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32 Capítulo 31
Notas iniciais
O caminho para a mansão fora rápido e mergulhado em um silêncio mortal. Thea parecia estar assustada demais para falar qualquer coisa, o que era totalmente atípico a ela, e Oliver estava ocupado demais dirigindo e tentando controlar a raiva que sentia. Tinha dado tudo errado.
Felicity por sua vez não conseguia coordenar seus pensamentos. Era demais... Era simplesmente demais para ela. Para começar, Ray havia descoberto sobre ela e Oliver. Isso era ruim, MUITO ruim, e era algo que ele com certeza usaria a seu favor no tribunal. Depois eles brigaram, e ela sabia que depois disso Ray levaria a antipatia que tinha com Oliver para um lado mais... Pessoal, digamos assim. E agora ela olhava para Oliver tentando decifrar seu silêncio, ansiando pelo momento em que estivessem a sós para poder conversar e se aninhar em seus braços onde se sentia protegida.
Fazia tão pouco tempo que se conheciam que isso chegava a assustá-la. Em sua cabeça parecia que anos tinham se passado desde que ela chegara a Starling City, e desde então tudo virara de cabeça para baixo e toda a sua vida tinha mudado completamente. Será que isso era possível? Às vezes ela chegava a pensar que estava em um sono profundo, sonhando com algo que em um momento era um pesadelo, e minutos depois era o melhor sonho que já tivera na vida. E ela não sabia o quanto disso era bom ou o quanto poderia ser ruim.
E como se o dia não tivesse sido ruim o suficiente, Moira ainda estava em casa quando chegaram, e assim que os viu passando pela porta correu até Oliver, observando a lateral do seu rosto levemente inchada e vermelha.
– Ah meu Deus, o que houve? — ela perguntou assustada.
– Nada mãe... Foi só um soco. — Oliver respondeu impaciente.
– Como assim só um soco Oliver? Por quê alguém lhe daria um soco? Que brutalidade... Thea, vá pegar um pouco de gelo!
– Eu peço à alguém para pegar. Vou deixá-los um pouco a sós. Com licença. — Oliver e Felicity a observaram sair em silêncio, já sabendo o que viria em seguida.
– Tudo bem, quem de vocês dois vai começar falando? — Moira perguntou com aquele seu tom autoritário.
Oliver sentou-se com calma e esfregou as mãos no rosto como se dessa forma pudesse clarear seus pensamentos .
– Nós fomos encontrar Ray. Ele queria conversar com Felicity e achamos que era uma boa oportunidade para conversar também com nosso advogado, todos juntos. E foi tudo muito rápido para falar a verdade... Teremos que comparecer ao tribunal sexta-feira. Mas enfim, depois disso Ray pediu para conversar com Felicity a sós, não sei sobre o quê, só sei que segundos depois ele a estava agarrando e tentando machucá-la, então eu intervim, e bem... Acabamos brigando. Por isso o rosto inchado. — Ele levantou os olhos encarando Moira. — Satisfeita?
– Mas é claro que não! Onde você estava com a cabeça? Ou melhor, onde você estava com a cabeça? — Ela apontou para Felicity com uma feição nada boa. — Levar meu filho para ver o seu futuro ex-marido? O que ele iria pensar?
– Ei, eu insisti para ir! — Oliver levantou-se novamente, colocando-se entre as duas. — E só Deus sabe o que teria acontecido se eu não estivesse lá. Aprove a senhora ou não, eu e Felicity estamos juntos e isso não é algo que caiba a você questionar. Será que podemos encerrar esse assunto aqui e focar no que realmente importa? — A mulher estava calada, completamente me choque, e parecia estar lutando contra seu orgulho enquanto concordava lentamente com a cabeça. — Ótimo. Agora você Felicity, fale o que aconteceu. Eu estava um pouco longe para ouvir a conversa.
Felicity, que estava estranhamente calada, voltou a olhá-los como se saísse de um transe. Seus olhos normalmente alegres e tão vivos estavam agora enevoados e tristes.
– Ele sabe. — Ela correu os olhos pelo cômodo tentado evitar qualquer contato visual com Moira ou seu filho. — Ele sabe sobre nós. — E nesse momento ela parecia estar prestes a desabar.
– O que? Felicity... — Oliver não estava entendendo mais nada. Tudo bem que ele provocou Ray, mas ele não podia ter certeza com apenas uma provocação, podia? A não ser que... — Por que você contou?
– Eu não contei! A última coisa que eu queria era que ele soubesse... Mas aí nós nos sentamos e ele começou a falar de você, e eu tentei mudar de assunto, e ele percebeu e me fez perguntas que eu... Me desculpe, sou uma péssima mentirosa. Eu tentei negar mas ele me perguntou, olhando nos meus olhos, e eu não sei o que eu aconteceu, eu não consigo negar o que estou sentindo nem para mim mesma! Como vou conseguir enganar outra pessoa? — Ela se calou e olhou para baixo, tentando recuperar o fôlego. Oliver podia ver que ela estava segurando o choro por isso se aproximou e abraçou-a, e não se espantou quando ela escondeu o rosto em seu peito, o segurando com força.
– Não se preocupe, vai ficar tudo bem. — Ele acariciou seus cabelos tentando acalmá-la.
– Eu não teria tanta certeza. — Moira se intrometeu e Oliver lançou um olhar mortal em sua direção. — O quê? É verdade. Ou vocês ainda têm algum dúvida de que Ray usará isso contra ela no tribunal?
– Não. — Felicity se desvencilhou de Oliver e falou com uma voz embargada. — Isso é bem óbvio. O que eu não sei é como vamos contornar a situação. O que ele fez foi grave, mas ainda assim... Posso ser acusada de adultério! E então... Ah Deus, não quero nem pensar! Parece que estou ganhando uma partida de xadrez e então todas as peças, incluindo as minhas, se voltam contra mim.
– Nós vamos achar uma saída. Não vou deixar nada de ruim acontecer com você, está me ouvindo? Nada!
– Oliver, será que podemos conversar a sós? — Moira perguntou e ele já ia lhe dar uma resposta nada educada quando encontrou sua expressão mais séria do que o normal.
– Claro... Felicity, por que não sobe e toma um banho para se acalmar? Depois podemos conversar. — Ele não queria esconder nada dela, mas sentia que seria pior se ela ficasse ali para ouvir o que sua mãe estava prestes a falar. A dúvida em seus olhos era bem visível, mas ele tentou responder do mesmo jeito silencioso, uma promessa de que lhe contaria tudo mais tarde.
– Tudo bem... Nos vemos no jantar.
Quando viu que Felicity já estava longe o bastante para não ouvir, Moira começou a falar.
– Oliver... Você sabe que o que está fazendo não é nada inteligente. Essa moça só lhe trará problemas. Quer dizer, mais problemas, não é? — Ele fez menção de interromper mas ela continuou. — Me deixe terminar de falar. Eu não aprovo esse relacionamento, de nenhuma maneira! Ela ainda nem se separou do marido, que absurdo! Só estou fazendo tudo isso pois sei que ela precisa de ajuda, mas assim que resolvermos esse problema quero que ela vá embora, e não ouse me contradizer pois esta casa ainda é minha.
_ Se ela for, eu vou também. Já falei uma vez. — Falou daquele jeito teimoso que tinha desde criança.
_ Você faz o que bem entender com a sua vida. Já é bem grandinho para isso. Mas voltando ao assunto principal... Eu não sei mais o que posso fazer por ela. Eu sei que tinha dito que não me envolveria mais, mas dadas as circunstâncias... Antes tínhamos todas as razões para ganhar a causa, mas agora vocês complicaram tudo. Se Ray realmente acusá-la de adultério ela pode ir presa. Você entende como isso é grave? Todo o sistema jurídico dessa cidade é extremamente conservador, é grande a chance de simplesmente ignorarem qualquer coisa que ela fale e escutarem apenas o lado do marido traído. E eu ainda avisei vocês. Eu disse que se as pessoas descobrissem sobre esse relacionamento seria um escândalo!
– Eu sei, eu sei! Mas e se eu depor contra ele? Sou uma testemunha. Eu vi o que Ray fez com ela no dia do casamento. Vi como a tratou hoje e sei que ela tem medo dele. E eu sou um Queen, minha palavra tem certo peso. Posso falar também que nos conhecemos apenas no dia da festa se ele trouxer esse assunto à tona. Mãe, nós temos que dar um jeito. Por mais que não goste de Felicity, se não quiser fazer isso por ela, então faça por mim. Desde que voltei... Ela é a única pessoa capaz de trazer aquele Oliver antigo de volta. Ela é a única que conseguiu me fazer sorrir depois de meses! Por favor!
Moira o olhou com uma mistura de pena e dúvida. Ele era seu filho, e ela o conhecia bem o bastante para saber que aquela mulher tinha mexido com ele. Mas Oliver também era forte. Ele poderia superar e encontrar outra pessoa.
– Tudo bem, eu vou ver o que posso fazer. Mas não crie grandes expectativas.
– Muito obrigada. — Ele a abraçou tão inesperadamente que ela já havia perdido a familiaridade com aquele gesto. — Me avise de qualquer coisa.
O brilho naqueles olhos de menino tinha retornado e ele saiu da sala apressado como se tivesse uma nova carta na manga e precisasse contar para alguém. Moira, como mãe, o amava mais do que a própria vida, e por isso faria de tudo para o seu melhor, mesmo que naquele momento não fosse bem o que ele esperava.
...
Oliver estava demorando, mas Felicity achou melhor não incomodá-lo. Seja lá o que Moira tivesse lhe falado boa coisa não deveria ser, e ela não queria ficar entre os dois. Tomou um banho com calma e foi até a biblioteca ler um pouco para esquecer os problemas, o que parecia ser quase impossível. Sua cabeça estava prestes a explodir e a falta de Oliver estava deixando-a impaciente.
Pela janela ela conseguia ver o jardim e a grande propriedade dos Queen, com seu gramado verde esmeralda, muitas flores, o "labirinto" e um bosque ao fundo. Era engraçado como uma casa cercada de vida, e tão linda, podia ser tão triste por dentro. O que restara daquela família estava aos pedaços. Oliver estava aos pedaços depois da guerra, a relação de Moira com seus filhos estava aos pedaços e por mais que ela tivesse toda aquela pose de boa mãe todos sabiam que quando eles se falavam era tudo muito formal e frio. E Thea... Thea era uma incógnita. Algumas vezes ela parecia a alegria da casa, brincava e fazia graça como se ainda fosse criança. Em outras conseguia ser muito mais madura do que qualquer um pudesse imaginar, dava conselhos como se tivesse vivido centenas de anos e conhecesse todos os segredos do mundo. Mas em alguns momentos, ela apenas se calava e olhava para longe, uma tristeza clara estampada em seu rosto, totalmente vulnerável. Ela parecia completamente sozinha. Talvez ela precisasse de uma amiga, e isso Felicity poderia ser para ela.
Era isso. Felicity decidiu passar um tempo com Thea, ambas precisavam disso. Ela foi até o quarto da menina e bateu na porta, entrando ao escutar sua voz.
– Oi. — Ela deu um sorriso fraco. — Pensei que poderíamos passar um tempo juntas, ter uma conversa de garotas, o que acha?
– Parece ótimo. Venha, entre. — Ela sentou-se na cama e bateu no lugar ao seu lado para que Felicity se acomodasse também. — Então, sobre o quê você quer conversar?
– Para ser sincera, eu não sei bem. Só estou precisando de uma amiga, e acho que você também. — A menina tentou fazer uma cara de paisagem que não poderia convencer nem a ela mesma. — Ah, vamos Thea... Desde que cheguei aqui não a vi sair com nenhuma amiga. Você passa o dia trancada nesse quarto, o máximo que faz é sair para cavalgar e às vezes fica tão calada que ninguém lembra que ainda está aqui. Por quê isso?
– Eu sou assim Felicity. Aprendi a ser assim. Antes de Oliver partir... Nós éramos muito próximos, entende? Mas então de uma hora para outra perdi meu pai, meu irmão, e minha mãe, que nunca mais foi a mesma, e eu ainda era uma criança. Tudo o que fiz foi aprender a conviver comigo, com quem eu sou! E é só do que preciso. — Ela tinha aquela fachada de menina independente, mas em seus olhos era possível ver que aquele muro estava ruindo, e ela não suportava mais viver daquela forma.
– Sabe o que eu acho? — Felicity falou, tomando a mão dela entre as suas. — Que você está enganando a si mesma. Ninguém vive sozinho, Thea. Nós precisamos ter com quem conversar, rir, dividir os pensamentos, as experiências e as memórias. E por mais que você tente negar e se convencer de que tudo o que precisa está dentro de você, no fundo sabe que essa é só uma mentira que conta todas as manhãs para tentar passar por mais um dia de uma forma menos dolorosa. Acredite, eu já passei por isso.
Thea olhava para longe, através da janela, sem realmente ver. Ela sabia que tudo o que estava escutando agora era verdade, mas foram tantos anos vivendo dessa maneira que ela não sabia como mudar. Alguma parte dela se perdera e talvez ela nunca mais conseguisse encontrar.
– Eu não sei se consigo. — Ela revirou os olhos e comprimiu os lábios, uma mania que Felicity já notara ser muito frequente. — Sabe o que eu sinto? Que estão todos lá fora, todas as pessoas que conheci e estudaram comigo, vivendo suas vidas e aproveitando. Estão vivendo as histórias que um dia contarão aos seus filhos, aos seus netos, e eu estou aqui, trancafiada em uma prisão sem celas, mas que eu mesma criei. — Ela deu um sorriso triste. — Estranho, não? Ao mesmo tempo que quero fazer a mesma coisa que eles, não tenho ânimo nenhum para ir atrás disso. Não há nada lá fora que me atraia.
– Thea, você já parou para pensar que está procurando por algo, quando deveria estar procurando por alguém? Não digo um namorado, um futuro marido nem nada disso. Mas alguém que esteja disposto a viver tudo isso com você. Alguém que te acompanhe nessa jornada. — Ela sorriu como se lembrasse de algo. — Deus! Você é tão nova! Há tanto para descobrir... Vá atrás disso, não tenha medo.
– Eu tenho medo de me machucar. Você sabe... Pessoas vão embora, elas mudam, e eu já tive o bastante disso.
– Corações quebrados são sempre corações quebrados. Eu já tive o meu, sua mãe provavelmente teve o dela, e até seu pai. Todo mundo passa por isso, e se tem uma coisa que eu posso dizer é que dói. Ah, como dói! É o tipo de coisa que parece que vai esmagar o seu peito e te impedir de respirar. É como se todo o universo estivesse girando ao contrário e você não pudesse mais acompanhar a dança. — Ela olhou bem fundo nos olhos da menina. — Mas passa. E então pode acontecer de novo, mas passa. Mais uma vez, mais duas, mais mil se for preciso. E no fim disso tudo você sorri ao lembrar, pois sabe que não teve medo de viver, e viveu de peito aberto. Não tenha medo Thea. Haverá sempre alguém aqui para te pegar quando você cair, confie nisso.
A menina sorriu novamente, um sorriso mais leve e tranquilo. Imaginando que tudo aquilo fazia muito sentido, e ela realmente queria poder dizer um dia que ela tinha vivido. Que ela tinha feito tudo o que tinha vontade de fazer, e sim, havia coisas das quais ela se arrependia, mas se pudesse voltar do tempo ela faria de novo.
– Obrigada. — Ela abraçou Felicity ternamente. — De verdade. Você não sabe o quanto eu precisava ouvir algo assim.
– Eu imaginei que precisasse. — Elas se olharam em silêncio, absorvendo aquele momento. — Bom... Eu acho que vou voltar ao meu quarto, já te importunei o bastante por hoje.
– Não, espere! Felicity... — Thea olhou para as próprias mão torcendo-as em um claro sinal de nervosismo. — E se eu tiver uma ideia de alguém que possa viver algumas aventuras comigo?
– Uuh... Eu posso saber quem é? — A menina sorriu em resposta.
– Talvez... Não nos conhecemos direto para falar a verdade. Eu só... Não sei. Sinto algo quando olho para ele. E algo no modo como ele se comporta me diz que ele sente o mesmo. Só não tive coragem ainda para perguntar.
– Mas o que você está esperando?
– Uma atitude dele. Acho que não deveria ser eu a tomar uma iniciativa. E se ele pensar que estou me jogando para cima dele? Não quero ser esse tipo de mulher.
– Oh Thea, pelo amor de Deus! Uma conversa não quer dizer nada. Talvez ele esteja esperando uma atitude sua. Homens podem ser muito inseguros também. Estou falando sério, não pense. Apenas vá lá e fale o que tem para falar, tudo o que você precisa são de 20 segundos de coragem.
– Está bem. — Ela suspirou. — Acho que vou precisar de um pouco mais de 20 segundos, talvez um dia inteiro de preparação psicológica, mas tudo bem.
– Mas e aí, quem é? — Felicity lhe lançou um sorriso cúmplice.
– Você não conhece, mas o nome dele é Roy, Roy Harper. Ele trabalha em uma sorveteria no centro.
– Hmmmm... Já estou torcendo para que dê certo! — Thea riu, imaginando o que aconteceria se ele também se sentisse da mesma forma que ela.
– Para alguém que parecia tão calada no início, você até que tem uns bons conselhos, sabe? — Ela empurrou levemente o ombro de Felicity, em uma provocação amigável. — Talvez devesse aplicá-los a um certo loiro de olhos azuis que mora nessa casa. — A mulher corou imediatamente ao ouvir aquelas palavras. — Não pense que não notei. É bem óbvio pelo jeito que vocês se devoram com o olhar.
– Thea... — Felicity falou em um tom de repreensão, recebendo um olhar que dizia claramente "O quê???" — Tudo bem. Eu e seu irmão estamos meio que... juntos? Não sei se é essa a palavra. Não discutimos sobre isso ainda. Mas como você disse, é bem óbvio, gostamos um do outro. E por mais estranho que pareça, foi desde a primeira vez que nos vimos.
– Ah meu deus!!! — A menina bateu palminhas. — Eu sabia! Oliver parece muito mais feliz desde que você chegou a essa casa. Ele precisa de alguém como você, Felicity. Não só para alegrá-lo, mas também para colocar um pouco de juízo naquela cabeça oca. E me arrisco a dizer que ele também está te fazendo um bem danado.
A loira sorriu timidamente.
– É verdade, ele me faz muito bem. Acho que encontrei em Oliver o que nunca nenhuma outra pessoa me proporcionou. Paz, confiança, cumplicidade, alegria... amor? Não sei ainda, é muito cedo para poder falar, mas com toda a certeza eu quero descobrir.
– Estou tão feliz por vocês! Acho que tenho a melhor cunhada do mundo inteirinho!!! Só quero ver a cara da dona Moira quando souber, ela sempre quis uma mulher decente para Oliver, acho que você é a nora perfeita.
– Para falar a verdade, ela não gostou nada dessa ideia. Sua mãe não é minha fã, Thea. Ela está me ajudando porque tem seus motivos, mas já deixou bem claro que me quer longe depois que isso tudo acabar.
– O quê? Mas ela não pode...
– Sim Thea, ela pode. Eu só trouxe problemas desde que cheguei aqui. Nem me separei de Ray ainda, e imagine o que as pessoas pensarão se souberem de Oliver comigo! Ele é um homem solteiro, bonito, ainda tem uma vida brilhante pela frente e eu só estou atrapalhando. Ela só quer o melhor para o filho dela e eu entendo perfeitamente. E também... Entre tantas mulheres nessa cidade, que dariam suas vidas para estar com ele, às vezes me pergunto porque ele insiste e querer alguma coisa comigo.
– Felicity, você é uma mulher incrível que passou por coisas que não merecia. Ele está quebrado e viu em você a oportunidade de se concertar, concertando você. Não consegue ver isso? Te ajudar faz bem a Oliver, te ver feliz faz com que o brilho nos olhos dele volte. Ele quer você porque viu em você o que não conseguiu ver em mais ninguém. Deixe de ser boba. Nem minha mãe nem ninguém nesse mundo vai impedir Oliver de estar com você, uma vez que ele tenha decidido isso. E acho que a decisão já foi tomada, talvez não por ele conscientemente, mas por aquele coração teimoso que ele tem.
– Oh Thea... Tão jovem e tão sábia. De onde você tira isso?
– Ah, você sabe... É um talento natural. — Ela sorriu de um jeito brincalhão. — Agora vá, ele deve estar feito um louco te procurando.
– Tudo bem. — Felicity sorriu de volta. — Obrigada Thea, eu estava precisando disso. — Ela falou antes de fechar a porta do quarto e ir em direção ao de Oliver, finalmente sentindo que tinha tirado um peso de seus ombros.
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