You and I
3 Eu vim para NY pra me divertir
Notas iniciais
– Bom dia! – disse ao ver Andy levantando e indo a minha direção na cozinha.
Estava preparando o café da manhã em agradecimento a ela, eu simplesmente amava cozinhar de manhã, me dava um animo para o resto do dia e sim eu cozinhava bem. Então estava preparando ovos com bacon, algumas panquecas e o suco de laranja já estava pronto, tudo em cima da mesa.
– Bom dia chef. – ela disse passando a mão no rosto para despertar e então se sentando à mesa. – Nossa, não lembro a última vez que preparei um café da manhã. Nem da última vez que usei essa mesa.
– Bom agora nós iremos usar. – falei enquanto tirava os ovos e colocava no prato de Andy. – E senhora sabe o quanto eu gosto de cozinhar então...
– Hmm... Comidinha da Cathe todo dia. – falou enquanto passava uma mão na barriga e outra colocava os ovos com voracidade na boca.
Depois de deixar as panelas na lava louça me sentei à mesa e começamos a conversar sobre o que faríamos hoje, já que era sábado.
– Eu sou uma péssima guia turística, sinceramente. – disse Andy enquanto terminava de tomar seu suco. – Mas nós poderíamos começar o dia dando uma de turista, indo na estatua da liberdade, na Fifth Avenue se você estiver a fim de gastar dinheiro, também na Times Square ou no Central Park. E no final do dia nós vamos a uma festa de aniversário de um amigo meu da minha banda.
– Como assim nós vamos? – disse cruzando os braços. – E se eu não quiser ir hein?
– E você não quer? – Andy disse levantando uma sobrancelha e cruzando os braços também com aquele olhar ameaçador.
– Claro que eu quero! Festa em Nova Iorque, baby! – ri enquanto pegava um pedaço de panqueca.
– Ai, tão novata. – ela rolou os olhos e depois riu.
***
Fizemos vários planos para o dia, mas no final combinamos que teríamos a vida toda para ir nesses lugares e então fomos à loja de Donuts do bairro e compramos vários, voltamos para casa e fizemos uma maratona de Friends enquanto nos empanturrávamos daquelas delicias açucaradas – aqueles foram os melhores donuts que eu comi em toda minha vida.
E para falar a verdade até que fiquei muito bem ali no sofá apenas rindo das palhaçadas da série e comentários irônicos que Andy fazia, olhava para ela, para o apartamento e via minha vida.
E então sorri.
Andy havia feito mais do que me aceitar em sua casa, ela me aceitou em sua vida então ela era mais que uma amiga era uma irmã.
Naquele momento em meio aos meus devaneios olhei para a televisão e vi que já passava das sete horas da noite.
– Andy, então, que horas é essa festa mesmo? – disse enquanto pegava a caixa de donuts no sofá e fui dispensa-la no lixo.
– Começa sete horas. – falou agora deitada ocupando o lugar onde eu sentava.
– Então, da uma olhadinha no relógio.
– Eita. – disse ela num salto que a fez quase cair do sofá e a eu rir. – Vai tomar banho agora! Tenho que embrulhar o presente ainda.
Sai da cozinha e fui logo em direção ao banheiro no corredor enquanto via Andy passar igual um furacão ao meu lado batendo palmas e gritando “Rápido, rápido, rápido!” apenas pude rir e ir tomar meu banho.
Ao entrar no banheiro me despi, enrolei meu cabelo num coque alto e entrei debaixo do chuveiro. Uma das melhores partes do dia era tomar um belo banho e longo, mas sabia que não teria tempo para isso então me apressei o máximo possível. Quando terminei me enrolei numa toalha que achei e já sai do banheiro em direção ao meu quarto para vestir minha roupa logo – roupa que eu mal sabia qual. – e enquanto isso só ouvia passos apressados de Andy pelo quarto, alguns barulhos de papel amassado e ocasionalmente alguns xingamentos e provavelmente alguns sapatos sendo arremessados contra a parede.
Só podia rir enquanto procurava na mala alguma coisa para poder vestir, por sorte avistei um simples, mas sexy vestido preto. Com um decote fundo e um tecido transparente que o cobria e também meus ombros. E para fechar o look iria usar um meia-pata não muito alto e também preto. Simplesmente tudo ficou divino e o que eu pensava com esta noite era apenas arrasar, queria experimentar como era paquerar, ser paquerada, beber e ficar dançando ao som da música até meus pés doerem. Já havia ido a festas antes, mas nunca em baladas.
Mais uma novidade para Catherine Stuart experimentar.
Coloquei-me dentro aquele vestido que não parecia, mas era extremamente justo, botei meus sapatos e fui buscar no quarto de Andy um batom vermelho. Ao entrar apenas vi sapatos sendo arremessados pelo e ar e caindo no chão se juntando ao montante que já estava lá. Olhei para aquilo e não imaginei como uma pessoa normal poderia ter tantos pares de sapados.
– Onde esta a merda do meu Christian Louboutin preto? ONDE! – ela dizia com a cara enterrada em sua sapateira ao lado oposto do quarto onde eu jurava que aquilo era mais um armário de roupas, mas se mostrou ser uma enorme sapateira.
Olhei para baixo e incrivelmente vi os sapatos que ela queria – aquela sola vermelha praticamente piscava no meio de tudo – então levantei o par e perguntei:
– Não seriam estes aqui?
Repentinamente ela virou ao escutar o som da minha voz e seus olhos foram diretos para os saltos, em um pulo ela veio até mim e tirou os sapatos da minha mão os colocou nos pés ficando incrivelmente alta e me abraçou.
– Garota, você salvou meu look! – agora suas mãos estavam no meu rosto apertando minhas bochechas criando uma careta com certeza que a fez dar uma risada. – Sua cara esta hilária.
– Não estou fazendo de propósito! – me livrei de suas mãos e fui até a penteadeira procurar o que queria.
– Eu sei, eu sei! – agora ela estava colocando todos os sapatos de volta a seu armário/sapateira com uma rapidez inexplicável. – E também sei que estamos atrasadas. Sete e quarenta e cinco, garotinha! Só para chegar até a casa do Matt, são quinze minutos.
– Então o que estamos esperando? – perguntei ao terminar de passar o batom e coloca-lo dentro de minha bolsa que estava em meu ombro.
– Agora mais nada, vamos. – Andy respondeu ao pegar uma caixa grande e meio mal embrulhada e sua carteira de mão preta e que combinava com seu lindo vestido laranja de alças finas e uma bela faixa de transparência na cintura, bem abaixo dos seios e uma na barra, aquele vestido lhe caia muito bem e ao seu tom de pele também.
Saímos do apartamento com certa pressa e então esperamos um taxi passar, enquanto esperávamos – o que não demorou muito – me lembrei desse Matt, desse garoto que tanto Andy falava.
– Um minuto Andy! Esse Matt é o Matthew Clifford? Da sua banda? – disse agora a encarando e de braços cruzados.
– Olha um táxi! – ela agora estava acenando para o carro amarelo que se aproximava de nós.
O carro parou em nossa frente, cerrei os olhos e continuei a encarando, agora ela estava mordendo o lábio inferior e ainda não me olhava nos olhos, para falar a verdade ela olhou para todo canto daquela rua menos para mim. Até que abriu a porta e esperou que eu entrasse. Não fiz isso só para que ela me olhasse e foi exatamente o que ela fez, me olhou com uma ferocidade que eu nunca havia visto antes e então apontou para dentro do veículo e disse.
– Se você não vai entrar, eu vou e te deixo ai!
– Ok moça, mas você ainda me deve explicações. – disse enquanto me sentava e deslizava para o outro lado.
Quando ela entrou olhou para janela, suspirou e direcionou seus olhos para mim com certa culpa.
– Eu voltei com ele. – num tom extremamente baixo ela falou.
Meus olhos agora estavam fixados nela sem nenhuma reação, dei uma longa piscada para que meu cérebro pudesse processar tudo aquilo e então como num sopro disse.
– Você voltou com ele? Você voltou com o Matthew Clifford? Voltou pra aquela relação turbulenta? Voltou para o cara que te traiu! – agora meus braços estavam cruzados e eu simplesmente não entendia aquilo. Nem um pouco.
Eu já havia perdido as contas quantas vezes Andy havia me ligado desesperada porque havia tido uma briga com esse Matt, chorando pelas palavras que os dois falavam no calor do momento, reclamando das vadias que estavam dando em cima dele, e ela achando que ele estava dando bola pra elas, nem sabia mais quantas vezes eles haviam terminado e voltado. E também nunca entendi como ela conseguia toda vez voltar para ele depois de uma declaração de amor e dizendo que se arrependia. Já havia dito a ela que essa relação não valeria a pena e se eles estavam separados ela concordava comigo e se ele vinha com toda sua baboseira tudo que ela havia reclamado para mim parecia desaparecer e o amor entre eles florescia novamente. Semanas antes de eu vir para Nova Iorque ela estava separada dele e agora ela me diz que voltou para aquele garoto? E eu simplesmente já não gostava dele – sem nunca o ver sem ser por fotos – por apenas fazer minha amiga sofrer e voltar com palavras bonitas e ela aceitar.
– Voltei Cathe! Voltei, simplesmente porque eu amo ele e ele me ama! Sabe, também...
Nesse momento o senhor sentado no banco da frente que parecia ter surgido do nada, pigarreou e disse numa voz baixa e meio constrangida.
– Bem moças sem querer interromper a... Conversa de vocês, mas preciso saber onde querem que as deixe.
Neste momento fechei os olhos de vergonha, estávamos discutindo em um táxi a caminho de uma festa do atual namorado de minha amiga.
A última coisa que eu queria era discutir a relação iô-iô de Andy e muito menos num táxi, e pior ainda a caminho de uma festa que eu esperava me divertir horrores.
Bom, não estava começando muito bem.
– Ai me desculpe senhor. Nossa me desculpe mesmo, mas queremos ficar na 415 Perry Street por favor.
O senhor assentiu e começou a dirigir e antes que Andy pudesse dizer alguma coisa ou retomar a discussão me adiantei.
– Não Andy, me desculpe. Eu não posso, nem devo falar nada de sua relação com o Matt, ela é sua. E você volta e termina com ele quantas vezes você quiser.
Ela agora havia tomado uma expressão calma e seus olhos transmitiam menos raiva do que segundos antes e então percebi que estava aceitando as desculpas.
– E estamos indo para uma festa. Aniversário dele. Então não vamos brigar mais ok? – apenas suspirei e sorri para ela que fez o mesmo.
– Ok Senhorita Stuart. – ela esticou os braços para abraço.
– Ok então Senhorita Jones. – aceitei seu abraço.
Passamos os poucos minutos conversando o que fez o caminho parecer mais rápido, quando o senhor anunciou nossa chegada dei uma bela olhada na casa que definitivamente estava acontecendo uma festa, com muita gente e o som abafado que se ouvia da parte de fora. A casa era normal, não muito grande com um pequeno jardim da frente com algumas pessoas conversando com cervejas nas mãos, uma varanda e uma garagem. Andy pagou a corrida e saímos em direção a casa, passamos por algumas pessoas e então entramos na festa.
Parecia que algo dividia o mundo de fora do que estava acontecendo ali dentro, de inicio você só sente o baque do som alto entrarem em seus ouvidos e cada parte de você entra no ritmo da música e depois você simplesmente não consegue ignorar as pessoas ao seu lado já que estão tão coladas ao seu corpo e dançando freneticamente. Dei uma olhada em volta e vi pessoa de ponta cabeça bebendo cerveja por uma mangueira, um cara fantasiado de coelho passando correndo, pessoas se beijando nos corredores, casais aos risos subindo as escadas, em alguns cantos pessoas fazendo jogos.
E então é assim estar numa balada.
Andy andava a minha frente e eu apenas a seguia, sentia que estava procurando Matthew e logo percebi que o achou – quer dizer ele a achou – já que um garoto surgiu de algum lugar segurando sua cintura e a dando vários beijos.
Olhei para ele e não sabia o que pensar, ele parecia ser um cara legal, era bonito além de mais alto que a Andy, mesmo de salto. Apenas o olhei e vi que não o conhecia, só conhecia suas atitudes, só o que Andy me contava. Então me dei à chance de o conhece e quem sabe eu não iria gostar dele?
Quando os dois pararam de se beijar, ela o desejou feliz aniversário e entregou seu presente, o fazendo dar um longo abraço e mais um beijo nela. Quando toda essa sessão de carinho acabou – e quase que minha paciência. – a atenção se voltou para mim.
– Então você é a famosa Catherine. – disse Matt praticamente gritando por causa da música e estendendo sua mão para um cumprimento.
– Exatamente. E você é o famoso Matthew. – respondi no mesmo tom quase gritando e apertando sua mão também. – Além disso, feliz aniversário.
– Valeu. – ele abriu um sorriso incrivelmente simpático. – Vamos, vou te preparar uma bebida pra te animar um pouco e entrar no clima da festa.
– Ah obrigada. Espero que esta festa seja boa, vim para Nova Iorque pra me divertir!
– Garota você não sabe de nada, Matthew Clifford dá as melhores festas que você irá à sua vida interia.
– Isso nós vamos ver.
– Cathe é sério as festas do Matt são simplesmente incríveis! Na de vinte anos dele não sei como a policia não apareceu.
– Andy ela apareceu, ou você estava apagada ou já tinha ido embora, porque todo mundo foi enxotado daqui lá pelas quatro da manhã.
– Quatro da manhã? – disse espantada.
– Pois é moça. Te garanto que você vai se divertir. – ele então me olhou e deu uma piscada.
Apenas ri e esperando que eu realmente me divertisse naquela noite.
***
O tempo passou e eu nem percebi, depois de ir tomar a bebida, muito boa por sinal, do Matt ele e Andy me apresentaram a algumas garotas – Ashley, Ann e Jude – e logo depois desapareceram. Eu poderia até ficar com raiva deles se aquelas garotas não fosse extremamente engraçadas e animadas, depois de um tempo rindo de histórias que elas me contavam, fomos dançar ao som de um eletrônico super-animado.
E eu me entreguei à música, deixei que a melodia me guiasse em meio a todos aquele corpos e tomando alguns copos de cerveja que apareciam nas mãos das garotas. Era simplesmente incrível toda aquela animação e agitação até que fui interrompida de meu transe musical, por Ashley me cutucando e dizendo:
– Cathe! Então aquele garoto ali esta te encarando faz um tempinho. – ela apontou para um garoto tatuado sentado num sofá não muito longe de nós.
Olhei em direção a ele até o achar e ver meu olhar cruzar com o seu e ele então acenou com um sorriso torto. Deu uma leve risada em resposta e fui a sua direção e me sentei ao seu lado no sofá e fiquei o olhando.
Aquele garoto era bonito e estava com um sorriso meio bobo no rosto e tinha certeza que estava começando a ficar bêbado. Dei uma risada já que eu estava começando a ficar também.
– O moço bonito tem nome? – disse gritando como na maior parte do tempo ali dentro.
– Tem sim. Axl Rose. – ele disse bem próximo do meu ouvido para não gritar.
– Axl Rose é loiro. – disse um pouco mais próximo de seu rosto e num tom mais baixo. – E velho.
– Sou um Axl que veio do passado e que pinta o cabelo? – ele falou fazendo a mesma coisa anterior.
– Se você é o Axl eu sou a Amy Winehouse. – disse agora levantando uma sobrancelha e tomando o copo de sua mão e bebendo a cerveja que tinha lá dentro.
– Amy esta morta e tinha tatuagens. – ele disse mais uma vez ao meu ouvido e levantando também uma sobrancelha.
– Sou uma Amy Winehouse que veio do passado antes dela ter tattos. – disse num tom de deboche.
– Eu gostei de você. – agora ele estava com um sorriso largo no rosto e encarando meus lábios.
Sem muita noção do que estava fazendo – porque tinha certeza que o álcool já estava começando a afetar minhas decisões já que sã eu nunca faria aquilo – coloquei minha não em sua nuca, aproximei seu rosto do meu deixando nossos lábios muito próximos um do outro e disse com um belo sorriso no rosto.
– Que bom, porque eu também gostei de você.
Então o beijei. E enquanto o fazia uma emoção percorria todo meu corpo, uma excitação, algo novo, e estava gostando do que fazia.
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