Rachel e Quinn tinham um sexo muito bom.

Na verdade, bom era pouco para expressar o que Quinn achava sobre transar com Rachel.

Ela achava momentos como esse o ápice, uma catarse alcançada, uma cura para seus medos sub-inconscientes, uma experiência tão profunda e poética que se tornava quase religiosa.

“Rachel...”, Quinn gemeu, enquanto a morena seguia beijando sua boca.

Quinn estava cansada – o dia hoje foi puxado. Não fisicamente, mas seu stress aumentou consideravelmente como sempre acontecia nessa época do ano. As editoras se preparavam para o último lançamento do trimestre e novos títulos tinham que sair quentinhos para as prateleiras em um tempo específico, caso contrário seria perca de dinheiro devido à contratos. Quinn era responsável por estabelecer tais metas com toda a equipe de revisores, editores e arte, mas sempre se arrependia de suas escolhas quando via o tempo se apertando. Por mais que ela não gostasse muito de levar trabalho pra casa, pois tirava o tempo que ela poderia passar com Beth e Rachel, desde que era estagiária ela fazia isso. Sempre lendo antes de dormir, logo que acorda, na mesa do café e jantar. Ouvindo audiobooks enquanto corria, comentando com algum amigo sobre tais escritores lançados no mercado. Era sua profissão, e ela amava o que fazia. Mas como sua mente ficava cansada...

Quinn sempre gostou de transar com homens, assim como Rachel. Ela achava que sexo sem amor era algo como ginástica, só servia para jogar endorfina pelo corpo. Obviamente, ela não transava com completos desconhecidos, mas de todas as vezes que fez sexo na vida com pessoas diferentes, poucas foram pessoas que ela amou de verdade. Dava pra contar nos dedos de uma mão.

Porém, sexo com amor era o céu.

E era isso que ela tinha com Rachel, a primeira mulher com quem transou na vida e, como Quinn esperançosamente esperava, a última.

O corpo de Rachel, tão feminino e ao mesmo tempo forte e demarcado pela academia, era algo que Quinn desejava com toda a sua força. O desejo reprimido, escondido, de quando a loira ainda era uma adolescente que se trancava no banheiro de casa para se satisfazer, mesmo que depois do ato a culpa caísse sobre si como uma bigorna, essa desejo agora era libertado e libertador. Trazia caos e paz à mente de Quinn. Alvoroço e tranquilidade. Como uma paixão deve ser.

E Rachel... Rachel Berry era a figura de uma deusa pagã do sexo em noites como essa. Como hoje.

A morena continuava beijando a boca de Quinn, acariciando seu rosto com as duas mãos e delicadamente se colocando entre as pernas da loira, que se abriam o máximo que conseguiam.

Rachel ajeitou Quinn embaixo de si, para que ela pudesse investir seus quadris contra o centro de Quinn ao mesmo tempo que a loira beijava seu colo e seios.

“Continua...”, Quinn pediu, apertando a bunda de Rachel contra si e sentindo uma onde de prazer rodar todo seu corpo.

Rachel respirou fundo e se concentrou para não gozar ainda, mas estava ficando insuportável.

Quinn sugava os seios de Rachel por inteiro, para depois brincar com os mamilos com as mãos e a ponta da língua. Sentia Rachel abrir ainda mais suas pernas, para suas intimidades se esfregarem gerando uma fricção forte e delirante.

“Oh, Deus...”, Quinn gemeu, e Rachel saiu de seu transe.

“Me beija”, ela pediu.

Quinn apertou os seios da morena numa tortura deliciosa e a beijou, serpenteando sua língua vagarosamente. Rachel sabia como beijar Quinn da maneira que ela mais gostava, ela estava acostumada com os momentos da loira. Quando elas usavam strap on ou algum vibrador, Rachel beijava de forma mais apressada e urgente, porque essa era a resposta de Quinn. Mas agora, só as duas, utilizando de seus corpos para gerar o máximo de prazer para ambas, Quinn pedia beijos doces e lentos, onde provava do gosto, o sabor tão conhecido da boca da morena que ela tanto amava.

“Eu vou gozar”, Quinn avisou e Rachel concordou com a cabeça, finalmente abrindo caminho para gozar também.

Gemidos longos e eróticos ecoaram no quarto, enquanto Quinn fechava os olhos e sentia cores por detrás de suas pálpebras. A sensação passando por suas veias, Rachel por cima de seu corpo, seu calor...

Quinn abriu os olhos tempo depois. Rachel depositava breves beijos em seu rosto e pescoço, enquanto a loira a abraçava, apertando suas costas e tranzendo-a para mais perto de si o possível.

“Eu te amo”, Quinn disse no ouvido da morena.

Rachel respirava com dificuldade, “Eu... te amo...”, ela se ajeitou na cama outra vez, deitando sobre o peito de Quinn e abraçando sua cintura, ao mesmo tempo que entrelaçava suas pernas moles.

A loira acariciava as costas de Rachel com as pontas dos dedos, traçando linhas imaginárias.

“No que você está pensando?”, Quinn pergunta depois de um tempo.

“No quanto eu amo a minha vida”, Rachel responde rapidamente, “Cada única coisa que há nela”

Quinn sorri e deixa um breve beijo na testa da morena, “Eu também amo minha vida como ela está. Agradeço muito a Deus pela segunda chance que ele me deu para começar de novo”

“Como você acha que estaríamos aqui caso... aquilo não tivesse acontecido?”, Rachel pergunta baixinho.

“Eu não faço ideia”, Quinn pensa por um instante, “Talvez eu ainda estivesse em New Haven, trabalhando com algo parecido com o que eu faço hoje... ainda ouvindo as piadas ácidas da Santana e indo às apresentações de dança da Britt...”

“Você acha que não estaríamos juntas?”, Rachel se vira para Quinn, olhando profundamente em seus olhos.

“Sinceramente... eu não sei se teria coragem para me declarar pra você”, ela constatou, triste.

“Eu teria me apaixonado por você de qualquer maneira”, a morena garante, querendo tirar o ar triste que a conversa tinha tomado.

Quinn sorriu, “Ou talvez você tivesse ido atrás de uma loira quase desconhecida que te roubou um beijo em um café”

Rachel estreitou os olhos, sorrindo também, “Que insolente, você, Quinn Fabray, achar que eu correria atrás de uma loira qualquer”

“Quer dizer que você só corre atrás das loiras certas?”, Quinn brincou.

“Digamos que sim”, Rachel respondeu, fingindo estar brava, “Foi você quem me beijou primeiro”, ela resmungou baixinho.

Quinn soltou uma gargalhada, “Porque você é irresistível. Eu não tenho problema em correr atrás de você, amor”, ela brincou, “você é que prefere academia do que correr comigo”

Rachel beijou Quinn, se ajeitando mais em seus braços.

“Eu não sei onde estaríamos, Rach, mas eu ainda estaria te amando, como sempre fiz desde que meu coração aprendeu a amar”, a loira disse baixinho, e Rachel não poderia dizer se ouviu isso mesmo, ou seu cérebro estava lhe pregando uma peça. Adormeceu.

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Quinn morou no mesmo prédio que Santana por um bom tempo. Brittany e a latina trabalhavam em horários diferentes, o que facilitava a vida de Quinn caso ela precisasse de ajuda. Seus primeiros meses foram difíceis, as noites sem dormir, se acostumar com o emprego novo e a rotina nova, seu bebê que precisava de alimentos específicos, além de roupas e brinquedos.

Depois conseguiu se estabilizar financeiramente, colocando Beth em uma escola melhor e mais confiável. Passou a conviver com Rachel, que morava nos dormitórios de NYADA, e depois que as duas começaram a namorar, poucos meses foram necessários para a morena se mudar definitivamente para o apartamento de Quinn.

Foi uma época alegre e diferente. Rachel descobriu em Santana e Britt duas fiéis e melhores amigas, com que esteve sempre disposta a contar. Kurt, Blaine e Mercedes passaram a fazer parte do círculo social de Quinn, e rapidamente reuniões eram feitas no apartamento da loira, que mais lembravam o tempo em que eles se reuniam na sala do Glee Club (com alguns drinks espalhados pelo chão).

Rachel conheceu Quinn ainda mais profundamente e conseguiu se sentir mais apaixonada do que antes. E tinha um carinho tão grande e genuíno por Beth que a fazia pensar: mesmo se terminasse com Quinn por algum motivo em uma situação hipotética, ainda assim gostaria de manter contato com Beth, saber de suas necessidades, etc. Não havia como separar suas vidas uma vez que estavam tão interligadas.

Quinn ganhava razoavelmente bem para se manter em um bairro de classe média em New York. Santana mostrava à amiga livros de matérias que estudou na faculdade de administração e Quinn absorvia esse conhecimento para usar em seu trabalho. O que foi muito útil à loira, pois evitou confrontos desnecessários em equipe e ainda lhe rendeu um cargo novo e um aumento. Na noite que voltou pra casa, depois de saber da nova função, comprou o vinho mais caro que conhecia para Santana, como forma de agradecê-la, e a latina não poupou detalhes sobre a noite maravilhosa que teve com Brittany regada por aquele vinho (o que fez Rachel ter que tapar os ouvidos de Beth, que ainda era muito pequena para tais conversas).

Depois de conversarem muito, Rachel e Quinn decidiram se mudar para outro bairro, para morarem em uma casa de verdade, e não um apartamento. Ambas tinham a mesma opinião sobre isso: seria melhor para Beth. Uma casa de dois andares onde seu quarto seria separado do quarto de casal, que possivelmente teria uma suíte para melhor privacidade, um pequeno terreno onde Beth poderia brincar e interagir com os vizinhos, grama e árvores à vista (ao contrário de todo concreto que enxergavam da janela do apartamento), talvez um sótão com suas coisas velhas... Depois de alguns meses de pesquisa, acharam uma casa perto do trabalho de Quinn. E moram lá desde então.

Juntaram dinheiro para comprar um carro, porque não tinham como bancar táxis o mês inteiro. Tempo depois, quando Rachel conseguiu uma premiação por participar de um concurso musical na TV como professora de canto, compraram um segundo carro, mais barato e econômico, para pequenas distâncias ou emergências.

Rachel se formou em NYADA com excelência, recebendo da instituição alguns diplomas a mais por sua atuação em peças realizadas para arrecadar fundos destinados à instituições de caridade. Ela realizou alguns testes para entrar em produções off-off-broadway, mas recebeu uma resposta negativa em todos. Depois de um tempo, resolveu dar aula de música para uma das instituições carentes que NYADA ajudava, e se apaixonou. Entreter e ensinar crianças, dar aulas de educação musical, iniciar aqueles pequenos no mundo complexo e impressionante da música se tornou algo maior do que Rachel jamais poderia imaginar. E foi assim que Rachel largou os palcos para viver em outro lugar: por detrás deles.

A morena fez cursos de especialização em música clássica e erudita, depois em contemporânea e canto popular. Participou como técnica de programas como The Voice e American Idol, sempre nos bastidores, claro. Rachel percebeu, depois de um tempo, que aparecer não era necessário para enobrecer sua alma. Ela deixou de ser uma atriz que cantava para ser uma pessoa com maduro conhecimento musical que sabia atuar. E isso a deixava extremamente feliz, com sua carreira produtiva e lucrativa.

Assim, Beth era cercada de arte por todos os lados. Rachel levava a pequena para o trabalho muitas vezes por semana, quando as aulas não ocupavam o período da tarde. Quinn estava sempre lendo com a pequena em seus momentos de folga, Britanny tentava ensinar coreografias de quase todas as músicas de Coraline Stevens e a escola onde Beth foi matriculada prezava por instigar muito a parte artística das crianças. Não era raro Quinn ter que sair do trabalho mais cedo para ver uma exposição de trabalhos das crianças do primário, onde Beth sempre estava com muitas telas (cartolinas) expostas.

Esse ano era o primeiro, desde que começaram a namorar, que Rachel e Quinn fariam o jantar de ação de graças em sua casa. Geralmente Quinn voltava para casa ou passava no centro de New York com Beth, Brittany e Santana, vendo o desfile da Macy’s. Beth ficava muito agitada com a multidão e o barulho, então geralmente o dia acabava com uma breve ceia no lar Brittana.

Rachel sempre passou o dia com a família, seus pais, tios, primos e avós ao redor da mesa davam suas graças pelo ano que passou. Desde quando foi morar em New York, essa tradição mudou: ela passava com Blaine e Kurt, que faziam uma ceia em sua casa com alguns familiares e amigos.

Depois que foram morar juntas, Rachel e Quinn revezavam entre passar tempo com os amigos e voltar para Ohio e jantar com Leroy e Hiram. Mas este ano concordaram em dar um grande jantar para todos os amigos e família, incluindo os pais de Brittany e Kurt.

“Meu coração está doendo”, Rachel brincou, colocando a mão no peito.

“Cala boca, Berry”, Santana cortou, tirando o peru temperado do forno para ver se ele estava assado o suficiente, “enquanto você sente pena dessa beleza aqui, eu mato minha fome”

“Você que temperou o peru, amor?”, Brittany pergunta para Santana.

“Quando cheguei já estava temperado, eu apenas coloquei no forno e cortei as batatas”

“Fui eu, B”, Rachel respondeu.

“Mas como você sabe temperá-lo?”, a loira perguntou com seus olhos azuis ingênuos, “Alguma vez você já temperou carne na sua vida, Rach?”

“Calma, gente”, Rachel dá um passo pra trás diante do olhar matador de Santana, “Eu faço bifes pra Beth de vez em quando, e coloco menos sal porque assim ela pode temperar a seu gosto. Salgado demais fica intragável, e de menos dá pra arrumar”

“Acho bom você não ter errado no tempero, Berry”, a latina provoca, rindo, “Os pais da B estão vindo e eu não gostaria de servir um peru intragável pro meu sogro e sogra”

“Está tudo sob controle, Santana”, Rachel sai da cozinha, procurando Quinn. A latina estava a deixando nervosa. E se ela tivesse errado a mão? Talvez fosse melhor deixar Quinn temperar a carne, como a loira havia dito... mas agora estava feito.

“Amor, você pode ver se Beth já terminou de se arrumar?”, Quinn pediu assim que Rachel entrou na sala, “eu estou acabando de deixar a sala apresentável”, ela riu.

Brittany, Santana, Rachel e Quinn passaram parte da noite bebendo e conversando, assim que Beth foi dormir. Rachel e Brittany acordaram com uma leve dor de cabeça, enquanto Quinn teve que dormir um pouco para ver se a dor severa passava. Santana parecia não ter bebido quase uma garrafa e meia de vinho, seu corpo estava ótimo e sem nenhuma dor interna.

“Claro, Q”, Rachel foi até ela e beijou, “Como estará nossa princesa hoje?”

Os olhos da loira se iluminaram, “ela escolheu usar aquele vestidinho rosa que você comprou com ela e os sapatos que ganhou do Hiram. Acho que ele vai gostar”

“Ela vai estar linda”

“Vai sim”, Quinn parou de amassar as almofadas e abraçou Rachel pela cintura, “E você, como vai se vestir?”

“Pra você, vou usar um look natural, conhecido nas passarelas como ‘o modo que vim ao mundo’”

Quinn soltou uma gargalhada, “Eu amo esse look. Ele é exclusivo?”

“Sim”, Rachel respondeu com uma voz sexy no ouvido da loira, baixinho.

“Oh”, Quinn gemeu, “Eu mal posso esperar pra vê-lo. E tocá-lo”, ela desce sua mão até a bunda da morena e aperta de leve, “E beijá-lo por inteiro”

Rachel beija Quinn outra vez, mas logo se separa.

“Nossos amigos estão vindo, amor, assim como meus pais e os de Britt e Kurt”, ela riu, se recompondo.

“Você é má, Rach”, Quinn gruniu, rindo também, “Eu vou ajudar as duas na cozinha e já volto para ver Beth, ok?”

“Ok”, elas trocaram um último beijo.

A morena subiu até o quarto de Beth e abriu a porta, em silêncio de devagar. Beth já estava vestida, colocando uma sapatilha que ganhou de Hiram no último natal. Seus cabelos loiros estavam na altura do ombro, e caiam em seus olhos quando ela se abaixava para colocar o sapato corretamente. Rachel riu daquela cena fofa.

“Você quer ajuda, docinho?”, ela perguntou entrando no quarto.

Beth fez beicinho, “Eu não consigo colocar os sapatos, mamãe”

“Aqui”, Rachel pegou a sapatilha esquerda e se ajoelhou, colocando-a nos pés da pequena e amarrando os cadarços soltos e enrolados.

“Eu não sei amarrar isso”, Beth reclamou.

“Você quer que eu te ensine?”

A pequena pensou bem. Aprender por si mesma ou continuar usando Rachel para colocar seus sapatos sempre que podia?

“Não, não precisa”, ela deu de ombros.

Rachel soltou uma risada e colocou o outro pé, amarrando-o corretamente. A pequena se levantou e olhou para o espelho, ao lado de seu guarda roupa. Segurou a ponta do vestido infantil que a deixava parecida com uma princesa e levantou.

“Como estou, mamãe Rachy?”

“Linda, meu amor”, Rachel pegou Beth no colo e a rodopiou, “Você está pronta para descer? Hoje a casa vai estar cheia”

“Estou”, Beth pegou os brinquedos que iria levar pra sala e ajeitou em seus braços, “Tia Britt ainda está aqui?”

“Está sim, vamos?”

Apesar de apenas adultos passarem o dia com Beth hoje, ela não reclamaria. Parecia estar cercada de crianças, todas disposta a brincar com ela e se divertir. Sua tia Britt em especial, que adorava jogar Just Dance com a pequena. Beth morria de rir com os movimentos engraçados da loira, além das caretas que ela fazia quando estava cansada. Além dos abraços e beijos que ganhava de todos sempre que contava suas histórias sobre a escola, seus amiguinhos ou fatos engraçados sobre suas mães.

“Beth, vem cá”, Santana chamou, da cozinha, vendo que a pequena descia as escadas, “Prova essa torta de maçã”

“Hmmm”, ela correu até a cadeira da cozinha e ficou de joelhos, “está boa, Tia Santana”, respondeu depois de mastigar.

“Eu quero também”, Rachel pediu.

“Você não, Berry”, Santana guardou os talheres e deixou a torta ao lado das comidas que já estavam prontas.

“Santana!”, Rachel brigou, “A sua torta é minha coisa preferida na ceia”

“Por isso mesmo, Rach, para não corrermos o risco de ficarmos sem torta na hora do jantar, eu não posso dar um pedaço pra você”, Santana limpou as mãos no pano de louça e olhou pra Beth, “Você concorda, Beth?”

A loirinha pensou no que a latina disse por um instante e Rachel fez uma cara de incredulidade.

“Bom, mamãe, eu gostaria que a torta ainda estivesse aqui quando a gente for jantar, todo mundo junto...”, Beth respondeu, rindo. Santana levantou a mão para dar um high-five com Beth.

“Você está do lado dela, docinho?”, Rachel brincou, se fazendo de triste. Beth se levantou para dar um beijo na bochecha da morena, “Mas tudo bem. Pelo menos você pensou no bem de todo mundo no jantar. Porque eu não sei se me controlaria mesmo, já que o cheiro da torta está delicioso”, ela se aproximou devagar das comidas prontas e roubou um pedaço da torta com a ponta dos dedos.

“Rachel!”, Santana brigou, e a morena saiu correndo da cozinha. Beth soltava uma gargalhada gostosa.

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A casa estava simplesmente lotada: Leroy, Hiram, Burt Hamell, o pai de Brittany e Blaine estava na sala assistindo ao jogo de futebol americano entre Detroit Lions e Dallas Cowboys. A torcida era dividida entre os dois grupos, e todos tomavam com gosto a cerveja gelada que era servida de tempos em tempos.

Beth nem ficou chateada por ter que sair da sala e parar de brincar com Brittany para os adultos assistirem ao jogo; ela foi pra cozinha ajudar nos últimos preparativos da ceia e estava adorando. Quinn arrumou a mesa com pães, abóbora, purês e as tortas de Santana, de maçã e nozes. As mulheres e Kurt se serviam com vinho e Beth tomava suco na caneca especial da Coralina Stevens que Kurt havia dado pra ela de presente.

“Então... eu acho que é isso”, Quinn disse arrumando os talheres e guardanapos em cima da mesa, agora toda posta, com os candelabros corretamente colocados para enfeitar, e toda a comida alinhada.

“Vou chamá-los na sala”, a mãe de Brittany avisou e a filha foi junto.

“Como está o peru, Sant?”, Quinn perguntou.

“No ponto”, Santana colocou a luva espumada que Beth adorava brincar e pegou a enorme bandeja com cuidado, colocando o assado em cima da mesa, ao centro.

Não demorou muito para os homens se colocarem à mesa, assim como o resto dos amigos que estavam ali. Sentaram-se Blaine, Kurt, Burt, Brittany, seus pais, Santana, Mercedes, Beth, Rachel, Quinn, Leroy e Hiram. Antes de comer, conversaram e riram, para logo voltar ao assunto sério: pelo que estavam gratos?

Blaine e Kurt agradeceram aos amigos reunidos, o bom ano profissional que quase se encerrava, além da presença de Burt. Burt agradeceu pelo filho, falou sobre seu orgulho por ter criado alguém tão honrado como Kurt, por ele ter encontrado um bom parceiro na vida como Blaine, e pelos amigos que eles tinham, sempre tão fiéis e prestativos. Os pais de Brittany agradeceram pela loira ter a quem contar em New York, além de Santana, que era sua alma gêmea. Agradeceram também pela boa vida que tinham, e cobraram das duas um neto ou neta, já que Rachel e Quinn tinham Beth e eles viram o quanto ela trazia alegria.

“Bom, eu não sei quando vamos ter um filho ou filha, mãe”, Brittany limpou algumas lágrimas da borda de seus olhos azuis, “Mas o que eu mais quero é dar continuidade à minha família com Santana, que é a pessoa mais importante da minha vida. Eu quero agradecer por tê-la comigo nos momentos fáceis e nos difíceis, por saber que sempre posso contar com meus amigos, por ter Beth como uma sobrinha de coração... Sou muito grata por todos vocês”, ela terminou e Santana beijou sua namorada.

“Eu sou grata por Brittany literalmente ter me salvado...”, Santana continuou, emocionada, “Sou grata por ter a oportunidade de amá-la e respeitá-la, e por todos que estão aqui em volta dessa mesa. Nossa vida seguiu para tantos caminhos que no final nos trouxe ao mesmo outra vez, e eu sou eternamente grata por isso. Eu sinto que tenho uma família de verdade, e que não tem o mesmo sangue que eu porque isso não é necessário”, ela apertava a mão da namorada por debaixo da mesa, “E eu não queria deixar vocês muito excitados, mas Brittany e eu passamos por uma clínica de adoção semana passada e marcamos uma consulta com os advogados”

Todos na mesa comemoraram, surpresos.

“Sant! Era surpresa!”, Brittany reclamou, mas no fundo gostou da notícia ter sido contada dessa forma, com todos juntos.

“Eu não acredito, Sant!”, Quinn se surpreendeu, “Você não me disse nada”

“Era surpresa, mas agora todos sabem”, a latina respondeu, sorrindo, “Vamos dar entrada no processo e talvez daqui há menos de um ano... conseguiremos adotar uma criança”

“Isso é maravilhoso, S”, Rachel sorriu para a amiga.

A mesa dispersou um pouco do assunto devido à novidade; os pais de Brittany se emocionaram muito e abraçaram a filha por um longo tempo. Eles sempre desejaram um neto ou neta e agora tinham certeza que veriam essa criança, não importa de que maneira ela viesse parar na família...

“E eu sou grata também por essa comida e bebida que temos aqui hoje”, Santana comentou, “Passamos uma noite maravilhosa com as pessoas que mais amamos e eu agradeço por isso. Me perdoem a palavra, mas vocês são foda!”

“Santana!”, Rache tapa os ouvidos de Beth por um instante e a loirinha ri. Ela já estava acostumada com sua tia Santana falando palavrões. Ela só não reproduzia eles na frente de suas mães, que tinham a política de não dizer palavrões em casa sob a multa de um dólar, deixado dentro de um pote de biscoitos.

“Ela precisava falar isso, Rach, tava se segurando a noite inteira”, Kurt comentou, rindo, e Santana concordou.

“Até me impressionou que ela não disse 7 palavrões a cada 10 palavras hoje”, Blaine brincou.

“Meus sogros estão aqui, me respeite”, Santana brigou, apontando o dedo para o moreno e rindo.

“E você, Beth, pelo que você é grata?”, Rachel perguntou e Beth teve a atenção de todos na mesa.

“Hmmm”, ela pôs o dedo no queixo, “Sou grata pela minha mamãe Quinn, que sempre cuida de mim com muito carinho e faz de tudo para eu ficar feliz. E sou grata pela minha mamãe Rachy, que também me ama da mesma forma, mesmo eu não saindo da barriga dela. Sou grata pelo meu papai Puck que está ajudando as pessoas e crianças que moram longe e não tem tudo para brincar, como eu... sou grata pelos meus tios que eu amo muito e cuidam de mim quando minhas mamães querem namorar”, Beth terminou, fazendo todos rirem, “acho que é isso, mamãe”, ela olha para Quinn, que tem lágrimas nos olhos.

“Ok, meu amor...”, Rachel abraçou de lado a pequena, “eu sou grata pelos meus pais, esses dois babões que viram criança quando Beth está por perto, e que me criaram com todo o amor e carinho possível... grata pela grande família que consegui morando aqui em New York, pelos meus fiéis e verdadeiros amigos sentados ao redor dessa mesa... E sou grata pela instabilidade da vida”, Rachel se emocionava, “Eu não posso prever o que vai acontecer, mas posso afirmar que nem tudo será um mar de rosas porque nada é. Mas enquanto as tormentas passam, nossos laços se tornam mais fortes e o amor se torna mais importante, e é isso o que eu tenho hoje. Eu nunca me senti tão amada e nunca amei quanto hoje, pelas coisas que aconteceram no passado. Cada acidente infeliz que nos trouxe tristeza serviu como um tijolo para a fortaleza de amor que temos hoje, e eu sou grata por isso. E rezo para que isso não acabe nunca...”, ela suspirou.

Quinn segurava sua mão por debaixo da mesa, e não se furtou em abraçar Rachel com todo amor que conseguia. Ela sabia sobre o que a morena estava falando... como sabia.

“Eu estou grata por meus amigos, e pela família que tenho aqui...”, Quinn começou, “mesmo que eu não tenha minha mãe ou pai aqui, eu me sinto amada e forte o suficiente para amar Beth porque tenho vocês, cada um de vocês. Eu sou grata pela boa vida que levo, regada à companhia de vocês; por ter a honra e responsabilidade de cuidar de Beth e fazer dela um ser humano melhor para o mundo... Só Deus sabe a felicidade que é vê-la crescer mais a cada dia, vê-la brincar e rir, ser uma criança por completo. Sou muito grata à vida pelas oportunidades que ela me dá, e...”, ela olha para Rachel, ao seu lado, “Sou grata por ter a sorte de encontrar Rachel. Você é minha alma gêmea, meu amor, minha amiga e minha amante. Minha cúmplice e minha parceira de vida. Eu nunca encontraria outra pessoa como você em mil anos, e mesmo se encontrasse, ninguém teria o seu brilho, talento, beleza, carisma, ou sua paixão. Eu te amo com todo meu corpo e alma, com todo meu ser e ter, com tudo o que há dentro de mim e fora. Eu sou apaixonada por você e talvez isso nunca vá mudar, e eu não quero que mude, porque me apaixonar por você foi a melhor coisa que já me aconteceu além de Beth. Te amar é o que faz meu coração se sentir vivo, e como eu te amo, Rachel...”

Rachel sorria entre lágrimas, sentindo cada palavra de Quinn entrar em seu coração. A loira beijou delicadamente seus lábios, salgados das lágrimas que caíram. Todos ao redor estavam emocionados e lacrimejando devido à declaração inesperada e sincera de Quinn.

Leroy agradeceu pelo marido, pelos amigos e pela família que a filha estava construindo com Quinn. Agradeceu por ter Beth alegrando a vida de dois velhos homens que criaram sua filha tão alegre como Beth era. E Hiram terminou as palavras do marido, indo abraçá-lo e beijá-lo nos lábios rapidamente depois das palavras doces.

Todos se preparam para comer, se servindo com muito falatório e risadas. Beth esperava Quinn terminar de fazer seu prato, e Rachel se empanturrava com a salada de as tortas que Santana havia feito.

Santana foi a primeira a dar uma boa garfada no peru. Levou a carne à boca e mastigou, se arrependendo logo depois. Cuspiu a comida no prato silenciosamente, constrangida.

“Berry, você por acaso já provou o peru?”, ela perguntou, chamando atenção de todos na mesa.

“Claro que não, Santana, tá louca?”, Rachel respondeu, rindo.

Blaine provou um pedaço da carne que havia cortado pra si e conseguiu engolir, a muito contragosto.

“Oh, meu Deus, está horrível”, ele reclamou e todos se viraram pra ele, “está salgado demais”

Todos na mesa provaram um pedaço de carne que tinham no prato e a careta foi geral: até Beth cuspiu no prato o que tinha tentado deglutir. O pânico estampado no rosto de Rachel era engraçado e trágico ao mesmo tempo.

“Eu sinto muito!”, ela pediu nervosa, “Me desculpem, por favor!”

“Calma, Rach”, Quinn pediu, passando a mão entre os ombros da morena, “Não ficou tão salgado assim”

“Desculpa, Quinn, eu sei que você quer fazer Rachel se sentir melhor, mas a carne está intragável”, Leroy disse, rindo e bebendo um gole dágua, assim como todos na mesa.

“Eu falei que era furada a Berry ter temperado o peru. Como ela saberia o ponto de temperar uma carne se ela nunca comeu?”, Santana brigou, limpando a boca com guardanapo para tirar o gosto ruim e salgado.

Rachel suspirou, derrotada, “Eu sinto muito”

“Não tem problema, amor”, Quinn garantiu. Estava morrendo de pena da morena.

“Beth, quando eu tempero a carne pra você não fica normal ou com pouco sal, aí você acrescenta a seu gosto, docinho?”, Rachel perguntou para a pequena ao seu lado.

Beth demorou a responder, e olhou para sua mãe Quinn, em busca de ajuda silenciosa, “Fica bom, mamãe Rachy”, ela diz, mas Rachel apoia os cotovelos na mesa para esconder o rosto com as mãos.

“Quer dizer que eu sempre erro no tempero e ninguém me diz?”, Rachel olha para Quinn e Beth, e as duas tem um olhar culpado no rosto.

Santana segura o riso, assim como a maioria da mesa. Apesar de Rachel se sentir culpada por praticamente obrigar sua pequena Beth a comer uma comida extremamente salgada e que poderia fazer mal à sua saúde (mesmo sem saber), a situação se tornou engraçada e eles até haviam esquecido que o prato principal da ceia não estava comestível.

“Quinn, por que você não me falou?”, Rachel perguntou, com a voz derrotada. Ele não estava brava, pelo contrário. Tinha medo que Beth ou Quinn estivessem bravas com ela.

“Beth me avisou mas ela não queria que você se sentisse mal por isso... além do que ela ama quando você cozinha pra ela, amor...”, Quinn tentou argumentar.

“Me desculpa, por favor! Beth, docinho, eu sinto muito!”, ela pedia quase chorando, “Eu juro que não tempero mais a sua comida quando eu não posso provar, ok?”

“Tudo bem, mamãe”, Beth se levantou e abraçou Rachel pelos ombros, “Você não precisa pedir desculpas, eu como a carne que você faz porque sei que você fez com amor pra mim”, a pequena se sentou novamente em seu lugar, e todos na mesa soltaram um “oownn” em uníssono.

Quinn sorriu e pegou a mão de Rachel, levando-a até a boca e deixando um breve beijo.

“Amor, está tudo bem”

Rachel viu a sinceridade com que Quinn falou e seu coração conseguiu se acalmar.

“Mesmo?”, ela perguntou baixinho.

“Mesmo”

“Bom, tirando que você estragou o peru, que é o prato principal do dia de Ação de Graças, e que Beth tem que tomar dois litros dágua quando come a comida que você cozinha pra ela... está tudo bem, Rachel”, Santana disse e todos na mesa riram. Rachel se deixou contagiar e recebeu um olhar de apoio de seus pais, além do sempre calmo e amoroso olhar de Quinn a tranquilizando.

“Vamos comer, gente, eu estou morrendo de fome”, Kurt levantou os talheres.

“Eu também to com fome”, Beth completou.

Rachel beijou Quinn antes de voltar a comer sua salada e pedaços de torta de maçã, enquanto todos ajeitavam o pedaço de peru que colocaram no prato para o cantinho.

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Quinn se olhava no espelho, vestida apenas com um roupão de algodão branco.

Estava com 23 anos bem vividos. Seu rosto, sem maquiagem, não demonstrava nenhuma marca do tempo. Seus olhos verdes e vivos estavam só um pouquinho cansados pelo dia que teve hoje, mas não que ela fosse reclamar por causa disso. A boca grossa e rosada, ansiosa por encontrar Rachel e beijá-la até pegar no sono, revelava um breve sorriso. Estava se sentindo tão bem consigo mesma e com o resto do mundo. Apesar de não falar com seus pais, sua consciência dizia que ela fez tudo o que podia para reatar contato. Dependia das duas partes, e não só de uma. Enviou à mãe flores e um presente, como todos os anos no dia de ação de graças e outros feriados. Tinha Rachel, que ainda era sua namorada, mas Quinn não se furtava em imaginá-la como sua esposa em um futuro não muito distante, e tinha Beth, sua filha de sangue e filha de Rachel, também, segundo seu coração.

Retirou o roupão, olhando seu corpo por inteiro no espelho. Gostava de seu físico. Não era magra demais, mas não tinha barriga; suas coxas eram grossas e terminavam em um bumbum generoso que Rachel adorava. Quinn evitava usar calças desde o ensino médio, por achar que elas marcavam demais suas pernas e coxas, porém quando começou a trabalhar viu que não poderia usar vestidos o tempo inteiro. Assim, ela passou a gostar de usá-las e admirar como ficavam em seu corpo.

Na barriga, Quinn tinha algumas estrias brancas, lembranças da gravidez precoce. Elas não eram muito chamativas, mas mesmo assim estavam lá. Quinn se lembra da primeira vez que fez amor com Rachel, do modo como tentou se esquivar e esconder quando Rachel passou a beijar seu corpo e aquelas cicatrizes. A loira tentou buscar o rosto de Rachel outra vez, mas Rachel voltou seus olhos para Quinn apenas para dizer: “deixe-me beijá-la. Eu amo suas cicatrizes, amo quem você é e isso faz parte de você. Eu quero você inteira, Quinn, e essas marcas só mostram o quanto você foi forte e sobreviveu”. Ela não tinha como lutar contra isso, e Rachel beijou todo seu corpo e todas as suas cicatrizes.

Os seios, não muito fartos, eram rosados e com mamilos pequenos. Ainda eram firmes, já que Quinn não chegou a amamentar. Quinn observou seu seio esquerdo com curiosidade: havia uma diferença entre ele e o outro. Ela levou a ponta do dedo até a pele do seio e delicadamente sentiu a diferença de textura – tocar seu seio esquerdo era como tocar uma casca de laranja. Quinn apertou o seio em toda sua extensão, e sentiu dor quando apertou um pouco acima do mamilo. Subiu sua mão para a axila e passou a dedilhar aquela área, notando possíveis alterações de superfície. Não havia nada, porém, dóia quando ela fazia isso. Um arrepio gelou sua espinha. Ela pegou o roupão e vestiu novamente, franzindo a testa. Nunca havia percebido essa textura no seio nem a dor ao tocá-lo... seu sexto sentido dizia que ela tinha que averiguar o que isso significava.