You are my sunshine
4 Quinn's Way
Notas iniciais
“Mamãe, que instrumento é esse?”, Beth perguntou apontando para a aquele pedaço de madeira cheio de furos na vitrine.
“É uma flauta doce, meu amor”, Rachel respondeu.
“É pra comer?”, a pequena perguntou realmente interessada. Rachel franziu a testa, tentando entender a lógica de Beth. Quando entendeu, abriu um sorriso.
“Não, docinho. É porque o som dela é doce, bom de se ouvir. Eu peço pro Jeremy tocar alguma coisa antes de irmos embora pra você ver, o que acha?”
“Legal!”, ela respondeu animada, “Eu posso tocar bateria enquanto você termina a aula?”, Beth apontou para a cabine vazia onde tinha uma bateria eletrônica, pequena e usada para aulas iniciais.
“Claro”
Rachel conversou com o colega que trabalhava com ela por alguns instantes e ele liberou a sala onde ficava a bateria. A morena se despediu de Beth, pois a próxima aula de canto começaria em cinco minutos. Pediu para John, o professor de bateria, que no momento aguardava sua aula na recepção, ficar de olho na pequena.
Hoje era mais um dia típico na vida de ambas: Beth saiu cedo da escola e Rachel a levou para o estúdio onde dava aula. Tinha apenas mais uma hora até ir pra casa, onde prepararia o café e serviria para a pequena faminta. Quinn chegaria pouco tempo depois, abraçaria suas mulheres preferidas e subiria para um banho. Voltaria com os cabelos molhados e ajudaria Rachel a preparar o jantar. Brittany, Santana, Kurt e Blaine iriam aparecer, já que quarta-feira era a noite dos jogos na casa Fabray-Berry. Era uma tradição para manter todos os amigos unidos, uma vez que empregos, casamento e filhos (no caso de Rachel e Quinn) tomavam todo o tempo deles. Era sagrado: desde que Quinn e Rachel se mudaram para uma casa num bairro mais afastado do centro, alterando a rotina de estarem sempre juntos no apartamento de Quinn ou Santana, a regra era pelo menos uma vez na semana todos irem até um lugar para botar a amizade em dia. Apesar de eles se falarem todos os dias por telefone ou sms, se encontrarem também era muito importante.
“John, coloca uma música da Caroline Stevens no fone?”, Beth pediu com inocência o John sorriu, do outro lado da porta de vidro.
“Claro. A de sempre?”, ele pergunta, sabendo que Beth treina para tocar aquela música. A pequena tinha apenas seis anos, mas já tinha ritmo para tocar bateria e o rapaz estava adorando descobrir esse novo talento.
“Uhum”, ela gritou e ajeitou os fones grandes demais para sua cabeça.
John sorria do outro lado da sala, observando Beth: ela se perdia ao tocar os pedais com seus pés, mas conseguia manter o ritmo nas mãos. Era admirável o crescimento dela desde a primeira vez que esteve ali, depois de passar por alguns instrumentos. Beth passou pelo piano, ukelele, um pequeno violão para crianças que deixou seus dedinhos doídos por algumas semanas e tentou repetir lições vocais que sua mamãe Rachel tentou ensiná-la. Achou complicado demais: notas, seus dedos doíam, cifras, partituras. Parecia coisa do outro mundo, ela pensava. Bateria não, ela se sentava, ouvia sua música preferida e que sabia de cor e tentava seguir um ritmo. Sem precisar saber se depois vem o dó ou o ré, era só bater nas caixinhas se lembrando de cada parte da música. Ela adorava.
Rachel entrou mais uma vez na recepção antes de definitivamente começar sua aula. Olhou para John, entretido com o telefone e viu como de vez em quando ele levantava seu olhar até Beth, para ver se a pequena ainda estava ali. Sorriu pela cena de Beth tocando bateria como podia, se perdendo nas partes rápidas de alguma música que Rachel poderia jurar que era de Coraline Stevens. Pegou as partituras com exercícios, cumprimentou sua aluna, levando-a até a sala com piano e seguiu com sua aula.
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Quinn percebeu há algumas semanas que havia algo errado com ela.
Ela sempre achou que tinha uma saúde de ferro: raramente ficava doente. Uma gripe nos últimos dois anos, era o que Quinn se lembrava. Beth pegou catapora, Rachel pegou catapora, pois não tinha pego quando era criança (o que a fez ficar em casa por duas semanas, e Quinn teve que policiar tanto Beth quanto Rachel para que não coçassem as feridas. As teimosas deram trabalho), e Quinn ainda assim não adoeceu. Até as ressacas pareciam mais brandas para a loira, mesmo quando ela e Rachel pareciam ter bebido a mesma quantidade. Quando foi fazer sua primeira e única tatuagem, uma letra “B” cercado por um coração, pequeno, no pulso, Quinn quase não sentiu a dor que todos falam tanto. Foi como picadas de formiga por um longo tempo, ela disse. E Rachel criou coragem para fazer a sua, apenas por um instante. Logo desistiu, tinha fobia de agulhas.
Mas Quinn não estava satisfeita com o que estava acontecendo ultimamente. Sentia dor no peito e nas axilas, de uma forma estranha e diferente. Nunca houve nada parecido. Logo tratou de tirar as minhocas que se formaram na cabeça: era jovem, nenhum histórico de câncer na família. Fazia exercícios regularmente, se alimentava bem até demais, porque queria ter uma dieta saudável para dar exemplo à Beth... não poderia ser algo tão grave.
Começou a sentir dores ao fazer amor com Rachel. Nas últimas noites, todas as vezes que carícias eram feitas em seu seio, por mais doces ou devagar que fossem, causavam uma certa irritação e dor. Rachel percebeu, perguntando se estava tudo bem. Quinn dispersou a atenção da morena, respondendo que estava sensível pois estava próxima de iniciar seu período. Ela comprou essa resposta, e se propôs a dedicar mais carícias em outras partes onde Quinn sentia prazer: pescoço, coxas, lábios. A loira agradeceu silenciosamente por Rachel ser tão amorosa e dedicada... mas a deixaria sem saber da real situação da quantidade exata de dor que sentia naquele local. Ela odiava deixar Rachel preocupada.
O último aviso que Quinn recebeu de seu corpo antes de marcar uma consulta com um clínico geral foi um enjoo repentino essa manhã. Assim que saiu de casa, com o carro econômico, enfrentou pouco trânsito e chegou no trabalho a tempo para uma reunião. Havia tomado café em casa, uma deliciosa panqueca feita por Rachel e algumas torradas que compartilhou com Beth, além de café e suco. Mas no meio das explicações rotineiras que aconteciam antes de cada reunião, Quinn se sentiu mal e pediu licença para se retirar. Sua chefe percebeu a brancura ainda mais evidente da loira e lhe cedeu tempo para ir até o banheiro, lavar o rosto, tomar água. E Quinn foi.
Vomitou todo seu café da manhã, se sentiu fraca e tonta. Algo incomum... se sentiu como quando descobriu que estava grávida de Beth, os primeiros enjoos, tonturas, fraquezas... mas isso seria impossível. Se naquele tempo Quinn ficou dividida entre a certeza de estar grávida ou não, hoje ela tinha certeza absoluta de que aquele enjoo não era por causa de um bebê. Era seu corpo avisando que havia algo de errado e que ainda havia tempo para um check up.
Tudo escondido de Rachel e Beth, Santana ou qualquer outra pessoa. Quinn queria ter certeza que era algo antes de começar a preocupar os outros... e a si própria.
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“O que vamos jogar hoje?”, Santana perguntou, olhando sua namorada instalar o video game.
“Just Dance, tia Santana, por favor!”, Beth desceu as escadas já sem a roupa do uniforme, e sim uma mais confortável para poder brincar com seus tios. Ela adorava suas quartas-feiras.
“Você não enjoou ainda desse jogo, B?”, Santana questiona, pegando o corpinho de Beth e abraçando-o no ar assim que ela chega na sala.
“Ainda não”, ela responde alegre.
“Acho que você deve indicar aquele estúdio de dança pra Quinn, amor”, Santana diz pra Brittany, “Beth vai seguir seus passos, pelo visto”
“Faz aqueles passos, tia Britt”, Beth pede, colocando a mão na cintura para fazer alguns movimentos que sua tia havia ensinado.
“Beth está dançando melhor que você, Britt”, Kurt comenta, assim que entra na sala com alguns aperitivos e bebidas.
“Mas ela nunca vai dançar que nem eu”, Blaine provoca, entrando no meio das duas dançarinas e fazendo movimentos estranhos com os braços e pernas.
Beth gargalha, “Você dança ruim, tio Blaine”
“Como ousa dizer isso, Elizabeth?”, Blaine continua com seus passos engraçados e abraça a pequena, puxando seus bracinhos para ela dançar que nem ele.
Rachel e Quinn desciam as escadas abraçadas, e sorriem ao ver a cena que se passa na sala.
“Eu estava pensando em te colocar numa escola de dança, Beth, mas acho que você não tem tanto talento assim”, Quinn diz, se sentando com Rachel na sua frente, e abraçando a morena pelas costas.
“Não, mamãe! Eu sei dançar lindo! Foi o tio Blaine que me obrigou a dançar assim”, Beth para de se mexer, realmente preocupada que sua mãe não acredita em seu talento.
“Eu danço super bem, Quinn, Beth está mentindo”, Blaine tenta fazer o moonwalk, mas acaba caindo de bunda no chão e levanto os fios da tv e video game juntos, que Santana e Brittany tentavam arrumar.
“Parabéns, Katy Perry Jackson”, Santana zomba e Kurt ajuda o namorado, que parece machucado.
“Acho que minhas costas já eram. Estou ficando velho pra isso”, Blaine reclama.
“Você quer colocar Beth em um curso de dança, Q?”, Brittany pergunta.
“Eu estava pensando... Você quer, Beth?”
“Eu quero, mamãe”, ela responde sorrindo, “A tia Britt me ensina?”
“A tia Britt pode indicar uma professora legal que nem ela, meu amor”, Quinn respondeu, arrumando o cabelo da filha, “além dos passos que ela te ensina aqui em casa”
“Ta bom”, a pequena logo se desvencilha da loira, agitada.
Rachel sorri, “Alguém teve muito açúcar por hoje”
“Ela sempre volta assim depois que vai pro estúdio com você”, Quinn responde.
“Eu adoro ver ela assim”, Rachel se ajeita mais no sofá, sentindo os braços da loira afagarem os seus.
“Eu também... mas adoro ver ela dormindo, sabe, pra dar uma variada”, Quinn sussurra, soltando uma gargalhada logo depois. Rachel a acompanha.
“Quinn!”, Rachei sela seus lábios.
“Rachel!”, a loira devolve no mesmo tom, rindo.
“Cuidado pra essa loira azeda não vomitar em você, Berry”, Santana diz assim que termina de instalar o video game e se sentar ao lado das duas no sofá, “Quinn quase fez isso comigo hoje”
Quinn revira os olhos, “Exagerada”
Santana teve que buscar Quinn no trabalho hoje, já que seu carro não dava sinais de vida por razões desconhecidas. Na verdade, parte disso era mentira: Quinn sabia que deveria levar o carro ao mecânico há algum tempo por algum problema-super-complexo-motorizado-que-ela-jamais-iria-entender, que foi explicado especificamente da última vez que ela foi à oficina. Mas, omitindo fatos, conseguiu uma carona de Santana até em casa. Na metade do caminho, o mesmo enjoo que sentiu pela manhã. Não vomitou porque Santana realmente iria falar sobre isso o resto de suas vidas, mas seu corpo estava reagindo mal à alguma coisa e Quinn não sabia o que era. Almoçou a mesma salada que comia todos os dias em um restaurante, por isso duvidava que seus enjoos fossem devido à intoxicação alimentar.
“O que te deu, amor? Você nunca passa por isso”, Rachel comenta triste.
“Sinceramente, não sei”, Quinn omitiu o primeiro enjoo, principalmente por odiar ouvir esse tom de voz preocupado sobre si mesma.
“Tá grávida, Quinn?”, Santana solta uma risadinha, recebendo da loira um olhar assassino. Foi um trabalho explicar para Beth como uma criança nasce, porque ela demorou algum tempo para comprar a história da cegonha, além de todas as explicações sobre seu relacionamento com Rachel, etc. Beth não podia ouvir alguém falar sobre gravidez que já vinha com seus questionamentos infantis, “A Rach deve ter um strap on mágico”
“Santana, cala a boca!”, Quinn briga, se permitindo rir. Beth não prestava atenção nelas, “Deve ter sido algo que eu comi”
“Santana está te provocando, amor”, Rachel riu, empurrando de leve o ombro da latina, “Se continuar com isso, você vai a um médico, ok?”, ela perguntou.
“Ok”, Quinn selou seus lábios, apenas para acalmar a morena. Seu médico já estava marcado, amanhã às 15:30. Foi fácil conseguir sair do trabalho depois de passar mal em uma reunião.
“Gente, vocês não vão beber?”, Kurt pergunta, chamando atenção das duas.
“Claro”, Rachel serve suco para Beth, enquanto mistura um pouco da bebida alcoólica que Kurt havia preparado. Quinn ficou com o suco também, pelo menos por hoje.
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“Bom dia”, Quinn diz, beijando a coxa da morena, subindo seus beijos pela barriga, devagar.
“Ótimo dia, Quinn Fabray”, Rachel responde, com dificuldade, seu corpo ainda mole e com a sensação boa fluindo.
Quinn sobre sua trilha de beijos até os seios da morena, dedicando um pouco de atenção. Ela prende o mamilo de leve com os dentes, sentindo Rachel se arrepiar debaixo de si. Leva sua mão até o outro seio e aperta, fazendo a morena suspirar.
“Hmmm”, ela geme, e Quinn passa a beijar seu pescoço.
Rachel abraça a loira, entrelaçando suas pernas. Elas trocam alguns beijos molhados, quentes e calmos antes de Quinn descansar a cabeça no ombro da morena.
“Já te falei o quanto adoro meu primeiro ato glorioso?”, Rachel pergunta em tom brincalhão.
“Primeiro?”, Quinn franze a testa.
“Sim, ou você acha que esse foi o último do dia?”
“Existirão outros?”, a loira brinca.
“Pra você, sim”, Rachel desce seu corpo, encarando Quinn frente a frente. Ela arruma a franja lateral da loira, colocando-a atrás da orelha, “Você é linda”, ela diz honestamente.
Quinn sorri, tímida pelo elogio, “Você é mais”, ela aperta a cintura da morena.
“Não, Quinn, eu realmente quero dizer isso: você é linda”, Rachel diz séria, e Quinn solta uma risada.
“Você acha que eu brinco quando digo que você é mais?”
“Seus olhos...”, a morena divaga, “eles são tão verdadeiros... eu amo como eles trocam de cor, ou quando sua pupila fica dilatada, amo esses pontinhos que parecem orbitar em volta...”
Quinn ri da emoção com que Rachel dispersa sobre seus olhos e a beija.
“Sua boca...”, Rachel passa os dedos delicadamente sobre os lábios da loira, “Eu amo sua boca”
Elas trocam mais beijos, e Quinn desce sua mão até a bunda da morena, esquentando o clima outra vez.
“Quanto tempo temos até acordar Beth e descer?”, Rachel pergunta com preocupação. Ela realmente deseja sair dessa cama só depois de presentear Quinn com um primeiro ato glorioso do dia.
Quinn olha no celular ao lado da cama, “Tempo o suficiente”, ela responde e dois segundos depois, Rachel está arrancando sua calcinha com um tom de desespero. Ela solta uma gargalhada, “calma, Rachel Berry”
“Eu estou louca por você, Quinn Fabray”, Rachel ri, apoiando as pernas da loira em seus ombros e beijando a intimidade já molhada.
“Oh...”, a loira geme, sentindo a língua habilidosa de Rachel fazendo seu trabalho.
Rachel sente a mão de Quinn segurar seus cabelos com força à medida que vai chupando e lambendo tudo o que encontra pela frente. Ela sabe todos os pontos certos de Quinn, a intensidade necessária para levar à loira ao orgasmo, como fazê-la enlouquecer e ansiar pelo clímax assim como terminar seus ataques em dois minutos. Ali, como não tinham todo o tempo que queriam, Rachel penetrou um dedo assim que sentiu as paredes da loira tremerem de leve em sua língua. Continuou, chupando agora o clitóris da loira com uma fome insaciável e não demorou muito para sentir Quinn gozando em sua boca.
Assim como a loira fez minutos antes, Rachel escalou o corpo de Quinn com beijos longos. Trocaram mais alguns beijos antes de se levantarem definitivamente.
“Não quero ir trabalhar”, Rachel reclama, depois de voltar do banheiro, “Queria passar o dia na cama com você”
“Eu também, amor”, Quinn a beija de leve, ainda nua, arrumando suas coisas para realizar sua higiene pessoal.
A loira continua andando pelo quarto, escolhendo a roupa que irá colocar, e não percebe o olhar de Rachel sobre si.
“Q, o que é isso?”, Rachel pergunta, surpreendendo Quinn ao tocar de leve seu seio esquerdo.
“O que, amor?”, Quinn engole seco. Rachel encosta de leve um pouco acima do mamilo, onde pequenas deformações parecem se formar, e ela sente uma dor estridente. Seu corpo retrai e Rachel percebe.
“Dói muito?”, Rachel pergunta preocupada, “Quinn, isso está estranho”
Quinn tira os dedos da morena delicadamente, amansando a pele que parece queimar por dentro, “Eu venho sentindo essas dores aqui, mas acho que não é nada demais”, ela desconversa.
“Tem certeza?”, Rachel pergunta calma. Ela sabe que Quinn não está falando a verdade sobre isso exatamente, mas não tem ideia do por quê.
“Sim, amor”, Quinn pega suas roupas e põe contra o peito, “Assim que minha menstruação chegar isso passa”, ela caminha até o banheiro.
Rachel se arruma, pensando no que acabou de acontecer. Primeiro: Quinn tem sentido dores no seio esquerdo há algumas semanas. Segundo: ela acha que Quinn não está sendo sincera sobre a intensidade da dor, mas não faz ideia do motivo. Terceiro: Rachel sabe o quanto a loira odeia ter que ser cuidada. Quinn fica doente pouquíssimas vezes, mas em todas foi o mesmo trabalho: ela achava que já estava boa, que deveria voltar a trabalhar, que Rachel não deveria fazer as coisas por ela porque ela conseguia (quando a febre tomava conta de seu corpo à exaustão). E os enjoos? Teriam alguma conexão? Rachel se perguntou se Quinn teria dito sobre eles caso Santana não presenciasse algum...
“Amor, eu vou descer e fazer o café”, Quinn aparece no quarto de banho tomado, secando os cabelos na toalha.
“Ok, eu já desço”, Rachel beija os lábios da loira rapidamente.
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“Mamãe Rachy, podemos ter um cachorrinho?”, Beth perguntou depois de tomar café da manhã, já arrumando sua mochila para a escola.
Rachel foi pega de surpresa pela pergunta, “Acho que sim... Acho que sim, docinho”
“Eu quero um fofinho, que dê pra eu abraçar bastante e que não tenha pulgas”, Beth pediu com delicadeza. Rachel afagou seus cabelos e riu.
“Eu vou conversar com sua mãe antes de ter certeza, mas acho que não vai ter problema”
“Ebaa”, ela comemorou, abraçando as pernas de Rachel.
Quinn terminava de fechar a casa, chegando na garagem onde Beth já estava dentro do carro.
“Amor, Beth perguntou se podemos ter um cachorro”, Rachel avisou, beijando Quinn rapidamente.
“Cachorro? De onde saiu essa ideia?”, a loira ri, “Você não deveria ter alugado 101 dálmatas, Rach”
“Ela quer um fofinho, carinhoso e sem pulgas”, Rachel abraça a loira pela cintura, sentindo os braços de Quinn rodearem seu pescoço, “Você acha que estamos prontas para dar esse passo no nosso relacionamento?”, ela brinca.
Quinn ri, “Wow... não sei se devemos, Rach... eu só te conheço há poucos meses e um cachorro significa que teremos laços afetivos mais fortes, não sei se me sinto preparada”, ela entra na brincadeira.
“Eu acho que três meses de namoro é o suficiente, Quinn, para avançarmos nossa relação e comprarmos um cachorro que possa servir de travesseiro para Beth”
“Ok, então”, a loira beija Rachel, sorrindo. Rachel ainda está preocupada com o que houve mais cedo, mas decide optar pelo silêncio, assim como Quinn, “Hoje eu compro um cachorro. Mas se continuar assim num piscar de olhos estamos morando juntas, depois tendo filho e uma casa, carros e uma vida juntas, Rach, e eu não sei se estou preparada para tanto compromisso. Eu sou uma pessoa livre, sabe, não gosto de relações assim...”, Quinn brinca, fazendo Rachel gargalhar, “Santana disse que isso é uma coisa de lésbicas, querer fazer parte uma da vida da outra a ponto de ninguém saber mais quem é quem e etc”
Rachel empurra o ombro da loira com delicadeza, mas brigando, “Boba”
Quinn se aproxima para beijar Rachel antes de ir trabalhar, mas é interrompida por uma buzina. Ambas se assustam e olham para dentro da garagem, onde Beth alcançou o bracinho curto até o volante para chamar atenção de suas mães.
Quinn sorri, “Acho que alguém está com pressa”
Rachel beija a loira pela última vez antes de se separar, “Eu te amo”
“Eu te amo mais”, Quinn devolve com a mesma intensidade, “Bom trabalho”
“Pra você também”
“Diz pra Beth pensar em algum nome pro novo integrante da família”
“Você vai trazê-lo hoje?”, Rachel pergunta e a loira acena com a cabeça, “Ele pode se chamar Sinatra?”, a morena pede com os olhos brilhando.
Quinn ri, “Se resolva com Beth”
Rachel entra no carro e logo sai, levando uma Beth sorridente com a novidade para a escola.
Quinn vai para o trabalho, onde pela parte da manhã leria alguns manuscritos e faria algumas anotações para sua secretária e seus colegas editores. De tarde, estava livre. Tinha uma consulta no meio da tarde e resolveu passar no pet shop para escolher um cachorrinho para Beth antes. Estava nervosa – Rachel havia percebido algo errado e esse algo errado que nem Quinn sabia o que era passou a habitar seus pensamentos mais sombrios. E se fosse algo grave? Poderia ser por causa do período pré-menstrual, como mentiu para Rachel. Mas e se fosse algo como... uma anomalia ou câncer, por exemplo? Como ela reagiria? Como contaria para seus amigos, para Rachel? Para sua filha? Toda vez que sua mente voava para essa direção, a loira ia tomar café, beber água, passar água no rosto. Tinha que dispersar sua mente mas estava ficando difícil à medida que o horário do médico se aproximava.
Almoçou, se despediu de seus colegas de trabalho e dirigiu até o centro, onde havia um pet shop conhecido pela variedade de animais.
“Posso ajudar?”, uma atendente apareceu assim que Quinn colocou os pés dentro do lugar.
“Eu... quero comprar um cachorro”
“Alguma raça específica, senhora?”
“Na verdade, não”, a loira riu.
“Tudo bem”, a atendente sorriu, “Por aqui, por favor”, ela indicou um caminho onde ficava um corredor enorme, cheio de gaiolas médias, “Aqui temos uma variedade de cãezinhos. Eles tomam banhos semanais, comem uma ração indicada por veterinários e passeiam pelo central park a cada dois dias”
Quinn ia passando pelo corredor, com sua mão próxima às grades. Eram muitos cachorros de muitas raças diferentes, e cada um mais fofo que o outro. Imaginou a festa que Beth iria fazer caso estivesse ali.
Depois de muito conversar com a atendente e perguntar sobre a saúde e tratamento de cada animal, Quinn se aproximou de um bulldog francês clarinho que estava deitado e não deu muita atenção à loira.
“Olá, cachorrinho”, Quinn chamou, se agachando para acariciar o cachorro.
Ele foi até Quinn, lambeu seus dedos rapidamente e se acostumou com o carinho que a loira fazia em sua cabeça. Quinn brincou mais um pouco com ele, antes de tomar sua decisão.
“Ele é tão fofo”, ela disse assim que a atendente o libertou da jaula onde estava. O cachorro correu para o colo de Quinn animado, “Eu acho que vou levá-lo”, conseguiu dizer em meio à lambidas.
Quinn acertou o preço do cachorro, da ração que iria levar e das vacinas que o animal tomaria antes de ir pra casa com a loira. Ela só o teria de volta entre as seis horas da tarde, o que era uma coisa boa: justamente a hora que Rachel chegaria em casa com Beth. Seria uma surpresa e Quinn sabia que sua filha iria adorar. O cachorro era amável e brincalhão, e a convivência iria dizer se ele tinha alguma mania estranha, como ela viu o labrador do filme Marley e eu tendo quando chovia muito. Ela esperava que Sinatra, como o apelidou temporariamente, não comesse seu sofá ou destroçasse as coisas que havia em sua garagem.
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“Quinn Fabray, certo?”, o médico perguntou, assim que se sentou de frente para a loira.
“Isso”
“Pode me chamar de Dr. Jones”
“Ok, Dr. Jones”
Quinn mordia o canto da boca, inquieta. Sua consulta havia acabado de começar e seu coração estava acelerado... era agora ou nunca. Ela tinha que tirar essa insegurança do peito e descobrir o que estava acontecendo com seu corpo.
“Então, Quinn...”, o médico puxou assim que o silêncio se estabeleceu. A loira sorri, envergonhada.
“Bom, Dr... há algumas semanas eu percebi algo errado no meu seio enquanto me olhava no espelho... eu notei algumas alterações de superfície, além de sentir dor na axila e no seio, em cima do mamilo, especificamente”
“Ok...”, o médico se levantou e fez sinal para que Quinn se sentasse na maca que havia no consultório, “Você pode retirar a blusa para que eu veja essas alterações?”
Quinn retirou a blusa devagar, evitando posições dolorosas e rapidamente o médico aproximou seus dedos no seio esquerdo da loira, dedilhando devagar. Quinn tentou ler a expressão no rosto do médico, mas ele estava imparcial. Notou o nervosismo da loira e já havia passado por aquela situação centenas de vezes antes, logo não daria esperanças, falsas esperanças ou qualquer outro tipo de reação.
O médico passava o dedo sobre a pele que parecia estar mais áspera, como se fosse uma casca de laranja, dura e dolorosa, que envolvia o seio da loira, e aprofundou os dedos perto da axila, assim que Quinn levantou o braço. Ele realizava um exame de toque rotineiro, que demorou menos de cinco minutos. Pediu para Quinn recolocar a blusa e sentar-se de frete à ele novamente.
“Quinn, quero que me responde à algumas perguntas, para eu conhecer seu histórico médico, ok?”
“Claro”
“Você já fez alguma cirurgia?”
“Não. Eu tenho uma filha, de seis anos, mas foi parto normal...”
“Ok...”, ele anotava algumas coisas no computador, “alguma doença como hepatite, HIV, raiva...?”
“Não... eu raramente fico doente, Dr. Jones. Esse ano se peguei duas gripes foi muito”
“Fumante?”
“Não”
“Alguma outra droga? Bebida em excesso?”
“Nenhuma droga, e bebo socialmente”
“Pratica algum exercício? Trabalha sentada o dia inteiro?”
“Eu trabalho como editora, então quando não estou sentada, estou caminhando para alguma reunião para ficar mais algumas horas sentada”, ela sorri, “mas fora isso eu tento correr de 3 a 5 vezes por semana, uma hora, ao ar livre. E ando de bicicleta com minha filha, também”
“Tem caso de alzhaimer na família?”
“Não”
“E câncer?”
Quinn respirou fundo. Essa palavrinha que rondava sua cabeça há semanas, finalmente saiu da boca do médico.
“Não”
Ele terminou de digitar e voltou sua atenção para a loira.
“Você só tem 23 anos, Quinn. Não fuma, não faz usos de drogas pesadas e pratica exercícios regularmente. De algumas semanas pra cá, vem sentindo dor na mama esquerda e axila, certo?”, o tom de voz do médico era calmo, como ele foi treinado para ser, mas isso estava martelando o coração da loira.
“S-Sim...”
“Pelo exame do toque, eu percebi uma alteração de vasos sanguíneos e superfície, além de um nódulo acima do mamilo que parece ser muito recente”, ele continuou calmo, “e eu vou te indicar um exame mais avançado para descobrirmos o que exatamente isso é”
Os olhos da loira se arregalaram e de repente ela esqueceu como respirar. O ar passava dolorosamente por seus pulmões, e seu coração batia forte. Então havia algo... então suas suspeitas poderiam estarem certas... então...
“Quinn”, ele chamou assim que percebeu que a loira se perdeu em pensamentos, “Eu quero que você faça uma mamografia e depois volte com o resultado pra eu ver e acompanhar seu caso. Mas eu quero que você saiba que isso é só uma alteração que pode significar qualquer coisa, desde algo grave até algo supérfluo e normal. Pelo seu histórico e idade, eu suspeito que isso seja alguma alteração de hormônios, ou até resquícios de algo da gravidez. Nada grave ou que você deva se preocupar, ok?”
Ela balançou a cabeça, devagar. A voz ainda não saia de sua garganta.
“Existe algo de errado, então?”, ela conseguiu perguntar, depois de um tempo.
“Sim, Quinn, mas tenha isso em mente: o exame que eu quero que você faça é apenas para verificar o que está causando isso que vimos agora há pouco. A chance de ser algo grave é mínima, e a chance de ser algo pequeno e de fácil cura é grande. Pode ser, literalmente, qualquer coisa. Muito stress acumulado, hormônios, batidas, algum vaso sanguíneo... eu quero a certeza, mas você não precisa ficar preocupada porque essa certeza é algo simples e não qualquer outro doença que possa estar passando pela sua cabeça”, ele tenta acalmá-la.
Depois de mais algum tempo de conversa, a indicação do médico para realizar a mamografia, e pagar sua consulta com a recepcionista, Quinn vai até o carro vagarosamente. Nada do que o médico falou faz sentido em sua cabeça... pode ser qualquer coisa... algo grave ou não, mas ele quer ter certeza...
Ela se senta no banco do motorista, e sem ligar o carro, respira fundo e solta o choro que estava preso desde que ouviu a palavra câncer. Câncer. Ela iria realizar uma mamografia daqui há dois dias para verificar o que significava aquele nódulo em seu peito, e ela não conseguia acreditar. Chorou mais um pouco antes de limpar seu rosto e seguir até o pet shop, para buscar o cachorro que prometeu à filha. Nada iria estragar um momento como esse, nem mesmo a possibilidade de uma doença grave. Ligou a rádio em uma estação popular, aumentou o volume ao máximo e seguiu seu caminho.
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