Notas iniciais
Roupa do Oliver: http://www.canalmasculino.com.br/wp-content/uploads/2014/03/terno_slim_fit_croped.jpg Vestido Moira: http://vestidosderenda.net/wp-content/uploads/2014/10/vestido-longo-de-festa-azul-3.jpg

Donna estava a caminho de seu casamento, em uma Mercedes 1951, acompanhada por Felicity. Ray e Walter iam em um carro separado, afinal, o noivo ver a noiva antes do casamento dava azar.

Ela não poderia estar mais feliz. Suas mãos suavam, e o coração batia acelerado em seu peito, como se estivesse se casando pela primeira vez, e tinha vontade de gritar e de chorar ao mesmo tempo. Ela nunca pensou que pudesse ser feliz dessa maneira novamente. Depois que seu marido morreu passou a se imaginar vivendo sozinha, para sempre, talvez com um gato ou dois, nada mais, mas de repente sentiu vontade de ter alguém de novo, de se apaixonar, e quem sabe encontrar alguém com quem pudesse compartilhar o resto de seus dias. Por sorte achou Walter, que a compreendia e partilhava do mesmo desejo. Por esse motivo não podiam esperar mais. Pareciam dois adolescentes que não conseguiam se desgrudar, e ela ainda não sabia se iria durar ou não, mas queria aproveitar enquanto pudesse.

Felicity estava sentada ao seu lado, e observava os olhos da mão brilharem em expectativa. Podia sentir o nervosismo praticamente emanando nela.

– Mãe, você está realmente feliz, não é? — Tinha aquele olhar cúmplice que partilhavam em raros momentos, e sorria timidamente.

– Sim, estou. Mal posso expressar o quanto.

– É isso que importa. — Felicity deu um beijo em sua testa. — Sabe... Depois de alguns meses que papai morreu sempre tive medo de que você pudesse tentar substituí-lo, pois sabia que isso nunca seria possível. Ninguém pode ocupar o lugar de outra pessoa, ainda mais uma que foi tão importante. Mas depois de tantos anos percebi que outras pessoas surgem em nossas vidas e são capazes de nos fazer felizes, não a ponto de esquecer aqueles que amamos e que já se foram, mas de forma que, criando novos momentos memoráveis e alegres, impedem que a tristeza nos domine. E se é isso que Walter faz com você, desejo tudo de melhor para os dois.

Qualquer esperança que Donna tinha de não chorar foi por água abaixo com aquelas palavras. As duas se abraçaram por um longo tempo, até que o carro parou em frente a um imenso portão de ferro. Ele se abriu, e em seguida havia uma estrada de terra contornada por grama e árvores, não muito longa, que guiava até um jardim esplêndido, todo decorado.

De dentro do carro as duas podiam observar um tapete branco, que continha milhares de flores lilases o colorindo ao longo do caminho, que por sua vez guiava até uma plataforma branca, localizada três degraus acima do nível em que ficavam os convidados. Contornando a plataforma, havia um arco adornado com flores brancas e pequenas luzes, e em cima dela havia um púlpito.

Cerca de duzentos convidados estavam acomodados em cadeiras brancas de madeira, que tinham um estilo antigo mas ainda muito bonito, e esperavam curiosos pelo que se seguiria. Rodeando o ambiente havia luminárias brancas presas às árvores, que estavam enfeitadas com o que pareciam luzes de natal, e também pequenos postes de luz brancos. O jardim contava com imensas roseiras, e mais ao longe podia-se ver uma fonte contornada por altas paredes de hera. O céu escuro e com muitas estrelas dava uma toque final, que deixava tudo parecendo um cenário de um filme dos anos vinte, em Paris. Não poderia ser mais perfeito.

Walter havia chegado um pouco antes, e esperava a noiva no primeiro degrau da plataforma. Ele tinha dito aos convidados que se tratava de uma ocasião muito especial, e que logo eles compreenderiam. Ray esperava por Donna na beira do altar, muito elegante em um smoking feito sob medida. Estava na hora.

Alguns minutos antes...

Oliver estava parado na frente do espelho, com um de seus melhores ternos, e ajeitava a gravata, quando sua mãe entrou no quarto.

– Vejo que decidiu comparecer à cerimônia. Ficou com medo do que eu poderia fazer? — Ela estava elegante, em um longo vestido azul marinho.

– Sim, você não me deixou muita escolha. — Moira podia perceber que ele não estava muito bem humorado.

– Deixe que arrumo sua gravata. — Ela deu um nó perfeito, e olhou para o filho. Ele estava lindo. — Venha, vamos descer, já vai começar.

Os dois desceram e se acomodaram na primeira fileira de cadeiras, ao lado de Thea e alguns poucos conhecidos como Malcom e Tommy Merlyn.

– Você não mencionou que Walter iria se casar. — Oliver falou, com olhos inquisidores.

– Talvez porque ele também não tenha mencionado a mim. Eu poderia esperar tudo, menos isso.

– Estranho, que eu saiba ele não estava se envolvendo com ninguém nos últimos meses. Só se for muito recente... — Thea se intrometeu na conversa. Quando o assunto era a vida alheia, ela sabia de tudo.

Em poucos minutos Walter chegou, só reforçando ainda mais as suspeitas devido ao seu traje. Fez um anúncio não muito esclarecedor, e um silêncio constrangedor se seguiu. Segundos depois uma música começou a tocar. Era uma marcha nupcial. Todos olharam para trás, em busca da noiva que obviamente apareceria ali. Cochichos se seguiram, e foram se elevando até que a música mal pudesse ser ouvida, mas assim que a mulher de branco apareceu todos se calaram. Para Walter, o mundo parecia ter parado naquele momento.