You Worth My Sacrifice
9 Thomas Lemaitre
Notas iniciais

...THOMAS LEMAITRE...
Muitos anos se passaram desde meu último encontro com Elieser Chermont, provavelmente meu maior inimigo nesse mundo. Conheci ele por um acaso péssimo do destino, que nos fez ver um ao outro na pior das circunstâncias. Não que eu me importe com péssimos momentos, mas tudo que envolve ele me irrita.
Nunca pensei que as coisas sairiam de controle da maneira que saíram, mas também nunca pensei que deixaria de ser o adolescente aspirante a advogado para me tornar um ser morto que clama por uma veia pulsante e um coração batendo. E eu culpo Elieser.
Claro que eu culpo ele. Tudo isso começou com ele, ainda que eu não tenha sido diretamente transformado por ele. Minha linhagem é a dele e, por consequência disso, ele tem total poder sobre mim e sempre terá. Ele é o único que poderia me hipnotizar se quisesse e pode até mesmo ler meus pensamentos se essa for a sua vontade.
O que verdadeiramente me irrita e muitas vezes me impede de dar passos adiante e ficar sempre preso no passado, é a facilidade que Elieser tem de fazer sempre o nosso jogo mais difícil. Ele poderia facilitar todos os nossos problemas se decidisse apenas me liberar da hipnose que sua irmã me colocou, a qual diz que eu não posso mais beber sangue humano diretamente de uma pessoa.
Os hospitais claramente não gostam de ter alguém roubando seus estoques de sangue, mas o que posso fazer se Elieser não me liberta dessa hipnose ridícula? Ele é o único que pode, já que sua irmã apenas me diz que não pode fazer nada para me ajudar. Não que ela verdadeiramente quisesse, de qualquer maneira.
Durante o passar dos anos, todas as vezes em que me encontrei com Elieser nós terminamos em uma cama, transando sem se preocupar com o amanhã, afinal nunca cansamos. Nossos momentos sempre eram maravilhosos, pois ele sempre me levava com ele e nós nos alimentávamos juntos, até sua irmã acabar com a minha alegria.
Sei que ele ainda me quer, caso contrário não estaria tão interessado em manter Nicolas longe de mim. Por mais que nós dois sejamos agora inimigos, isso não significa que eu não o desejo. Além do mais, essa inimizade só vai durar até ficarmos sozinhos por alguns minutos.
Durante a manhã de hoje Elieser disse que precisávamos conversar e eu apenas aceitei isso, sem contestar ou reclamar. Marcou de vir até minha atual casa, onde estou nesse momento refletindo sobre todos os momentos passados entre eu e ele e, além disso, reflito no momento também sobre o fato de Nicolas ser um garoto de sorte por ter não só Elieser, mas também eu, o cercando e o desejando, ainda que meu desejo não seja verdadeiro, apenas quero provocar aquele vampiro maravilhoso que está com ele.
— Estou aqui, vamos direto ao assunto. – Se eu não ouvisse tudo claramente mesmo com uma grande distância de mim, teria me assustado com a súbita maneira que Elieser simplesmente surgiu ao meu lado.
— Boa tarde para você também. – Ironizei, o vendo repreender-me com seu olhar severo. Não que eu me importasse, já não me sentia nem um pouco ameaçado perante ele.
— Não me venha com gracinhas. Já passamos dessa fase, Thomas. – Aproximou-se de mim e me encarou de cima a baixo. – O que quer com Nicolas?
— O que eu quero com Nicolas? – Repeti a frase, soltando uma risada nasalada em seguida. – Ora, por que eu iria querer algo com ele? Digo, algo relativamente importante? O único que pode me dar o que eu realmente quero é você.
— Já sabe que comigo não terá nada. Não insista.
— Eu só quero que me livre da hipnose. Estou perdendo minha sanidade e você não quer um vampiro louco andando por aí. – Ameacei, vendo que agora a pessoa a rir era ele.
— Você não pode machucar as pessoas, meu caro. Não há motivos para eu me preocupar com você. Se quiser mesmo reclamar, eu acabo te hipnotizando de uma maneira muito pior, aí sim você verá o que é a dor de um vampiro. – Seu sorriso sarcástico nem parecia demonstrar a forma áspera e grandemente ameaçadora com que ele soltou sua frase.
Forcei um suspiro. Eu não tinha o que fazer, tampouco sabia o que pensar para tentar reverter a situação. Era um jogo que eu já havia perdido e minha mente estava agora tão conturbada e submersa, que eu simplesmente sentia que o pior ainda estava por vir e eu não teria como combater.
Que eu nunca tive chances contra Elieser, isso é verdade, principalmente quando ele derretia meu coração gelado e me dava as noites mais prazerosas que já fui capaz de experimentar, mas a questão é que depois de tanto tempo eu esperava não sentir mais essa palpitação estranha que me atinge. Eu esperava sentir indiferença e não me sentir humano novamente, com sensações forçadas que eu nem mesmo tenho controle sobre.
É complicado, no seu maior e mais pesado grau. Eu não tenho escolha a não ser sucumbir aos seus desejos e deixar que me domine e me possua. Sou o brinquedo que ele pode usar quantas vezes quiser à sua maneira e depois jogar fora, pois não tenho controle sobre meu corpo, minha mente ou meus sentimentos. Elieser é o dono de tudo, mas só agora, que esses pensamentos voltaram a me atingir, foi que eu percebi que sempre pertenci a ele e, como se pode perceber, ele nunca pertenceu a mim e assim continuará.
Sua política de não repetir sexo não se aplicou a mim por muito tempo, talvez essa situação seja assim até agora, mas que ele nunca sentiu nem o mínimo afeto possível por mim, isso não posso negar. A maneira com a qual caí em amores por ele nunca vai ser recíproca, nem nos sonhos que não posso ter a dádiva de sonhar.
Ele sempre será melhor, mais forte, mais desejado e dono do meu corpo e alma e eu sempre serei submisso a ele, em todos os sentidos, até nos mais esdrúxulos. É horrível, de uma maneira única e incrivelmente deliciosa.
— O que sente por ele? – Indaguei após meus breves pensamentos. – Por Nicolas.
— Isso não é um problema seu. – Respondeu de maneira mais ácida ainda. – Mas, se quer mesmo saber, gosto dele.
— Você o ama?
— Eu disse que gosto, não disse? Isso basta. – Suas palavras eram como tiros e as balas me perfuravam dolorosamente; tal dor que eu nem mesmo imaginava que ainda poderia sentir. – Aproveite enquanto estou sendo amigável e estou apenas pedindo que se afaste. Se eu realmente tomar uma atitude e te obrigar a se afastar, te garanto que não vai ser nada sútil ou agradável.
— Nem doce como a morte? – Tentei provocá-lo, aproximando meu corpo do seu.
— Doce como a morte? Desde quando a morte é doce? Além de todas as coisas estranhas que te contemplam você ainda por cima enlouqueceu?
— Culpa sua. Você me fez perder a cabeça. – Aproximei-me ainda mais de seu corpo, tocando-lhe a bochecha com meus lábios e percorrendo uma trilha até sua orelha. – Não quer também me fazer perder as roupas?
— Está mesmo tentando me seduzir? Acha que eu não conheço você? – Riu sarcasticamente de novo. – E agora que eu estou bem com Nicolas, não vou jogar isso fora.
— Nem que eu te faça a promessa de me afastar dele? – O encarei diretamente nos olhos. – Nós dois sairemos ganhando, você sabe disso. Sexo em troca de eu me afastar. Você ganhará um prazer enorme e ainda por cima não precisará se preocupar com o fato de eu estar perto dele.
— Não! – Ele praticamente rosnou, mas eu o ignorei, começando a tentar tirar sua camisa enquanto ainda fitava seus olhos. – Eu disse que não. Você é surdo?
— Tudo bem. Mas depois não me reclame, certo? Eu tentei fazer um acordo com você e você não quis me...
— Ah, cala a boca!
Essas foram suas últimas palavras – que por um acaso me interromperam bruscamente – antes de ele me atirar com força contra a primeira parede que estava por perto. Minhas costas atingiram a superfície plana com tamanha força ao mesmo tempo em que seus lábios se encontraram vorazmente com os meus em um beijo agressivo, assim como tudo que nos envolvia.
Minhas mãos apertaram com força as costas de Elieser, aproveitando e puxando com força sua camisa e a rasgando inteira, recebi uma mordida no lábio em resposta e, em seguida, senti ele passear com as mãos por baixo da minha camisa, também a rasgando para tirar fora.
O empurrei com força contra a cama, vendo ele afundar no colchão com a minha violência. Sorri de maneira safada, meus olhos pingando luxúria o admirando sem se cansar de sua beleza inigualável. Seus olhos devoravam meu corpo enquanto eu terminava de me despir, ficando totalmente nu apenas para ele ver e tocar o quanto quisesse.
Subi por cima de Elieser e o beijei, a sede que eu sentia dele nunca era saciada o suficiente para eu me afastar por tempo o bastante; eu sempre queria mais. Enquanto nossos lábios praticamente se atacavam, desci minhas mãos por seu corpo com o intuito de tirar o restante de suas roupas e logo ele também se encontrava totalmente despido. Trocamos de posição na cama, com Elieser ficando por cima de mim e me virando com força de bruços na cama. Como eu disse, é sempre tudo na base de agressão entre nós dois, mas como eu não sinto dor, meu prazer se multiplica até com as coisas que deveriam me machucar e não me machucam por motivos óbvios.
Senti seu membro me invadir com ainda mais força do que seus toques, mas não tive a capacidade de reclamar, não quando apenas por sentir sua pele tocando a minha eu já me desmanchava por completo. Era delicioso tê-lo dentro de mim, assim como eram deliciosos todos os seus toques.
Ainda sem delicadeza alguma, Elieser me virou na cama, me pegando em seus braços e chegando em outra parede com uma pressa sem igual, logo se encaixando em mim novamente. Meus braços o rondaram pelos ombros e eu me apoiei nele, enquanto ele me segurava pela cintura – mesmo com minhas pernas presas na cintura dele – e eu mesmo me movia em seu colo, subindo e descendo em seu membro sem parar, acelerando cada vez mais o movimento de nossos corpos um contra o outro.
Seus lábios se grudaram em meu pescoço, mas logo subiram até minha boca, sugando meus lábios e mordendo os mesmos. Segundos depois ele novamente estava com a boca em meu pescoço, mordendo-o com força, arrancando assim um gemido ainda mais alto de mim. Suas mãos percorreram meu corpo e pararam ao alcançar meu membro, se ele queria que eu perdesse o pouco de juízo que restava em mim, conseguiu naquele momento.
Não demorou para Elieser chegar ao seu ápice, levando-me ao meu próprio logo em seguida. O puxei contra mim e fui andando aos beijos com ele até o banheiro, entrando debaixo do chuveiro ainda aos beijos e ligando o chuveiro em seguida.
— Eu quero mais. – Sussurrei em seu ouvido, mordendo sua orelha e beijando o seu pescoço, o mordendo de leve por toda aquela região.
— Então você vai ter mais. – Seu sorriso sombrio deu lugar a um sorriso malicioso, puxando meus lábios em seguida mais uma vez.
Elieser me grudou de frente para a parede do box, beijando minhas costas e minha nuca enquanto mais uma vez me penetrava, com ainda mais força e ainda menos delicadeza ou carinho.
E o pior é que aquela agressividade só deixava tudo ainda melhor.
Os gemidos que em outros momentos eu reprimiria dentro de mim agora saíam sem eu me importar, simplesmente escapavam, assim como os dele, que atingiam meus ouvidos e me davam espasmos de prazer pelo corpo inteiro.
Não foi difícil chegarmos ao nosso ápice novamente, ainda mais com a maneira que ambos nos tocávamos, já que eu mesmo de costas o tocava como podia. Ele me virou para si e me deu um último beijo, me prendendo contra si o máximo que podia.
O beijo dele era simplesmente o sabor mais delicioso que já provei e eu nunca estaria satisfeito o suficiente para não querê-lo mais.
Talvez essa seja a maldição da minha vida, não?
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