You Worth My Sacrifice
16 Não é mais segredo
Notas iniciais

— E eu sou o seu futuro, Elieser Chermont? – Perguntei a ele de um jeito meigo e doce, fazendo com que ele risse.
— Ah, Nicolas Henderson, eu espero que sim.
O sorriso que se formou em meu rosto mal cabia em meus lábios. Uma súbita alegria tomou conta de todo o meu ser e eu coloquei isso para fora inclinando-me e novamente o beijando, permitindo que ele tocasse meu corpo o quanto quisesse.
Eu ainda tentava entender como havíamos chegado tão rapidamente naquele quarto, mas de repente a vontade de saber tal resposta já não estava mais me rondando e tudo que eu fiz foi jogar tudo para o alto e aproveitar o momento que estava ali acontecendo naquele instante. Eu apenas queria seu corpo e nada mais importava.
Ele gostava mesmo de mim, agora eu tinha certeza disso. Elieser sempre me esconde tudo, mas resolveu contar a verdade sobre ele e Thomas, então eu posso finalmente confiar nele, certo? Posso confiar que ele não vai mais ser o idiota que eu pensei que ele fosse, não é?
Podendo fazer isso ou não, eu faria de qualquer forma. Esse era o tamanho do meu sentimento por ele e o envolvimento entre nós apenas crescia.
Meu corpo se entusiasmava mais a cada toque. Era sempre como se fosse a primeira vez quando se tratava de Elieser, que sempre me surpreendia mais e mais. Minha camiseta foi a primeira peça atirada ao chão sem dó ou piedade, e a camiseta dele foi o item seguinte a ser jogado no tapete.
Suas mãos agilmente me seguraram pela cintura e me colocaram deitado na cama, mas resolvi não ser controlado naquele momento. Eu estava elétrico demais para simplesmente receber seus toques, queria algo diferente naquele dia.
Troquei de posição com ele, mesmo vendo sua relutância e a enorme interrogação em seu rosto. Sorri e beijei seus lábios, descendo os beijos para seu pescoço e o mordendo de leve ali, descendo mais os meus beijos por seu corpo, até que cheguei em sua cintura e passei a despi-lo dali para baixo, deixando o totalmente exposto para mim.
Com um sorriso muito safado, puxei ele para que Elieser sentasse na cama e subi sobre seu colo, remexendo-me sobre seu membro para provocá-lo, vendo o morder o próprio lábio inferior e reprimir um gemido.
— Não se reprima, Eli, eu quero ouvir você... quero saber se sou bom o bastante. – Sussurrei em seu ouvido, mordendo sua orelha em seguida.
— Eu faço questão que você escute, então... – Ele também sussurrou, me apertando a cintura novamente e me empurrando para trás.
Acabei batendo a cabeça contra o travesseiro, já tendo o restante de minhas roupas sendo arrancadas e beijos sendo distribuídos por todo o meu corpo, inclusive em partes que me fizeram praticamente me derreter sobre aquela cama.
— Você quer fazer algo diferente, Nic? – Sussurrou a pergunta enquanto friccionava nossos corpos, em fazendo revirar os olhos de prazer quase que não aguentando mais aquilo. Precisava de algo a mais.
— Depende o que você tem a sugerir. – Respondi sem olhar para ele, contorcendo-me perante seus toques.
— Eu quero sentir você, Nicolas, dentro de mim.
Encarei Elieser como se perguntasse se ele estava falando sério. Pelo sorriso malicioso que estava em seu rosto eu consegui jurar que sim. Lembrei-me de quando ele disse que, com ele, eu poderia entrar em qualquer lugar, menos em seu corpo. E ali estava ele, justamente me oferecendo aquele tipo de contato.
Empurrei ele da mesma forma que ele havia me empurrado, subindo sobre ele para beijá-lo novamente. Sua mão apertou minhas coxas com força, fazendo-me arfar. Era sempre muita força sendo colocada sobre o meu corpo por conta dele. Queria eu ter a mesma força para devolver para ele tudo que ele me proporcionava, mas confesso que era bem complicado chegar aos pés de Elieser Chermont.
— Certeza disso? – Perguntei, vendo que ele riu de maneira debochada.
— Acha que eu tenho medo? Pode ir, com a força que quiser. Eu não ligo. Até quero que doa. – O sorriso sádico que surgiu naqueles lábios me fez ir de encontro a eles e trazê-los para mim de novo.
— Você só pode ser muito masoquista, ou sadomasoquista, vai saber... – Falei de brincadeira e ele apenas riu mais um pouco. – Mas, agora que permitiu, arque com as consequências.
— Faça o que quiser com o meu corpo. Sou todo seu.
O meu sorriso malicioso apenas aumentou. Apalpei seu corpo inteiro, fazendo mais ou menos o que ele normalmente fazia comigo. Preparei-o da mesma forma que ele fazia comigo, acompanhando suas deliciosas reações conforme eu movimentava minha mão aqui ou ali.
Quando encaixei-me em sua entrada, me senti um pouco nervoso, mas apenas lembrei da falta de carinho que ele tinha nas primeiras vezes em que transamos. Ainda assim, tentei ser calmo, porém Elieser me puxou com força com suas pernas se enrolando em minha cintura. Acabei soltando um gemido com aquilo.
Honestamente, nunca pensei que transaria com Elieser desse jeito, não me imaginei sendo ativo com ele, provavelmente por estar gostando bastante de ser passivo. Não queria mudar. Mas como ele sugeriu, por que não tentar, não é mesmo?
Passei a me movimentar mais rapidamente depois de alguns segundos, tentando ir o mais longe que conseguia, logo me inclinando para mordiscar os lábios carnudos de Elieser. Sussurrei em seu ouvido algumas coisas obscenas que o fizeram me apertar ainda mais despudoramente; eu ficaria todo marcado, disso eu tinha certeza. Aproveitei e sussurrei um “se toca para mim, Eli”, praticamente gemendo minhas palavras em seu ouvido, vendo ele levar a mão até o próprio membro e se masturbar, gemendo algo provavelmente para me provocar. E deu certo.
Me movimentei ainda mais rápido, movido pelos gemidos e pela excitação do momento. Ao mesmo tempo que queria o meu ápice logo, queria ficar ali para sempre aproveitando aquele prazer absurdo. Quando Elieser chegou ao seu ápice, seu corpo se comprimiu por inteiro e isso foi o suficiente para me fazer ter um orgasmo.
Meu corpo caiu mole sobre o seu. Tentei recuperar minha respiração enquanto sentia suas mãos me envolverem e acariciarem minhas costas.
— Suas mãos estão sempre frias. – Comentei, ouvindo sua risada.
— Pior é que é verdade. Mas isso não é algo de agora. Sempre fui assim, eu acho. – Deu de ombros. – Você que sempre está quente.
— É, talvez. – Também dei de ombros, ajeitando-me mais confortavelmente sobre ele. – Você vai estar aqui quando eu acordar?
— É uma possibilidade. – Riu ele, então me escorei mais.
— Dorme bem, então.
— Você também...
E, junto às suas palavras, senti um chamego em meus cabelos e, após isso, caí no sono sem me preocupar com mais nada. Só nós dois importávamos naquele momento.
Acordei-me no meio do escuro, incapaz de reconhecer o lugar onde eu me encontrava. Visualizei em uma extremidade oposta à aquela em que eu estava uma prateleira muito conhecida por mim, então percebi que estava em minha cama, em meu quarto e sozinho, aparentemente.
— Ah, você já acordou. – Ouvi a voz de Elieser irromper meus pensamentos e abri um sorriso por reflexo. – Eu saí para comprar sorvete.
— Oba, eu adoro sorvete! – Ele riu com o que eu disse e sentou ao meu lado, abrindo o grande pote de sorvete de chocolate, já me dando uma colher e pegando a outra para si.
— Percebe-se. Parece até uma criança com esses olhinhos brilhando.
...
— Tudo bem, mãe, eu vou ficar no quarto estudando um pouco, já que tenho prova amanhã. – Avisei minha mãe, dando um beijo em seu rosto e já subindo as escadas.
Quando subi os degraus, andei pelo corredor no andar de cima e abri a porta que dava para o meu quarto. Entrei e me atirei na cama, conferindo meu celular e vendo uma mensagem de Elieser. Ele estava apenas dizendo que não iria no encontro que o nosso grupo faria para estudar, então eu o respondi dizendo que estava tudo bem e eu sim iria.
— Que lindo esse sorriso de quem está apaixonado. Está falando com Elieser, por acaso? – Ouvi uma voz que eu já conhecia e, por conta do susto, derrubei meu celular no chão.
— O que você está fazendo no meu quarto, Thomas? – Encarei-o ainda assustado, tentando processar o motivo pelo qual ele poderia estar ali. – Como chegou aqui?
— Assim. – Mostrou-me ele, desaparecendo do nada, ali em minha frente. – Incrível, não é?
Minha cabeça girava, não conseguia entender o que estava acontecendo. Perguntei mais de uma vez o que aquilo significava e ele simplesmente disse que eu já sabia a resposta, apenas não queria a enxergar. Mas a verdade é que eu não sabia, se soubesse não perguntaria.
— Por que fica nesses joguinhos? Eu só quero saber o que está acontecendo e como você consegue fazer isso. – Eu já não aguentava olhar na cara de Thomas, adquiri uma raiva por ele que eu ainda não entendo exatamente o motivo, mas deve ser por conta do escândalo que ele fez em pleno refeitório.
— Você nunca se perguntou o motivo de o seu namoradinho aparecer e sumir do nada? Nunca sentiu um arrepio durante a noite por ele estar ao seu lado cuidando do seu sono? Nunca percebeu que ele está sempre gelado? Honestamente... pensei que você fosse mais inteligente. – Disse ele em forma de desdenho. – Eu e ele somos iguais, isso faz parte do motivo pelo qual deveríamos estar juntos.
— É, agora eu percebo o quão apaixonado por ele você é.
— Ele também é apaixonado por mim, só não percebe isso. – Revirou os olhos.
— Ele gosta de mim, caso contrário não estaríamos juntos. – Rebati contra ele com certeza do que falava, mesmo que eu não tivesse aquela certeza por completo.
— Se ele gosta mesmo de você, suponho que ele te conte todos os segredos que tanto tenta manter para dentro de si, certo? – Acabei deslizando e não o respondi. – Porque se sim, você provavelmente sabe que ele é um chupador de sangue que matou o seu melhor amigo, Brian, não é? Claro que deve saber disso.
A risada maligna que ele deu foi abafada em meus ouvidos, pois travei no momento em que ele me fez aquela pergunta. Eu queria muito acreditar que aquilo era apenas uma grande mentira inventada para me fazer sofrer, mas não poderia arrancar essas respostas de Thomas uma vez que ele já havia desaparecido.
Agora tudo parecia fazer sentido: as vezes em que Elieser simplesmente apareceu e desapareceu do nada, todas as vezes em que ele chegou perto de mim em uma rapidez inimaginável, sua pele sempre fria, o fato de ele comer tão pouco, até mesmo sua agressividade em certos momentos.
Não era coisa da minha cabeça. Para alguém como eu que tanto lê, como não percebi antes? Eu só consigo me sentir traído, usado... é horrível.
Levantei da cama com fogo saindo pelo meu olhar. Desci as escadas em meio a lágrimas e saí de casa, batendo a porta da frente. Iria tirar satisfações disso e seria agora. Cheguei na casa de Elieser quase que em tempo recorde e quase derrubei a porta de tanto que bati na mesma.
— Nic, tem uma campainha aqui, sabe... – Seu sorriso, que estava em seu rosto quando abriu a porta, se desfez ao ver minha feição. – O que aconteceu?
— Eu acho que nós precisamos conversar, Elieser.
Fale com o autor