You and I
2 Enfim, adeus Nebraska
Notas iniciais
– Andy, eu preciso desesperadamente da sua ajuda. – disse ao celular quando ela atendeu.
Andy era uma antiga amiga minha que ninguém sabia que ela existia. Bom ninguém da minha família porque se ficassem sabendo que eu tinha amiga que não era da “elite” me fariam até me mudar para marte só para que eu não me envolvesse com “más influencias”.
– Ah alô Andy. – ela disse imitando minha voz. – Alô Cathe, que bom que você me ligou, qual o assunto? E é assim que se começa uma conversa sabia.
– Idiota, mas é sério. Eu estou com problemas, como você bem sabe e eu preciso sair dessa casa. Urgentemente.
– Então, se você for até o portão e der um passo à frente. Tcharam. Você estará fora dela. – nesse momento ela estava dando risadinhas do outro lado da linha. Andy era sempre assim fazia piada incrivelmente com tudo e isso até que era uma boa qualidade porque todas as vezes que eu estava no poço eu sabia que podia recorrer a ela para um bom conselho e uma boa risada. – Brincadeira. Diga o que a senhorita Stuart precisa.
Então comecei a explicar para ela o que estava pensando nos últimos dias. Com o casamento da minha irmã chegando muitas coisas estavam prestes a mudar e começando com ela saindo de casa e isso significava que toda a atenção iria se voltar para mim e o meu casamento. E eu definitivamente não iria me casar, eu não deixaria que estragassem minha vida só para fazer uma empresa crescer, então eu iria me mudar e eu precisava de algum lugar para ir. O mais longe possível de Omaha. E Andy estava morando agora em Nova Iorque, então estava planejando minha grande fuga, eu iria arrumar uma mala com o máximo de roupas possíveis, pegar minha passagem e partir para aquela maravilhosa cidade. Eu não tinha a intenção de falar nada para ninguém, apenas ligar quando estivessem a milhares de milhas de distância só para informar que eu estava viva.
E para que meu incrível plano desse certo Andy tinha uma grande participação e teria que aceitar que eu morasse com ela.
– Claro Cathe! – neste momento sabia que ela estava sorrindo. – Claro que você pode morar aqui.
– Ai Andy você é um anjo na minha vida. – agora um sorriso e um alivio brotaram em meu rosto. Ela realmente era incrível. – Você não sabe o bem que esta fazendo para sua hermana aqui. Eu não sei mesmo como te agradecer.
– Bom agente conversa sobre isso quando você chegar aqui. – ela riu.
***
Havia se passado dois dias desde que conversei com Andy e já havia comprado a passagem pela internet, arrumado minha mala e tinha sacado cem reais para não sair de mãos abanando. A viajem estava marcada para dez e meia da noite e a hora para eu ir ao aeroporto estava chegando, eu estava sentada em minha cama com a porta trancada, a mala em minha frente e encarando a hora em meu celular fazia vinte minutos, a cada minuto que passava a certeza de que eu queria aquilo ia aumentando, mas era algo tão novo e diferente que havia alguma pequena parte de mim me fazia ter um pouco de hesitação.
Eu olhava o meu quarto e voltava ao celular e sabia que quanto mais eu demorasse, mais medo eu ficaria e sabia que se o medo tomasse conta de mim, acabaria ficando em casa e aceitando tudo mais uma vez. Eu não queria isto, eu queria ter poder de decisão na minha vida, eu queria poder amar alguém, me sentir livre para me casar com quem eu quisesse, ser amiga de qualquer pessoa independente de quanto ela tem na conta bancária, ir para todos os lugares que eu gosto e não ser mais obrigada a ficar em ambientes que me desagradam apenas porque minha mãe esta preocupada demais com as fofocas de suas amigas. Eu queria viver e era por isso que eu estava levantando, pegando minha mala e saindo porta a fora.
***
– Andy! – disse ao ver minha amiga do lado de fora me esperando na frente de um taxi. – Meu Deus Andy, porque você esta aqui? Eu disse que ia pra sua casa sozinha.
– Que é sua casa também! – ela disse enquanto me abraçava forte. – Cara o tempo te mudou hein?
Sim fazia anos que eu não via Andy e já perdera contato com ela muitas vezes e mesmo assim nossa amizade permanecia firme. Eu havia conhecido Andy em uma biblioteca quando tinha quatorze anos e desde então permanecemos juntas até os dezessete quando ela se mudou para Nova Iorque para ir à faculdade de música e quando se formou voltou à Omaha e ficou por apenas um mês e então retornou à Nova Iorque.
E o tempo fez muito bem para Andy, ela sempre foi uma garota muito bonita, bem alta com quase um metro e setenta e cinco e bem magra, mas com seios sempre bem avantajados e um bunda que era do tamanho perfeito para acompanhar suas pernas de tamanho nada exagerado, do tamanho perfeito, junto com a cor de sua pele de um marrom claro que estava sempre radiante e cabelos cacheados sempre longos e escuros que iam até o meio de suas costas. Seus traços no rosto sempre foram bem marcados, com a sobrancelha arqueada naturalmente, maças do rosto levemente marcadas que davam um toque a mais a sua beleza, o rosto delicadamente arredondado, lábios grossos que formavam sempre um belo sorriso e fariam inveja a qualquer garota que gostaria de um pouco mais de preenchimento nos lábios. Andy sempre chamou muito a atenção pela sua beleza ao contrario de mim que sempre fui uma garota bonita, mas sempre apenas bonita.
Não era tão alta, mas era estava bem com meus um e sessenta e oito, sempre fui bem magra, com pernas ligeiramente finas e acompanhadas por braços na mesma grossura e bem pálida. Minha pele sempre foi branca e apagada, sem brilho nem nada, apenas um branco pálido que muitas vezes cansava ouvir as pessoas perguntando se estava doente. Meus cabelos sempre muito longos e extremamente escuros, chegando num tom de preto azulado que marcavam bem meu rosto com traços sempre suaves, com lábios ligeiramente finos, rosto bem fino e olhos que eu considerava um pouco grandes e verdes escuros. E além de ter seios pequenos e mal tinha bunda, mas tinha alguma coisa. Nunca chamei atenção como Andy, mas também nunca fiz por onde.
– Não sou mais uma baixinha magrela. – ri enquanto o taxista saia do carro e ia colocando minha mala no porta-malas. – Obrigada. – agradeci o senhor que deu um sorrisinho.
– Então, como se sente agora com os pés em Nova Iorque. – Andy disse enquanto entrava e se sentava no taxi.
Entrei e me sentei ao seu lado e fiquei a fitando por um momento, não havia parado pra pensar nisso ainda, não era mais só uma viajem que em alguns dias eu iria voltar. Estava tomando o curso de uma vida, estava deixando tudo para trás e pela primeira vez em minha vida me sentia...
– Livre. – abri um sorriso e com lágrimas nos olhos me enterrei no abraço de Andy.
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