Notas iniciais
OLA PESSOINHAS!! Mais um capítulo. Esse veio mais cedo do que eu esperava, tomara que esteja bom.

O jantar na pizzaria pareceu normal, apenas pelo fato de que Luke não parava de me olhar.

Seus olhos verdes não possuíam mais aquele brilho preguiçoso que sempre gostei tanto. Agora eles brilhavam tristes na minha frente.

Já fazia duas semanas que eu não lhe dirigia uma palavra, mas sempre via as suas sendo ditas, ou mostradas, pensei, me lembrando do desenho colado na janela de seu quarto. Luke dirigia sorrisos sempre que olhava para todos, mas seus olhos entregavam sempre a verdade.

Todos comemos em meio a conversas alegres e animadas, apesar de que de vez em quando um silêncio reinava sobre a mesa, como se todos os assuntos do mundo tivessem morrido.

Saímos da pizzaria as oito da noite. Dylan se ofereceu para me acompanhar até em casa apesar de eu dizer que ele precisava acompanhar Clarisse, que falou que o jogador desconhecido que acompanhava Dylan iria com ela, seu nome era Tyler, se não me engano.

Dylan me acompanhava ao meu lado em silêncio. E eu agradecia por isso. Eu não possuía a menor vontade de conversar sobre nada, e queria apenas pensar.

Luke estava triste. Eu deveria me sentir bem ou mal? Luke havia me magoado, mas vê-lo daquele modo triste e sem seus comuns sorrisos. Aquilo me deixava perturbada. Sempre o vira feliz, sorridente, calmo, apreciando cada momento que possuía e com quem quisesse. Aquele não era o Luke que eu sempre conheci, era uma cópia, triste e tentando enganar a todos com sorrisos falsos e melosos, tentando fazer com que tudo estava bem. Mas um coisa me perturbava. Se ele estava sorrindo, ou ao menos tentando, porque todos diziam que ele estava com raiva e frustrado? Se ele estava tão calmo naquele momento porque havia batido em Bruce antes? Porque ele agia tão diferente?

–- Nick? — Dylan cortou meus pensamentos.

–- Sim? — perguntei, minha voz saiu baixa.

–- Você ainda esta com raiva de Luke? — ele perguntou.

Seus olhos castanhos eram idênticos aos da irmã, eu não pude me aguentar.

–- Não, eu não estou com raiva.

–- Então porque ainda permanece sem falar com ele?

–- Não sei. Eu acho que ainda estou um pouco magoada...

–- Eu vi as mensagens. — ele murmurou — o que ele disse não deveria ser dito a nenhuma garota, mas ele esta arrependido. Isso eu posso garantir.

–- Eu nunca vi ele daquele jeito. — suspirei.

–- Você não viu nada. Quando ele esta longe de você ele fica pior. Queira você, ou não, você é importante para ele.

–- Ele pediu desculpas varias vezes.

–- É claro que pediu. A relação que ele tem com você é mais forte do que a amizade que tem com qualquer um dos jogadores do time de basquete, ou até com aquela loira oxigenada.

–- Você esta falando de Emily? — perguntei surpresa.

–- Quem mais? — ele bufou — aquela garota é uma praga. Se faz de anjo na frente dele mas na verdade é um demônio. Grossa, arrogante, nariz empinado. Eu preferiria até mesmo um babuíno como namorada. Se bem que você é a melhor opção...

–- Eu?

–- Nick, eu não sou cego. Sempre vi o jeito que você olhava para ele. — ele lançou um sorriso era triste e depois deu de ombros — por isso desisti.

–- Desistiu de mim? — perguntei envergonhada, não precisava de mais um na lista.

–- Não. Eu não desisti de você. Digamos que você não é o meu tipo, eu prefiro o tipo mais musculoso...

Uma luz acendeu na minha cabeça.

–- Espere. Você gostava de Luke?! — eu estava incrédula.

–- É tão difícil assim acreditar? — seu sorriso era branco e brilhante.

–- Sim... Quer dizer... não... Quer dizer... talvez?

–- Esta perguntando ou afirmando? — ele riu.

–- Os dois eu acho. — murmurei. — sua irmã sabe?

Ele fez que não com a cabeça.

–- E sua mãe e seu pai?

–- Meu pai não sabe, apesar de que eu ache que minha mãe pensa alguma coisa sobre isso. — ele deu de ombros — eu nunca trouxe uma namorada para eles conhecerem. Ou ela acha que eu sou gay ou ela acha que eu vou virar padre... Talvez a segunda opção ela aceite.

Ele passou a mão pelos cabelos raspados e lançou-me um sorriso branco.

–- Não deveria ter vergonha da sua condição... — falei.

–- Não encare isso como uma condição, é mais um estilo de vida. — ele deu de ombros, parecia estar confortável falando sobre aquilo. Pergunto-me se ele já havia contado a alguém.

–- Porque você esta me contando isso?

–- Não sei ao certo. Acho que um pouco para desabafar, mas a questão é que eu desisti porque vi o que você sentia. Eu vi que você era apaixonada por ele, e ainda vejo que é. Nick, não desista. O que você sente é verdadeiro e bonito, o que ela sente é na base das aparências. Lute por ele, lute de verdade. Permaneça ao lado dele e não saía por nada, até que ele perceba o quanto você é importante, o quanto você é delicada, o quanto você merece ele mais do que ela. Porque sinceramente, ele não te merece.

–- Então eu devo aceitar as desculpas?

–- Deve. E fique ao lado dele até que ele perceba, você é um diamante perfeito, brilhante e lindo. Faça ele se apaixonar por você.

Eu sorri.

–- Eu vou tentar.

–- Eu sei que vai conseguir. Apostaria tudo o que eu tenho nisso.

–- Você deveria tentar falar para seus pais, sabe sobre a coisa de ser gay.

–- Coisa de ser gay? — ele riu.

–- Eu não sei como me referir a isso. Sinto muito.

–- Tudo bem. — ele olhou para frente e pôs a mão em meu ombro. — se você estiver pronta essa é a hora.

Olhei para o ponto em que seus olhos estavam fixos. Luke estava sentado no meio-fio em frente a minha casa olhando para o céu.

–- Boa sorte, Nick. — Dylan me deu um empurrãozinho.

–- Obrigada, Dylan. — sorri e comecei a andar. — e mais uma coisa: Não se deixe abalar.

Eu sorri.

–- Pode deixar.

Já estava escuro. O rosto de Luke estava coberto de sombras e iluminado apenas pela luz da lua e das estrelas. Me sentei ao seu lado no meio-fio. Ele se virou para mim com os olhos arregalados.

–- Eu tenho alguma chance se tentar? — ele perguntou baixinho.

–- Quem sabe? — sorri.

Ele se endireitou. Seus olhos pareciam brilhar mais do que nunca, seus lábios se curvaram em um sorriso torto e ele pela primeira vez em duas semanas parecia ter readquirido seu charme costumeiro.

–- Nick, minha linda e pequena loira que mora dentro do meu coração, você que antes não havia aceitado meu perdão, agora diante disso — ele indicou todas as estrelas e a lua — você me daria me perdoaria?

–- Sim. — eu sorri.

Ele me abraçou o mais forte que podia. Me imprensou contra seu peito e enfiou seu nariz no meio dos meus cabelos. Ele respirava fundo. Eu encostei minha cabeça em meu ombro. Como aquilo era bom. Eu já havia esquecido como era aquela sensação. Conforto.

–- Obrigada. — ele murmurou. Seu hálito penetrando em meu couro cabeludo. — obrigada.

Senti uma gota deslizar de minha testa até meu queixo. Por um momento achei que era minha, mas depois percebi, Luke chorava. Eu o vi chorar apenas uma vez, quando tinha nove anos e seu pai morreu, nunca o vi chorar tanto em minha vida, ele havia perdido alguém importante. Se estava chorando por mim era porque eu também era importante.

"Não se deixe abalar."

Eu iria lutar. Não importa o que aconteça. Lutarei por Luke. Mesmo que ele não consiga sentir o mesmo por mim. O farei ver como ela verdadeiramente é.

Notas finais
BYE BYE