
–- Nunca pensei que fosse ver isso acontecer. — ele sussurrou.
–- O quê?
Seu sorriso se ampliou.
–- Você mentindo para seu pai sobre um garoto no seu quarto. Sempre achei que você fosse certinha de mais para isso.
–- Da próxima vez deixo você morrer. — resmunguei. — vai ser divertido de ver.
Deitei na cama em posição fetal.
–- O que foi? — perguntei vendo Luke me encarando.
–- Você fica linda nessa posição.
–- Calado. — mandei.
Luke pegou minha mão e entrelaçou nossos dedos apertando minha mão gentilmente.
–- Vai ficar ai no chão? — perguntei.
Ele riu baixinho.
–- Vai me deixar deitar com você na cama? — ele perguntou.
–- Quem sabe? — sorri. — Se você prometer ser bonzinho.
–- Do jeito que você fala, parece que eu sou uma espécie de tarado.
–- Eu já achei pornografia no seu quarto. — sussurrei. Era minha vez de usar o sorriso travesso.
–- Claro, princesa. — ele respondeu. Ele estava brincando com meus dedos. — nenhum garoto de dezesseis anos seria homem mesmo se não tivesse uma playboy.
–- Homens são repulsivos. — resmunguei.
–- Você também é maravilhosa, Docinho.
–- Você vai subir ou não?
–- Vou.
Ele se levantou do chão sorrindo. Parecia uma especie de vitorioso. Luke se deitou colado a mim tomando cuidado com meus joelhos.
Ele afagou meu cabelo como se eu fosse um gato.
–- Acho melhor eu ir. — Luke sussurrou no meu ouvido.
–- Tem certeza?
–- Sim. — ele respondeu, dando um beijo em minha cabeça.
Ele se levantou da cama cuidadosamente e eu o acompanhei. Ele passou uma das pernas pela janela e olhou para mim com um sorriso.
–- O que foi dessa vez, Luke? — perguntei.
–- Você fica linda nesse pijama de coelho.
Eu ri.
–- Vou tentar acreditar nisso. — resmunguei.
–- Até amanhã, Lourinha. — ele sussurrou ao meu ouvido, seu sorriso travesso largo.
–- Até amanhã, Homem Aranha.
–- Gostei disso. — riu. — próxima vez que vier lhe fazer companhia as duas da manhã vou vir de máscara.
–- Mal posso esperar.
Ele se enclinou de surpresa sobre mim e roubou um beijo estralado. Luke passou o resto do corpo pela janela e desceu pela cerca viva, correndo pelos jardins de volta para casa.
Eu sorri pondo os dedos sobre meus lábios.
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